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outubro 23, 2005
Adeus velho Amigo
A caminho do Céu, daqui te digo adeus e te dou um daqueles “nossos” abraços.
Partiste a fazer aquilo de que gostavas, e lá vais tu com a espingarda e os cães, tuca-tuca neste domingo bonito de Outono, e tomara eu quando chegar a minha hora.
Tomara eu partir depressa e sem aviso; e sem dor nem sofrimento (“Quem cá ficar que se amanhe”, diria a Dona Máxima.). Abalar lá de trás da moita, na manhã fresca do Alentejo cheia de cheiros e cores e frescura que sobrou da noite.
Desta vez não vais trazer as perdizes, os coelhos, os faisões. E tinhas a alegria a bailar nos olhos quando as oferecias “Toma, leva, já tão amanhadas.” Porque gostavas de dar, de partilhar, de distribuir.
Eras bruto como as pedras da Serra onde nasceste, talhado só pela natureza e pela vida e pelo sofrimento e pelo trabalho – que começou cedo, como sempre acontece com os meninos que se fazem homens antes do tempo. Não tiveste tempo nem oportunidade de ser “aperfeiçoado” pelos salamaleques sociais, porque mergulhavas no trabalho que era ganha-pão e vício e passatempo, dias e noites a fio.
E eras bom como o pão lá da Serra, e aqui não há mais comparações nem palavras. Eras Bom Como o Pão. Ponto. Toda a gente contava contigo para o que desse e viesse, e tu ias a todas quando se tratava de ajudar, de apoiar, de fazer o que fosse preciso – fosse lá o que fosse.
Não nasceste na família, dizem. Mas desde que passaste a fazer parte dela, era como se já tivesses nascido com o nosso sangue, o nosso nome. Tinhas a nossa identidade, entraste como cunhado e no dia seguinte já eras irmão de nascença.
Não vou falar dos defeitos que tinhas – que não eram mais nem menos que os das pessoas normais – porque as qualidades pesam muito mais no meu prato da balança. Às vezes eras “difícil de assoar”, quando vinha à tona a tua “metade pedra”; eu tive a sorte de conviver mais com a tua “metade pão”.
Abalaste a caminho do Céu atrás de um coelho, trauteando em surdina uma daquelas árias de ópera que tanto gostavas de cantar, numa manhã calma de Outono arrefecida por uma brisa fria de um campo alentejano; nas narinas levas o cheiro do mato, das ervas rasteiras.
No ar fica uma Ave Maria – a de Schubert, se puder ser, gosto mais dela que da de Gounod.
Até sempre Carlos, cunhado, irmão e amigo.
Opinadela de vitriolica às outubro 23, 2005 04:19 PM
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O meu abraço solidário à família.
Zecatelhado
Opinanço de: zecatelhado às outubro 24, 2005 11:05 AM
Custa ver partir alguém para o Oriente Eterno.
Opinanço de: Dizer Bem às outubro 24, 2005 11:39 PM
boa noite!
PARABÉNS pelo blog! CONGRATULATIONS!FELICITATIONS!
Por vezes, poderei aparecer...
Lipinha...(como alguém me chamava e já não chama mais. Só lá dos Céus)
Opinanço de: Filipa às dezembro 3, 2005 11:37 PM