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janeiro 11, 2005
Muito assoberbada, é o que é
Com obras cá em casa, e os meus queridos leitores (pelo menos alguns) devem saber o que isso é. A coisa tá complicada, com os homens das obras, e o barulho, e a poeira e sei lá mais o quê – e isto tudo junto põe-me a cabeça a andar à nora. Ando mais confusa que o costume, e baralhada das ideias, que isto quando uma mulher não vai para nova é uma desgraça, e já de si esta carola nunca foi grande espingarda. Agora então, a “recauchutar” a moradia, a coisa tem piorado. Pena é que não possa fazer uma remodelaçãozita e um apegreide nos mióis, que isso é que me dava um jeitão – mas ainda não encontrei uma empresa que queira aceitar a empreitada.
Inda por cima ando numa de trabalho artesanal, “virei” artesã-doméstica. Eu sempre gostei de fazer o meu tricotzinho e o meu crochezinho, embora não seja grande espingarda. É assim mais tipo coisas a direito: uns cachecóis, umas capinhas de almofadas – coisas simples, mas bem-feitinhas que não gosto nada de grandes floreados mas também não me agradam trabalhos mal-amanhados.
Agora meti-me a fazer uma mantinha para as noites de inverno, e mais uma espécie de xaile mas em rectangular, assim tipo écharpe. De maneira que, cavalheiros e cavalheiras, ando muito ocupada. Devo dizer que me anda a saber muito bem ver as carreirinhas a saírem direitinhas umas atrás das outras, e a écharpe a crescer, a crescer; ainda por cima está-me a fazer uma falta danada, porque a que eu costumava usar perdi-a durante as viagens do Natal. Como sou friorenta faz-me uma falta danada, por isso tenho que apressar o trabalho e não me sobra muito tempo pra blogar... e já nem sei há quanto tempo não consigo visitar os vizinhos e amigos aqui do Weblog e dos outros arredores, e muito menos deixar por lá a marca da minha passagem.
É por isto que tenho reduzido as blogações, e quando aqui em baixo ameacei que ia entregar o blog ao Cocó era só a fingir, um bocado como se estivesse a avisar que não posso aparecer todos os dias por causa dos meus outros afazeres.
Bem, a verdade é que fiquei um bocadinho sentida por ver que os “meus queridos visitantes e leitores” me têm em tão alta estima, para não dizer que apanhei uma bela duma irritação. Anda aqui uma mulher a tratar os seu visitantes nas palminhas, sempre toda cheia de boa educação e a tentar provocar uns sorrisos e um bocadinho de boa disposição a quem passa por aqui, e o que recebe em troca? Setenta e oito por cento de ingratidão, é o que é!!!! Isto tira qualquer uma do sério, têm que concordar comigo... O que me vale é que já sou um bocadinho crescida, senão tinha espingardado para todos os lados, lançado raios e coriscos a toda a volta. Mas eu quero mais é paz e sossego, que eu cá sou do bem, e já que estamos em princípio de ano, e comemorámos há poucos dias mais um Dia Mundial da Paz, pois vou perdoar a traiçãozinha a todos os que votaram no meu muso Cocó. Afinal, ele também é um bocadinho deste blogue. Este blogue somos nós dois porque é ele que às vezes me inspira, com aquelas ideias e conversas.
Perdoo, mas não esqueço! Também eu tive direito à minha facada nas costas, tão a ver? (quem sabe ainda vou a primeira-ministra...)
E disse.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (16)
janeiro 07, 2005
Fim oficial da quadra de Natal
Por isso é dia de sair o Cocó natalício e voltar o “velho” Cocó do costume.
T’arrenego, vade retro, que o passaroco anda impossível de aturar desde que tive a péssima ideia de fazer esta sondagem sobre quem manda neste blog.
E a propósito disso, já que os meus “queridos leitores” acham que quem manda aqui é o Cocó, estou a pensar seriamente oferecer-lhe o blog a ele, e passar-lhe o controle da coisa.
Toda a gente vai adorar, com certeza, redacções sobre os tipos de milho, a qualidade da couve, qual a raça de minhocas mais saborosa e as vantagens de ingerir grãozinhos de areia para uma melhor digestão; isto, já não falando nas fofocas galináceas no terreiro, e nas histórias de conquistas de galinhas e frangas mais espigadotas.
Mas pronto, o meu povo votou, está votado – o que pode uma mulher fazer quando tem uma minoria de três votos (dezasseis por cento) contra os quinze (oitenta e três por cento) do passarão? Digo-lhes o mesmo que digo depois das nossas eleições: “Votaram nele, não foi? Pois agora aturem-no e aguentem-se à bronca, que eu lavo daí as minhas mãos.”
Um feliz Dois Mil e Cinco para todos.
E disse.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (9)
janeiro 05, 2005
Bush é bom
Tão bonzinho! Montes de dinheirama pra fazer a guerra que há-de “libertar” os iraquianos (só não se sabe é quando), e pra vencer a batalha da fome, da doença, da morte e da dor provocados pelo tsunami, só arranjou uns trocados arrancados à força do fundo de um bolsito escondido.
Por aqui se vê como os que mandam nos Estados Unidos e têm vontade de mandar no mundo todo gostam de “ajudar”.
Pffffff!!!!!!
E disse.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (5)
(Ainda) há vida inteligente na política portuguesa
O Professor Aníbal viu que não tinha muito a ver usar os homens do passado do PSD para prometer um futuro de “boas obras”.
É um bocado como a história do lobo e do cordeiro, mas ao contrário. Gente capaz no passado não é garantia de gente de qualidade no futuro, porque cada um é como cada qual.
Esta história fez-me pensar que os candidatos do PSD não devem ter grande coisa a oferecer aos portugueses. Se tivessem não precisavam de ir buscar as “velhas glórias” (mais ou menos) retiradas da política, e até da vida.
(Ou será como aquela história dos putos “o meu pai é mais forte que o teu!”, aqui em versão “os políticos do nosso passado são melhores que os dos outros partidos!”?)
Seja como for, a gente não precisa de feitos passados, mas de respeito pelos cidadãos no futuro.
E disse.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (3)
janeiro 04, 2005
Faca na liga
“Ó Vi, somos mesmo um país de faca na liga.”
“Então porquê, Cocó?”
“Os políticos andam todos a queixar-se de facadas nas costas...”
“Pois. Espero que isso fique lá só entre eles, que o povo já anda a levar facadas dessas há muito tempo.”
E disse.
Posted by vitriolica at 11:59 PM | Comments (0)
janeiro 02, 2005
De volta, ou o aisse bergue
Sim, aissebergue, depois de uns dias enfiada numa espécie de buraco gelado rodeada de frio por todos os lados e eu, pequenina e só com a ponta (gelada) do nariz de fora. Tal-qualmente um aissebergue, mas sem esquimós nem focas.
Dois pares de meias de lã pra conseguir adormecer, uma pilha de mantas que nem me deixava virar na cama; tamém, interessava mexer o mínimo possível para não sair daqueles centímetros quadrados de lençol que já estavam quase a ficar mornos.
Durante o dia só enfiada dentro da lareira, ou coladinha ao irradiador.
Internet, imeile, nicles! Até gramei com o final da Quinta dos Arranhosos, a ver como o Doutor Moniz transformou a Dona Júlia Pinheiro em grande dama da comunicação social, e a Miss Castelinhos (perdão, José Castelo Branco) em conde. Desconfio que o Doutor Moniz vai ser canonizado muito em breve, a fazer milagres desta natureza.
Sim, porque quem consegue transformar aquela espécie de bicha histérica, arrogante, beata falsa, intriguista, egoísta, convencida e só com trapos (de marca) na cabeça em “ídolo” – quem consegue convencer um grupo de portugueses idiotas e ignorantes de que aquela “coisa” é para ser admirada, quiçá idolatrada seja por quem for, só pode ser um milagreiro, a menos que seja assim uma espécie de Professor Herrero e tenha hipnotizado o pagode.
Já me esquecia do outro “milagre”, que é convencer os espectadores da TVI e da “Quinta” de que são “Os Portugueses”; é preciso muito descaramento pra anunciar assim que umas dúzias de pessoas a votar e a eleger aquela gente são “Os Portugueses” (é precisa muita cagança, tamém...). É pena só mostrarem percentagens, e nunca se saber quantos foram os malucos que gastaram essémesses e chamadas de valor acrescentado naquilo. (e depois os americanos é que são gente sem juízo por terem votado no Bush – venha o diabo e escolha!)
Tábem, eu, volta e meia, tamém vi. Assumo. Pois uma mulher tem de ver pra depois poder dizer mal, não é? E é uma forma barata de descarregar a fúria, já que de cada vez que via aquelas figuras tristes da Miss Castelinhos apanhava uma irritação das grandes. Assim, gastava a fúria e a irritação com aquele paspalhão convencido e pronto, escusava de me aborrecer com a família, ou com algum vizinho ou coisa assim, e tinha a minha vidita mais calma.
Voltando atão aos últimos dias, pois fui fazer o revelhão em casa dos meus sogros, que fica num lugar (pra quem não sabe, um lugar é um povoado mais pequeno que uma aldeia, só assim umas quatro ou cinco casas perto umas das outras) perdido no meio duma serra, a quilómetros da aldeia mais próxima. O frio era mais que muito, não sei se mais dentro de casa ou fora – tudo o que fosse a mais de um metro da lareira ou do irradiador, era o Pólo, acreditem. E por lá festejámos a entrada do dois mil e cinco, com champanhe e passas e bolinhos, que a minha sogra, Dona Miquelina, é boa de doces e não só.
Ainda tenho mais umas coisitas pra contar, e agradecer as amabilidades dos visitantes, mas têm que ficar pra outra ocasião, que ainda tenho que ir acabar de descongelar as falangetas dos dedos dos pés.
E disse.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (2)