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outubro 20, 2003

Casas de banho públicas...

... são o espelho das cabeças dos Portugueses?
É o que eu pergunto a mim própria quando tenho que utilizar algumas.
Se há aquelas que estão limpinhas e apresentáveis e não têm nada que se lhes diga há outras, senhores...
Valha-me Deus, mas a gente só entra lá porque não tem a parte de trás de uma árvore ali à mão de semear!

Ele é o chão alagado que se uma pessoa vai de calças tem que se arregaçar para as ditas não servirem de esfregona e entranharem-se daquele líquido acastanhado . nem quero pensar na composição química!
A tampa meia solta e nem sempre asseada, o fundo cheio de restos de papel e de outros restos que não tenho vontade de descrever; o cesto de papéis, quando existe, a transbordar de todo o tipo de materiais de cores e cheiros de todos os géneros; um destes dias a pilha tinha uma altura que quase me dava pela cintura (é verdade que só meço 1,55m.)
E a porta, senhores, será ela uma antepassada dos blogs?!... (Lembro-me que no meu Liceu se dizia que havia um Professor . o Dr. Gomes, de História - que ia organizar uma antologia de textos de portas de W.C.) Nos tempos em que eu era (ainda mais) ingénua, fazia-me impressão ver entrar e sair daquele local senhoras muito bem vestidas e maquilhadas que pareciam mesmo umas Senhoras Donas, e quando lia aquela .literatura de m.... ficava surpreendida e quase chocada por pensar que aquele chorrilho de palavrões e aquelas descrições porcas só podiam ter sido escritas por aquelas mãozinhas delicadas, manicuradas, de unhas bem pintadas. Como eu costumo dizer, .não ligava nada o nome com a pessoa..
Isto era há mais de vinte anos, mas as coisas não mudaram nada.
Vivemos numa época em que todos querem parecer bem . o que eu acho muito bem, por sinal! -, só que afinal vai-se a ver e as coisas não mudaram nada. As pessoas mudaram por fora mas esqueceram-se de mudar por dentro, a maneira de pensar, a mentalidade, ficaram lá no tempo das caravelas, do atirar os despejos pela janela sem sequer dizer .água vai..
Talvez o Governo, que anda sempre a pensar em maneiras novas de .criar incentivos para as empresas., devesse pensar em criar .incentivos para a boa educação e o civismo dos cidadãos..
Mas isso deve ser muita areia para a camioneta deles, porque os governos modernos só governam para a economia e as empresas e esquecem-se que são governo porque o povo os pôs lá. Para eles o povo é assim como um cometa que só está perto durante três meses de quatro em quatro anos . mesmo antes de irem a votos.
Será que a política é a Grande Casa de Banho Pública dos Portugueses, com um cheiro pouco agradável e muitas ideias de m...?...
E disse.

Opinadela de vitriolica às outubro 20, 2003 12:01 AM

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E disse bem. Como quem diz, tirou-me as palavras da boca. Se não nos conformamos com os WCs públicos que (não)temos... deviamos era fazer uma manifestação frente ao Palácio das Necessidades, que me parece o sítio mais indicado.

Opinanço de: manif-lover às outubro 20, 2003 12:19 AM

Cara Dona Vi,lamento informá-la de que, já na literatura de viagens do séc XVIII, existem registos semelhantes ao seu. Onde se diz (cito de memória): os portugueses são um povo sem hábitos de limpeza. Bem vestidos por fora, não gostam de se lavar. Sobretudo as damas...

Opinanço de: IF às outubro 20, 2003 12:32 AM

Mais uma vez certissima D.Vi. Mas o engraçado é que toda a gente se queixa que paga sempre uma conta de água muito grande. Das duas uma, ou mentem ou então o litro da água que vai para casa sai mais cara que o Chateau Laffite.

Opinanço de: Chibo Velho às outubro 20, 2003 12:59 AM

Boa proza nos serve a Dona Vi.
Um primor.
Não se pode dizer que seja um texto de m----.
Nada disso.
Este texto é o espelho dos portugueses, mesmo que, como se diz "já na literatura de viagens do séc XVIII, existem registos semelhantes".
O certo é que, no início do séc.XXI tudo continua como dantes...

Opinanço de: Dizer Bem às outubro 20, 2003 01:18 AM

Olá D. Vi, vim fazer mais uma visita para pôr a conversa em dia, hoje despachei-me das compras mais cedo e pude ficar mais um bocadinho. Isto para lhe dizer que fui ver o seu livrinho de moradas e (nem sei como dizer isto mas...aqui vai) Amei! a 'Filha/artista'.
Um caderno de escola assim é mesmo de preservar.
Obrigada, pela 'ligação', é pena que na página não exista um 'imeil'.
Amanhã, ou depois passo para mais umas novidadezitas, não se preocupe ... eu trago os biscoitos.
Ainda bem que apareceu cá pelo bairro, eu por enquanto ando só a ver 'das casas'.

Opinanço de: Rosa às outubro 21, 2003 12:09 PM