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julho 09, 2004

Alandroal VI – A parte do intelecto

E cá estamos nós no auditório. Com tanta cadeira vazia parecemos menos do que somos. Mesmo assim, poucos mas bons! (Não estou a desfazer – o auditório é que tinha muitos lugares)

Coisa bem feita, o Senhor Presidente da Câmara na mesa, junto com os organizadores e outros oradores. Discurso do Senhor Presidente (este calor mata-me, Deus me ajude a não me desmoronar de sono. Era capaz de ter piada para os meus colegas, verem uma dona de casa derreter-se com a calorama e deslizar pela cadeira até aterrar estatelada no chão!). Falou bem, o senhor... pena que já não me lembro do que ele disse.

E por falar nisso, se quiserem conhecer a parte séria e intelectual do Encontro vejam o Alandro Al, ou os outros blogs que estiveram no encontro.
Cá por mim, ouvi tudo com muita atenção e concordei com quase tudo o que foi dito. Os blogs são importantes na vida das pessoas que escrevem sozinhas, ou nas comunidades; se eles põem pessoas desconhecidas a trocar ideias e opiniões, então fazem bem porque a troca de ideias enriquece todos. E também põem as pessoas a conversar sobre a sua terra, ou o seu bairro, ou sobre assuntos que interessam a grupos de blogueiros e visitantes de blogs.

E outros usam o blog como se fosse um livro que é como se fosse publicado todos os dias e ao mesmo tempo nunca estivesse pronto, o que é uma vantagem sobre os livros impressos porque aí a gente já não pode acrescentar nem corrigir nada.
Também há uma coisa muito boa nos blogs: é que toda a gente pode ser escritor por conta própria. É certo que não vai dar autógrafos nas Feiras do Livro e nas livrarias, mas também não tem que lidar com editores e essas coisas legais, e quando é que fica pronto, e não era assim que eu imaginava a capa e coisas desse género.

Já repararam quantos escritores de blogs publicaram livros? Uma meia dúzia... Se eu chegasse a uma editora com as minhas redacções debaixo do braço ou num disquete, eles riam às gargalhadas na minha cara – e eu era menina para me rir com eles, pois claro! É que nem tudo o que é escrito fica bem impresso em livro, é o que é. Mas aqui nos blogs é diferente, a coisa é mais solta e mais descontraída, e toda a gente pode pôr os pensamentos e as ideias e opiniões e informações à disposição de quem nos visita. E melhor, os leitores podem deixar logo uma opinião, um comentário. Isso, com os livros, ainda é meio complicado – por acaso conheço um autor que põe o endereço de imeil dele nos livros, e assim pode receber comentários dos leitores e responder-lhes; mas só conheço UM...

(Vi, lá estás tu a desviar-te do assunto – é o Encontro, lembras-te?)
A menina Sónia, do Ao Sul, fez um belo discurso e depois pregou-me a partida e pediu-me para falar dos “blogs no feminino”. (devo ter ficado vermelha que nem um tomate, mas lá tomei coragem e disse umas palavritas – não garanto que tenha dito coisa com coisa, mas isso é outra conversa. Também assim de improviso, com certeza não podiam esperar discurso como deve ser!)

Assim em resumido, eu acho que não há femininos e masculinos, quer dizer, cada sexo tem uma maneira própria de ser e de pensar, mas no fundo somos todos pessoas. E se é verdade que blogar (ainda) não é uma profissão, em todas as profissões há homens e mulheres, mas todos fazem as mesmas coisas de maneiras muito parecidas: as motoristas de táxi metem as mudanças da mesma maneira, as médicas tratam da mesma forma, uns com mais jeito e habilidade que outros, mas no fundo não há diferenças. A única diferença é nas escolhas: cada pessoa faz do seu blog uma coisa pessoal, quando escolhe um tema, ou quando decide que tipo de ideias vai pôr ao alcance dos visitantes/leitores, ou resolve usar um certo estilo. No fundo o que interessa é conseguirmos passar aos outros as nossas ideias. (e a propósito, escrever em Português sem erros também ajuda, que de vez em quando vejo por aí uns pontapés na nossa Língua que fariam tremer nos alicerces os senhores escritores Eça de Queirós, Aquilino Ribeiro e outros...)

Que me perdoem todos os outros, mas gostei mais um bocadinho do que disse o Senhor Luís Ene, por causa da história que ele leu – aquela que fala de um homem e de uma ema, procurem no blog dele.
Fartei-me de rir com outra coisa que ouvi lá, acho que foi dita pelo Senhor Presidente da Câmara de Évora, mas não tenho a certeza:” os blogs são perigosos!” (quero dizer, este Senhor não estava lá, mas um dos oradores ouviu-o dizer isto noutra ocasião).
Este senhor parece acabadinho de sair do tempo da outra senhora, em que não havia liberdade para cada um dizer em público o que pensava. Só pessoas que ainda pensam assim é que podem achar perigosos os blogs; pessoas que acham que ter ideias próprias é crime. Felizmente já lá vai o tempo em que éramos proibidos de pensar porque havia meia dúzia de pessoas que pensavam por todos nós e depois nos diziam o que havíamos de pensar.

Mais perigosa é a minha cozinha que está cheia de armas mortais (montes de facas afiadas). Com cada uma delas pode-se matar umas dúzias de pessoas. Agora digam lá se alguém vai mandar entaipar a minha cozinha. Havia de ter graça!

Terra chama Vi... terra chama Vi... Ah pois, o Encontro!
Não esquecer de agradecer à organização que manteve uma menina a distribuir garrafas de água durante o tempo que durou o encontro.
Não esquecer de agradecer a simpatia da Sónia Ao Sul, do Zé Chaparro Cromológico, do Luís Tata, Luís Ene... e desculpem os outros que me “escorregaram da memória” com o calor.

Muito importante: nunca gostei de usar a palavra “post” por ser estrangeira; “redacção” cheira muito a escola do antigamente – agora chama-se composição. Aprendi no Alandroal uma palavra que me agrada: posta.
E disse.

Opinadela de vitriolica às julho 9, 2004 01:57 AM

Opinadelas

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Vi, como dizem no Brasil, está 10. :)

Opinanço de: Luis Ene às julho 9, 2004 08:28 AM

Infalível! Foi como se euzinha tivesse ido. Uma retratista da palavra é como te defino.
Fundamental, genial, a comparação do 'perigo' dos blogs com o potencial perigo da cozinha recheada de mil e uma armas e armadilhas mortais.
Só por isso já merecias o Prémio Nobel da e-zistência . Parabéns!

Opinanço de: Inês F às julho 9, 2004 02:38 PM

Estou a adorar estas suas postas. Que maravilha. Quem disse que os blogs são perigosos foi o Exmo Governador Civil de Évora. Um beijinho para si.

Opinanço de: luis tata às julho 9, 2004 03:15 PM

Esta novela está o máximo! Deixe-me assinar por baixo a referência aos erros de português... é a nossa língua! Ser português não é só estender bandeirinhas à janela! ;)

Opinanço de: sónia às julho 9, 2004 05:22 PM

Olá. Gostei da Posta :D
Estou há pouco na blogosfera (de forma activa com o meu blog porque a assistir estou logo desde o inicio), mas permita-me discordar de um ponto: os blogs são masculinos ou femininos... sente-se isso! os interesses até podem ser os mesmos: o futebol, a decoração, a praia, a monoparentalidade, ..., mas nota-se quando são escritos por uma Mulher ou um Homem... E notam-se as idades... as gerações... as politicas... repare se entrar no meu blog vai ter uma ideia minha... Claro que me refiro a blogs do tipo livros nunca acabados, ou diários, ou apanhados da vida,...
Até breve

Opinanço de: SonecasS às julho 9, 2004 11:49 PM

Que pena não ter conseguido ir... Mas a colorida descrição de Dona Vitriolica encurtou a distância. Obrigado.

Opinanço de: pTd [TypeKey Profile Page] às julho 10, 2004 01:28 AM

Obrigada a todos os que me disseram coisas tão bonitas! Não conseguem imaginar o tamanho do presente que me dão.
É para todos os que gostam das minhas postas que eu escrevo, porque me dão aquilo de que toda a gente diz que os Portugueses precisam: a minha auto-estima fica lá em cima!

Opinanço de: Vi às julho 10, 2004 01:32 AM

Para o Senhor Sonecas:
Alguém escreveu num blog que os blogs são a alma das pessoas, e eu não podia concordar mais.
Por isso é natural que os blogs sejam diferentes como as pessioas são diferentes. A mim incomoda-me um bocadinho é que estejam sempre a dividir a humanidade entre "homens para um lado, mulheres para outro". Somos duas metades de um todo, e não duas coisas contrárias; todos temos capacidades para fazer muitas coisas, e não vale a pena dividir entre "coisas para homens e coisas para mulheres". Cada um faz o que sabe e gosta, e pronto. O resto são invenções de quem gosta de dividir, catalogar ou pôr rótulos.
Eu acho que o que interessa são as pessoas e o que têm dentro, e os rótulos não servem para nada.

Opinanço de: Vi às julho 10, 2004 01:48 AM