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agosto 26, 2005
Carta Aberta ao Senhor Ministro das Finanças – Folha número 2
Excelentíssimo Senhor Ministro das Finanças de Portugal
Excelência, Vossa Senhoria
Continuando o nosso assuntozinho da carta anterior (ver Folha número 1), e agora que já aprendeu como é que se poupam umas lecas, deixe-me aqui contar-lhe um segredo que eu acho que pouca — muito pouca gente — sabe: acredita, Vossa Senhoria, que há Câmaras Municipais que tão cheias de dívidas? E que dívidas também querem dizer juros? E quase que apostava que algumas — praí umas três ou quatro, pelo menos!!! — até lhe devem dever a Si, Senhoria e Excelência!!!! Pois! E aposto que não devem só dez euros e mais uns trocos como eu e o Arnaldo! Tábem, com os juros e as alcavalas parece que a coisa já vai em vinte...
Mas e as Câmarazinhas, como é que é? Atão um organismo que é eleito pelo povo, e que ao povo deve governar e respeitar, não sabe que é muito feio ter dívidas e não pagar?
Por exemplo: mesmo sendo uma ninharia de vinte euros + trocos, acho que o senhor fez muito bem em não me devolver o meu dinheiro enquanto eu não pagar o que devo. Mas e os outros? ... as Câmaras... os clubes da bola... e os sei lá quantos mais que eu nem faço ideia?
Se o Senhor obrigasse cada um a pagar as dívidas que faz, ia ver que num instante as Câmaras, os clubes da bola e sei lá quem mais iam ter que bater a bolinha rasteira e pensar antes de gastarem mundos e fundos — que é o que fazemos todos os dias: eu, e milhares de domésticas, e mulheres que trabalham, e homens por esse país fora.
Pois, o Senhor tá bem de vida, e nem sonha as ginásticas que as pessoas comuns são obrigadas a fazer todos os dias; porque não há-de o resto fazer o mesmo? Tábem, eles só fazem porque podem; ou antes, porque os deixam! Fazem as porcarias todas que querem, e no fim vão-se embora alegremente e ninguém é responsável por nada. A gente já sabe...
Olhe, fique descansado que eu amanhã já vou a caminho das Finanças pagar os tais dez euros mais os juros. Só espero que lhe vão logo dizer, e que tamém seja rápido a depositar o chequezinho da devolução...
E não se esqueça: se procurar com cuidado, encontra gente que deve muito mais que muitas vezes dez euros, e até — pode não acreditar, mas juro-lhe que me contaram e pela pessoa que foi eu acredito — há gente que lhe diz que ganha menos do que ganha só pra não pagar o que devia. E há por aí muito organismozinho do Seu/nosso estado onde há muito desperdício.
Vou pagar os dez euros mais juros, mas gostava que me prometesse que vai controlar tão bem os gastos do Seu ministério como eu controlo os gastos cá de casa.
Pronto, ficamos assim combinados, eu não me importo nada de pagar o que devo, agora só falta Vossa Excelência, Senhoria, ir à caça dos outros caloteiros; ou pensa que sou eu a única?
Fique bem, e com os anjos, Senhor Ministro, e dê muitas recomendações à família.
Cumprimentos respeitosos e humildes desta sua devedora que se assina
Vitriólica C. O. Rosiva
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agosto 25, 2005
Limpe a estante e ganhe um sorriso
Li na Menina Lua um apelo a quem tenha assim umas cassettes de vídeo daquelas de fazer rir. Se já não se ri com elas e estão só a roubar espaço e a encher-se de pó, ainda podem ajudar meninos internados no Instituto Português de Oncologia.
Vá lá, aproveite um bocadinho das férias, ganhe espaço na estante, e vai ver que vai ficar com um sorriso - não, dois sorrisos: um, por mandar um bocadinho de distracção e alegria àqueles meninos; outro, por ficar com mais espaço livre.
Viu? Pelo preço de uma pequena encomenda, lutou contra as rugas e tudo!... E ainda pode ter o prazer de imaginar os sorrisos e gargalhadas de um bando de crianças. Há lá coisa melhor?
E disse.
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Assino em baixo, em cima, e dos dois lados
E digo mais: eu ia aqui escrever sobre o que diz a Sôdona Ana Roque, mas vou só dizer uma coisinha.
Há por aí umas pessoas que são assim muito importantes, e muito cotadas na politicosfera e na blogosfera. E depois vai-se a ver e não devem ter bebido chá suficiente em pequeninos, e fazem gala em mostrar isso mesmo. Porque são pessoas que fazem uma redacção e citam muitos blogues, mas só põem linques pra metade.
Ora, de acordo com a blog-etiqueta, a gente fala de um blog e é da mais fina educação pôr um linque para o dito blog, pròs nossos leitores não terem de andar “Ó tio, ó tio” a terem que descobrir onde fica. Mas foi isso mesmo que fez um certo Doutor muito respeitado da nossa praça do qual eu não vou dizer o nome (JPP), que amanda abaixo as pessoas e fala dos blogs deste e daquele e eu não percebo porque é que não põe os linques pra todos.
Das duas, uma: ou só pagou metade do ordenado à secretária e ela não esteve pra se dar à maçada de pôr o resto dos linques, ou atão é mesmo só falta de chá, e isso é muito feio numa pessoa com a craveira do Senhor Doutor. É que as pessoas assim de alto nível e com muitos estudos, a gente pensa que tamém têm educação, e vai-se a ver, nicles...
Quanto ao resto, a Sôdona Ana disse tudo.
E disse.
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agosto 24, 2005
Carta Aberta ao Senhor Ministro das Finanças – Folha número 1
Excelentíssimo Senhor Ministro das Finanças de Portugal
Excelência, Vossa Senhoria
Venho por este meio electrónico dar assim uma palavrinha a Vossa Excelência por causa do meu IRSzinho e mais do meu Arnaldo.
Eu não sei se o Senhor Ministro sabe, nós somos ciber-contribuintes – que é como quem diz, cumprimos os nossos deveres fiscais pela internet, pelo menos quando podemos: quando o sítio não entope, e tudo corre nos conformes. E temos cada um o seu endereço de correio electrónico, e tudo!
É por isso que eu não percebo porque é que hoje recebemos três cartas três, só para nos dizer que não nos devolve aquele pedacinho dos nossos impostos que lhe sobrou. Tábem, não devolve por enquanto e a culpa é nossa. Lá irei mais adiante.
Agora, Senhor Ministro, pois não sabe que o imeile é grátis? e ainda por cima amiguinho do ambiente e da floresta porque não consome papel? Isto, claro, sem falar no seu mealheiro, que só em papel e selos é uma dinheirama louca...
Pois eu cá, se fosse ao Senhor Doutor, mandava mas era um meile prò casal, daqueles com aviso de recepção, e tava o assunto resolvido. Já nem falo do que poupava de carteiros, mais do postal de aviso se a pessoa não está em casa – mais uma data de postais, mais uma arvorezinha derrubada, mais magro o porquinho mealheiro... Com dois meiles de graça tava resolvido o assunto.
Agora três cartas!!! Tá-se a ver que a coisa tá a ficar organizada, mas ainda faltam uns retoquezinhos... Se a gente tem uma dívida, bastava uma cartinha a dizer: “Os senhores têm a haver tanto, mas só recebem depois de pagarem o vosso calote, que é tanto”. Viu? Uma cartinha – melhor ainda, um meile com aviso de recepção chegava! E a tinta pra imprimir as resmas e resmas de folhas? E o desgaste das não-sei-quantas impressoras?
Cá na minha modesta opinião de doméstica ainda há muito desperdício no ministério de Vossa Excelência; se quiser umas dicas de poupança como deve ser é só dar um toquezinho aqui à Vi e vai ver que consegue um ror de dinheirama num instantinho.
Por agora fico por aqui, pra não cansar muito a carola de Vossa Excelência.
Despeço-me com muita estima por um Alto Servidor da Nação e sou, com toda a consideração e respeito
Esta sua que se assina
Vitriólica C. O. Rosiva
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agosto 23, 2005
Ainda bem que eu não tenho pilinha
... ou da influência e audiência dos blogs
Pois parece que houve por aí umas discordâncias de blogs (e não ponho o linque do Abrupto – primeiros, porque não há frequentador da blogosfera que não saiba onde fica; segundos, porque basta ir à maior parte dos blogs e lá está o linquezinho prò Abrupto; e terceiros, porque ninguém me há-de algum dia acusar de ter posto um linque prò Abrupto pra ver se ganhava notoriedade, quem sabe o próprio Doutor Pacheco em pessoa desabalava-se lá do Blogspot pra fazer uma visitinha à minha humilde choupana. Ele não conhece a minha existência, e cá por mim há-de viver ainda muitos anos nessa ignorância, graças a Deus).
E dizia eu no parágrafo anterior, mas já estava a ficar muito comprido. Dizia eu pois que houve praí umas diferenças de opiniões quanto à maneira de medir o tamanho das pilinhas, queria eu dizer as influências e as audiências dos blogs. Eu cá sou uma leiga nestes assuntos, mas de repente lembrei-me das “guerras” do Doutor Moniz e do Doutor Rangel pelas audiências das respectivas televisões.
Essas coisas acabam por não levar a lado nenhum, e depois é assim:
há os Maria-vai-com-as outras que visitam “os mais populares”, ou “os mais lidos”, assim numa espécie de “É chique ser visitante do blog X oy Y ou Z”, e "Eu concordo/não concordo nada/acho um rematado disparate/não podia concordar mais com o que escreveu o Fulano lá na chafarica dele.” e a pessoa sente-se muito importante, quase como se morasse no mesmo andar do mesmo prédio do dito Blog-notável;
e há os que vão “petiscando” por aqui e por ali, lendo umas coisas por onde passam, e ficam clientes de uns porque têm ideias ou palavras que têm a ver com eles.
E há os que blogam pra fora e os que blogam pra dentro, que é como quem diz, uns blogam para os leitores, outros blogam o que têm na alma, ou no espírito. Uns têm coisas a dizer, outros querem mostrar que sabem dizer coisas.
Esta coisa dos blogs dava para escrever uma quantidade de livros e teorias – sobretudo no que diz respeito a tamanhos: de umbigos, pilinhas, mas sobretudo egos e vaidades.
A gente escreve pra partilhar as ideias com quem nos lê, e tudo começa assim; depois começamos a ter visitantes, e comentários, e contadores, e sáitemíters e téquenorátes e tréquebéques (eu já não tenho destes há um ror de meses, mas tamém ninguém me põe linques porque tenho andado pouco inspirada, por isso tá tudo bem). E é quando esta cangalhada toda começa a subir à carola do people que a coisa desanda, porque a gente já não escreve de dentro pra fora, mas sim com o olho nos tais “medidores de audiências”, ou de popularidade, ou seja lá o que for.
O que vale é que há muita gente que não quer saber de téquenorátis e afins, e bloga pelo prazer de blogar.
E tinha mais coisas a dizer sobre o assunto, mas a redacção já está a ficar comprida e fico mesmo por aqui – prajá prajá.
E disse.
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agosto 22, 2005
Natureza morta
Pois nem só de batatas se faz um quintal, e para provar isso mesmo, aqui fica uma colheita de legumes que é de fazer inveja a muita gente.
Ele é tomates, batatas, pêras e até uma cebola - procurem bem, senhores e senhoras, assim mais clarinha, na parte de baixo do cestinho.
Tudo isto é fruto do trabalho do meu Arnaldo assim para se entreter ao fim de semana, que ele gosta destas coisas de mexer na terra e agricultar um bocadinho. O tamanho não importa, o que importa é que são fresquinhos, e se não são tão de agricultura sem aditivos como eu gostaria, é que o Arnaldo não desiste de pôr de vez em quando uma coisinha pra matar o bicho; eu ando sempre a tentar convertê-lo à agricultura biológica, mas tem que ser aos pouquinhos e com muita diplomacia...
E disse.
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agosto 16, 2005
Mandei o Arnaldo plantar batatas...
... e ele, como é um marido como deve ser, foi até ao quintal e fez a vontade à sua mulherzinha.
Já não me lembro há quanto tempo foi, mas no nosso quintal do tamanho de um lençol queen size ele plantou um batatal assim do tamanho de um toalhão de banho; já foi há não sei quanto tempo, mas aqui há uns dias lá foi ele tratar da nossa reforma agrária, e o resultado foi este:

Pra que não haja confusões, esclareço que a colher que se encontra na foto é das de café, só pra dar uma ideia do tamanho das batatas. Ou seja, vou ter que fazer qualquer coisa com batatas a murro, porque descascar estas miniaturas é coisa pra levar uma tarde inteira e eu tenho mais que fazer.
Tábem, Arnaldo, não são todas deste tamanho, é verdade; estas foram escolhidas a dedo (ou talvez devesse dizer “à lupa”...); as outras são de um tamanho decente e normal, próprias para qualquer prato desses do trivial.
Agora estas são especiais, (devem ser sementes que vieram de Lilliput...) e por isso, além de me irem pelo estreito abaixo um destes dias, merecem ficar pra sempre imortalizadas com uma redacção e um lugarzinho na blogosfera. São também o meu tributo ao Arnaldo-Hortelão que acompanha os meus dias e trata do meu quintal do tamanho de um lençol queen size.
E disse.
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agosto 12, 2005
Leve
e luminoso e lindo; e com a simplicidade e a pureza de uma humilde flor do campo.

É assim que eu desejo o futuro da minha querida Cèlinha, desde o dia em que ela nasceu – faz hoje (alguns) anos.
Prati, filhota, neste dia vai tudo o que de bom eu tenho no coração. (nos outros todos também, mas hoje especialmente.)
E disse.
Posted by vitriolica at 05:48 PM | Comments (4) | TrackBack
agosto 01, 2005
PT que pariu - parte 2
Ou Às vezes, reclamar adianta mesmo
Pois é verdade, cá a Vi, ainda antes de vir fazer queixinhas e dizer mal aqui no blog, fez duas reclamações em forma, uma à Sôdona PT e outra ao Clix.
Que é como quem diz, expus os factos, disse que estava mal e perguntei o que é que eles pensavam fazer em relação ao assunto. Mai-nada! A verdade é que não estava à espera de grande coisa - afinal, sou uma consumidora-pagante-portuguesa, o mesmo é dizer, tenho dois únicos direitos: pagar e calar...
Mas não, desta vez a coisa foi diferente! Ou talvez seja melhor dizer meia-diferente:
da Sôdona PT recebi, passados quatro dias, um meile que dizia o seguinte:
Estimado Cliente
Na sequencia do e-mail que nos enviou, informamos que tera de reportar a situacao apresentada ao respectivo fornecedor de internet.
Continuando ao dispor, subscrevemo-nos
Com os melhores cumprimentos
Servico de Apoio ao Cliente
Faxavor reler com atencao: nem assentos, nem ssedilhas, nem desculpe nem lamentamos... Só um "sacudimos a água do capote, porque o nosso negócio são milhões e não perdemos tempo com coisas de tostões" Tábem, eu não esperava outra coisa. Fim de episódio.
Já o Clix, levou um bocadinho mais de tempo a responder: só passados cinco dias tive uma primeira resposta:
Estimado Cliente,
Antes de mais agradecemos o seu contacto.
Acusamos a recepção da sua mensagem, a qual foi encaminhada para o departamento competente. Brevemente terá uma resposta às suas questões.
Para mais informações ou ajuda adicional não hesite em contactar-nos.
O Clix pede-lhe: lembre-se da sua responsabilidade ambiental antes de decidir imprimir este e-mail
(e pensei cá com os meus botões: "Bem, lá pra dia de S. Nunca, mesmo pela hora da bica, há-de vir a segunda parte da resposta...")Apreciei o pormenor ecológico, e agradeci mentalmente em nome das arvorezinhas do planeta.
Pois não é que me enganei?
E se ele há dias em que uma mulher fica contente por se ter enganado, este foi um deles, oh se foi!!!
Ontem à tarde (nove dias depois da reclamação, o que é um recorde pelas regras portuguesas!!!) recebi um novo mail do Clix que reza assim:
Estimado Cliente,
Antes de mais agradecemos o seu contacto.
No que diz respeito à sua questão, informamos que foi dado 1 dia de utilização, como compensação pela situação que nos indica.
Para mais informações não hesite em contactar-nos.
O Clix pede-lhe: lembre-se da sua responsabilidade ambiental antes de decidir imprimir este e-mail
Bonito; gostei de ler. (e de novo o pormenorzinho ambiental que faz parte da "assinatura" do Clix) Mesmo assim, e como boa cidadã deste país que não (pode) acredita(r) muito em promessas, fui à minha "Área de Cliente" no Clix confirmar a verdade verdadeira, que nestas coisas aprendi com o São Tomé. E lá estava, preto no branco, o pagamento da próxima mensalidade adiado um dia.
De onde se prova que vale a pena reclamar em termos; de onde se prova que, mesmo mesmo tratando-se de uma ninharia, o cliente gosta que lhe dêem razão quando a tem; de onde se prova que há empresas em Portugal que ouvem o cliente - e sobretudo, que lhe conhecem e respeitam os direitos.
De onde se prova que tenho razão em ser fiel ao "meu" Clix.
Por isso, caro(a) leitor(a)/visitante, se foiO que a gente precisa (entre muitas outras coisas), é de mais saber reclamar e menos dizer mal. um(a) dos(as) afectados(as) pelo "apagão" do Clix no dia 20 de Julho que afectou o people da Margem Sul do Tejo, verifique se também foi contemplado(a) com um diazinho extra; e se foi, deixe aqui um comentariozinho; e se não foi, faça como eu - reclame; e já agora, depois venha cá e conte, que a gente gosta sempre de saber.
E disse. Na cesta Vi-zinhaPosted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (4)