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fevereiro 06, 2005

Olha quem tá cá hoje!

Pois é, nós-zinhos da Silva, eu amais o Cocó viemos dar uma saltadinha só pra lembrar um dos meus ídolos. Se fosse vivo, tinha hoje para apagar trezentas e noventa e sete velas.
Eu aprendi a gostar dele por causa de umas coisas que li no liceu, lá nos cafundós do século passado. É que uma pessoa que escrevia assim bem, e falava melhor, e defendia os fracos, e foi perseguido pela “santa” inquisição, enfim, um homem que tem um currículo e pêras, dizia eu, esse é que merece ser famoso, e ídolo e herói e coisas dessas.

Agora assim mais a sério, a verdade é que eu fiz ontem cinquenta e um aninhos, e obrigada à dona Monalisa que deixou ali os seus parabéns, mais à Menina Jacky que é outra querida e me meilou uns parabéns muito bonitos.
E pronto, tinha que falar disto e tá falado, que é por causa de serem dois aniversários assim seguidinhos que eu nunca me esqueço do Padre António Vieira que é aquário de signo como eu, e viveu lá nos antigamentes do século dezassete: nasceu em 6 de Fevereiro de 1608, e foi um homem inteligente, culto e corajoso.

Tenho que confessar aqui uma coisa: quando vejo um grupo de políticos nas televisões lembro-me sempre do Padre Vieira, e do seu famoso Sermão de Santo António. Pois Padre Vieira achou, como o outro António – o Santo – lá no século treze, que pregar aos homens pouco adiantava, que não lhe ligavam a mínima, e decidiu também ele pregar aos peixes. Estes, sim, bons ouvintes, que ouvem e não falam – logo, não correm o risco de dizer disparates que é o mais que se ouve praí nos dias que correm.

Esse sermão de há mais de trezentos anos podia ter sido feito na semana passada em qualquer parte do mundo, que todas as ideias continuam actuais e frescas como se fosse acabado de escrever.
Deixo aqui uns parágrafos assim à guisa de aperitivo, para quem quiser ler e meditar.
E se quiserem ler mais, que vale a pena, é só ir aqui - é um bocadinho comprido mas vale a pena ler com atenção.

E se calhar depois disto talvez percebam que eu ando um bocado aborrecida e sem paciência, porque sou peixe pequeno farto de ser pescado, e esfolado e comido pelos grandes.


“Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá; para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros? Muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os Brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas; vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer e como se hão-de comer. Morreu algum deles, vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. Comem-no os herdeiros, comem-no os testamenteiros, comem-no os legatários, comem-no os acredores; comem-no os oficiais dos órfãos e os dos defuntos e ausentes; come-o o médico, que o curou ou ajudou a morrer; come-o o sangrador que lhe tirou o sangue; come-a a mesma mulher, que de má vontade lhe dá para a mortalha o lençol mais velho da casa; come-o o que lhe abre a cova, o que lhe tange os sinos, e os que, cantando, o levam a enterrar; enfim, ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra.”

“Nestas palavras, pelo que vos toca, importa, peixes, que advirtais muito outras tantas cousas, quantas são as mesmas palavras. Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, senão declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que menos podem e os que menos avultam na república, estes são os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, senão que os engolem e os devoram: Qui devorant. Porque os grandes que têm o mando das cidades e das províncias, não se contenta a sua fome de comer os pequenos um por um, ou poucos a poucos senão que devoram e engolem os povos inteiros: Qui devorant plebem meam. E de que modo os devoram e comem? Ut cibum panis: não como os outros comeres, senão como pão.”

“A diferença que há entre o pão e os outros comeres, é que para a carne, há dias de carne, e para o peixe, dias de peixe, e para as frutas, diferentes meses no ano; porém o pão é comer de todos os dias, que sempre e continuadamente se come: e isto é o que padecem os pequenos. São o pão quotidiano dos grandes; e assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo nem fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant plebem meam, ut cibum panis.

Parece-vos bem isto, peixes? Representa-se-me que com o movimento das cabeças estais todos dizendo que não, e com olhardes uns para os outros, vos estais admirando e pasmando de que entre os homens haja tal injustiça e maldade! Pois isto mesmo é o que vós fazeis. Os maiores comeis os pequenos; e os muito grandes não só os comem um por um, senão os cardumes inteiros, e isto continuamente sem diferença de tempos, não só de dia, senão também de noite, às claras e às escuras, como também fazem os homens.”

E pode ser que um destes dias me voltem o tempo, e a paciência e a inspiração e a disposição, já que o Cocó continua um bocado morcão (e fiquem-se com esta linda rima, pois então!).
E disse.

Opinadela de vitriolica às fevereiro 6, 2005 11:59 PM

Opinadelas

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Costumo dizer que "as mulheres se tivessem "juízo", tinham sempre mais de quarenta anos". Algumas não percebem o que quero dizer, mas quando o tempo passa... entendem.
Isto para a felicitar, embora com atraso, por mais um aniversário e por ter regressado ao nosso convívio.
Fico contente por saber que a D. Vi também é aquariana.
(Mas ser do signo aquário não deve ser tão bom assim, porque Alberto João Jardim nasceu a 4 de Fevereiro).

Opinanço de: Dizer Bem às fevereiro 7, 2005 12:35 AM

Ora que bom vê-lo aqui outra vez! Não deixa de ter razão quanto a "certos" aquarianos que só servem para dar má fama ao signo, o que vale é que há outros que de tão bons, apagam as "tristes figuras"!

Opinanço de: Vi às fevereiro 7, 2005 12:47 AM

Tenho muitas saudades suas! Um grande beijinho de parabéns pelo dia de ontem. :)

Opinanço de: catarina às fevereiro 7, 2005 01:03 AM

Finalmente...amiga Vi, deu um arzinho da sua graça...mas na verdade não a posso levar a mal pela falta de inspiração e tal..pois com o que se passa à nossa volta, temos o tempo todo ocupado a tentar fechar a boca..tal é o espanto e a indignação.Um beijinho grande e uma boa estrada na viagem deste novo ano.

Opinanço de: monalisa às fevereiro 7, 2005 01:04 AM

:) Que bom! Espero que seja um regresso mais frequente :) Muitos beijinhos!

Opinanço de: jacky às fevereiro 7, 2005 01:26 PM

Ai que bom! A Vi e o Cócó escreveram para nosso regalo, mais uma postazinha.
Pois minha querida comadre, soube pelo seu maninho que fazia anos e deixei-lhe lá na "casa" dele um raminho cheiroso de votos de felicidades.
Oro aos deuses para que a inspiração lhe volte depressinha que isto aqui sem os seus textos está muito mais pobrezinho.
Cumprimentos ao Cócó, e você receba

Aquele Abração do
Zecatelhado

Opinanço de: zecatelhado às fevereiro 7, 2005 04:06 PM

alo tudo bem veja meu site de poesia

Opinanço de: vicente às fevereiro 10, 2005 10:20 AM

Obrigada Vi pelo(os) comentário(os) e já agora Parabens Aquariana (como eu, com ascendente em peixes...um aquário completo...lol)! é bom andar por cá ainda, por enquanto! farei 72 a 13 de Fevº.
Um forte abraço, th

Opinanço de: Teodora às fevereiro 10, 2005 11:21 PM