maio 12, 2004

Hoje a redacção é sobre blogs

Pois, parece que a blogosfera se sobressaltou “bué”, como diz a Cèlinha. O colectivo de redação da “doméstica” que é como quem diz – eu e o Cocó – debateu empenhadamente a questão, entre a passagem a ferro de uma pilha de roupa, a vinha d’alhos do entrecosto prò jantar, e o “afogar” do pão que sobrou do fim de semana para umas belas migas de acompanhamento.
Como isto aqui na redacção (leia-se banca da cozinha) é democrático, no final fomos a votos e tirámos conclusões.

. primeiros: é mesmo um grande sobressalto pensar que podem fechar esta minha janela para o mundo; era assim como se entaipassem as janelas da minha casa, ou fechassem o bico do meu Cocó com um cadeado.

. segundos: isto é assim à primeira vista porque depois, pensando melhor, eu não sei bem como é que se fecham milhares (ou milhões) de blogs pelo mundo fora de um momento para o outro. A não ser que alguém descubra onde é que fica o interruptor geral que desliga a Internet! Quer dizer: a Internet não é assim uma loja, uma casa, uma empresa. A internet está espalhada por milhões de computadores no mundo todo, e é por isso que se chama inter + net, que eu sei que “net” quer dizer “rede” em inglês. Se fechassem o nosso “bairro” do weblog.com.pt, eu ia logo à procura de outro bairro, no Sapo ou no Brasil ou num cafundó qualquer por esse mundo fora, de graça ou a pagar, mas lá deixar calar o bico ao meu Cocó é que eu não deixava, que liberdade é poder dizer o que pensamos e sentimos quando queremos ou sentimos necessidade (e sobre isto vou voltar a falar mais abaixo).

. terceiros: antes de fecharem os blogs, não era melhor procurarem e fecharem os sítios de pedofilia, ou aqueles que ensinam a fabricar bombas e praticar o terrorismo? Eu cá faço uma proposta aos senhores que mandam no mundo: primeiro fechem todos os sítios de pedofilia, depois os sítios que apelam ao terrorismo, e depois acabem com os blogs todos, incluindo o meu. E vou dormir descansadinha, porque sei que daqui a dez anos ainda vamos, eu e o meu Cocó, tar a blogar na maior.

. quartos: e voltando ao segundo. Atão esta gente navega na internet, escreve na internet e não sabe que a internet não tem princípio nem fim, logo não tem portas nem fechaduras nem chaves? Tá bem, pode-se fechar uns sítios –alguns bem merecem -, pode-se até fechar um “bairro” inteiro, mas é preciso haver uma boa razão para isso, como aqui há uns anos quando puseram um sítio pornográfico no Terràvista e o Dr. Carrilho apanhou um grande susto porque se calhar nunca tinha pensado que pudesse acontecer uma pouca-vergonha daquelas num sítio que até era da cultura e tudo e a intenção do Doutor até era muito boa e louvável quando se criou aquele portal. E depois fechou-se aquele sítio pornográfico e pronto, o Terràvista lá está. Lá porque nos dói um dedos, não vamos cortar a mão, não é?

. quintos: ou seja, o pessoal “embandeirou em arco” com uma coisa que os Portugueses gostam muito, que é o “lá me estão outra vez a atacar”, que a gente todos adora fazer de vítimas (é verdade, somos vítimas muitas vezes – dos governos que se estão marimbando para nós e só nos querem dar mais impostos e menos direitos, e depois pedir o votozinho de quatro em quatro anos... e nem vou dizer mais pra não desatarmos todos a chorar).
“Leram as gordas” como se diz, e nem pensaram duas vezes, nem pararam para raciocinar, vamos mas é queixar-nos e lamentar-nos todos muito – um dos desportos favoritos em Portugal, logo a seguir a ver futebol na televisão.
Eu e o Cocó fomos saber o que se passava, pensámos e debatemos primeiro, tirámos as devidas conclusões, lavrámos e assinámos a acta e só depois – neste momento – publicámos a nossa opinião.
Se calhar alguém vai achar que isto é uma data de disparates pegados, mas pelo menos foram bem “digeridos”, como está a ser o nosso jantar de entrecosto frito com migas à Alentejana.

. sextos e para pensar um pedaço: será que não anda por aí um bocado de falta de assunto? Aqui a redação, por exemplo, ficou muda uns dias por falta de assunto ( e também porque algumas coisas menos boas nos têm roubado a disposição, é verdade). Se não há assunto, não há redacção e pronto! Paciência... com tanto blog jeitoso por essa internet fora, não vale a pena escrever só “porque sim” – há por aí muita coisa interessante para entreter quem quer ler. Baixam as audiências? Deixa lá! Não há anunciantes a queixar-se e a retirar anúncios, logo não há prejuízo!

Esta última parte, que me desculpe quem não gostar, tem a ver também com umas coisa que li, sobre plágios e cópias e pessoas que dizem o que leram nos blogs dos outros ou copiam notícias e imagens e fotografias que tiram de outros blogs e sítios.
Aqui entram duas coisas:
. primeiras: a falta de respeito pelos direitos do autor que escreveu aquilo em primeiro lugar, directamente de dentro dos seus neurónios, e isso chama-se plágio, quando não roubo. Por uma brincadeira dessas houve uma senhora cientista que viu o fim do contrato que tinha com uma revista onde escrevia todas as semanas.
Mas para muito boa gente – incluindo vários milhões de Portugueses – só tem direitos quem produz cadeiras, e camisolas e bolas de Berlim e coisas dessas, porque não se podem copiar nem clonar nem fazer copia/cola: ou se compram, ou ficam na loja. Se o que uma pessoa cria é coisa escrita ou cantada ou programa de computador, parece que “é do povo”, é de todos, pode-se copiar para os vizinhos, amigos, parentes e benfeitores – porque o autor, o criador, aquele que puxou pelos miolos para partilhar com os outros a sua obra, vive do ar, ou tem à sua porta o maná do deserto todos os dias à hora a que o padeiro devia passar mas não passa porque ele, o tal autor, não tem dinheiro para lhe pagar, mas sabe que há quinhentas cópias feitas dos cinco exemplares que a sua obra vendeu, dos quais ele não vê um cêntimo de direitos de autor. (tá bem, eu sei que os livros quase pagam imposto de luxo, mas queixem-se à Deco, façam manifestações, greves, o que quiserem – desde que paguem as obras a quem de direito)

. segundos: falta de ideias próprias. A gente ou tem, ou não tem; se não tem, não escreve. Quando eu tinha nove, dez, onze anos e lia as aventuras d’Os Cinco sonhava um dia ser escritora, fazer assim uns “Cinco” com putos portugueses e coisa e tal, à maneira, achava que devia ser giro e que os outros miúdos iam achar mais graça por ser gente que vivia no mesmo país e falava a mesma língua. Mas nasci sem talento para escrever romances de aventuras, e é por isso que ninguém encontra nas lojas os romances da Vitriólica. Sorte da dona Ana Maria Magalhães e da Dona Isabel Alçada!
Há pagode por aí que acha que basta dar umas voltas na Net, uma busca no Google, e sai uma foto baril, um poema com piada – põe-se um título por cima, duas linhas de comentário por baixo, e sai um “post” digno de um futuro Ciber-Prémio Pessoa (pense nisso, Dr. Balsemão!).
Faço justiça a muitos blogueiros que têm ideias e imagens saídas das suas próprias cabeças, ou então usam de vez em quando uma imagem, ou texto, ou poema “pedidos emprestados” aqui e ali. Alguns, reparem, até usam livros que pagaram numa livraria, seus de verdade! E muitos indicam o autor se o texto não lhes pertence. Mas muitos nem a esse trabalho se dão...

Se teve coragem para ler esta redacção mesmo até aqui, parabéns! – e obrigada :)
E disse.

maio 12, 2004 11:18 PM | TrackBack
Falaram:

MUITO BEM! APOIADO! Vale a pena ler e meditar. Parabéns pela lucidez

Disse Agnes, em maio 13, 2004 12:19 AM


Não consegui parar de ler!
Só razão :)

Disse annie hall, em maio 14, 2004 01:39 AM

Very useful comments - good to read

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Disse best online casinos, em agosto 1, 2004 02:52 AM
Diga coisas!









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