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março 16, 2005
Lista de compras revista e aumentada
Batatas, cebolas, arroz, aspirinas, azeite...
Vai-me custar a habituar assim a meter os remediozitos básicos na lista do supermercado, mas isto é bom que uma mulher se vá habituando. E perguntou-me a vizinha Pulquéria: “Ó vizinha, mas não lhe faz impressão comprar tudo no mesmo sítio? Trazer assim as aspirinas ao lado do peixe congelado?” “Olhe, vizinha, é da maneira que chegam casa ainda fresquinhas.”
“Ai, não diga isso, então e depois quem é que me diz o que é como é que eu hei-de fazer? Se é pra tomar antes ou depois das refeições? Se posso desfazer na sopa ou é para engolir tal-e-qual?”
“Ó vizinha, eu cá sou uma mulher prática, e quando me dói a cabeça ou outra coisa qualquer, pego na aspirina ou coisa que o valha, num copo de água, e lá vai disto. Qual é a dúvida?”
“Ó Dona Vi, então e não é assim perigoso? Uma pessoa até se pode enganar e tudo, e tomar o que não deve!”
“Ai é, Dona Pulquéria? E o que é que impede a sua sogra, que é tão taralhouca e vê tão mal, de meter à boca a garrafa da lixívia que eu já vi na sua bancada da cozinha ali mesmo ao lado da garrafa do refrigerante?”
“Tem razão, vizinha Vi (e aqui ela corou um bocadinho), às vezes a gente distrai-se, facilita, e nem pensa no que pode acontecer – tal-qual como aquela senhora dos Estados Unidos e o puto foi buscar a arma e foi a desgraceira que se viu. Mas ainda não me convenceram com essa de xarope prà tosse e banha pura de porco no mesmo saco.”
“Bem, se calhar é uma questão de hábito e de mentalidade. Pois as pessoas não podem comprar pão, e gelo, e essas coisa, no mesmo sítio onde compram a gasolina e o gasoil? E não é verdade que em Portugal as pessoas todas acham que são médicas, e todos dizem: Se lhe dói aí, tome o XXXX que fez muito bem à prima da minha mulher-a-dias quando teve uma dor mesmo ao lado?
E se a gente chega à farmácia e fica três quartos de hora à espera da vez pra levar uma caixa de comprimidos prà gripe, e ainda temos vinte pessoas atrás pra ser aviadas, onde está a coragem de perguntar, ai como e quando é que se toma e coisa e tal?”
Com estas e outras lá deixei a vizinha Pulquéria a matutar naquilo, que pelo menos sempre é uma opinião diferente da do vizinho Izidoro (assim mesmo, como as salsichas). É que a minha vizinha Pulquéria não é muito de ter ideias próprias, e engole tudo o que o seu Izidoro lhe impinge. De maneiras que eu, quando posso, atiro-lhe assim uma “bombinha” pra dentro do cérebro, que é para a obrigar a pensar, e ver que há ideias e pontos de vista diferentes, e que ela se deve informar antes de ter a sua própria opinião.
O Cocó, que nunca precisou de tomar nada na vida porque tem uma saúde de aço- que não enferruja -, quis saber pormenores sobre estas coisas de remédios. Lá lhe expliquei que muitas vezes, na farmácia, a gente também não pergunta nada porque são coisas muito simples. E que os perigos existem sempre: ou porque a pessoa vê mal e não consegue ler as instruções do médico ou do farmacêutico; ou porque acha que se uma dose faz efeito duas hão-de fazer mais ainda, ou mais depressa; e também há aquelas pessoas que tomam o remédio do marido, ou da mulher ou de quem for, só porque fez bem ao outro.
E afinal são só alguns medicamentos, os de venda livre, quer dizer, que qualquer pessoa pode comprar sem receita – só esses é que se vão (se forem) poder comprar fora das farmácias.
“E sobretudo, Cocó, quem quiser ir comprar mesmo o medicamento na farmácia, não vai passar a ser proibido. Quem quiser consultar o(a) Doutor(a) Farmacêutico(a) em pessoa pra saber se pode cortar o comprimido ao meio ou se tem que despejar o pozinho do pacotinho para o copo ou, pelo contrário, despejar a água no pacotinho, pode sempre ir à farmácia como fez até agora, mas se está com pressa e com dor de cabeça e há uma epidemia de gripe, então talvez seja mais prático ir a uma loja em vez de ficar uma hora na bicha da farmácia por causa de uma mísera caixinha de aspirina ou coisa do género.”
E disse. Antes que se me ferre uma dor de cabeça, que não tenho nada em casa e a esta hora, só na farmácia de serviço.
Opinadela de vitriolica às março 16, 2005 12:00 AM
Opinadelas
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Não posso dizer mais nada sem me repetir:
Adoro este tipo de escrita, pronto!
Excelente*****
Um abração do
Zecatelhado
Opinanço de: Zé do Telhado às março 16, 2005 07:58 PM
Um texto super bem disposto! Sabe sempre bem passar no seu cantinho!
beijinho
ps: Parece que o Paulo Querido já me arranjou os comentários, portanto se quiser passar por lá, terei imenso gosto!
Opinanço de: Sílvia às março 17, 2005 11:26 PM
"quem quiser ir comprar mesmo o medicamento na farmácia, não vai passar a ser proibido."
Exactamente, não é como os Senhores Doutores que podem colocar uma cruzita na receita a inbir a compra de um genérico mais barato para o doente e para o Estado!
Opinanço de: carlos a.a. às março 18, 2005 10:18 PM
:D hehehehehe Vi, adorei como sempre! Principalmente os comprimidos mais fresquinhos à beira dos congelados, pode ser que alargue assim o prazo de validade :D hehehehehehe
Opinanço de: jacky às março 18, 2005 11:56 PM
Ó comadre Vi, V. Exª está mais difícil de contactar que o Presidente "George Embust"!
Já enviei 4(?!) mail's para V. Exª e voltam sempre à casa da partida! ( será que o seu Mail não está ligado ao jogo da glória?).
Faça o favor de me enviar um mail ( pode ser em branco que eu não me importo ) para eu poder contactar-vos, a si e ao Cócó ) com URGÊNCIA ).
Um abração do
Zecatelhado
Opinanço de: Zé do Telhado às março 19, 2005 10:10 AM
Ora viva!
O Zecatelhado, camarada destas lides da blogosfera, deseja para esta casa um fim de semana cheio de bons posts e demais coisas agradáveis.
Envia ainda
AQUELE abração amigo.
Zecatelhado
Opinanço de: Zé do Telhado às março 19, 2005 10:23 AM
há algum tempo que nao te deixava um comentario por manifesta falta de tempo... mas hoje nao resisti! muito bem dito, muito bem explicadito... adorei!
beijos e saudadinhas!
Opinanço de: pandora às março 19, 2005 06:22 PM