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março 30, 2005

Parabéns a você!

Meu querido Arnaldo do meu coração, para ti neste dia muitas beijocas!
Há quase trinta anos que a gente se conheceu, e vamos lá ver se a coisa dura, no mínimo, outros tantos.

Hoje só quero desejar-te que os próximos trezentos e sessenta e cinco dias venham tranquilos, e já agora com tudo o que a gente precisa: a saúde do costume, e a sorte de não termos azares.

Obrigada por teres a paciência de me aturar este tempo todo; eu e tu sabemos que nem sempre é fácil, e vice-versa.

Vamos então ver se continuamos a envelhecer juntos, vendo crescer a nossa Cèlinha que qualquer dia há-de bater as asas para construir o seu próprio ninho. A gente há-de ficar os dois aqui no nosso cantinho – cuidando do quintal e um do outro, nos dias de sol e nos dias de chuva, e com a companhia dos nossos bichanos.

Por mais este aniversário recebe um xi-coração e um abraço da tua
Vi
E disse.

Na cesta Em família

Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (5)

Novidades (continuação do episódio anterior)

Mais uma novidade (infelizmente em segunda mão, mas não deixa de ser estreia mundial neste blogue, ora essa!), e esta é uma novidade jornalístico-bombástica.

Senhoras e senhores, informo Vossas Excelências de que brevemente, muito em breve, vou inaugurar uma nova carreira – a de ciber-colunista!
Graças à inteligência, perspicácia e bom gosto do Senhor Zeca Telhado , cá a Vi mais o seu inseparável Doutor (e agora Sir) Cocó vão colaborar no nascimento de um novo projecto da maior importância e envergadura cultural e literária.

Foi com um grande prazer, e sentindo-me muito prestigiada e honrada – claramente o afirmo -, que aceitei prontamente o convite de tão prestigiada figura da blogosfera nacional. Mais honrada me senti quando pude aquilatar da qualidade do corpo redactorial do projecto, sendo que, no entanto, ajuizei da minha pequenez no meio de tão nobre e douta companhia.
Com efeito, poderão os meus caros leitores-visitantes verificar in loco a veracidade das minhas palavras. Na lista de redactores encontra-se uma parte do que há de melhor entre os magníficos blogue-autores da blogosfera nacional.

É, pois, com o sentido da responsabilidade – sem olvidar a imprescindível humildade – que aceito colaborar, a partir de 9 de Abril – próximo futuro – em tão prestigiada ciber-publicação. Evidentemente que será humilde a minha prosa, ombreando com a dos meus doutos colegas.
Convém, no entanto, não esquecer que, certamente, é política redactorial do responsável proporcionar o livre exercício da democrática arte de opinar a todos os estratos da sociedade. Daí que não deva surpreender os mais incautos a inclusão desta dupla doméstica no elenco redactorial.

Andou avisadamente o Senhor ZecaTelhado, sobretudo por dar oportunidade, a um verdadeiro elemento do povo, de exprimir semanalmente a sua opinião num órgão que, muito em breve, será certamente dos mais prestigiados na área da Informação. Outrossim deveriam andar os nossos políticos, que todos se reclamam da democracia e da liberdade, e mais não nos permitem que uma cruzinha num papelucho (mais a mais, rabiscada às escondidas) – e apenas de quatro em quatro anos, a menos que haja bronca entretanto.

Fica, por conseguinte, o aviso feito a todos vós, bem como o caloroso convite a prestigiarem com a vossa visita e eventuais comentários – não só a dupla signatária, mas todos os restantes membros da equipa de luxo que o Senhor Zeca Telhado em boa hora reuniu.

Não esqueça, pois, Café Expresso – Tadechuva, a partir de 9 de Abril, numa internet perto de si.
E disse.

Na cesta Vi-zinhanças

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março 25, 2005

Boas Páscoas a todos!

Cá estou eu meia de fugida dos preparativos da viagem.
Vamos prò Meio de Nenhures, a três quilómetros do Cafundó do Judas, onde vamos passar a Páscoa com os meus sogros, as minhas cunhadas e respectivas proles. Ou seja, lá vou eu prà penitência, que naquele buraco não há nada de nada!

Fiquem com os meus votos de boa Páscoa para todos os que passam aqui e festejam a data. Para os que não festejam, pois tenham um bom fim de semana prolongado e fiquem bem.

E todos, mas TODOS mesmo, tenham muito cuidado na estrada!
E disse.

Na cesta Vi-zinha

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março 22, 2005

Isto é tanta coisa a acontecer que o melhor é ir por partes

E então a parte I
Abriu – “Há quase uma semana, sua lerda atrasada!” (berrou o Cocó ainda a agabar de engolir o milho do jantar) –abriu então, escrevia eu, uma loja cá no bairro, e eu acho que já toda a gente sabe; mas as televisões e os jornais passam a vida a fazer cachas com assuntos que a gente já viu ou leu nos outros órgãos de comunicação. De maneiras que eu cá tenho exactíssimamente o mesmo direito. Além do mais, pode ser que haja um português blogosférico que ainda não tenha lido a notícia, logo isto ainda pode ser considerado uma estreia – mesmo que seja em décima quinta mão.

Temos então que o nosso bairro familiar foi valorizado com uma loja, e logo então “vocacionada para a cultura” – que frase mais intelectual, hein! Sim, que não é cá loja de telemóveis, nem mercearia com prateleiras “promovida” a minimercado. Esta é uma verdadeira loja de cultura, com livros a sério, e caixa e tudo.

Fica logo ali à esquina, assim à esquerda de quem desce, e tem como proprietário, funcionário e caixa o nosso mui bem-amado senhorio. E pra começar tem dois livros na montra, que me parecem muito jeitosos: um do Senhor Luís Ene (pra mim, o Rei das Histórias-que-cabem-num-telegrama), e eu digo estas coisas assim na brincadeira mas ele é é um belíssimo criador de histórias, essa é que é essa, um verdadeiro escritor a sério. Não é como aquelas pessoas que lêem o que as outras escreveram e depois põem no blog e deixam assim sem nome nem nada para a gente pensar que aquelas palavras lindas, aquele poema tão bem alinhado de ideias e palavras, saiu do bestunto deles e não da vítima a quem roubaram a escrita e o nome. Mas deixemo-nos de histórias de gatunices que estragam a fotografia, e falemos do Senhor Luís Ene que é um verdadeiro escritor, e eu quero ver se arranjo um exemplar autografado do livro dele, que assim o exemplar tem mais valor. Claro que já encomendei pra aproveitar o preço de lançamento, que como dizia o outro no aproveitar é que está o ganho.

E há também um livro da Senhora Dona Ana Roque, e não ponho o linque porque ela podia não gostar, mas esse a mim não me interessa assim muito porque é sobre umas coisas de Direito Empresarial que eu cá não percebo nada, que pra mim, direito é o outro lado do avesso. Só sei que deve ser uma coisa muito bem escrita, porque ela escreve muito bem, também podia fazer livros como os do Senhor Luís que não se devia sair nada mal..
Ainda a propósito de Direito e avesso, fica a lição para quem não saiba: é pelo avesso que se passam a ferro as roupas escuras que é pra não criarem lustro.
E é verdade que tenho mais novidades, mas hoje tou um bocadinho prò murchito apesar da água que o Senhor São Pedro fez o favor de mandar. “Choveu-me” uma constipação em cima, e tou assim meia deitada abaixo, mole como as papas.
Prometo que assim que me passar a moleza conto mais.
E disse.

Na cesta Vi-zinhanças

Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (6)

março 20, 2005

Haverá eleições no Céu?

Quer-me cá a mim parecer que sim, e mais! Que neste momento se deve andar em plena campanha eleitoral.

Não vejo outra razão para o Senhor São Pedro ter passado a tarde a prometer chuva, aqui pelas minhas bandas, e nada!
Ora digam lá se isto não parece mesmo coisa de político em campanha eleitoral, que só promete, promete, e depois não cumpre nada!...

O meu quintalito anda uma tristeza, e os narcisos quase não abriram este ano. Costumam encher-me um canteiro de amarelo e branco todos os anos, mal começa o Fevereiro, mas este ano só desabrocharam uns quatro ou cinco para murcharem quase logo. O Arnaldo diminuiu as regas pra poupar água, e lá vai dando de beber ao limoeiro e ao pessegueiro e mais duas ou três árvores, mas no resto vai “cortando”.

Por esta “amostra sem valor” a gente imagina o que vai por essas lavouras, por essas pastagens país afora. A preocupação, o desespero, de quem tem culturas pra regar e animais a quem dar alimento e água.
Muito mais que ver na televisão, é ver ao vivo, e o pior é sentir no modo de vida de quem não tem mais de onde lhe venha o sustento, senão da terra e do Céu.

Já que o Senhor São Pedro está tão “padrasto”, faço votos que os nossos governantes façam tudo o que puderem para apoiar os que labutam o ano todo na terra, pra fazerem chegar à mesa deles – e à nossa – os primores das culturas e tudo o que nos enche o prato. É o mínimo que podem fazer.

E nós todos temos o dever de, mais que não desperdiçar, poupar mesmo a água. Vá lá, levante-se e vá ver se não tem uma torneira mal fechada ou que está a precisar de uma borracha nova pra não pingar.
E disse.

Na cesta Ao molho

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março 19, 2005

Hoje às 00:30 - o êxtase!

Elis sempreElis Regina Carvalho Costa teria completado 60 anos no dia 17 de Março 2005.
Em imagens inéditas na televisão portuguesa, ela fala de si, das suas musicas e dos seus compositores preferidos.
Dona de uma belíssima voz, imortalizou algumas das mais belas canções da música popular brasileira.
Um momento para recordar a arte de Elis Regina, que permanece imortal.

(texto no sítio d'A Dois)

Cá a Vi-zinha não vai perder! Sou fã de paixão d'Essa Senhora, Essa Mulher.
Desgosto: tou sem uma única cassette de vídeo em casa... Se alguém gravar, eu tou disposta a mandar um cheque por correio pra pagar uma cópia em cassette ou DVD e respectivos portes. E muito agradecida!
E disse.

Na cesta Vi-zinha

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março 16, 2005

Lista de compras revista e aumentada

Batatas, cebolas, arroz, aspirinas, azeite...
Vai-me custar a habituar assim a meter os remediozitos básicos na lista do supermercado, mas isto é bom que uma mulher se vá habituando. E perguntou-me a vizinha Pulquéria: “Ó vizinha, mas não lhe faz impressão comprar tudo no mesmo sítio? Trazer assim as aspirinas ao lado do peixe congelado?” “Olhe, vizinha, é da maneira que chegam casa ainda fresquinhas.”
“Ai, não diga isso, então e depois quem é que me diz o que é como é que eu hei-de fazer? Se é pra tomar antes ou depois das refeições? Se posso desfazer na sopa ou é para engolir tal-e-qual?”
“Ó vizinha, eu cá sou uma mulher prática, e quando me dói a cabeça ou outra coisa qualquer, pego na aspirina ou coisa que o valha, num copo de água, e lá vai disto. Qual é a dúvida?”
“Ó Dona Vi, então e não é assim perigoso? Uma pessoa até se pode enganar e tudo, e tomar o que não deve!”
“Ai é, Dona Pulquéria? E o que é que impede a sua sogra, que é tão taralhouca e vê tão mal, de meter à boca a garrafa da lixívia que eu já vi na sua bancada da cozinha ali mesmo ao lado da garrafa do refrigerante?”
“Tem razão, vizinha Vi (e aqui ela corou um bocadinho), às vezes a gente distrai-se, facilita, e nem pensa no que pode acontecer – tal-qual como aquela senhora dos Estados Unidos e o puto foi buscar a arma e foi a desgraceira que se viu. Mas ainda não me convenceram com essa de xarope prà tosse e banha pura de porco no mesmo saco.”

“Bem, se calhar é uma questão de hábito e de mentalidade. Pois as pessoas não podem comprar pão, e gelo, e essas coisa, no mesmo sítio onde compram a gasolina e o gasoil? E não é verdade que em Portugal as pessoas todas acham que são médicas, e todos dizem: Se lhe dói aí, tome o XXXX que fez muito bem à prima da minha mulher-a-dias quando teve uma dor mesmo ao lado?
E se a gente chega à farmácia e fica três quartos de hora à espera da vez pra levar uma caixa de comprimidos prà gripe, e ainda temos vinte pessoas atrás pra ser aviadas, onde está a coragem de perguntar, ai como e quando é que se toma e coisa e tal?”
Com estas e outras lá deixei a vizinha Pulquéria a matutar naquilo, que pelo menos sempre é uma opinião diferente da do vizinho Izidoro (assim mesmo, como as salsichas). É que a minha vizinha Pulquéria não é muito de ter ideias próprias, e engole tudo o que o seu Izidoro lhe impinge. De maneiras que eu, quando posso, atiro-lhe assim uma “bombinha” pra dentro do cérebro, que é para a obrigar a pensar, e ver que há ideias e pontos de vista diferentes, e que ela se deve informar antes de ter a sua própria opinião.

O Cocó, que nunca precisou de tomar nada na vida porque tem uma saúde de aço- que não enferruja -, quis saber pormenores sobre estas coisas de remédios. Lá lhe expliquei que muitas vezes, na farmácia, a gente também não pergunta nada porque são coisas muito simples. E que os perigos existem sempre: ou porque a pessoa vê mal e não consegue ler as instruções do médico ou do farmacêutico; ou porque acha que se uma dose faz efeito duas hão-de fazer mais ainda, ou mais depressa; e também há aquelas pessoas que tomam o remédio do marido, ou da mulher ou de quem for, só porque fez bem ao outro.
E afinal são só alguns medicamentos, os de venda livre, quer dizer, que qualquer pessoa pode comprar sem receita – só esses é que se vão (se forem) poder comprar fora das farmácias.
“E sobretudo, Cocó, quem quiser ir comprar mesmo o medicamento na farmácia, não vai passar a ser proibido. Quem quiser consultar o(a) Doutor(a) Farmacêutico(a) em pessoa pra saber se pode cortar o comprimido ao meio ou se tem que despejar o pozinho do pacotinho para o copo ou, pelo contrário, despejar a água no pacotinho, pode sempre ir à farmácia como fez até agora, mas se está com pressa e com dor de cabeça e há uma epidemia de gripe, então talvez seja mais prático ir a uma loja em vez de ficar uma hora na bicha da farmácia por causa de uma mísera caixinha de aspirina ou coisa do género.”

E disse. Antes que se me ferre uma dor de cabeça, que não tenho nada em casa e a esta hora, só na farmácia de serviço.

Na cesta Vi-zinha

Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (7)

março 15, 2005

O Ruben, a Maria João e o Gilberto

São três meninos da minha rua. Todos filhos do mesmo pai e da mesma mãe.
O Ruben tem um problema grave de saúde, mas o pai e a mãe dizem que não podem, que não há dinheiro, que ele tem que se desenrascar sozinho e fazer pela vidita. “Tu sofres, meu menino? Olha, tem paciência, fica-te com o teu sofrimento que a gente é pobrezinhos e não pode fazer nada.”

A Maria João é artista. Gosta de tocar piano, e toda a gente diz que toca muito bem – está farta de ganhar prémios. Trabalha que se desunha para poder ter o piano. E ajuda outros meninos a aprender, e a conhecer outras artes. Mas agora os pais, não conheço muito bem a história e não sei se não lhe deram dinheiro nenhum ou se lhe deram pouco... O que é certo é que ela precisa de pagar uma despesa que até nem é muito grande, mas falta-lhe o dinheiro e nem os vizinhos que gostam tanto de a ouvir: o merceeiro, a senhora da padaria, a dona da loja dos trezentos... se se juntassem todos não custava nada. Se calhar vai ter que ir pra outra terra – onde tratam e respeitam e apoiam melhor os meninos-artistas.

O terceiro filho é o Gil, o Gilbertinho. Rapaz prendado, gabam-no os pais! Ainda o ano passado gastaram um dinheirão pra lhe comprarem umas chuteiras novas, de marca, e um equipamento completo. O rapaz tinha um jogo importante de futebol, e não podia fazer feio... Ele não é lá grande jogador, é mais assim-assim, e nos jogos há confusões volta e meia – ora com árbitros ora com dirigentes, mas também é futebol de bairro, gente de pouco nível, vê-se logo.

E hoje, por causa destas três histórias, saiu discussão no café. Porque sim senhores, que futebol é que é bom, que dá dinheiro e saúde, e que com putos enfezados e meninas prendadas não se ganha dinheiro nem se tira nada de jeito e sei lá que mais... Mentira, berrava a parte contrária, é preciso apoiar quem precisa de se tratar, e as artes é muito importante porque também alegram as vidas de muita gente; o futebol é tudo uma cambada de gente sem nada dentro da carola, e que ganham este mundo e o outro...

Saí de mansinho antes que me pedissem a opinião. Ia “levar pancada” dos dois lados, porque eu acho que de devem apoiar os filhos todos por igual, e um levava só as chuteiras, e o outro fazia os tratamentos, e a menina sempre levava um dinheirito para as despesas. E não iam gostar quando eu dissesse que aqueles pais eram um bocadinho desnaturados e os vizinhos – alguns até tiram bons lucros, que a gente bem percebe – são uns coça-pradentros que bem podiam fazer um bocadinho de mecenato que inda por cima abate nos impostos. Por estas e por outras saí à francesa, e vim pra casa conversar com o Cocó. Desta vez ele até concordou comigo, e passámos uma bela tarde nas lidas domésticas a gozar o solzinho que entrava pela janela.
E disse.

Na cesta Portugal ovitisoP

Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (1)

março 14, 2005

Uf, que alívio!

Quebrou-se o tabu (não, não foi o frasco de perfume, foi o outro!).
Temos Santana Lopes na Câmara, obrigada, Portugueses!
Eu estou muuuuito aliviada, porque não gosto nada de estar em suspenso, a não ser nos filmes do Senhor Hitchcock que só duram praí hora e meia.
Agora mais de um fim-de-semana assim em agonia, é uma crise brava... Seja como for, já estou mais descansada.
Só não sei se a maior parte dos lisboetas é da mesma opinião...
E disse.

Na cesta Códrilhices

Posted by vitriolica at 10:01 PM | Comments (3)

Tabuzinho ('tou toda arrepiada)

Nunca mais é segunda-feira, caramba, e uma mulher anda pràqui em pulgas, a saltitar de um lado prò outro; é uma grande maçada, porque fico distraída e assim, e deixei pegar o guisado do jantar, fora as três queimadelas na mão. E como hoje foi o meu dia de tratar dos cafés, pus descafeinado no Arnaldo – que ele não gosta nada! – e ia havendo uma crise institucional cá em casa, que o Arnaldo até disse que ia devolver a minha fotografia à minha mãezinha.

Só o Cocó é que me compreende, obrigada meu amigo, por seres um verdadeiro animal de companhia.
É tudo por causa deste tabuzinho que está instalado, e quase nem falam nisso só porque umas dúzias de pelintras tomaram posse como ministros e coisa assim.
Se está a querer saber que tabuzinho é este, pois também anda bem distraído(a) ou não liga às coisas verdadeiramente importantes que estão para acontecer neste país, é o que é!
Hoje passei a tarde na cozinha com o Cocó, ele com as penas eriçadas e eu toda arrepiadinha por estar tão intrigada e excitada enquanto espero pela decisão final. “Olha lá, Cocó, o que é que tu achas?” “Ora, Vi, eu tou como tu, não acho nada, mas tou muito ansioso, isso é que tou.”
“Achas que volta, ou que não volta?” “Pra te ser franco não sei, e cá por mim acho que ele tamém não deve saber, senão não tinha «dado um tempo», como dizem os brasucas.”
“Realmente, duas semanas é uma verdadeira eternidade pra uma pessoa ficar assim em suspenso; afinal de contas, as vidas de muitas pessoas dependem de uma simples palavra: «assumo, ou não assumo» - e aí já eram duas palavras.” “Lá isso é verdade, Vi, e eu imagino como é que devem tar os corações dos alfacinhas, e daquela malta que todos os dias trabalha em Lisboa.”

Foi esta conversa, este desabafo com o Cocó, este abrir a alma e desnudar o coração que me deixou um bocadinho menos ansiosa, menos impaciente para poder esperar por amanhã e pel’A Revelação:
Afinal, o Doutor Santana vai voltar à Câmara de Lisboa, ou não? E se não, o que vai fazer? E já tem casinha pra morar?
É quase tão emocionante como descobrir quem matou Salomão Ayala, ou a Dona Odette Roitman.
Tou que nem posso – de curiosidade e ansiedade e suspense.
E disse.

Na cesta Códrilhices

Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (3)

março 08, 2005

É o dia...

... em que se oferecem rosas às mulheres para celebrar a sua condição.
E não só.
E disse.

Na cesta

Posted by vitriolica at 11:57 PM | Comments (4)

A mulher de Março e o João Sem Medo

Diz o Provérbio do Dia (aí mesmo à direita da barriga do Cocó) que a mulher de Março traz o cesto no braço. O provérbio saiu ao acaso, não foi escolhido para este dia. Mas bate certo com a data: com as mulheres que trazem as compras, que no cesto guardam a roupa que (algumas ainda) remendam e passajam, que colhem nos campos, o cesto que quer dizer o trabalho.
Hoje encheram-lhe o cesto de flores. Será que ficou mais leve? Alguns, em meia dúzia de países, sim. Terá havido hoje menos mulheres e meninas espancadas, abusadas, desrespeitadas, exploradas? Se assim fosse, teria valido a pena. Por uma mulher, menina, que tivesse sido poupada hoje, valia a pena aturar o folclore anual da hipocrisia das "boas vontades" (algumas são sentidas, a gente sabe; o resto é quase tudo folclore como o "Paz na Terra" de Dezembro passado e dos últimos dois mil Dezembros).

Deve haver muitos homens que escreveram hoje sobre este nosso dia (e desejo que sintam e pratiquem o que escreveram nos trezentos e sessenta e quatro dias que vêm, e assim sucessivamente). Eu gostei muito de ler este Senhor João; hoje também pode ser o dia de alguns homens: dos que sabem que, na verdade, somos todos iguais - porque são mais inteligentes que a maioria.
E disse.

Na cesta Vi-zinha

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março 07, 2005

Por isso sai... sai da minha vidaaaaaa!

Era o que cantava o Doutor Jorge hoje à tarde enquanto fazia a faxina de fim-de-semana às paredes do Palácio. Isto, enquanto a Doutora Maria areava as pratas da baixela na cozinha. “Sabe, Zezinha, acho que vou atirar esta tralha p’la janela; estes olhos todos a olhar pramim tão-me a dar nos nervos! Tou quase possesso!” – gritou ele na direcção da cozinha.
“Oh Jorginho, mas o que é que lhe deu hoje? Porque é que resolveu implicar assim com estes senhores que estão aí sossegadinhos há tantos anos?” retrucou ela do meio da prataria.
“Então a menina não vê que isto é uma data de traidores? Todos abandonaram o Palácio, um abandonou o País e anda lá p’lo estrangeiro, e a maior parte deles abandonou o Palácio, o País, e até este vale de lágrimas! Amanhã alugo uma camioneta de mudanças e vou despejar esta tralha toda à porta do Alto de S. João e dos Prazeres - pra onde a maior parte fugiu -, que é pra eles aprenderem. Traidores!”
(J. sai pela direita alta cantando “Saaaaaaiiii! Sai da minha viiiidaaaaaaa!”)

(inda não sei se isto vai ser um romance tipo “Maria não me mates que sou a tua mãe”, ou uma peça de teatro assim entre a tragédia e a comédia. Prajá, ainda é só um rascunho. Eu sei que a personagem principal tem um ar um bocado acriançado, mas que querem? É da minha falta de prática. Mas lá que o começo é bom e a obra completa há-de ser melhor ainda...)
E disse.

Na cesta Portugal ovitisoP

Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (1)

março 06, 2005

Bombas e estrelas

A bomba foi aquele anúncio de ontem, do Senhor Ministro das Coisas Lá de Fora, que parece que apanhou muita gente de surpresa, e caiu-me em cheio no prato da sopa de puré de feijão com massinha de pevide, que até me ia engasgando; convenci-me que aquilo devia ser feijão transgénico cruzado com algum animal, e então tinha osso e tudo – senão como é que eu me ia engasgar, não era? Mas afinal foi só por causa do tamanho da surpresa.
Até me refiz depressa daquela surpresa, mas deve haver praí muita gente que tinha mesmo osso na sopa, ou no bife, ou na postinha de peixe, e há-de ficar engasgada durante muito tempo.

Acontece que hoje a minha política é outra, é que a família foi mais promovida do que se tivéssemos todos sido feitos ministros.A "minha" libelinha
Melhor, muito melhor, porque ganhámos todos uma estrela, uma estrelinha verdadeira, que veio por aí abaixo a brilhar para iluminar as nossas vidas. Estamos todos de parabéns, muito felizes e alegres com a chegada da nossa Libelinha.

E perguntam vocês: “Quem é a Libelinha?”; e respondo eu: “Pois a Libelinha é a minha primeira sobrinha-neta, que nasceu ontem, sábado, mesmo à hora do almoço. E pelas fotografias, assim à primeira vista é parecida com o pai.”
É verdade, aqui a boa e velha Vi foi promovida a tia-avó, vejam lá que coisa boa! E a família toda está que nem pode com tanta alegria. Andámos nove meses a vigiar e a acarinhar aquela barriga, e a sonhar com aquela menina, e agora aí está ela! Eu ainda não fui visitá-la porque moro um bocadinho longe (aí uns trezentos quilómetros), mas o babadão do pai, o meu querido Natalino Maurício, não se esqueceu da sua velha tia e mandou-me um SMS logo que ela deu o primeiro choro, e agora ao serão mandou-me um ror de fotografias que ele tirou com o seu telemóvel desses do útimo grito da moda. Aposto que com tanta fotografia gastou um bocado da lente da câmara do telemóvel e tudo!

Agora temos uma família inteira toda babada: pais, avós, tios, tios-avós, e até a minha Mãe, a Dona Máxima, que é uma bisavó novinha em folha com os seus oitenta e quatro anos. Mais informo, a quem possa estar interessado, que foi parto normal, e que mãe e filha se encontram de boa e perfeita saúde.
O Natalino Maurício teve o privilégio e a felicidade de ver nascer a sua menina, e de certeza vai ter muitos momentos de felicidade a vê-la crescer, pois ele e a Cristalina – mãe da Libelinha – são gente boa, que vai saber amar e acarinhar aquela menina, aquela estrelinha que veio iluminar as nossas vidas; e vão saber também educá-la, que isso é que é coisa mais rara hoje em dia, mas que é muito, muito importante, pra não crescer como os bichinhos do campo – ignorante e sem maneiras nem respeito pelas regras do convívio e pelas pessoas.

Portanto, parabéns aos pais felizes e babados, e parabéns à Libelinha por ter a sorte de ter nascido no coração daquele casal, e parabéns pra todos nós: tios, primos, tios-avós, avós e bisavó.
Mais não digo, que hoje as nossas almas cantam mais alto e mais forte que o costume – não é Cocó? E o Cocó tá muito apreensivo porque não sabe bem qual é o grau de parentesco dele com a “chavalita”, como ele diz. Eu já lhe disse que ela vai tratá-lo por “tio”, que é como as criancinhas daquelas famílias assim “bem” tratam os amigos da família. E ele começou logo a sentir-se assim como se fosse uma pessoa importante, que até tem uma sobrinha e tudo. Pior estou eu: ter uma sobrinha-neta faz-me sentir mais velhota, quer dizer que já tenho idade para ser avó. Mas assim cumássim,, isso da idade é mais um estado de espírito, e estou a sentir-me da idade da Libelinha, como se tivesse acabado de nascer e tivesse um mndo novo e inteirinho à minha espera, para brincar e viver.
E disse.

Na cesta Em família

Posted by vitriolica at 02:16 AM | Comments (6)

março 04, 2005

Um bis, ou antes um tris - "noblesse oblige"

Na categoria "Codrilhices", porque ainda não criei a da má-lingua pura e dura.

Parece que há praí umas pessoas (li num comentário de um blogue, que eu tenho andado um bocado arredada e só há bocadinho dei uma espreita curta) que reclamam do serviço assim, e assado e cozido.

Eu sei, aqui é fácil reclamar! Se fosse da Portugal Telecom, ou da CP, ou da casa do caraças, só dava mesmo pra dizer mal - assim em casa à hora do jantar, ou no café com os amigos, ou no emprego na pausa da manhã. Agora reclamar em termos, assim uma carta com tudo tintim por tintim e tal e coisa, isso já era mais complicado, e comprar o envelope, e lamber o selo, e pôr no correio

Se fosse nos blogs do Sapo, francamente não faço ideia se seriam lidos/ouvidos pelos responsáveis, e se teriam resposta; ou no Blogspot ou nos blogues do Senhor Bill Guêites.
Aqui no Weblog, não senhores: pois a gente dá um saltinho e tá no gabinete do Presidente do Conselho de Administração - que é também o empregado de balcão e senhor das limpezas, o verdadeiro tudo-em-um cá do bairro. E podemos despejar-lhe tudo na cara, que é como quem diz, nos comentários do Weblog, ou n'O vento lá fora.
Ou fazer uma bela duma redacção a descascar em grande nos nossos blogs. Pois podemos.

Todos aqueles que estamos convencidos que "isto" é uma empresa que tem meios para pagar a alguns funcionários - vários, que trabalham oito horas por dia (no mínimo); todos aqueles que ignoramos que esta empresa é sonho e obra de um-homem-só. Ele é o primeiro a entrar e o último a sair, porque é o único. Não precisa de esperar que a senhora da limpeza acabe de arrumar a esfregona porque é ele que faz as limpezas. Que para mandar o paquete ir fazer um recado, só tem que olhar para o espelho. Que nunca vai precisar de contratar um desses "emagrecedores de empresas", pois até é maizoumenos elegante.
Que, se os sindicatos soubessem da coisa, processavam o Senhor Paulo Patrão por obrigar o Senhor Paulo Empregado por trabalhar jornadas de doze e catorze horas, muitas vezes até horas escandalosas. Quando os primeiros fregueses "tomam" o seu blog quentinho de manhã bem cedo, ainda está ele a baixar os taipais do estaminé depois de ter passado toda a santa noite a pôr tudo a brilhar, a lutar com máquinas que nem um pobrezinho as ia buscar ao lixo; a dar atendimento personalizado e individual - e sempre de modo educado, e (quase) sempre com resmas de paciência - a todos os clientes pagantes (e desconfio que nem só a esses).

Eu sei que a maior parte dos meus "fregueses" habituais (será que ainda temos fregueses habituais, Cocó?) não são gente dessa natureza: são gente que conhece a casa, alguns são habitantes da primeira hora, antes de a gente lançar âncora neste porto de abrigo pràs nossas digavações. Gente que tem acompanhado esta l(ab)uta, e que tem dito "Presente" quando foi preciso. E que dá apoio, moral e não só, e que compreende que quando as coisas não correm bem é porque podiam ter corrido bem pior - se não fosse o empenho e a dedicação cá do senhorio.

Já estou mas é meia a dormir, e o Cocó não tá ajudar nada, e eu só queria dizer três coisinhas: senhores reclamativos, antes de reclamar façam duas coisinhas - uma, informem-se das condições em que a equipa-praticamente-de-um-homem-só trabalha; duas - comparem aquilo que pagam com aquilo de que usufruem, e vejam onde encontram melhor.

Senhores não-reclamativos: são gente como deve ser, que sabe que manter este barco a navegar não é fácil, e têm sabido que a equipa do Weblog somos todos nós, sabendo acompanhar o passo do "nosso Grande Timoneiro", porque afinal se a aventura foi ele que a procurou, a gente foi todos embarcando e remando cada um à sua maneira mas todos na direcção do vento, e sabendo levantar os remos na hora certa e acompanhar a maré. Este Weblog é "empresa de um-homem-só" mas que não está sozinho porque são muitos os que fazem a sua parte - blogando, opinando, criticando ou apoiando; reconhecendo o esforço e apoiando a dedicação (e alguns, até, pagando).

Ao Senhor Paulo e a todos os que embarcaram neste navio e têm navegado neste sonho eu tiro o meu chapéu - ornamentado com a mais bela pena que o Cocó me ofereceu!
E disse.

Na cesta Códrilhices

Posted by vitriolica at 01:08 AM | Comments (6)

Fechado pra obras

O Weblog - umas horas - e este meu estabelecimento de conversa (a)fiada até que o muso desiberne.
E disse.

Na cesta Vi-zinha

Posted by vitriolica at 12:53 AM | Comments (2)

Um, dois, três, 'xpriência

Faxavor não ligar, que isto é só uma beta-testagem.
Cumprimentos a quem ler.
Mas hei-de voltar, prometo.
E disse.

Na cesta Vi-zinha

Posted by vitriolica at 12:46 AM | Comments (1)