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junho 30, 2004

Dedicada à Cèlinha

Esta entrada é toda dedicada à minha menina, a minha Cèlinha. Foi ela a “decoradora” destas novas instalações, que é como quem diz, ela aconselhou-me as cores para pintar as paredes das novas instalações.

Eu nunca contei, acho eu, mas a Cèlinha é uma artista, e não estou a dizer isto por ela ser minha filha: é que ela desenha e pinta muito bem, e sabe muito dessas coisas de cores, e combinações, e tudo o que é do Visual; não dessa coisa de as pessoas estarem à moda e isso – embora também saiba disso -, mas das artes visuais. Além de desenhar e pintar como uma artista, sabe muito sobre arte, e estilos, e pintores e todas essas coisas que as pessoas cultas sabem. Interessa-se por esses assuntos, e lê tudo o que encontra para saber sempre mais.

E já agora sempre digo que é uma boa filha e uma boa estudante. É certo que está numa idade difícil – para ela e para mim e o Arnaldo. Para ela, porque toda a gente sabe que crescer é difícil e a adolescência é um tempo complicado, em que já não se é criança mas ainda não se é adulto; para nós porque às vezes não sabemos bem como lidar com isso, se ela hoje é mais menina ou mais crescida, se está mais para “Doraemon” ou “People and Arts”.
Cá vamos fazendo o que podemos para vivermos bem uns com os outros, tentando todos os dias construir pontes para nos mantermos ligados. De vez em quando há uma ponte que fica assim meia desmoronada por causa de uma ventania que passou, e lá voltamos ao princípio e começamos a construir outra ponte. E há aqueles dias em que um está cansado e o outro não está bem e as pontes abanam todas e parece que caiu ali um pedaço do tabuleiro da ponte e quase não conseguimos chegar uns aos outros. É preciso fazer mais um esforço, mas todos nos gostamos e estimamos e respeitamos e ajudamo-nos uns aos outros como podemos.

Voltando à Cèlinha, até teve um final de ano lectivo complicado, uma jovem que perde a melhor amiga que foi atropelada por causa de falta de segurança numa obra junto à estrada – foi o que aconteceu à Cèlinha. Imaginam o desgosto, a tristeza que é?
E continuou a passar todos os dias naquele lugar maldito, à ida e à vinda da escola, sem a amiga e a ter que recordar aqueles dias tão maus entre o atropelamento e o fim, e a pensar que nunca mais vai ver a amiga – tão jovem e cheia de vida que ela era. E digam-me lá o que podem fazer uns pais que queriam tirar-lhe aquele sofrimento do coração e não podem?

A Cèlinha também foi uma pequena heroína, porque conseguiu continuar a aplicar-se e a estudar, e a levantar as notas, mesmo quando eu andava um bocadinho cansada das minhas arrumações e não lhe dava muita atenção.

Hoje dedico esta entrada à Cèlinha. Agradeço-lhe a companhia e a amizade que me tem dado – apesar de às vezes eu não ser a mãe de que ela precisava ou que gostaria de ter. Às vezes as coisa não correm muito bem entre nós: as idades e as ideias são muito diferentes. Mas é preciso é não deixar cair as pontes, reconstruí-las todos os dias.

“Quando a gente gosta é claro que a gente cuida” (“Sozinho”, canção de Peninha – cantor brasileiro)
E disse.

Opinadela de vitriolica às junho 30, 2004 12:13 AM

Opinadelas

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30 de junho a data aí em cima?
Que país você está, pois este fuso horário eu gostaria de conhecer?
Prof.

Opinanço de: Prof. às junho 30, 2004 12:34 AM

(Só um prof. mesmo para achar logo a distração da data!)

Bela confissão de amor! Se uma mãe ou um pai pudessem, eles poupariam um(a) filho(a) às grandes perdas da vida. A morte duma amiga é um trauma que deixa uma nódoa negra na alma.
E nós, os pais, queremos ajudar a esquecer e seguir em frente. É inútil! Passei pelo mesmo e sei como parecemos frios e cruéis. Só o tempo (muito tempo) vai ajudar a Célinha a aceitar o irremediável. Ela vai guardar para sempre as coisas bonitas que viveram juntas. E vai dar mais valor aos afectos, porque aprendeu que não são eternos e é preciso vivê-los intensamente. Só aí podemos ajudar. Aprendi isso. Um beijo às duas.

Opinanço de: Inês às julho 1, 2004 01:24 AM