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outubro 30, 2005
Condensado de cleptocracia
Cleptocracia s.f. regime político-social em que práticas corruptas, esp. com o dinheiro público, são implicitamente admitidas ou mesmo consagradas. (Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, ed. Círculo de Leitores)
Este dicionário custou-me um ror de massa, e andei a recebê-lo e a pagá-lo a bochechos, com as minhas economias, durante um ror de meses. Tábem, problema meu, que gosto de saber o que querem dizer as palavras: as que leio/oiço, e as que escrevo.
Consultei o meu Houaiss depois de ter lido este escrito da Sôdona Teacher, pra ter uma segunda opinião além da da Wikipedia; ambos dizem a mesma coisa por palavras diferentes.
E depois leio dois cabeçalhos do Expresso (só tenho direito às “gordas” porque não pago assinatura — tudo bem, que um jornal é um negócio e não uma ONG): um que me informa de que os autarcas tomam posse a correr pra não perderem regalias, porque o decreto que já devia estar em vigor ainda não conseguiu chegar ao Diário da República — burrice do decreto, que se ele apanhasse o mesmo transporte que apanham os da subida dos preços, da idade da reforma e outros que tais, tinha sido logo escarrapachadinho na hora! E há outra notícia do Expresso que diz que o Senhor Engenheiro Sócrates vai fazer o Milagre do Sumiço de Não Sei Quantos Funcionários Públicos.
Eu cá só pergunto quantos funcionários públicos — daqueles que fazem falta e são úteis — podiam ser pagos com o que sobra das reformas dos vereadores, Presidentes de Câmaras e tudo o mais que se vai sabendo (fora o que a gente nem sonha...); mais mordomias e telemóveis e carros com chófer e etcetra e tal. Se os Governos tivessem a mesma “coragem” que têm quando cortam nos “gordos privilégios” dos trabalhadores normais, e “apenas” aplicassem justiça, a mesma “justiça corajosa”, aos deputados, gestores, administradores e demais cidadãos acima das leis que o cidadão comum (e burrinho como eu) acredita que são nossos iguais em deveres e direitos.
“Eles” andam a brincar com o povo que os elegeu, “eles” gozam-nos à parvalhona pelas costas, e lá no fundo devem perguntar como é que alguém ainda vota e acredita neles... Pois eu cá, voto porque é praticamente o único direito que me resta, e não vou dispensá-lo enquanto tiver uma mão capaz de fazer uma cruz no papel e de deitá-lo numa urna. Agora acreditar, acreditar, só se for num milagre de Santo dos que estão no céu.
E voltando ao princípio da coisa: se alguém se sentir muito ofendido com isto, prove-me por A mais B que não somos governados por uma data de gente que não tem escrúpulos nem respeito pelo ser humano, e que só serve os seus interesses ou os de quem lhe presta favores, ou lhe dá sabemos nós que regalias e presentes, ou de amigos e parentes. Provem-me que eu represento, para esses senhores, mais do que um pedaço de plástico, uma peça do Jogo do Monopólio que os Senhores Políticos e os Senhores do Dinheiro jogam uns com os outros. Provem-me que há neles alguma amostra de humanidade, de respeito pelo cidadão comum que os elege, os alimenta, faz deles o que são.
Voltando ao princípio da coisa: é cleptocracia e pronto, mesmo que “eles” digam: "é tudo legal, é um direito meu." Pois é, tem muita razão. Mas os meus direitos também são legais, e vão-me sendo roubados um a um em nome da Justiça e disto e daquilo.
Chamem-lhe os nomes bonitos que quiserem, façam os discursos bombásticos e piedosos que lhes apetecer, inventem campanhas de palmadinha nas costas, auto-estima e outras balelas que tais. O que a gente quer mesmo é ver respeitadas as nossas pessoas e o nosso direito a uma vida digna. E nisso, Senhores Políticos, quase todos se mostram incapazes e incompetentes.
Provem-me por A mais B que estou enganada: eu e mais dez milhões de portugueses aldrabados e explorados agradecíamos.
E disse.
Opinadela de vitriolica às outubro 30, 2005 12:00 AM
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» parabéns célinha! de o sopro do coração
durante anos e anos fomos cinco. como não podia deixar de ser the-one-and-only-Famous-Five em aventuras atrás de aventuras pelos corredores fora da pensão dos nossos avós. de toda uma geração de the-one-and-only-Famous-Five como foi a nossa, (acho que ... [Ler...]
Recebido em novembro 9, 2005 07:23 PM
Opinadelas
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Disse e disse muito bem como costuma. Eu cázinho, já o digo há um ror de tempo.
Um abração do
Zecatelhado
Opinanço de: zecatelhado às outubro 30, 2005 09:41 PM
Poizé, vizinho, o problema é que muita gente deve andar a dizer o mesmo, só que falamos baixinho e não deve chegar aos ouvidos de tão elevados senhores...
Opinanço de: Vi às outubro 31, 2005 12:56 AM
Falou e falou muito bem!
Até custa a crer que tenha havido rapaziada tão altruísta, tão altruísta (não tenho a certeza da correcção do acento... mas tenho uma preguiça enorme de confirmá-lo no Porto Editora) que se dispusesse a ir presa para que pudéssemos votar. É só essa lembrança que me faz gastar as solitas dos aerosoles... senão assobiava-lhe às botas. Pois...
Um abraço,
Francisco Nunes
Opinanço de: Planície Heróica às outubro 31, 2005 11:37 PM
Espero sinceramete que a dona comadre e o seu distinto cócó estejam bem; Estou estranhando tanto tempo de auseência.
Um abração do
Zecatelhado
Opinanço de: zecatelhado às novembro 12, 2005 04:57 PM