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novembro 05, 2004
Da utilidade da revista Maria
Não costumo comprar a revista “Maria” nem outras do género. Como sou uma mulher do contra, não gosto nada das “revistas femininas” – cá por mim as revistas não têm sexo (quer dizer, revistas “masculinas” ou “femininas”), e essas coisas do tipo “Faça-o passar uma noite das Arábias” e outras do género são úteis, sobretudo, aos donos da revista – devem ajudar a vender bués. Leio a “Visão”, e gosto muito dos artigos da “Visãozinha”, como eu chamo à “Visão Júnior”; é claro que não leio tudo, e há coisas que não percebo e passo à frente, mas o que leio ajuda-me a conhecer e compreender coisas da nossa vida actual.
Sou sobretudo uma mulher prática, e as revistas “femininas” vendem mais é sonhos de fantasia, como se pudéssemos todas ter o corpo da Nayma, cantar como a Teresa Salgueiro, cozinhar como a Dona Maria de Lourdes Modesto, receber convidados como a Dona Isabel II de Inglaterra, ter o talento da Dona Eunice Muñoz, usar as baixelas do Palácio de Queluz e por aí fora.
De maneiras que eu cá tenho os meus sonhos mas são sonhos acordados, com os pés no chão, e não têm nada a ver com essas fantasias, esses mundos que não estão ao alcance de ninguém (vejam a família real do Mónaco, os Kennedy, a pobre herdeira do Onassis e outros casos que tais – mesmo havendo mundos e fundos, falta sempre muita coisa).
Tudo isto vem a propósito de eu ter percebido, finalmente, para que serve a revista Maria.
‘Tava eu então aqui muito sentadinha no sofá (incharpe nas costas, mantinha nas pernas e a Neteb - uma das minhas duas gatas, a cuja tem um irmão que é o Seti e uma “mana” adoptiva que é a Teti – enroscadinha ao lado), acabando de crochetar um xaile de verão. Não se espantem, é que não o acabei em devido tempo, e quero começar uma mantinha de inverno; e decidi que não começava obra nova enquanto não acabasse o que está começado, senão qualquer dia perco-lhe o rasto, perco-lhe a receita, e nem xaile de verão nem manta de inverno...
...sentadinha no sofá, às voltas com as voltas do croché, e a pensar cá com os meus botões: “Vi, rapariga, tu tens esse vício da leitura, e não gostas de estar num sítio sem fazer nada... Amanhã vais até Beja, e podes ter que ficar assim à espera num sítio qualquer ou coisa parecida. Vai daí acabas por entrar num café e pedir uma bica. E tu não gostas nada de estar sentadinha no café a olhar prò ar. Logo, era melhor levares uma coisinha pra ler!”
“Pois é! Devia-de, devia! Ai, mas um livro não dá jeito nenhum, porque tem que caber na mala – se não couber, poiso-o em qualquer lado e esqueço-me lá dele... Só se for uma revista. É isso, ainda não acabei de “papar” a Visão de ontem.”
“Mas então vem outra vez o problema do tranporte: fica meia de fora na mala, toda dobrada e vincada, uma porcaria, blheggg! Ainda se fosse picanina, maneirinha – olha, assim como a "Maria". É isso, uma "Maria" é que dava jeito!”
Por isso, companheiro de Encontro Blogosférico, se amanhã virem num café de Beja uma mulher de meia-idade no seu fatinho saia-e-casaco-de-encontros-de-blogs-e-outros-eventos-sociais, óculos de lentes progressivas encavalitados no (bem visível) nariz e sentadinha num café a tomar uma bica enquanto lê atentamente a revista Maria, não há nada que enganar: sou Euzinha da Silva, ao vivo e a cores, a descobrir o mundo maravilhoso das revistas femininas tamanho de bolso.
E disse.
Opinadela de vitriolica às novembro 5, 2004 11:55 PM
Opinadelas
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Está bem, cá te espero Maria. Oooops, Vi. Estarei atento aos sinais que descreves. Se estiver a chover, não estaremos no pelourinho, mas sim nas arcadas logo ali de frente. Até logo.
Opinanço de: nikonman às novembro 6, 2004 07:50 AM