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julho 13, 2005
então e não é que levei mesmo?
Levei mesmo c'uma coisa em cima, muito bem atirada por um vizinho atento. É verdade que eu estava mesmo a pedi-las, porque falei de "a importância da falta de assunto na criatividade dos que escrevem nos blogues".
Ora o que eu devia ter escrito era "a importância da falta de assunto na criatividade das pessoas chamadas Vitriólica C. O Rosiva que escrevem nos blogues."
Tábem, não me apetece falar da desgraça dos incêndios porque já falei deles no verão passado, e os Senhores Ministros desse tempo também falaram, e se bem me lembro alguém disse que estavam a organizar tudo pra este ano a coisa não correr mal. Tá-se a ver. Pensei cá comigo: "Vi, pois se o senhor, no ano passado, disse que a coisa este ano ia correr bem, aquelas coisas que andam a dar nos noticiários devem ser como aquilo do arrastão que toda a gente disse que foi, e agora anda toda a mesma gente a dizer que não foi."
Aposto que dos incêndios se calhar ainda acontece o mesmo, que eu não acredito nada que o Senhor Ministro tenha prometido e dado a palavra, e agora não esteja a acontecer tal-qual como ele disse que ia ser.
E outras coisas assim importantes não tem havido nada de que me apetecesse falar, porque aquilo que tenho visto nos últimos meses só serve para "reforçar" a minha confiança nos políticos e respectivas promessas.
Se eu mandasse no parlamento fazia já uma lei como naquela coisa do futebol: "Promessas, só no fim do mandato do Governo". Que assim os Senhores Políticos e Governantes já não tinham que gastar a imaginação a inventar promessas de campanha eleitoral e poupavam as energias e as forças e a imaginação pra resolver problemas reais de quem os elegeu, pra fazer coisas concretas que melhorassem a vida das pessoas.
Neste momento está tudo a correr muito bem, não há descontentamento, todos vivemos às mil maravilhas com belos ordenados e poucos descontos; em Portugal temos políticos e governantes honestos, escrupulosos, incorruptiveis, zelosos pelo bem-estar do sempre bem-amado povo. Vou falar de quê?
Também não me apeteceu falar daquela desgraça que aconteceu em Londres. Pra quê? Pra dizer "Andavam mesmo a pedi-las."? (não as vítimas, inocentes desgraçados que pagaram com a vida o preço do petróleo de uns, a sede de poder de outros, e o fanatismo de outros ainda).
Ou pra achar piada à histeria que vem a seguir a uma coisa destas:
- dos que aproveitam o valente susto para inventarem logo maneiras de vigiar tudo e todos ;
- dos que começam logo a "pôr trancas na porta" como se fosse haver um atentado igual ou parecido no mesmo sítio ou noutro parecido, no dia ou na semana seguintes.
A verdade é que isto do terrorismo virou um (infeliz e macabro) folclore, e se eu tivesse a tara das conspirações dizia que o Bush & Companhia tá feito com o Bin Laden & Companhia; ou seja, os atentados terroristas servem às mil maravilhas para os propósitos dos que acham que são mais donos do mundo que os outros: aplicam a táctica do terror, acagaçam o pessoal todo, e lá vão convencendo o comum do cidadão a deixar vasculhar a vida de tudo e de todos com a desculpa do "É pra ajudar a acabar com o terrorismo."
No final das contas, vão apertando a tarracha sobre o pobre do Zé Povinho mundial, mas o que acontece é que os terroristas não são parvos nenhuns, e quando atacarem outra vez (lagarto, lagarto!) vai ser numa cidade, e num local e numa hora que ninguém faz ideia – senão não era ataque terrorista nenhum, era "explosão com hora e local marcados".
E a verdade é que quem morre praticando actos terroristas é tal-qual os soldados das guerras "normais" (devo estar fora do meu juízo pra chamar "normal" à maior anormalidade do Homem): morre sem glória, pra encher os cofres dos "pançudos" do costume.
O Live8 também foi muito bonito, e eu vi uns pedaços na televisão. Pois a intenção é boa, e eu não podia apoiar mais; mas a gente sabe que quem decide é o G-8, e duvido que eles liguem a mínima a uns milhões de gente boa e solidária mas que não manda uma beata nos destinos do planeta.
E tirando isto, não tenho mais assunto. Vou voltar ao croché e às bainhas dos panos da loiça.
O expediente deste blog tá em "estiagem", que é a mesma coisa que "hibernação" mas ao contrário.
E disse.
Opinadela de vitriolica às julho 13, 2005 02:55 AM
Opinadelas
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Generosa Vi.
Realmente só podia ser lapso de tecla ou esquecimento de queijo de azeitão a derreter no pão da avó a referência "á falta de criatividade nos blogs" e no seu. Afinal o blog é mais um espaço de coração e de interioridades que não necessita de criatividade. O importante é a partilha. As ideias como as suas e outras, são sempre importantes. Mesmo que não sejam criativas. Por vezes a criatividade é uma capa para a fuga do essencial.
Cumprimentos.
JSM
Opinanço de: João Sem Medo às julho 13, 2005 08:56 AM
Minha Querida Vi
Gostei do seu escrito. E vou pegar nalgumas das suas ideas (e não me diga que não tem assunto) para desenvolver no meu blog.
Durante os últimos tempos tenho visitado a blogosfera e encontrei textos muito interessantes; tenho pena de não dispender mais tempo com estas visitas mas, não é praticável nem possível.Também tenho de ter tempo para fazer outras coisas.
A Senhora, com os seus escritos, desenvolveu-me uma empatia consigo, já porque tem uma postura que se impõe já porque é modesta em tom natural.
Manuel
Opinanço de: Manuel Marques às julho 13, 2005 05:37 PM
Eu bem dizia que aquele ensaio tinha uma finalidade
e ele está à vista. A Dª. Vi numa de demonstração de que não tendo assunto, acabou no fundo por abordar
um tema actual e pertinente, comprovando que afinal
não passou dum mero desabafo. Quantas vezes vivendo
exactamente um momento de falta de inspiração, ela acaba por surgir por força da leitura de vários outros blogues, acabando por nos motivar uma ou mais
postagens e por vezes serem essas aquelas que provocam mais comentários.
Opinanço de: congeminações às julho 13, 2005 11:06 PM
Ói! cheguei a pensar que o Cocò tinha virado cabidela! Afinal só estava a digerir o milho da crise ;)
Opinanço de: Idalete às julho 13, 2005 11:49 PM