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junho 20, 2005
Portugueses: 50% incompetentes, 50% desonestos
Calma, calma, se ler a mesma coisa mas ao contrário, vai ficar feliz por saber que temos cinquenta por cento de portugueses honestos, e outro tanto de portugueses competentes... (safa, que alívio!)
A verdade é que este título foi influenciado por aqueles anúncios bombásticos da Dona Júlia Pinheiro na Quinta das Banalidades: "Os portugueses votaram..." – quando a verdade é que eu nunca votei naquelas Quintas, nem Big Brothers, tal como uma data de milhões de portugueses.
Portanto, se a TVI e a Dona Júlia mais a Dona Teresa Guilherme podem exagerar, eu cá não tenho menos direito.
Vamos então aos factos que ditaram este título (esta não parece uma frase minha, e por acaso não é: mas uma mulher começa a ler, a cultivar-se e aprende assim a escrever umas frases todas interessantes), e que são os seguintes:
A Sic (televisão) resolveu pegar num computador, desligar-lhe um cabo e levá-lo a uma loja de reparações (se viu o Jornal da Noite de domingo, pode saltar o resto da história)...
Das quatro lojas que experimentaram, duas indicaram um problema que não tinha nada a ver com o assunto, e duas outras levaram preços escandalosos para a "reparação" que tinha que ser feita...
Ora vejam lá se tive ou não tive razão para o meu título! Sim, porque um teste daqueles acaba por ser assim uma espécie de sondagem – mas na prática. Logo, fazendo a estatística da coisa, os resultados são estes, não há nada que enganar. Metade daquelas lojas levou preços do arco da velha para a tal "reparação" que mais não era que abrir o caixote e religar o fio desligado, e a outra metade indicou avarias que os pobres computadores nunca na vida lhes passou pela cabeça poderem vir a ter.
Diga-se em abono da verdade que em duas das lojas acabaram por não cobrar nada pela tal "reparação" – o que também prova que há muita gente honesta e escrupulosa, honra lhe seja feita!
Ou seja: no que diz respeito a reparações de computadores é preciso ter muito cuidado, porque há por aí muita gente que anda a levar couro e cabelo, aproveitando-se do desconhecimento das pessoas.
Valham-nos, ao menos, os cinquenta por cento dos competentes e os cinquenta por cento dos honestos...
E disse.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (7)
junho 17, 2005
Sangue B- (se o tem, pode ajudar um jovem)
Um jovem precisa de ser operado de urgência. Tem sangue B negativo.
Se você também tem e está disposto a doá-lo, deixe aviso na caixa de comentários (ou use o endereço de e-mail que lá está). Receberá de imediato o contacto da pessoa a quem pode ajudar.
E disse.
Posted by vitriolica at 08:32 PM | Comments (0)
junho 13, 2005
Para a "Menina do Sopro"
Dedicadas à menina M&M umas quadrinhas que fiz a Santo António nesta noite em que se festeja o mais português dos santos.
Pena que não haja mais gente a imitá-lo: era Franciscano, e por isso fez voto de pobreza; e era tão sábio e inteligente que o próprio S. Francisco o chamou a Itália para ensinar os frades franciscanos.
Santo António de Lisboa
és milagreiro – e careca!
Melhora a vida do povo,
faz um milagre, co'a breca.
Fui rezar à tua igreja
para pedir as melhoras
se o meu Arnaldo me beija
agradeço a toda a hora.
Curaste-me num instante
melhor que qualquer remédio
vê se melhoras a vida
que a pobreza é um tédio.
Governam, fazem descaso,
pois não querem nem saber
sofre o povo, vota o povo,
para eles bem viver.
Eu sei, muito te apreciam
e te estimam e veneram
ver-nos todos Franciscanos
é o que eles mais esperam.
Santo António, rico Santo,
um milagre já fizeste:
no que toca às reformas
qualquer coisita mexeste.
Tamos menos desiguais,
a ver se a coisa prossegue
Mas há muito que fazer,
meu Santinho, não sossegue!...
E disse.
Na cesta Serviço Cultural
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (3)
junho 09, 2005
Inda bem que me lembrei...
Ouvi dizer lá no lançamento que a Menina Ana vai estar no dia 10 a dar autógrafos na Feira do Livro.
De maneira que lá vou eu com o meu livrito debaixo do braço, toc-toc a caminho do Parque e do stânder da Âncora Editora, lá por volta das seis e meia da tarde: uma hora mesmo boa, que já não tá muito sol nem muito calor. Se tiver sorte ainda tenho oportunidade de trocar umas palavrinhas com a distinta autora, que é distinta sim senhor mas não é nada emproada, e fala com as pessoas assim com um ar muito normal. Há pessoas que sabem de leis e de literaturas e ficam logo com o rei na barriga mas a Menina Ana não é dessas, é muito educada e trata bem até uma simples doméstica como eu.
Tábem, gosto de ter livros autografados, e atão? Pois se a gente gostou do livro e simpatiza com a pessoa e tudo, qual é o mal? Sempre fica um objecto assim mais pessoal, é como se aquele livro em particular tivesse sido impresso especialmente para mim; pronto. A gente tem o direito de ficar, senão com um bocadinho da pessoa, pelo menos com um bocadinho da escrita da pessoa, assim mesmo pelo punho dela. E ganhamos um "obrigada" e um sorriso. Aquele autor, ou autora, de quem a gente gosta e que soube escrever palavras que vieram ao nosso encontro, fica um bocadinho mais perto, parece que é um bocadinho mais "nosso".
O escritor segue a vida dele e eu a minha, mas durante uns minutos tivemos um bocadinho de vida em comum, pudemos dizer à pessoa que a admiramos, que aquelas palavras têm a ver connosco.
(sobretudo num país em que se diz tanto mal de tudo e de todos, em que grande parte das pessoas são tão mal estimadas – pelos governantes, pelos patrões, às vezes até pelos vizinhos ou familiares - , eu cá gosto de mostrar a minha estima e a minha admiração. Se há quem agite bandeiras pela selecção, eu cá gosto de agitar a bandeira da admiração e da estima por muitas outras pessoas que fazem coisas bem feitas e não aparecem nos noticiários.)
Pronto, Menina Ana, sexta-feira feriado lá nos encontramos – depois das seis e meia, no stânder da Âncora – prò autografozinho da praxe e mais um dedito de conversa. Quem sabe aproveito e pergunto-lhe o que querem dizer algumas das tais palavras em estrangeiro...
E disse.
Posted by vitriolica at 05:06 AM | Comments (1)
Livros portugueses com palavras em estrangeiro deviam ter desconto
Ora isso é que deviam!
Que uma mulher abala-se de casa com a Cèlinha a tiracolo pra ir a uma coisa toda cultural, assim num bar do teatro que não é bem teatro a sério mas já é uma coisa muito perto da verdadeira cultura.
E vai e assiste, e foi muito bonito e muito interessante, que até a Cèlinha gostou. Agora que está a começar a ficar crescida começa a apreciar assim assuntos com mais substrato — e já está a ficar mais inteligente que eu (tábem, eu sei que não é coisa muito difícil, mas não precisam fazer essa cara de gozo!).
Bem, eu gostei, ela gostou, e foi muito bonito assistir — ao lançamento do livro da Menina Ana, claro! Se calhar pensavam que eu tava a falar do jogo da bola, ou daqueles programas de cultura de massas da TVI... Ouvi falar o Senhor Luís — que é uma maravilha ouvi-lo, benza Deus —, mais o outro Senhor José Mário Silva que também falou muito bem embora eu não tenha percebido tudo; e a Menina Ana também disse umas palavrinhas mas parece que tava assim um bocadinho nervosa mas nem se notava — eu é que tenho a mania de imaginar coisas porque se fosse eu ali a falar p´ràquela gente toda dava-me logo uma coisinha má.
Que me desculpem os outros oradores, mas o que eu gostei mais foi daquele senhor que tem um nome que parece de bebida alentejana assim tipo licor caseiro, o Senhor Changuito. Pode ter um nome meio esquisito, e tinha um fatinho que faz as pessoas que gostam de se levar a sério não o levarem a sério a ele.
Seja como for, tem um ar mesmo de artista (as tais pessoas sérias diriam "maluco", se calhar...), e é artista de verdade. Leu alguns daqueles textos da Menina Ana com uma coisa que não é bem sentimento como diz a minha vizinha Neuza quando vai ao fados — assim mais com alma, como se quisesse transmitir cã para fora a vida que estava dentro das palavras e das ideias e dos sentimentos. Foi tão bonito que me apetecia trazê-lo a ele em vez do livro — ou melhor, junto com o livro. Assim podia pedir-lhe que me lesse aquelas palavras bonitas enquanto eu tratava da lida da casa (menos da parte do aspirador, que é velho e faz muito barulho); até o Cocó ia ouvir e ficar mais culto, e eu passava a ter verdadeiras tertúlias culturais ao nível do fogão — imaginem só o luxo!
O mais bonito foi que acabou o seu trabalho e foi pra trás do balcão do bar: Changuito-artista/Changuito-barman, ali a aviar copos que nem um senhor. Às vezes ainda me espanto quando vejo estas coisas — porque há muita gente que tem trabalhos assim um pouco mais intelectuais, e pensam que lhe caem os parentes na lama se fizerem uma coisa menos nobre; ou então olham para quem trabalha com as mãos assim com um bocadinho de desprezo, como se essas pessoas fossem menos pessoas ou menos dignas de respeito.
Adiante, que essa gente não interessa nada. O que interessa é que a gente que organizou, e falou naquele evento cultural está toda de parabéns, e mais eu que assisti — sem esquecer a Cèlinha, claro. Pior prò Arnaldo, que não é muito chegado a estas coisas de livros, mas tamém ele tava a trabalhar e teve que fazer o jantar e comê-lo sozinho que bem se amolou.
Voltando ao princípio da coisa, deixa-me então explicar o título desta redacção:
É verdade que eu não percebo tudo o que está escrito em português no livro: assumo sem vergonha, porque uma pessoa não tem culpa de não ter grandes estudos e não compreender o que escrevem os artistas das palavras. Mas lá vou lendo e tirando umas pelas outras, de maneira que acabo por perceber uma parte do que li, e na vez seguinte percebo mais um bocadinho e por aí fora...
A coisa fia mais fino quando começam a aparecer bocadinhos em estrangeiro, e lá fico eu toda atrofiadinha! Ele é o inglês, o italiano, mais o alemão... até o latim, que é uma língua que ouvi dizer que já morreu há uma data de anos; se calhar a Menina Ana não ouviu a notícia, e toca a pôr latim por aqui e por ali.
Ora eu línguas, lembro-me logo duma frase do meu pai, que quando chegavam os turistas ingleses e lhe perguntavam: "Dú iú spike Inglish?", respondia muito alto, pra ver se os camones percebiam melhor: "Eu cá, só português, e mal!". Eu é mais ou menos a mesma coisa — ainda aprendi dois anos de francês no liceu, e mais nas cantigas do Adamo, e do Aznavour, do Bécaud e mais do Brel que esse era belga como o Poirot, mas cantava em francês. Mas no que toca ao resto das línguas, sou analfabeta de pai e mãe.
Por causa disto tudo e das pessoas que não sabem línguas é que eu acho que estes livros que são escritos em português e trazem muita coisa em estrangeiro sem a respectiva tradução deviam ter um desconto, que faz de conta que era prà ajuda do dicionariozinho da respectiva língua.
Bom, fiquei tão encantada com a apresentação do livro e com os amigos que reencontrei (hei-de voltar a este assunto, espero) — além de ser despistada e taralhouca e tar com pressa porque ia jantar com o mano Plácido e a mais a Senhora dele que é uma moçoila muito jeitosa — que acabei por me esquecer de pedir o autografozinho da praxe à Menina Ana.
Vou mas é começar a jogar no Euromilhões a ver se arranjo fundos pra mandar pôr uma cabeça nova, que esta já não tá a dar prò gasto.
E disse.
Posted by vitriolica at 04:03 AM | Comments (3)