Senhores que mandam neste País, poupem-nos que a gente está de gatas com tanta porcaria.
Não temos mais onde poupar senão os nossos pobres bestuntos, as nossas almas fartas de tanta desconsideração.
Todos falam em nome dos Portugueses, do “bom povo de Portugal” como dizia um senhor aqui há atrasado; todos dizem que vão fazer isto e aquilo pelos Portugueses, é só fazer mais um pequenos esforço, só mais um “pequeno” sacrifício” e logo vêm dias melhores...
A gente aperta, aperta, e depois vai-se a ver e volta tudo ao mesmo: “Só mais um furito no cinto, vá lá!...” E a gente aperta, aperta, e fecha mais uma empresa, e mais um não-aumento salarial, e a pobreza e o desemprego a aumentar, e a coisa corre mal e a culpa é sempre dos malandros dos trabalhadores que só querem ter um trabalho e receber o ordenado.
E como a culpa é sempre dos malandros dos trabalhadores, vai mais um incentivo para as empresas, que os empresários estão todos a tinir, coitadinhos.
E onde é que fica o representante da Ferrari, sabes, Cocó? É no Porto, Cocó. Onde estão os maiores, Cocó! Os Grandes Empresários que sacam as ajudas do Governo, da U.E. e tudo o que podem, e depois afinal a coisa correu mal, e lá se despede o pessoal, coitadinhos, a gente não pode. E lá vem mais um carro de luxo, mais uma viagem para o menino que tem 20 anos e acabou (finalmente) o 12º ano, coitadinho, merece um prémio! E mais um apartamento para a secretária que é tão competente e trabalha tão bem – sobretudo quando acompanha o patrão em viagens de negócios.
Hoje é o Dia Mundial da Poupança. Senhores que mandam, poupem-nos o “estresse”, a gente já não pede mais.
E desculpem alguns empresários (que não são “patrões” à antiga portuguesa), e alguns filhos de empresários que são estudantes como deve ser, mais as secretárias que só tratam do expediente. Felizmente ainda vão existindo, mas qualquer dia ganham juízo e emigram.
Eu e o meu Cocó só não emigramos com o Arnaldo e a Cèlinha porque depois tínhamos muitas saudades da “famila”.
E disse.
Hoje apanhei um restinho duma conversa do Dr. Garcia Pereira a falar na Sic Notícias. (27 outubro, jornal das 9). Este Doutor fala bem. Já o tenho ouvido falar noutras vezes; fala de uma maneira que as pessoas entendem, e sabe explicar. E falou destas coisas das escutas e do direito de escutar e de ser escutado, e quem pode escutar o quê. Tem toda a razão, Doutor.
As pessoas que têm poder às vezes esquecem-se que o poder não é delas mas do cargo que ocupam; estão ali para servir o Povo (e neste caso, dando Justiça), e não para usar o cargo e o poder que o cargo lhes dá.
Mais um que sabe falar (que há por aí muito menino que valha-me Deus!...); e este Doutor ainda tem uma outra coisa boa: não é daqueles que andam sempre a dizer que é preciso defender os direitos das pessoas, e depois a gente vai ver e é só trinta e um de boca – ficam-se pelas boas intenções.
A gente já o viu na televisão a defender pessoas que precisam mesmo, que têm problemas com os senhorios ou os patrões.
E agora anda a defender aquele senhor Pequito que se meteu com um grande laboratório e está assim um bocado feito ao bife, e é preciso ter coragem (ou legumes para salada, em bom Português) para se pôr assim a defender um Zé-Ninguém contra uma empresa poderosa.
Precisamos de ter mais algumas pessoas assim, capazes de fazer, e também de falar, de pôr o dedo na ferida. Se as coisas não mudam, o Dr. Garcia Pereira (e outros como ele) vai ter que fazer umas operaçõezinhas às mãos para implantar mais dedos, que este nosso País está muito cheio de feridas.
E disse.
Disse a nossa Rainha naquele episódio que nós todos conhecemos.
“São lamas de enormes propriedades curativas, Mister.” Dirão os nossos responsáveis (?) aos turistas que nos visitam todos os anos, quando a coisa for tão grande que não der para esconder, e as águas das nossas praias mudarem de azul transparente para castanho opaco...
Dizia o Diário de Notícias de 6ª feira passada:
O jurista Philippe Léger refere que «ao não adoptar as disposições necessárias para a qualidade das águas balneares» conforme as regras comunitárias, Portugal «não cumpriu as suas obrigações» no que respeita a assegurar a qualidade das águas do mar e rios utilizados como zonas de banhos.
As falhas aconteceram no desrespeito pelos parâmetros de qualidade, na não identificação de todas as praias fluviais e no incumprimento da quantidade de amostras necessárias para o controlo da qualidade. A queixa tinha sido apresentada pela Comissão Europeia, que abriu um procedimento de infracção contra Portugal em 1996.”
Como de costume, Portugal mostra o que vale: investe milhões a fazer publicidade para “caçar” turistas, e depois não sobra dinheiro para despesas insignificantes como cuidar da qualidade da águas onde vamos tomar as nossas banhocas de verão.
Estava a pensar em voz alta e tinha-me esquecido, claro, do Cocó: “O minha burra – diz ele amável como sempre – então tás-te a esquecer que aos nossos governos só interessa caçar turistas ricos, daqueles que vão para os hotéis de 5 estrelas? Esses tomam banho nas piscinas dos hotéis, minha tonta!”
Tens razão, Cocó! Como sempre! O Cocó virou-se para mim, com aquele ar de dono de capoeira – que não tem, mas ele sente-se como se fosse o amo de um aviário inteiro de galinhas –, aquele ar de Rei do Pedaço, e atirou-me uma frase curta:
“E disse.”
Hoje ao pôr do sol começou o Ramadão (descrito, entre nós, como o “Natal dos Muçulmanos”). Ontem houve dois atentados em Bagdad. Bela forma de comemorar a véspera da festa mais importante!
Hoje foram mais cinco; um deles foi contra a sede da Cruz Vermelha. Primeiro tinham sido as Nações Unidas.
Não confundo uns milhares de fanáticos com os milhões de muçulmanos, seres humanos e normais como nós, que foram ensinados a adorar Deus de uma maneira diferente.
Há muitas maneiras de tentarmos ser cada dia da nossa vida um bocadinho melhores que no dia anterior. A(s) religião(ões) são um dos caminhos que podemos escolher. Caminhos diferentes, resultados iguais.
Os do lado de lá não são melhores que os do lado de cá (eu sou “de cá” só por causa da geografia, que nisto de guerras só há um lado bom: o lado de fora.) O George Bruch, no lugar deles não faria melhor.
Tão bom és tu, como és tu, vê lá tu.
Hoje começou o Ramadão.
E disse.
Eu também tenho direito a fazer as minhas revelaçõezinhas. Todos os domingos, religiosamente, ligo para a TVI por volta das 8 e meia da noite e oiço com toda a atenção o Senhor Professor Marcelo.
O Professor fala bem que se farta. Não tenho “unhas” para dizer se ele será uma pessoa muito inteligente ou não, nas duma coisa eu tenho quase a certeza: de vez em quando deve ir fazer compras à praça.
Eu explico: acho que sou uma pessoa com bastante bom senso, e os meus quarenta e nove anos de experiência mostraram-me que as mulheres têm muito mais bom senso que os homens. Desculpem-me os cavalheiros do sexo masculino, não é nada de pessoal, são gerações e gerações a ir à praça, a governar a casa mais os filhos e um bocadinho o marido – portas adentro.
Tenho a minha teoria de que o bom senso vem destas tarefas todas, e por isso nas mulheres é mais desenvolvido. Já o meu Arnaldo é muito melhor nas Finanças que eu, que não sei muito de matemática, e tem mais sentido prático – fora da cozinha. Cada um é para o que nasce.
Por outro lado, de vez em quando há umas vocações trocadas, e acho que o Prof, Marcelo é um caso desses. Não percebo nada de Direito, nem de Política nem de Economia, e ele fala disso tudo e quase sempre eu dou por mim a dizer: “Ó Arnaldo, eu já tinha pensado isto mesmo!” e é mesmo verdade, não falo para armar ao pingarelho. Outras vezes ele explica as coisas cá de uma maneira, que eu digo logo: “Não tinha pensado nisto, mas ele tem razão – só podia mesmo ser assim.” É verdade que às vezes não concordo mesmo nada com ele, mas essas são mais raras.
Ele vê as coisas com um bom senso que não é muito habitual nos homens (é por isso que eu acho que ele se calhar vai à praça de vez em quando), e sabe falar bem sem usar muitas palavras caras.
É por causa dele que ao domingo ligo para a TVI – só para o ouvir falar. Às vezes dá para ouvir um bocadinho do Dr. Pachecio Pereira nos intervalos. Desculpe lá, Doutor, não é falta de consideração que eu acho que o Senhor também fala bem, mas o Prof. Marcelo tem assim outra pedalada – se calhar o Dr. não foi à praça tantas vezes como ele...
Mal acaba de falar o Senhor Professor mudo de canal, porque não sou muito fã das novelas da TVI.
E disse.
Então o Senhor acha mesmo que “Portugal anda a reboque da Espanha”? Que “foi Madrid que definiu as prioridades nacionais relativamente ao projecto do TGV”?
"Só falta agora que seja Madrid a anunciar quando se fará a linha de TGV entre o Porto e Lisboa". E que mal tem isso? O D. Filipe IV não faria o mesmo se ainda fosse vivo?
(E o Cocó abana a cabeça.)
"Há membros deste Governo que dizem que Portugal deve uma solidariedade incondicional aos Estados Unidos. Mas é preciso lembrar que Portugal partilha soberania com os Estados-membros da União Europeia e não com a administração de George W. Bush." Então o senhor não acha que é muito mais importante ser amiguinho do Bush que manda no mundo todo, do que dos Europeus que querem ter força mas ainda não conseguem?
Acha que o nosso Primeiro Cherne anda a querer trespassar o nosso Poder agora que já não temos quase bens do estado para vender?
(O Cocó abana a cabeça com tanta força que algumas penas começam a voar.) Acabou de me apanhar a ler uma notícia do Público.
Abanou outra vez a cabeça. E disse.
O que seria de nós sem uma imprensa livre, já pensaram?
- O Caso Casa Pia;
- O Caso das Escutas no Caso Casa Pia;
- As contas de Isaltino Morais na Suíça;
- Há 7 inspectores de qualidade alimentar em todo o Norte do País;
- 11 em cada 10 inquéritos não encontram responsáveis pelos problemas, acidentes e afins...
... etc., etc., etc...
(Pausa para explicar ao Cocó o que é viver sem imprensa livre, que ele nasceu muito depois de ’74).
Se não tivéssemos imprensa livre, como seria? Quem nos viria contar o atoleiro em que vivemos, que os “responsáveis” tão-se marimbando prò povo, que no “chique” município de Cascais há uma terra não tão “tia”, que tem o azar de se chamar Tires em vez de Quinta da Marinha, e por isso não há ninguém para mandar consertar a calçada que resolveu ter vida própria e agride automóveis, parte pernas a velhinhas...
O Cocó, que embota seja um animal considerado irracional, tem uma grande imaginação, sugere: “Isso dava para fazer um filme como aquele do “Christine, o carro assassino”. Já imaginaste “A Vingança da Calçada por Todos Espezinhada”?...
Tens razão, Cocó, devia dar um grande filme – acho que vou mandar a sugestão ao Sr. Manuel de Oliveira.
Mas o que eu queria mesmo era ver um filme que mostrasse que os nossos governantes, desde o Primeiro Cherne até ao último Presidente da Junta, se lembram que têm um cargo que lhes foi dado pelo Povo, que lhes é pago pelo Povo, e que o patrão deles é o Povo! O Dr. Ferro Rodrigues, ao menos, tá-se c*** só para o segredo de Justiça. Eles tão-se todos é c*** prò Povo.
Por isso, viva a Imprensa Livre e (quase) Independente!
E disse.
Hoje dói-me o ombro. O Cocó diz que é do caruncho. Tens razão, bicho! O caruncho e esta mudança de tempo. Não estou habituada a ter dores no corpo. É desconfortável, não tenho paciência, chateia-me, irrita-me. Tira-me a vontade de pensar e de escrever.
Podia dar os parabéns ao Carlos Sousa e ao Lobo Antunes.
Podia mandar vir com o Parvalhão Félix, ministro do Desemprego e do “Tou-me Lixando para o Social”; com quem põe serviços de atendimento dum hospital em tendas no começo do tempo invernoso; podia mandar vir com os incendiários, os pedófilos, os que agridem mulheres, filhos, e até as que agridem maridos (fala-se menos nelas mas também existem).
Podia dizer mal do George Bruch que quer mandar no mundo, dos Iraelitas que querem acabar com os Palestinianos (não eram eles que falavam de genocídio a propósito de um tal Adolfo aqui há umas décadas?), de todos os bombistas: palestinianos, iraquianos, altos, baixos, gregos, esquimós, sportinguistas ou benfiquistas. Seja qual for a causa, uma bomba é um objecto sujo.
Podia dizer bem de uma parte da humanidade e mal da outra. Mas estou sem paciência; há dores fortes que se aguentam bem. Esta dor é parva, não dói mas também não desdói. Está aqui quietinha, a lembrar-me que tenho um ombro esquerdo. Tem piada que só me lembro de certas partes do corpo quando elas doem!...
Hoje não lavei a loiça; podia lavá-la se quisesse, que a dor no ombro não é lá muito forte. Não dói, mas chateia; tira-me a paciência. Estou sem pachorra para lavar a loiça. Uma doméstica também tem o direito de tirar uma folga quando não está nos seus melhores dias. O Cocó olha de lado para mim, abana a cabeça com pena: “Tás mêmo mal hoje! Tás a precisar de colinho...”
É tou meia oca, hoje. Sina de doméstica; olha por todos quando não estão bem, e quando é ela que não está bem, olha por si própria, se quiser.
Vou ver se dou colinho à minha pessoa.
E disse.
Pois é, com tanto cantar este mês! Ele foi Parabéns à Mariza Marlene mais ao Alípio no mesmo dia, depois ao Constantino Marcelo.
Hoje é a vez do Natalino Maurício, que é o filho mais velho da minha irmã mais velha, mas acontece que não é ele o meu sobrinho mais velho!
Parabéns, Natalino, e que contes muitos! Cá a tia, mais o tio Arnaldo mais a Cèlinha vamos beber um cálice de Porto à tua; o Cocó ainda está em dúvida, porque da última vez que ele brindou, fui dar com ele de cabecinha a dar a dar e a cantar “I’m like a bird...”. Ainda ando a pensar se o deixo fazer o brinde com o resto da família, mas cá os tios mais a prima, fica descansado que vamos brindar à tua!
Estava eu então a explicar que, sendo filho mais velho da minha irmã mais velho tu não és o meu sobrinho mais velho, és só o segundo mais velho; quem tem essa honra é a Mariza Marlene, também conhecida como M&M, porque a minha irmã Idalete, sendo a segunda mais velha, casou com o tio Laurentino antes da Primeira Mana, a tua mãe (Lizandra) ter casado com o teu pai, o meu querido cunhado Constantino Alcides.
A Lizandra já está reformada mas não parece, pois passa a vida a lavar, a cozinhar, a passar a ferro, a limpar e arrumar, enfim, agora é só doméstica como eu.
Tenho pena de não estarmos juntos numa grande jantarada, mas é o que dá morar longe, e sabes que o carro do tio Arnaldo tá outra vez com aquele problema do carburador e agora não dá muito jeito arranjar que ainda falta uma semana para o fim do mês e sabes como é: os ordenados da maior parte dos Portugueses foram estudados para vinte dias, mas o S. Pedro não sabia e fez os meses com trinta. Ou então foram os Romanos mas vem a dar no mesmo, porque os Romanos fizeram o calendário há muitos anos antes de ser inventada uma coisa chamada contenção salarial, e eles não podiam adivinhar que o mês de ordenado dos Portugueses só ia ter vinte dias.
Ainda bem que a gente comprou a garrafa de Porto no princípio do mês. Temos mesmo à justa para beber um calicezinho logo à noite. Graças a Deus não há mais ninguém da família a fazer anos este mês, senão tínhamos que brindar com gasosa e fingíamos que era champagne como escrevem os franceses (que eu sei que foram uns frades franceses que inventaram o champagne, e deviam ser danados pròs copos para inventarem uma coisa tão boa). Eu sei que é bom porque uma vez bebi um champagne de uma senhora francesa que era viúva de não sei quem mas tinha aquele champagne muito bom que parecia que nem era bebida, era só assim uma espuma muito levezinha –parecia levezinha, mas dava assim a volta à minha cabeça e eu ficava tonta e tinha que me segurar no braço do tio Arnaldo, o que vale é que ele é alto e forte.
E pronto, pessoal, desculpem lá trazer outra vez assuntos pessoais à baila, mas família é família e quando estão longe a gente tem que se lembrar mais deles porque não os vê tantas vezes como gostava e assim sempre se mata um bocadinho as saudades.
E disse.
Eu e o meu Cocó adoramos uma boa sessão de má-língua. Ou não fôssemos bons portuguesinhos de gema!
Ah! Mas gosto muito mais de dizer bem! Dizer mal acalma a irritação, dizer bem faz bem à alma, faz-me sentir mais leve, pensar que talvez ainda haja esperança para a Humanidade.
"Expedição Cin Rota dos Livros" – este ano foi até à Guiné.
Ele há lá coisa melhor que levar seja o que for a quem tem quase nada?
E então livros, o único vício bom que conheço? Ajudar a viciar gente em livros é uma “guerra santa” – pena não haver mais Generais com vontade de lutar nesta guerra.
Há com certeza muitos de que nunca ouvi falar, mas aqui ficam os do momento:
O piloto e “pai” da ideia, João Menezes, mais os seus companheiros António Brás e Susana Lopes que juntos foram de moto até à Guiné “Vou ali* levar uns livros, já volto!” Gente ***** (5 estrelas); a jornalista Teresa Conceição e o repórter de imagem Pedro Falé, da Sic, que acompanharam de moto também; a Porto Editora, que “entrou” com os livrinhos, pois claro; as Tintas Cin e a BMW que patrocinaram mais uma vez – a segunda - esta aventura; a Porto Cargo que transportou os livros; a ONG Fundação Evangelização e Culturas que apoia as escolas que vão receber os livros, de mãos dadas com o Instituto de Apoio ao Desenvolvimento; o João Gil mais a Catarina Furtado que deram a música e a letra da canção.
Pelo-me por uma boa sessão de má-lingua (não é, Lizandra? Não é, Idalete?). Mas dá muito mais prazer uma sessão de “Boa-língua”.
Espero poder fazer outra prò ano (mesmo atrasada, mas andava distraída e só agora vi a reportagem na Sic Notícias).
Se andaram distraídos como eu e quiserem saber tudo, leiam aqui ou aqui.
* ali=6000 km
E disse.
Ou “Chegou e disse”.
Boa tarde, dona Piolha Lindinha! A minha mãezinha ensinou-me que quando se entrava na casa das pessoas, era boa educação cumprimentá-las. A Dona Piolha não deve ter tido esse tipo de “luxo” (a educação).
Explicando melhor - a minha redacção anterior “Eu também pertenço” recebeu um comentário dizendo o seguinte:
Sei que o 100nada (pt) recebeu o mesmo “convite”. Felizmente não há multa nem “Ou vens, ou vens”.
Um “boa tarde”, um “como está?”, seria demais. Não conhece de lado nenhum, e já vai tratando por tu...
Quando a gente lê um comentário ao que escreveu, espera pelo menos uma frase, de concordância ou discordância, e depois, sim, um convite educado para dar um saltinho à casa da vizinha. Mas assim, a seco, cheira-me um bocado a SPAM, como contava uma amiga minha que fazia parte de um newsgroup sobre arte gótica onde apareciam mensagens a divulgar sítios que não tinham nada a ver ou convites para sítios eróticos ou de jogos tipo casino.
Enfim, eu já andava para falar de civismo e educação, e algum dia havia de começar. Já disse antes aqui que o que eu comento são actos e situações, não as pessoas. Neste caso nem faço ideia de quem se trata. Mas aqui na vizinhança do Weblog e outros arredores costumamos ser mais educados e discretos, não precisamos de berrar coisas aos ouvidos uns dos outros.
A Dona Piolha Lindinha nunca deve ter ouvido falar em “Netiqueta”, ou mesmo só em etiqueta.
Desculpem o desabafo pessoal, mas uma doméstica de 49 anos e filha de uma senhora doente também tem direito!
E disse.
...a essa geração.
Não havia Dragon Ball nem Pokémon. A Tv abria às 18.00 e havia um só canal, um único programa infantil semanal – aos domingos. Não havia hiper nem supermercados, só mercearias, na minha cidade não havia transportes públicos. Havia uma Biblioteca Itinerante (obrigada, Senhor Gulbenkian!) Cresci com os Cinco e os Sete, a Colecção Azul e a Odette de Saint-Maurice.
A rádio passava Música Portuguesa (e alguma Francesa, Inglesa, Italiana, Brasileira e até – pasme-se! - Americana).
E havia censura, as pessoas tinham que pensar antes de falar.
E essa geração produziu também grandes pintores, músicos, escritores, actores...
E a liberdade ainda era um sonho.
Eu também pertenço a essa geração. Dos Beatles e da mini-saia.
Foi um privilégio.
E disse.
Desculpe, Dr. Paulo Portas, mas cá estamos nós outra vez! Atão agora convida-se os moçoilos para irem conhecer a tropa e quem não for tem multa?
E diz logo o Cocó: “Tenho que experimentar esse truque com as galinhas da tua sogra – só pra ver se tenho sorte!”
Não sei se me interessava muito por um convite obrigatório, mas isso é uma questão de opinião. Se calhar o Dr. consultou o tal sombra que lê os pensamentos que lhe disse que os mancebos estavam doidinhos para ir mas tinham vergonha de dizer, e assim com um convite desses tinham uma boa desculpa para ir sem dizer que queriam muito!
Agora só acho um bocadinho mal que não tenha convidado também umas moçoilas; eu sei que isso da tropa é só para quem quer, mas ia apostar que há por aí umas “chavalas” que até iam gostar; elas também tinham o direito de ir conhecer.
Mas o que é que isto tem a ver com leis? Pois, parece que não tem nada... Se não fosse aquele pequeno pormenor da multa!
Parece que a tal lei que obriga os jovens a aceitar o convite também diz que quem não aceitar paga multa. Então porque é que o senhor Secretário de Estado deu a entender que as multas não vão ser aplicadas?
Ai, ai, ai, que assim a Doutora Leite não vai gostar! A partezinha melhor, que é sacar a massa ao povo, vai ficar na gaveta?
Como é que é isto, que só se aplica metade da lei?...
Eu cada vez percebo menos disto. As leis, quando nascem não são para todos, como o Sol? Pode-se aplicar assim só metade de uma lei? E o que vão dizer os mancebos que alinharam só com medo à multa, e agora ficam a saber que os malandrecos que ficaram em casa não pagam a dita multinha?
Ó, senhores, desculpem lá, mas agora é que a minha cabeça dá um nó! Acho que vou ter que pedir uma audiência ao Dr. Júdice (eu não queria, porque ele deve gastar muito tempo para defender as coitadas das leis que andam pelas ruas da amargura, mas se calhar vai mesmo ter que ser – desculpe lá, Doutor!) para ver se ele me explica isto bem explicadinho, que eu cada vez percebo menos!
E disse.
(Disse?... nem sei se disse se não disse. Anda cada vez mais baralhada. E se amanhã sair uma lei a dizer que eu não disse o que agora disse? Aplica-se a lei, ou eu disse mesmo o que disse? Felizmente tenho uma testemunha – o meu Cocó é capaz de jurar que eu disse mesmo o que disse. Que alívio!)
Estou a ouvir o Dr. J. Miguel Júdice no Jornal 2. Mostra que é um Homem como deve ser. Todas as palavras dele (ouvi uma parte, sobre as fugas de informação) deviam “fugir” daquele noticiário para todos os jornais – escritos, da televisão e da rádio.
Deviam ser repetidos tantas vezes como as palavras que deviam estar em segredo de justiça e andam em todos os noticiários.
O segredo de justiça é sagrado – para alguém (neste caso, o Dr. António Costa) pedir para ouvir as gravações dos seus próprios telefonemas e não ser possível por estarem em segredo de justiça; mas já não é sagrado para essas mesmas gravações se esgueirarem por uma frincha de um tribunal e “escorrerem” directamente para as primeiras páginas dos jornais e dos noticiários. (Aposto que um destes dias vai ser nomeada uma comissão de inquérito e até já sei qual vai ser a conclusão – e juro que não sou telepata nem vidente – ninguém foi responsável porque a fuga fugiu sozinha; ou então, foi um pobre desgraçado que não tem como se defender: a senhora da limpeza, ou o primo do contínuo, que trabalha numa loja de ferragens da Baixa. Lembram-se do semáforo da Avenida da República?...)
Portugal é o país onde as leis só servem para vender Diários da República e chatear o Zé Povinho. Tudo o que é acima de sargento está acima das leis.
O gerente de banco dos Açores foi logo preso; se fosse administrador, provavelmente tirava umas férias nas Bahamas e quando voltasse já tudo estava esquecido.
Qualquer dia ainda dou razão à D.ra Fátima Felgueiras. Porque é que as leis hão-de ser para ela? O que ela fez foi ilegal e imoral, mas num país onde a lei não é para todos, se calhar devia haver mais gente a fazer como ela.
E disse.
... são o espelho das cabeças dos Portugueses?
É o que eu pergunto a mim própria quando tenho que utilizar algumas.
Se há aquelas que estão limpinhas e apresentáveis e não têm nada que se lhes diga há outras, senhores...
Valha-me Deus, mas a gente só entra lá porque não tem a parte de trás de uma árvore ali à mão de semear!
Ele é o chão alagado que se uma pessoa vai de calças tem que se arregaçar para as ditas não servirem de esfregona e entranharem-se daquele líquido acastanhado – nem quero pensar na composição química!
A tampa meia solta e nem sempre asseada, o fundo cheio de restos de papel e de outros restos que não tenho vontade de descrever; o cesto de papéis, quando existe, a transbordar de todo o tipo de materiais de cores e cheiros de todos os géneros; um destes dias a pilha tinha uma altura que quase me dava pela cintura (é verdade que só meço 1,55m.)
E a porta, senhores, será ela uma antepassada dos blogs?!... (Lembro-me que no meu Liceu se dizia que havia um Professor – o Dr. Gomes, de História - que ia organizar uma antologia de textos de portas de W.C.) Nos tempos em que eu era (ainda mais) ingénua, fazia-me impressão ver entrar e sair daquele local senhoras muito bem vestidas e maquilhadas que pareciam mesmo umas Senhoras Donas, e quando lia aquela “literatura de m...” ficava surpreendida e quase chocada por pensar que aquele chorrilho de palavrões e aquelas descrições porcas só podiam ter sido escritas por aquelas mãozinhas delicadas, manicuradas, de unhas bem pintadas. Como eu costumo dizer, “não ligava nada o nome com a pessoa”.
Isto era há mais de vinte anos, mas as coisas não mudaram nada.
Vivemos numa época em que todos querem parecer bem – o que eu acho muito bem, por sinal! -, só que afinal vai-se a ver e as coisas não mudaram nada. As pessoas mudaram por fora mas esqueceram-se de mudar por dentro, a maneira de pensar, a mentalidade, ficaram lá no tempo das caravelas, do atirar os despejos pela janela sem sequer dizer “água vai”.
Talvez o Governo, que anda sempre a pensar em maneiras novas de “criar incentivos para as empresas”, devesse pensar em criar “incentivos para a boa educação e o civismo dos cidadãos”.
Mas isso deve ser muita areia para a camioneta deles, porque os governos modernos só governam para a economia e as empresas e esquecem-se que são governo porque o povo os pôs lá. Para eles o povo é assim como um cometa que só está perto durante três meses de quatro em quatro anos – mesmo antes de irem a votos.
Será que a política é a Grande Casa de Banho Pública dos Portugueses, com um cheiro pouco agradável e muitas ideias de m...?...
E disse.
Ou melhor ainda, duas boas malhas. Este Portas é o que manda mais, que é o Dr. Paulo; o outro Dr. Portas, como é da oposição não manda nada, só pode mandar bocas.
Como eu ia a dizer, hoje ouvi nas notícias que o nosso Ministro da Defesa decidiu mandar construir dois navios de combate à poluição, nos estaleiros de Viana do Castelo.
Boa malha 1: encomendar em Portugal coisas que os Portugueses sabem fazer, em vez de mandar vir do estrangeiro a preços de saldo coisas velhas que os outros acham que estão boas para a sucata, ou encomendar novo lá fora;
Boa malha 2: encomendar material para uma luta real e importante, que é o combate à poluição, que a gente sabe que esses transportadores dos venenos dos oceanos muitos são uns descuidados e não querem saber das porcarias que deixam à porta (no mar) dos outros. Outros têm mais cuidado, mas ninguém está livre de um acidente.
É verdade que ele tem feito muita coisa com que eu não concordo (só que ele não lê o meu pensamento sobre esses assuntos, só leu da outra vez para saber que eu também não era marxista); aquela mania que ele tem de comprar submarinos, e aviões, e coisas dessas deve ser coisa que alguns políticos herdaram de um General que, lá pela década de ’70, ainda queria ir reconquistar Olivença aos espanhóis.
Mas ele (tirando a Dona Leite, que gosta de fazer poupanças sobretudo à custa dos Portugueses que ganham menos, ou que fumam, ou que têm carro) é o único ministro que tem anunciado medidas para gastar menos, ou poupar mais, dentro do Ministério ou na área do dito.
Ele fez isso com umas histórias de uns programas de computador que cada um tinha um programa diferente e assim saía muito mais caro, e ele decidiu que ficavam lá as repartições, ou coisa parecida, todas com o mesmo programa, e era mais prático, mais rápido e mais barato por causa de uma coisa que se chama comparatibilidade, ou compatibilidade ou coisa assim.
Assim é que se trabalha, senhores da Administração Pública! Que eu me lembre, o Dr. Portas é o único que sabe que é bonito ver um Senhor Ministro a dar bons exemplos ao Povo, para não ser só eles a mandar fazer uma coisa e a fazerem ao contrário!
Não é como aqueles senhores do Tribunal não sei de onde, que condenam os outros por fazerem coisas contra a lei e não sabem que é uma grande maldade contra a natureza não fazer a reciclagem do papel. Eu diria mesmo que são duas grandes maldades: uma é fazer mais lixo, e a outra é não reciclarem o papel para poupar as florestas. Aposto que no Ministério do Dr. Portas vão os papelinhos todos primeiro para o triturador (que o Dr. Portas tem cara de se preocupar com essas coisas dos assuntos secretos), e depois para a reciclagem.
E nem vou dizer nada sobre o que estava escrito naqueles papéis, que parece que eram coisas assim de muito segredo, e nas Televisões andam sempre uns a dizer mal dos outros que dizem coisas que deviam ser um grande segredo, e afinal, o Tribunal faz uma destas! E depois investigam, e vai-se a ver, parece que não foi ninguém! Coitados dos macacos do Jardim Zoológico, que ficam com as culpas outra vez e continuam atrás das grades... Sim, porque se não foi ninguém, a culpa foi do macaco.
E agora há pessoas a pensar assim: então ela no outro dia disse mal do Portas e agora diz bem? Pois é, pessoal, a mim não me interessa a pessoa nem o cargo, interessa-me o que ele ou ela diz e faz bem ou mal. O resto são tremoços!...
E disse.
O Governo devia era agradecer àquela revista estrangeira que pôs as mininas de Bragança na capa.
Ora pensem lá: dentro da revista há publicidade ao Euro 2004, não é? E na capa as meninas, verdade? Então é como quando a gente vai ao hipermercado e “compre dois e leva o terceiro grátis”. Eu penso que aquela parte das meninas não deve bem ser grátis, mas fazem as duas coisas só com um bilhete de avião, que sai muito mais em conta.
A gente vê e ouve aquelas notícias sobre turismo sexual, acho que Portugal podia criar um novo tipo: Turismo Desportivo-Sexual, com muito sol e fado e tudo. Aposto que fazia um sucesso daqueles! Era só estrangeiros a caminho dos aeroportos deles tudo para vir ver bola e gajas, dava uma dinheirama louca!
É claro que estava a brincar ali em cima, mas ninguém me diz que não haja por aí um maluco qualquer pegue na ideia – espero que não se esqueça é de pagar os direitos de autor aqui à Vi, que me davam um jeitão.
Agora a sério, noutro dia perguntava-me a minha irmã ‘dalete o que é que eu achava da história das mininas, e eu disse-lhe:
Cá na minha opinião, os donos daqueles bares, quando contrataram as meninas, não estavam a pensar em perder dinheiro, que não devem ser parvos nenhuns. Se as mandaram vir lá da terra delas, sabiam muito bem o que estavam a fazer, quer dizer, que haviam de ter freguesia para elas. A senhora da mercearia ali à frente, a Dona Teodora, não encomenda caviar, nem coisas assim, porque sabe que aqui no bairro é gente simples que não aprecia essas comidas finas, gosta é de conserva de atum, e sardinha.
As meninas, embora eu não simpatize muito com a profissão delas (mas isso é assunto meu), vieram porque quiseram, e também devem saber que há muita gente que não gosta delas e que se puder as trata mal. A gente sabe que algumas delas trabalham só no horário do bar, mas parece que há outras que fazem umas horas extraordinárias fora dali, mesmo sabendo que essa parte das extraordinárias é ilegal e podem ir presas.
Os cavalheiros, é preciso a gente ver várias coisas:
primeiro: eles vão lá porque querem, nunca vi notícias a dizer que eles vão para lá à força com uma faca ou uma pistola apontada ao peito;
segundo: se são solteiros, ou viúvos ou divorciados, pois cada um gasta o dinheiro onde quer e ninguém tem nada com isso, não é?
terceiro: os casados (ou juntos, que é a mesma coisa que eu também vivi junta com o Arnaldo antes de termos a Cèlinha) é que é pior! Já não se lembram do contrato que assinaram no dia do casamento, que diz que um é fiel ao outro enquanto estiverem casados. E isso é uma falta de respeito muito grande, e se o meu Arnaldo me fizer uma dessas que eu saiba, pumba! Leva logo com os patins, que é como quem diz peço logo o divórcio que eu não sou mulher de ter um homem a meias com outra(s). Ele casou foi comigo, se as coisas não estiverem bem pois a gente conversa, e então se não conseguirmos resolver vai cada um para seu lado e sendo livres já não tenho nada a ver com as companhias dele.
quarto: as mulheres daqueles maridos não deixam de ter um bocadinho de razão. Algumas delas até devem estar cheias de razão, porque são tão boas esposas quanto podem, e tiveram o azar de arranjar uns maridos que são uns ranhosos que não sabem respeitar as mulheres com quem escolheram viver e com quem assinaram um contrato.
Dessas eu tenho pena. Algumas são domésticas como eu, e nem sequer podem pôr-lhes os patins porque não se conseguem sustentar sozinhas.
E depois há as outras (e pelo que eu conheço das mulheres Portuguesas se calhar é o que há mais), que acham que para se ser senhora tem que se ser muito séria e virtuosa, e não sabem conversar com os maridos, e fazer-lhes companhia, e eles têm que procurar fora de casa mulheres simpáticas e carinhosas e que gostam de fazer companhia. Portanto, merecem os maridos que têm, e eles também merecem as mulheres chatas e desinteressantes que escolheram e não foram capazes de lhes ensinar que às vezes ser um bocadinho menos virtuosa e mais conversadeira não faz mal a ninguém e ajuda à união e à amizade e à felicidade do casal.
E afinal escusava de estar para aqui com esta conversa toda, porque a minha mãe explicava logo tudo só com uma frase: “Tão bom és tu, como és tu, vê lá tu!” que é o mesmo que dizer que têm (quase) todos culpas no cartório.
Agora deixa-me mas é ir lavar a loiça do jantar, que é para o meu Arnaldo não ter desculpa para reclamar e dizer que vai tomar um copo aí a um bar qualquer porque ficou chateado com a pilha de loiça no balcão da cozinha.
E disse.
Estava tudo lá, uma data de blogueiros e blogueiras, todos à espera para conhecer em pessoa, em carne e osso, as estrelas do fim da tarde: o Paulo Querido e o Luís Ene.
Foi bom conhecê-los, felicitá-los pelo livro, e pelo trabalho; o Paulo Querido, então, a minha/nossa ciberdoméstica que nos mantém a casa limpa e arrumada, num Weblog.com.pt que funciona tão bem como o melhor relógio suíço.
O Luís com o seu belo Ene Coisas que é uma beleza a brincar com as palavras como se as estivesse a saborear ou como aqueles senhores do circo que fazem malabarismos.
E lá estava o senhor da Editora mais os dois artistas, perdão, autores, e todos falaram muito bem, e eu a pensar na D. Máxima que se lá estivesse havia de dizer outra vez aquela frase: “Se não fosse eu, não estava aqui ninguém desta gente”.
Se eu fosse daqueles sociólogos que estudam as pessoas ia já começar a fazer um estudo sobre aquela gente toda, porque é tudo uma gente que se fartam de escrever, sobre as coisas mais variadas, e quando toca a falar nicles!
O Senhor Editor bem disse às pessoas para falarem e fazerem perguntas aos autores, mas moita, carrasco! tirando dois ou três meio a medo, o resto foi um silêncio que nem em mesa de banquete a seguir ao som de um traque!
Donde se prova que temos todos muita garganta é com um teclado na mão, e quando podemos dar voz à nossa voz ficamos todos caladinhos que nem ratos. Eu fiz como todo o bom português gosta de fazer e tirei logo por mim: sou tímida e não consigo falar em grupos de mais de dez pessoas; logo, cheguei à conclusão de que era mas era tudo uma data de tímidos como eu.
E se calhar não era nada disso, se calhar foi porque uns estavam afónicos, outros não tinham nada para dizer, e outros foram parar ali por engano a pensar que eram a assistência de um daqueles programas de televisão com pessoas ao vivo que batem todos palmas ao mesmo tempo e se levantam como se tivessem todos uma mola debaixo do sim-senhor.
Mas depois viu-se bem que não era nada disso porque quando acabou a apresentação – sim, porque aquilo não foi um lançamento que eu não vi ninguém lançar nada, foi assim mais uma apresentação que um lançamento – e dizia eu quando acabou aquela parte as pessoas levantaram-se das cadeiras e ficaram a conversar umas com as outras, todas animadas, que nem pareciam os mesmos caladões de antes.
E estava lá o Senhor Blogueiro mais velho em Portugal que tem mais de setenta anos e a Menina Blogueira mais nova de Portugal, e a vizinha aqui do 100nada (pt) que é muito simática e diz coisas muito bonitas, e mais o senhor do Eu adoptei. E ouvi dizer que esteve lá aquele senhor que tem o blogue do Pipi dele e outro que tem um Gato Fedorento e assim.
Não vi lá o Doutor Abrupto Pacheco Pereira, mas tive mesmo pena de não ver foi o Senhor Chibo Velho que devia estar a dar marradas noutra freguesia.
E foi muito giro ver aquela gente toda junta, só foi pena os croquetes. É, não vi nem o cheiro! Havia uma minina, (mas acho que não veio de Bragança) que servia bebidas e assim uns salgadinhos, e eu fiquei muito decepcionada porque pensava que havia sempre croquetes e salgadinhos nestas coisas, mas afinal é mas é falta de hábito minha, porque a verdade verdadinha é que foi a primeira vez que fui a um acontecimento social destes.
É claro que lá comprei o livrinho, que não tinha ido lá para outra coisa, e cá está ele, com os autógrafos dos simpáticos autores, dois rapazes muito bem apessoados por sinal.
Quando vinha no autocarro para casa a fazer o balanço, fui tirando conclusões:
1 - Vi, minha filha, da próxima vez lancha como deve ser antes de sair de casa para não te cair na fraqueza se não houver salgadinhos, e nada de levar tâparuére que ocupa muito espaço na mala; um saquinho de plástico chega bem, e se os croquetes se amarrotarem dá menos trabalho a mastigar.
2 - Lembrei-me também do título de um filme de há muitos anos – antes de inventarem a Internet! – “Sou tímido, mas ando a tratar-me” parecia que as personagens do filme estavam todas no Mercado da Ribeira hoje.
3 - Da próxima vez tenho que tirar o fato do roupeiro mais cedo – ainda tinha um nadinha de cheiro a naftalina!
Amanhã tenho que contar tudo ao Cocó, que às dez horas quando cheguei a casa já estava com a cabeça debaixo da asa. Não ouviu nada quando contei ao Arnaldo e à Cèlinha.
E quem quiser saber mais tivesse lá ido, ou leia os outros blogs.
E disse.
Soube por uma vizinha que tem uma prima que é mulher da limpeza no escritório de uma polícia secreta tão secreta que nem o SIS sabe que existe. Esta secreta mais secreta está feita com um senhor dum órgão de informação, mas a coisa é tão secreta que a prima da minha vizinha não sabe qual é o órgão.
Por isso é que aqui há dias o Doutor Ministro Paulo Portas disse (penso que foi no congresso do PP do Dr. PP) que já ninguém é Marxista. Pois. Eu não sou marxista, nem ninguém cá de casa; nenhuma das minhas vizinhas é marxista. Mas ninguém me garante que em Alcabidexe, ou Vila Real de Santo António, ou em Moreira de Cónegos, não haja ainda alguma pessoa que é marxista que se esqueceu que o mundo tem mudado, e ainda esteja a ver o mesmo canal de há vinte anos.
Quer dizer, só porque eu não conheço não posso dizer que não há.
Ontem, o nosso Primeiro-Ministro também disse que a Oposição (ou PCP, não me lembro bem...) não disse nada sobre o Acordo de Pescas, e se não disse nada quer dizer que concorda.
Eu cá, quando o Arnaldo fala comigo e eu não respondo, é porque não tenho nada para responder ou porque não me apetece. Se quero dizer que sim ou que não, falo com ele.
Como é que eles adivinham o que os outros pensam?
Ah, pensavam que eu não sabia? Eu que conheço a prima da senhora que faz a limpeza naquela polícia secreta que é tão secreta que nem a secreta sabe que eles existem que estão tão bem disfarçados que o escritório deles é num sucateiro da zona de Sacavém?
E disse-me a vizinha (mas não contem a ninguém que é um GRAAAANDE segredo) que os da tal secreta investigaram, investigaram e descobriram que o Governo sabe tudo porque têm um Ministro – não sei se é na sombra se é da Sombra – que tirou um curso de vidente em Vilar de Perdizes e fez um Workshop de telepatia com um daqueles videntes que vieram de África e estudaram com o Xangô em pessoa e também atendem por telefone e que deixam cartões nas nossas caixas do correio. E parece que corre o boato que até tem uma bola de Cristal Atlantis, imaginem!
E é esse senhor Ministro que lê os pensamentos de todos os Portuguses e de alguns estrangeiros que vivem cá, para estar sempre em dia com as nossas ideias e as nossas opiniões. Por isso o Governo não precisa de perguntar nada a ninguém porque o senhor Ministro secreto lê o nosso pensamento e consegue perceber o que a gente pensa e sente quase antes de sabermos o que estamos a pensar e a sentir. Poupa-se muito tempo, porque não é preciso andar a perguntar a este e àquele “E então, meu caro amigo, o que acha disto?”, e pumba, é pensar e aplique-se a lei!
A minha Cèlinha leu num jornal em inglês da Internet que o George Brush e o Tony Blair estão danados porque só agora é que descobriram, e eles também queriam ter um ministro assim. E o Durão fez caixinha e dizem que ele é amigo mas é da onça e finge aquela amizade só para aparecer na pontinha das fotografias dos acordos deles. O nosso Primeiro ficou aflito, e já ofereceu para cada um deles mandar um senhor da CIA e outro do MI5 para virem cá tirar o curso com o nosso ministro-vidente-telepata.
Esperem e vão ver o estoiro quando esta bomba secreta rebentar nas notícias lá prò fim de semana!
E disse!
(O Cocó está ofendido. Não pode imaginar que quando sonha com as galinhas está alguém a ver o sonho dele. “Que vergonha! As minhas intimidades todas vasculhadas sei lá por quem!...”)
Ainda não lhes contei da alma de poeta do meu Galo de Barcelos. Mas primeiro tenho que explicar que este ano fui à Feira do Livro comprar umas histórias a ver se a minha Cèlinha lhes pegava, e uns romances para mim que gosto muito de ler histórias. Não sou muito dada a romances de amor, gosto mais de livros policiais, e de mistério e de espionagem. Eu cá acho que é por ter uma vida assim um bocado parada e pouco interessante, e por isso vivo as aventuras dos outros. E fico toda contente quando consigo descobrir o autor do crime antes de ler o nome dele no livro.
Voltando à Feira do Livro, no stand da Câmara (é assim que se escreve, D. Olímpia!) Municipal de Lisboa estavam a dar um livrinho com quadras populares do Senhor Fernando Pessoa. Como todo o bom Português, nunca digo que não a uma coisinha grátis (menos aventais dos partidos políticos, porque gosto de ser eu a escolher o meu avental).
E não é que gostei do livro? Eu não era muito chegada a poesia, mas sim senhores, fiquei fã! (quarta-feira, na Ribeira, compro poesia porreira – olha só que linda rima!).
Vai daí, comecei a gostar de ler o livro; e lia assim em voz alta, fazia de conta que era o senhor João Villaré ou o senhor Vítor de Sousa e isso. Deviam ter visto o meu Cocó! O bicho parecia tonto, de olhos fechados, a abanar o corpo. Se eu não tivesse passado a tarde na cozinha com ele, até apostava que o bicho tinha tomado alguma coisa esquisita, daquelas que não se vendem na farmácia nem podem ser substituídas por genéricos.
Mas não, o bicho só tinha milho na moela! Estava assim com uma coisa que devia ser um êxtaze. Quis tirar a coisa a limpo e parei; o bicho ficou logo quieto. Li outra quadra, e tumba! lá estava ele! “Então, Cocó, ‘tás-te a sentir mal?” “Porque é que paraste? Isso dá uma ganda pica!” (tem uma linguagem muito moderna, o meu Cocó). “Nunca tinha ouvido nada parecido! Foste tu que escreveste?” “Não, Cocó...” e lá lhe expliquei que era do Senhor Fernando Pessoa, que a Câmara tinha oferecido. “Gostava de conhecer esse Fernando. Deve ser do baril, para escrever coisas tão bonitas.” Tive que explicar ao Cocó que o senhor já morreu. “Que pena! Podíamos fazer uma mesa de pé dum primo meu, que eu gostava de lhe dizer que o acho muita lôco. Lê lá mais um bocadinho, vá láaaa...!” E eu a ler como se fosse aquela Dona Luísa que ia ao “Acontece” que Deus tem, e ele de olhinhos fechados a abanar-se todo e as barbelas a dar a dar.
E foi assim que eu e o Cocó descobrimos a poesia e o senhor Fernando Pessoa!
Afinal, em que ficamos? Se é tudo por causa da sedução, não vale a pena a gente estudar, trabalhar, investigar. Mal se acabe o 9º ano as raparigas têm é que fazer um daqueles cursos de valorização profissional onde se ensina a andar, a maquilhar e a vestir; depois aprende-se a bater as pestanas e coisa e tal, a dizer segredinhos daqueles que deixam um homem abananado, e pronto! Vai tudo para cargos no Governo.
Na verdade, os homens ocupam aqueles cargos todos por direito divino (como os reis), e isso é assim porque o Altíssimo sabe que eles são mais inteligentes, sabem melhor dessas coisas de política - mais competentes. As mulheres só lá chegam por artimanhas e manobras de sedução, e a competência (ao contrário do que disse o sr. Deputado Telmo Correia e mais outros que não me lembro) não tem nada a ver com isto.
Cavalheiros do sexo masculino: aqui a Vi não tem nadinha contra os homens nem a favor das mulheres. Sou é pelas pessoas, e cada um deve fazer aquilo que faz melhor, e não importa se é homem ou mulher, mas se é capaz ou não. Não façam como os americanos, que tinham um bom presidente que era um mau marido, e trocaram as voltas e chumbaram o marido da senhora Clinton e ficaram com um mau presidente que só quer mandar em todos e brincar às guerras. Ele devia era de comprar um computador e uns jogos daqueles do “Gore” como tem o meu sobrinho Constantino, e assim podia matar toda a gente sem fazer mal a ninguém.
Ele há homens que deviam era ficar em casa a jogar matraquilhos...
E disse.
Ao Constantino Marcelo por 15 anos a crescer – e como cresceu, este rapaz! Faz (pelo menos) dois de mim, e é um “chavalo fixe”. É o filho mais novo da Lizandra, a minha irmã mais velha, também conhecida como Primeira Mana.
Também para ele cantam as nossas almas, que isto de cantar faz bem ao espírito e dá ginástica aos músculos da cara – o que é bom para mim e mau para as rugas!
Lá vou ter de brindar outra vez, que Outubro é o mês mais concorrido nos aniversários da Família. Ainda falta um!
Fazer anos é bom quando somos jovens, mas a partir dos 35 deixei de achar graça porque cada ano é mais um passo para a velhice. A velhice não tem nada de mal, antes pelo contrário.
Cada ano está recheado de 365 (ou 366) dias de experiência, ficamos cada dia um bocadinho mais sábios, compreendemos um bocadinho melhor as coisas porque temos mais hipótese de fazer comparações. Os velhos já viram muito, sofreram muito, aprenderam muito. A D Máxima, a senhora minha mãe, costuma dizer que “O Diabo sabe muito não é por ser diabo, é por ser velho”; e ela sabe de velhice, porque já vai nos oitenta e dois.
O problema é a ferrugem nas dobradiças, como quem diz, o reumático, e os olhos que já não vêm bem as coisas – sobretudo as letras, e as etiquetas do preço no supermercado. Eu acho que é um bocado maldade as pessoas terem tantos problemas com o corpo quando ficam velhas, e não podem descansar sossegadas depois de muitos anos de trabalho (e não vou falar do tamanho das reformas). E muitos velhotes ficam esquecidos e depois não sabem a quantas andam, confundem o filho com o neto, e quem és tu e quantos anos tens e já foste à tropa?
E afinal hoje é dia de festa e tristezas não pagam dívidas; quero é que o Constantino conte muitos e a gente todos a ver e a brindar à saúde. E muitos parabéns também para a Lizandra e o Constantino Pai que têm três filhos que são três espectáculos.
E disse.
.. ao lançamento do “Blogs”.
Ontem à tarde tirei do guarda-vestidos o meu fatinho saia-e-casaco de ver a Deus, que como não sai muito estava com um bocadinho de cheiro a naftalina. Dei-lhe uma boa escovadela, e agora fica a arejar uns dias para perder o cheiro. Vá lá que não engordei nem emagreci desde a última vez que o usei, que eu vou pouco a funções.

Eu e o Arnaldo somos pouco de sair – agora, que na juventude éramos danados para a brincadeira e todos os fins de semana ele era cinemas, mais boîte (não se chamavam ainda discotecas mas é a mesma coisa), mais jantar fora, enfim, era namorar até fartar.
Havia muito menos onde ir do que agora, mas também havia muito mais segurança. A gente descia a Avenida da Liberdade a pé, todinha, às duas da manhã e não tinha um sobressalto sequer.
Mas não vou falar disso agora, que a segurança não é comigo, e o importante é que eu vou estar no Mercado da Ribeira quarta-feira pelas sete da tarde, se Deus quiser. Vou dar um abraço ao senhor Paulo mais ao amigo dele, fico com o livro autografado (que sempre tem mais valor), e compro mais barato, o que ainda é melhor. Aproveito e como uns salgadinhos, que sempre chego a casa com menos apetite e sobram uns jaquinzinhos de escabeche para o meu almoço de quinta. Todas estas poupanças devem dar para os transportes, que anda toda a gente a dizer que estamos na crise ou que vem aí uma, ou coisa assim.
Claro que o meu Cocó tinha que dar um palpite: “Não levas um tâparuére para os croquetes? Dá sempre jeito, que no saco de plástico ficam mais espapaçados.”. “Tás maluco?” respondi eu “Pensas que eu sou alguma senhora fina dessas que passam a vida em coqueteils e festas e não têm tempo para cozinhar e têm que trazer o farnel de fora?”
Eu cá não sei, é só de ouvir dizer, e já vi disso nos casamentos e assim: há sempre uma senhora muito bem vestida, e bem penteada e maquilhada que parece uma marquesa, e depois vai abrindo a malinha de lantejoulas e lá vai mais um croquetezinho e uns rissóis (“’tão mesmo saborosos, não acha?”), e mais dois pastéis de ovos aquilo tudo junto e a mala parece que inchou.
Felizmente a minha mãezinha ensinou-me a ter maneiras, e eu gosto daquilo que cozinho e não preciso de trazer farnel de fora. Os meus croquetes são feitos com sobras, mas tomara muita gente meter-lhes o dente!
E por falar em cozinhar, já combinei com o Arnaldo que quarta-feira toca-lhe a ele, que não pode ir porque chega mais tarde do trabalho. Ele não é grande coisa como cozinheiro, é muito aldrabão, mas lá vai ter que ser e quem fica mal sou eu mais a Cèlinha, que as comidas dele ficam sempre às três pancadas. Vá lá que pelo menos não deixa a cozinha de pernas para o ar como alguns homens (e se calhar mulheres também). E por falar nisso, tenho que lhe pedir que me engraxe os sapatos de salto alto que também é uma das tarefas dele cá em casa que tem mais força nos braços para puxar o lustro.
Portanto, Senhor Paulo, pode contar comigo na quarta – se não houver nada em contrário até lá. Quero dar-lhe um abraço por mais um “filho”, cumprimentar o seu amigo Luís, e beber um copo à vossa saúde e que escrevam muito e a si não lhe falte “pedalada” para fazer a lida do nosso “bairro” bloguístico.
A ver se não me esqueço de cravar um extra ao Arnaldo para trazer uns livritos da Feira, que com o frio e a chuva a chegarem sabe bem ficar em casa, enroscar-me no sofá de vez em quando e ler qualquer coisinha que sempre ajuda uma doméstica a desemburrar um bocadinho.
E disse.
O Doutor Pacheco Pereira Abrupto finalmente percebeu onde é que se está bem, e está a mudar-se de armas e bagagens para a nossa “aldeia". Ar puro, boa vizinhança...
Eu cá até já me sinto outra pessoa só por ter tão ilustre vizinho.
O Galo perguntou logo: “Quem é esse? Sabes se tem um galinheiro?”. (O Cocó não pode ver um rabo com penas, que vai logo atrás; tive que deitar fora o espanador e voltar ao velho pano do pó, que a vizinha da frente dizia que era uma pouca vergonha sempre que eu me esquecia de guardar o objecto doméstico; a pobre da senhora até ficava sem fala, pois ela não tem TV Cabo e nunca viu aquele canal Vivir assim pela madrugada do fim de semana. Mas parece que aprendia umas coisas a ver o Cocó às voltas com o espanador.)
Lá tive que lhe explicar mais ou menos quem é o senhor, que eu também não sei muito bem – só o conheço da televisão, com a sua barba muito jeitosa e uma voz interessante. Claro que não percebo tudo o que ele diz, e às vezes o Arnaldo explica-me umas coisinhas, mas lá que fala bem, fala!
E agora vamos ser (já somos!) vizinhos! Já começou a pôr as mobílias na casa nova, contou-me a vizinha que é muito coscuvilheira!
O Cocó só tem pena de não haver galinheiro - acho melhor comprar um espanador para lhe fazer companhia.
Pois seja muito bem-vindo, Doutor Abrupto, e vai ver que gosta do bairro e a vizinhança é sossegada, e em precisando de um raminho de salsa, já sabe: a D. Ofélia do lugar da fruta é muito simpática e tudo, mas a minha salsa é fresquinha acabada de apanhar, e não tem químicos – é o puro da Natureza!
Quem deve estar todo inchado é o nosso senhorio Senhor Paulo, por ter um inquilino tão ilustre!
E disse.
E obrigada ao Hipólito que foi ele que pagou o jantar que o Alípio ainda não deve ganhar muito que trabalha há pouco tempo. Não tenho a certeza, mas também não gosto de estar sempre a fazer perguntas sobre a vida das pessoas, que eu sou curiosa mas não sou nenhuma metediça.
E lá fomos todos à Petisqueira do bairro, ao pé do trabalho antigo do Hipólito que ele agora mudou de firma.
As moelinhas estavam boas, com picante q.b., quer dizer que para o Arnaldo era pouco porque ele em casa põe picante em tudo menos na sopa. Alguns comeram pipis, mas eu não acho piada às patas e aos pescoços que é quase só osso e para roer ossos ficava mas era em casa.
E era cervejinhas, e vinho, e conversa e anedotas, e como o Alípio já é grandinho não havia bolo com velas mas a sobremesa foi Pudim Flã e Molotoff; eu e o Arnaldo pedimos um de cada e depois comemos a meias.
Era muita gente que era o Hipólito e mais os manos e famílias, e a minha cunhada Francelina e os manos dela com os filhos e a namorada do Alípio e mais a Rosalina - irmã do Alípio e o namorado dela que não me lembro o nome mas é muito simpático e conversa sempre um bocadinho com a minha Cèlinha. Eu até perdi o conto a tanta gente, acreditam? E ainda faltavam as manas Lizandra e Idalete com as famílias delas mais a minha mãe, porque moram longe e não dá para fazer trezentos quilómetros só para vir jantar por isso só puderam telefonar e mandar beijinhos.
É sempre muito bom quando as pessoas se juntam e podem conversar umas com as outras mas a vida não deixa fazer isso muitas vezes. As pessoas moram longe dos empregos e longe uma das outras e quando chegam a casa já não apetece sair outra vez e fazer uma data de quilómetros para estarem com os amigos.
É a vida moderna! Tem algumas coisas boas como a Internet que sem ela eu não conversava assim com a Idalete e o Plácido que a gente encontra-se no Messenger – aquele que tem dois bonequinhos que andam à roda – quase todos os dias. Mas tem coisas más, que as pessoas vivem longe dos empregos e longe dos amigos e saem de casa muito cedo e chegam muito tarde e mal têm tempo para falar com a família que vive na mesma casa, quanto mais com os que moram noutros sítios.
O pior da vida moderna é a globalização, mas isso fica para outro dia.
E disse.
A Mariza Marlene pediu-me para dar um recado, e aqui vai ele:
"isto é pós blog comments on mai barcedei!
A D O R E I a simpatia, muito obrigada.
um enorme xi blog coração,
M&M"
E eu agradeço também em nome do Alípio.
E disse.
Estou um bocadinho “obnubilada” como diria a minha mana Idalete que até andou na faculdade e sabe muitas palavras caras.
Fomos todos aos anos do Alípio comer moelas e pipis, e cervejas menos eu que só gosto de uma pinguinha de vinho branco. Mesmo assim, junto com o Martini antes do jantar, estou assim um bocadinho tonta e não escrevo mais nada hoje para não sair nenhum disparate. A verdade é que não estou habituada a beber, e mesmo uma bebida pequenina já me deixa um bocadinho tonta. Vou pôr a cobertura no Galo para não apanhar pó, e boa noite até amanhã.
E diiiiiisszzzzzzze!.....
Et je veux qu’on rie
Je veux qu’on danse
Je veux qu’on s’amuse comme des fous
Je veux qu’on rie
Je veux qu’on danse
Quand c’est qu’on me mettra dans le trou
In Le Moribond
(letra e música: Jacques Brel)
Enche de poesia e música o Céu há 25 anos
E continuo a ouvir.
Hoje é dia de festa, canta a minha alma e a do Cocó, mais a do Arnaldo e da Cèlinha. Desculpem os meus visitantes mas agora são assuntos familiares: hoje fazem aninhos... a Mariza Marlene, a minha sobrinha mais velha que é filha da minha irmã Idalete (que é a segunda mais velha), mais o Alípio que é o filho mais novo do Hipólito - o meu terceiro irmão mais velho
A seguir venho eu e depois o Plácido, sendo que a Lizandra é a Primeira Mana, a que veio preparar o Mundo para os outros quatro.
E hoje, então, é dia de Parabéns e eu também tenho que usar este meu cargo que não é público mas está à vista do Público, e dar qualquer coisinha à família – que cada um dá o que pode e em público só posso dar “Parabéns a vocês nesta data querida”, e a prendinha é com as minhas economias do OGD (Orçamento Geral Doméstico) do dinheiro que o Arnaldo me vai dando para as despesas.
Felizmente a massita vai chegando, que a arrecadação do meu Ministro das Finanças é sempre reduzida. O Contribuinte (patrão) diz sempre que o lucro foi pouco, que não pode pagar mais imposto, e o Arnaldo só pode renovar o equipamento doméstico e o parque de viaturas quando o Rei faz anos – o que é uma chatice num País Republicano. Ao menos se fosse quando o Príncipe faz anos dava mais, que o Senhor Dom Duarte tem um rancho de filhos.
A bicicleta da Cèlinha já está a ficar um bocado curta, ela anda a reclamar equipamento novo mas ainda agora foi uma data de massa para o Ministério da Educação que o material escolar custa os olhos da cara, e agora o dos transportes também quer; tenho que ver se descubro onde é que se faz leasing de bicicletas.
Ora hoje não é dia de tristezas, é dia de beber um cálice de Porto e brindar à saúde dos “bebés” e à nossa que estamos vivos, e que de hoje a um ano estejamos todos vivos e de saúde para brindar outra vez – que o que se leva desta vida são as coisas boas que a gente aproveita.
E disse.
( 8 Outubro, 17 e picos)
A Sic Notícias dá a notícia da passagem de Paulo Pedroso para termo de identidade e residência; pouso o ferro (estava a passar a roupita), deixa cá ver, Cocó... passam para directo “em estéreo” Sic/Sic Notícias. RTP1 – não sei o que estava a dar mas já não está. É aquele rapazinho simpático que sabe apresentar bem os Telejornais que saiu da Sic com o Doutor Rangel (tenho pouca memória para nomes, desculpe, mas gosto muito do seu estilo) e também está a dar a notícia de Última Hora. Bora ver a TVI: lá está a SôDona Teresa Guilherme a repetir o Big Brother da véspera, e diz o Cocó: “Tás a ver, não deve ser assim tão importante..."
Estou mais descansada, não é tão importante assim, se calhar vou esperar pelo Jornal Nacional para ficar em dia com as últimas notícias.
17:15 – que bom, a Raquel está a falar da sua saída do BB e que razões terão tido os Portugueses para a expulsar. No ecrã os Portugueses dão opinião sobre a Raquel. No rodapé passa a Big informação: Paulo Pedroso e coisa e tal, espere pelo Jornal Nacional (juro que não fiz para rimar, que isso é lá com os Senhores Camões, Eugénio de Andrade e pessoas assim que são poetas.). Agora isto é mais importante: fiquei a saber que a Raquel ainda era virgem e que andava sempre em cima do Joel.
Faço um zapping rápido pelas outras TVs – nada de importante, só Paulo Pedroso. Na TVI um rapaz dá massagens a uma moçoila com umas costas bonitas. Coitadinhos, estão todos partidos porque parece que tiveram uma aula de treino militar (esperem só até o Dr. PP saber disso, que ainda os mobiliza para o Iraque!).
Volto ao outro Dr. PP – o que estava preso. O Cocó amua; de vez em quando faz isto, e não perdoa ao Arnaldo não querer aderir ao Canal BB. O Arnaldo diz que se tivesse dinheiro para mais um canal era mas era para o canal do Sr. Oliveira, que está sempre a dar desporto – que em Portugal quer dizer futebol. Quando ele diz isso eu digo logo: se tu tiveres a SporTV, eu cá quero os canais do Cinema, que o Hollywood é bom mas dá muitas estreias de filmes com 20 anos e repete as estreias muitas vezes.
Vou voltar ao ferro enquanto vejo as notícias.
Ultima ronda: 17:26 – na TVI já acabaram os assuntos importantes do BB. Já se pode passar às notícias de rodapé, coisas de pouca importância.
E vi. (não é trocadilho, é do verbo ver)
Já depois da redacção anterior soube que o orçamento do ensino para o próximo ano vai "crescer para baixo".
Só deve haver dinheiro para umas borrachas novas para os pés da cadeira da Cèlinha lá na Escola.
É melhor ir comprar uns novelos de linha e fazer uma almofadinha de croché para ela levar para a escola, a ver se não me desgraça as calças todas outra vez.
E disse.
Estava-me aqui a lembrar de anteontem quando eu estava eu a lavar a loiça do almoço – sim, que aos domingos o Arnaldo faz o almoço e a Cèlinha põe a mesa, mas a divisão democrática de tarefas acaba aí.
Dizia eu que veio a minha Cèlinha que estava a fazer os têpêcês e era o de Língua Portuguesa e diz assim: “O mãe, sabes alguma coisa de Países Lusófonos?” E eu lá me lembrei de uns e ela de outros e lá fizemos o trabalho a meias.
E fiquei a pensar com o meu Galo nas inaugurações do ano escolar; e pensei: este ano é que foi a valer, que puseram um mapa de Portugal novinho em folha numa quantidade de escolas. Isto é que é modernização do ensino a sério. E o Galo muito sério que parecia mesmo que estava a dizer: é desta que vamos ficar todos patriotas como gosta o Senhor Ministro PP do PP. Que o patriotismo é realmente muito importante e muito bonito e fica sempre bem nas fotografias.
Pois, pensei eu. Gastam o dinheiro todo em mapas por causa do patriotismo e da modernização mas a escola da minha Cèlinha precisava era de passadeiras e telhadinhos porque é daquelas com muitos pavilhões como eu vi no dia da Recepção aos Alunos. E ela diz mas é que são parvalhões (é o Parvalhão 1 para cá, e o Parvalhão 3 para lá, mas é muito injusto porque se fossem mesmo parvalhões os alunos não aprendiam nada e é mentira, que a minha Cèlinha já aprendeu umas coisas novas)
Os pavilhões são assim todos ao pé uns dos outros mas um bocadinho separados, e se está a chover quando acaba uma aula e eles mudam de parvalhão molham-se todos e põem os pés nas poças que a minha Cèlinha no outro dia chegou a casa com os ténis encharcados e eu disse logo “Porque é que não levaste as botas novas? Tira já isso antes que apanhes uma pneumonia.”.
Aqui há tempo passámos por outra escola que é como a da minha Cèlinha mas é melhor porque assim à volta no meio dos pavilhões tem uma espécie de passadeira um bocadinho alta e por cima das passadeiras tem uma espécie de telhadinho também à volta. Assim ao menos os alunos e os professores que não levaram chapéu de chuva podem mudar de pavilhão sem apanhar uma carga de água.
E o senhor Primeiro Ministro mandou também pôr uma quantidade de computadores nas escolas como tinha feito o outro senhor ministro Mariano Gago. Resta saber se essas escolas todas têm tomadas eléctricas senão lá nas aldeias do interior têm que levar o porco e ligar o computador no focinho do bicho que é a energia do biogás que os porcos produzem muito material para o biogás – é por isso que se chamam porcos.
E isto é que é a modernização do ensino a sério. Que até há países, vejam lá, em que são os pais que dão dinheiro para as fotocópias, e o papel higiénico, e as esfregonas mas em Portugal não é nada disso.
Dizia noutro dia não sei quem que se não gastassem dinheiro a mais nas obras de não sei que cidade esse dinheiro dava para pagar não sei quantos anos de propinas a não sei quantos alunos. Mas isso agora não vem ao caso.
Espero que para o ano façam mais modernização do ensino e que ponham pelo menos uma cadeira nova em cada escola e que calhe à minha Cèlinha a da escola dela porque ainda agora as aulas começaram e já tive que passajar as calças dela três vezes por causa da cadeira que está cheia de farpas – o meu Galo de Barcelos é testemunha.
E disse.
O símbolo não sei se é o que eu desenhava - se eu soubesse desenhar. A iniciativa, essa, é uma coisa bonita: aliviar, por muito pouco que seja, o sofrimento e o desconforto seja de quem for. Se ainda por cima se trata de crianças num hospital, ainda é mais importante. Por isso só posso aplaudir o Sic Esperança.
Já agora, se não for pedir muito, esperar que não seja só um presente de aniversariante mas uma coisa que fique, e Deus queira que cresça e se estenda a tanta gente desta terra que não tem condições para ter esperança.
É claro que as Televisões são empresas e têm que dar lucro, lá isso é verdade. Mas quem manda nelas e quem as faz são Pessoas, e é bom ver que não são só máquinas de contentar audiências e sabem que do lado de cá do olho mágico não há só audiências mas sim pessoas com vida – que é a vida real de verdade, e não pessoas fechadas numa espécie de aquário a fingir que têm uma vida normal e a serem comandadas por uma coisa que eles chamam “a produção”.
E como eu dizia: ter muita audiência deve ser muito bom e a gente sabe que dá muito dinheiro por causa dos reclames, e é preciso pagar o ordenadinho àquela gente toda. Mas a vida não é só audiências e é quem tem assim oportunidade de ser visto e conhecido por toda a gente que também pode ajudar, fazer qualquer coisa, e dar o exemplo.
É um bocado como a Catarina Furtado que é um grande borracho e tudo mas não se deita só à sombra do palminho de cara e também representa a Unicef e ajuda a ajudar os que precisam. E isso também é estar ao serviço do público.
Há por aí muita gente a fazer coisas boas, e não andam todos só a querer ser conhecidos e entrevistados e fotografados para as revistas. Muitos a gente nem ouve falar deles, mas há. Todos os dias, no País e no Mundo.
Bem hajam!
O Galo, hoje, não percebeu nada da conversa, mas têm que desculpar: ele só dá audiência ao National Geographic, que é onde vê a família.
E disse.
Ontem nem me lembrei que era feriado. Pudera! Devia ser proibido haver feriados aos domingos porque parece que estão a gozar com o povo. É como no tempo do Professor Cavaco que queria pôr os feriados todos à segunda feira, ou coisa parecida, quando a melhor coisa dos feriados é eu ter o meu Arnaldo em casa num dia de semana todo o dia, para o almoço e o jantar; se eu mandasse passava os feriados todos para a quarta-feira que é mesmo no meio da semana e sabe melhor que parece a semana mais curta; e então se eu tivesse um emprego fora de casa, acho que ainda me sabia melhor.
Pior que isso é essa história de quererem mudar outra vez a hora. Dizem que é a hora da Europa Central e é melhor. Melhor para eles, que vivem na Europa Central. A ver se eles deixavam os Governos deles porem a hora igual à de Portugal porque assim quando se metessem nos aviões para virem de férias chegavam a uma hora mais jeitosa! É o deixas! Faziam logo manifestações e greves e boicotes porque hora legal é hora legal, mas afinal quem manda no povo é a hora biológica.
Até o meu Galo sabe isso, porque eu bem vejo as galinhas da minha sogra – a Dona Marcolina – quando a gente chega tarde e vai espreitar o galinheiro. Quando acendemos a luz elas pensam que já é dia e começam a acordar e a cacarejar “Que bom, já nasceu o Sol, vamos à paparoca!”. Ou seja, o que manda nelas não é o despertador do Galo, é a luz, só que elas coitadinhas não distinguem a luz do Sol duma lâmpada acesa.
O senhor Professor Cavaco também quis mudar a hora, e depois eu li que afinal os negócios não melhoraram nada porque o que melhora os negócios não é quando a bolsa abre e fecha. O que melhora os negócios é os patrões saberem e gostarem de ser patrões e os trabalhadores saberem e gostarem de trabalhar e cada um fazer bem o que tem de fazer.
É como eu, que gosto muito de assados no forno e quando tinha um forno muito pequenino queimava-me de cada vez que agarrava no tabuleiro e no dia seguinte tinha sempre as mãos numa desgraça; volta e meia o meu Arnaldo dizia: “O Vi, tenho saudades dum franguinho assado (ou dum bolinho, que ele é muito guloso)” mas eu dizia que se ele queria assadinhos e bolinhos tinha que me comprar um forno em condições porque os assados saíam muito caro às minhas mãozinhas.
Mas o meu Arnaldo é um patrão inteligente e investiu na modernização da empresa, que é como quem diz da cozinha: um belo dia apareceu-me com um baita dum forno que até tem auto-limpeza e tudo, e enquanto ele se lava sozinho eu posso fazer outra coisa. Com um patrão assim até dá gosto trabalhar, e todas as semanas faço pelo menos um assadinho que a gente até se lambe todos. Bolinhos é que faço menos porque o Arnaldo é muito grande e tem um bocadinho de peso a mais e gosta muito de comer; e eu evito um bocado para ele não ter aquele problema que dá muito nos americanos que é a obesidade por causa do McDonald’s.
Os senhores que entendem destas coisas do corpo humano é que sabem, e eles dizem que é mau para as pessoas por causa do relógio biológico que gosta de dar horas de dia e dormir de noite. Eu até sou um bocado ao contrário, e o meu irmão Plácido também, que funcionamos melhor à noite; mas afinal somos cinco irmãos, e a Lizandra, a Idalete e o Hipólito são como as pessoas normais e funcionam melhor de dia. Ora, nas democracias a maioria é que ganha. Por isso acho melhor não porem os feriados todos ao domingo e não trocarem as horas à gente que ainda me lembro do tempo em que só jantávamos às dez horas porque o meu relógio biológico estava convencido que quando a luz do sol diminuía um bocadinho eram horas de fazer o jantar. E chegava o Arnaldo a casa e jantar nicles, porque o Sol ainda estava para durar e eu pensava que eram seis da tarde e já eram umas oito.
E disse.
De oito pessoas que fizeram o favor de comentar as minhas “filosofâncias” (não incluo nestas estatísticas os familiares e amigos), cinco – mais de metade - falam do facto de ser mulher, e alguns da minha condição de doméstica.
Curioso! Não sei se o mesmo acontece aos “bloggers” machos! Quer dizer, falarem-lhes do facto de eles serem homens, e não de terem escrito isto ou aquilo...
Esquecemo-nos todos que as mulheres são mais de metade da humanidade, e que grande parte de nós, diferentemente dos homens, temos dois empregos a tempo inteiro?
Como diria a minha Cèlinha, “Hei, pessoal, acordem!” A gente também anda cá há milhares de anos, e os homens não chegaram à lua sozinhos!
Já ouviram falar de Marie Curie?...
Recebeu um Prémio Nobel da Física em conjunto com o marido, Pierre Curie, pelo trabalho conjunto sobre radioactividade; já depois da morte do marido, recebeu sozinha o Prémio Nobel da Química, sendo o único cientista a receber dois Prémios Nobel. A filha de ambos veio mais tarde a receber o Prémio Nobel da Química, também em conjunto com o marido, Frédéric Joliot. (Fonte: Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003 )
Já ouviram falar de Ana de Castro Osório? Escritora, feminista e activista republicana de finais do séc. XIX, criou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e ainda arranjou tempo para ser a fundadora da literatura infantil no nosso país. Dizia ela que ser feminista é “desejá-las [as mulheres] criaturas de inteligência e de razão”.
Podia encher páginas e páginas – uma Internet inteira – de mulheres que fizeram coisas que vêm nos livros (e a valentíssima Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota?...).
E as outras, aquelas de que fala o Poeta (José Gomes Ferreira) – a Luísa, por exemplo, a da “Calçada de Carriche” com que Odete Santos (vénia!) se emociona e nos emociona?
Vão por essas ruas, essas estradas, esses campos – estão cheias de mulheres que todos os dias fazem coisas que, a muita gente, podem parecer surpreendentes – a todos aqueles que não conhecem as Mulheres.
As mulheres não são diferentes dos homens – têm é tido oportunidades diferentes.
Eu cá, graças a Deus, tenho pêlo na venta e um Arnaldo que – honra lhe seja feita – sabe entender que homens e mulheres só são diferentes no físico (graças a Ti outra vez, meu Deus!); as capacidades intelectuais são as mesmas.
Acorda, people! Já chegámos ao século XXI. Estamos na Era de Aquário! (embora ainda não se note muito...).
E disse.
Recebi um imeil muito simpático de um Senhor Doutor.
Se querem saber como é a vida de uma grande parte das minhas colegas domésticas leiam a entrada “Vitriólica - A Doméstica-Cibernética”: a parte em que ele descreve o nosso mundo como eu faria se soubesse dizer as coisas como ele diz.
Não temos todas um Galo de Barcelos inspirado e um Arnaldo democrático. Mas é pena.
E disse.
Desculpe, senhor do Dizer Bem, mas eu não concordo consigo.
Ajudar os amigos é outra coisa.
Por exemplo, a Dona Capitolina aqui do lado às vezes vem-me pedir um pezinho de salsa, ou eu vou-lhe pedir uma cenoura porque de repente apeteceu-me fazer um coelho à caçadora e sem cenoura não fica tão bem mesmo que seja só uma. E é sábado à tarde e o lugar da fruta está fechado.
Ela empresta-me uma cenoura, e eu empresto-lhe a salsa. Isto são duas amigas a ajudar uma à outra como deve ser.
Mas depois eu vou à padaria e às vezes fica lá a Dona Capitolina que substitui a irmã que trabalha lá quando ela tem que ir com o Carlinhos à consulta por causa da asma. E chego lá e está bicha, e eu tenho que esperar pela minha vez e a Dona Capitolina não me passa à frente só porque somos amigas, senão as outras freguesas reclamam e deixam de ir àquela padaria e passam a ir ao mini-mercado – mas o pão de lá não é tão bom!
Mas os alunos das Universidades não se podem ir matricular a outro sítio porque as Universidades têm sempre a lotação esgotada.
E ajudar é ajudar e passar à frente dos outros prejudica sempre alguém, e uma pessoa quando é ministro tem que dar o exemplo.
E disse.
(Só 230 palavras, toma lá, pTd!)
Mão caridosa tirou-me da tortura; já sei onde reencontrar o Carlos “Acontece” Pinto Coelho: à esquina da TSF, todos os domingos às 11 da manhã.
Alta madrugada, porque cá em casa quem cozinha ao domingo é o Arnaldo e eu só costumava levantar-me ao meio-dia. Mas o “Senhor Acontece”, vale o esforço.
Bem haja, dona Agnes Potter!
Expressão que só uso quando falo de pessoas que fizeram ou fazem mesmo coisas a sério, e não essas rapariguinhas novas que andam a aprender a ser gente - e mesmo essas já é um pau, porque muitas e muitos nem querem aprender, pensam que são importantes só por existirem.
Pensava eu então, enquanto lavava a loiça e o meu Galo de Barcelos ouvia e sacudia a cabeça e as barbelas encarnadas a abanar:
Antigamente nos programas da Televisão os convidados entravam e toda a gente ficava sentadinha muito composta e batiam muitas palmas e o convidado sentava-se e toca a conversar.
Agora, não: anunciam um nome qualquer de uma pessoa que anda ainda a pensar em ser qualquer coisa desde que dê para ser figura pública, e é logo tudo em pé, como se fosse a Rainha de Inglaterra a chegar de limusina, e é grande senhor(a) da música, ou da comunicação social, ou da literatura mesmo que só saiba alinhar meia dúzia de frases no processador de texto e tenha um vocabulário básico de trezentas palavras.
Ninguém quer ser só povo. Esquecem-se que o maior herói da História do Homem é o Povo. Quem seria o Duarte Pacheco sem os trolhas, os calceteiros, todos os que contruíram aquilo que ele ordenou? Acham que a Baixa Pombalina foi construída pelo Sebastião José? É verdade que a ideia foi dele - honra lhe seja feita! Que aquela frase do “é preciso enterrar os mortos e cuidar dos vivos” foi muito bem achada. Mas não foram as mãos dele que ficaram esfoladas, calejadas, esmagadas; os pulmões dele cheios da poeirada que devia haver na Baixa naqueles tempos; não foi nenhum filho ou irmão dele que ficou esmagado debaixo daquelas pedronas enormes daqueles prédios.
E o Vasco da Gama? Era ele que içava a bujarrona? - Não! Que media a profundidade do Oceano? - Não! Será que apanhou escorbuto, piolhos, sei lá que mais? Alguém aí por essa internet fora sabe o nome de um marinheiro da Nau Capitaina?
Quem move a montanha são as mãos do povo, da arraia-miúda como lhe chamou Fernão Lopes (esse, sim, um Grande Senhor da Literatura Portuguesa - vénia!).
Se formos todos Primeiras Figuras, quem se senta na plateia para nos aplaudir?
Vamos todos para as festas e as vernissages (beijinho, minha querida, esse vestido preto - é sempre um vestido preto! - fica-lhe tão bem!), e não fica ninguém em casa para descascar as batatas e ajudar a Cèlinha a fazer os Tpcês para amanhã, dar alpista ao canário e despejar o caixote do lixo.
Já viram a Dona Paula Bobine, perdão, Bobone (SEM vénia) a dizer "Povo"? Espreme a boca toda com ar de nojo, como se em vez de uma palavra nobre lhe estivesse a sair da boca uma daquelas minhocas das garrafas de tequilha que engoliu por engano...
Pois eu cá gosto de ser povo, arraia-miúda! Só quero ser famosa dentro da minha casa: famosa pelos meus pitéus, os meus vasinhos de flores, por tratar bem o Arnaldo e a Cèlinha, e ser uma dona de casa assim-assim que sabe fazer um vinco numas calças e passajar umas peúgas. E somos todos amigos e fãs uns dos outros! E amigos dos nossos amigos, e pessoas simples e sem cerimónias nem tremeliques.
O meu Galo de Barcelos abana muito sério a cabeça em concordância, e as barbelas aproximam-se e afastam-se como se aplaudissem.
Eis o meu primeiro fã! Por este andar ainda vou tornar-me famosa! Uma Grande Senhora da vida doméstica, quiçá uma protagonista social! Levanta-te, povo, e aplaude! (Vénia).
E disse!
Ontem falei do Eça de Queirós que é um senhor que já morreu há muito tempo e escrevia romances muito bem escritos e é um dos escritores que melhor usaram, trataram e respeitaram a nossa Língua Portuguesa. Eu acho que a nossa língua é muito bonita. E os senhores linguistas dizem que é muito variada e muito rica.
Mas afinal é assim como o nosso país: é muito rico para os ricos e é pouco rico para os que não são ricos. Quer dizer que quem não tem bons empregos não tem boas condições para morar, e para viver e tratar-se quando está doente.
Voltando à Língua Portuguesa: o Camões e o Eça, mais o Padre António Vieira escreviam muito bem e tudo e hoje quase que não se fala deles, é só uma coisa tipo "fast-read" que dizem que é "light" porque a gente lê e não fica com nada dentro da cabeça. Como aquelas comidas da "nouvelle cuisine" que é meia folha de alface e um jaquinzinho e dá cá cinco contos e fica com uma barrigada de fome.
Pois a literatura é muito importante na vida das pessoas porque nem só de pão vive o homem, e deve ter sido por isso que aquele senhor ministro que manda na RTP queria que eu fizesse uma viagem à volta do mundo para poder despedir o "Acontece" e o Carlos Pinto Coelho que eu só conheço da televisão mas parecia ser muito simpático e ter educação. E depois vem aquele ministro meio careca e baixinho, e pronto: já não há dinheiro para o "Acontece" porque a Catarina Furtado é mais bonita que o "Senhor Acontece" e fica melhor na televisão. É verdade: eu gosto muito da Catarina, mas desculpe lá - é que hoje todos querem ser artistas e aparecer na televisão e na "Caras" e na "TV 7 Dias" e depois dizem que não disseram o que dizem que disseram, e afinal não namoravam e eram só amigos.
E como eu ia a dizer todos querem ser artistas ou famosos e o que interessa é ir ao ginásio e à cabeleireira e à estilística comprar um vestido da última moda e parecer bem mas é tudo só por fora. E depois a gente vê na televisão e é uma vergonha quase-senhores-engenheiros que não sabem a tabuada e é bem feito que sejam enganados pelo homem da mercearia porque não sabem contar o troco.
Vamos todos ser famosos e ler o Eça não interessa nada porque ele até já morreu e tá-se borrifando mas ele é que os topava, que já no tempo dele era a mesma coisa e toda a gente queria era ter e parecer e não interessava nada SER e SABER.
Como é que eu digo à minha Cèlinha para ver menos o "Caras Notícias" e o "Big Brother Famosos" e ver o National Geographic e o Panda e o Mezzo que tem música boa? E para ler aqueles livros bonitos do Senhor António Mota, o Alexandre Honrado, a Senhora Dona Sophia (de Mello Breyner Andresen) que é mãe daquele jornalista todo jeitoso que é o Miguel Esteves Cardoso, perdão, que esse tem as mãozinhas gorduchas, eu queria dizer é o Sousa Tavares que é muito mais elegante. Quando eu entrava no supermercado até me assustava que ele estava sempre ali todo sorridente e parecia mesmo que ia vir ter comigo e dizer "Boa tarde, dona Vi, passou bem?" E depois é que eu vi que era só uma fotografia mas gigante, assim em tamanho natural que parecia mesmo que estava vivo, o raio do rapaz!
E há tantos escritores que escrevem livros que eu gostava que a minha Cèlinha lesse, mas ela gosta é das revistas das estrelas mas as estrelas portuguesas muitas são lâmpadas de 25 watts e menos, e é preciso é ter pilim e ter conhecimentos (antigamente chamava-se padrinhos, mas depois veio o Dom Corleone e já não se chama padrinhos que parece mal). E a gente vai a uma festa e sai na revista e já é famosos. E aparece num programa de televisão nem que seja sentado na cadeira lá do fundo e já dá autógrafos na rua, como o rapaz aqui do prédio do lado que passou a sair com óculos escuros - não sei se é para não ver as pessoas ou para fingir que é estrela.
E é por isso que acabou o "Acontece" e eu estou danada porque era o melhor programa que dava quando eu ia lavar a loiça do jantar e não tinha legendas e eu podia ir ouvindo enquanto lavava a loiça (ando a "namorar" o Arnaldo a ver se ele me oferece uma máquina de lavar loiça no Natal mas se calhar não vai dar porque o carro tem que ir à revisão e o esquentador está quase a "pifar" e o décimo terceiro não chega para tudo). E agora já não posso ouvir o Carlos Pinto Coelho que falava sempre tão bem e tinha aqueles convidados todos interessantes e eu fiquei um bocadinho mais culta por causa dele. Obrigada, senhor Pinto Coelho! Acontece que eu gostava muito de o ouvir, mas as pessoas votam em políticos que só se interessam pela saúde da economia - deles, porque o povo não consegue economizar cheta! - e a cultura que se lixe, porque isso eles acham que não dá dinheiro. Mas é mentira, vejam lá o Saramago, e a Dulce Pontes, e a Senhora Dona Eunice Muñoz que dão cultura da boa e ganham para se governar e mais aquele senhor brasileiro que é Coelho qualquer coisa e vende montes de livros no mundo inteiro. E a Dona Alice Vieira que tem livros traduzidos em tantos países e está farta de ganhar prémios.
Afinal comecei a falar do Eça, e do Camões e do Padre Vieira e ainda bem que eles já cá não estão senão tinham uma coisinha má com o estado a que a (má) Língua Portuguesa chegou. As conversas são como as cerejas, e o que vale é que o meu Galo de Barcelos não se queixa de eu misturar os assuntos.
Vou é ter saudades do "Acontece". Tenho que ligar o rádio e descobrir a que horas é que vai dar o Carlos Pinto Coelho na TSF.
E disse!
P.S. Senhor Ministro: agora que já acabou o "Acontece", quando é que vem o bilhetinho? Gostava de fazer uma viagem já não digo à volta do mundo, mas à volta de Portugal já era bom que só fiz uma viagem na vida que foi a Badajoz mas não gostei muito dos espanhóis que têm uma língua muito arrevezada - mas tratam melhor o Cervantes deles do que cá tratam o Camões; e qualquer dia ainda dizem que o Saramago nasceu lá, na Clínica Dermo-estética de Madrid, como a Lili Caneças que parece que nasceu lá outra vez quando foi passar as rugas a ferro.
Pois é, hoje inauguro o meu blog, a minha janela aberta para o admirável mundo da Internet.
Finalmente no fim de semana o meu Arnaldo ligou o computador da Cèlinha à Internet. Eu tinha visto na televisão umas reportagens sobre blogs, e pensei: - Vi (o meu nome é Vitriólica mas os amigos chamam-me Vi), tu és uma mulher que pensa tanto na vida e escreves tão bem, que bem podias ter um blog na Internet. Não és menos que o Pacheco Pereira, o meu pipi (dele, meu é só o pipi do meu Arnaldo), e aquele do Mentiroso.
Que eu acho que dizer mentiras na internet é muito feio, porque as pessoas pensam que na internet é tudo verdade como nos jornais e nos telejornais, mas há muita gente que vem para a internet dizer mentiras e as pessoas acreditam em tudo só porque leram na internet..
É como quando a gente vai à praça e pensa que as fanecas são frescas porque é na praça e é tanga, só estão frescas porque passaram um mês no congelador do senhor que vende o peixe que até é muito simpático mas um bocado aldrabão - faz-me lembrar certos políticos que a gente vê na Televisão mas isso já é outra conversa.
Pois eu vi na televisão e depois o meu Arnaldo explicou-me melhor, e fui ver um site da internet que explicava o que era um blog e para que é que servia.
Depois mandei um meile ao senhor muito simpático que arranja assim uma espécie de uns cacifos para a gente guardar os nossos blogs. Tem um nome assim um bocado estranho que é Geral (geral@weblog.com.pt), se calhar era Geraldo e cortou um bocado porque na Internet os nomes têm que ser curtos por causa do Unix e do Linux do tempo em que os computadores nasceram e tinham pouca capacidade, e as palavras não podiam ter mais de oito letras. O meu nome também é comprido e eu também lhe cortei um bocado porque é mais fácil as pessoas chamarem.
Eu então mandei um imeil (gosto mais de escrever em Português, aposto que se o Eça de Queirós fosse vivo ia escrever assim, porque ele é um dos papas da Língua Portuguesa e o outro era o Padre António Vieira e aposto que esse também escrevia imeil se já houvesse internet no tempo dele); portanto mandei o imeil ao senhor, a pedir e coisa e tal se ele podia arranjar um cacifo na internet para eu pôr as minhas ideias que eu penso quando ando na lida da casa.
E ele foi muito simpático e escreveu logo que sim senhores e que ia criar o blog e com muito gosto pois claro.
E cá estou eu!
Mas deixa-me apresentar que mesmo sendo doméstica e só com o antigo 2º ano do ciclo não tenho cultura mas a minha mãe deu-me educação.
Chamo-me Vitriólica C. O. Rosiva - é tão comprido que uso sempre iniciais, não sei onde tinham os meus pais a cabeça quando me baptizaram, mais o padre que autorizou -, portuguesa, doméstica, 49 anos de idade, casada, residente... não digo porque uma pessoa tem que ter alguma privacidade. Casada com Arnaldo Serôdio (não tenho o apelido dele porque não gosto muito de Serôdio e o meu nome já era muito comprido, e ainda por cima sou pela liberdade e independência das mulheres apesar de ser doméstica e dependente mas o meu Arnaldo não é nenhum machão e dá-me muita liberdade). Tenho uma filha, a Cèlinha, que tem treze anos e já anda no 5º ano.
E espero ficar na internet por muitos e bons, ou enquanto Deus quiser e o senhor Geral me der este cantinho na Internet.
Para terminar por hoje quero agradecer ao meu querido Arnaldo que pôs a internet no computador da Cèlinha; à Cèlinha que me empresta o computador para eu escrever e passear na internet quando ela se vai deitar; aos senhores que inventaram a internet que para mim é uma das maiores invenções do século XX; e ao senhor Geral do Weblog.com.pt que me deixa usar este cantinho. E a todos os meus futuros leitores e leitoras, que isso de escrever para dentro duma gaveta era no tempo da outra senhora que felizmente esse tempo já morreu e a senhora já morreu e não digo paz à sua alma mas que arda nas profundas dos infernos pelo mal que fez a tanta gente.
Disse.