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outubro 29, 2005
Eles querem é ter o monopólio dos abortos
Sim, porque que eu saiba, uma Assembleia de uma República serve pra fazer leis, e um Governo serve pra governar os cidadãos.
Acontece que há certas coisas que os governos não querem fazer vá lá eu saber porquê; e então fazem uma coisa que os brasileiros chamam "empurrar com a barriga", e eu chamo "faz que anda mas não anda".
Vai daí, passam a bola pra referendos, e Presidentes da República, e Tribunal Constitucional e outras entidades todas muito dignas do nosso respeito e consideração, mas que não precisavam de ser pràqui chamadas salvo seja.
Tudo isto tem a ver com a maneira como o Governo do Senhor Engenheiro Sócrates (não) tratou mais uma vez a questão do aborto.
Se há uma maioria que podia aprovar uma lei, não era mais fácil e mais rápido e mais barato discutir a lei lá no Parlamento e pimba? Pois a gente sabe que os partidos à esquerda do PS votavam a favor e o resto contra, e contados os votos provavelmente a lei era aprovada e fim de conversa.
Ou então o Governo legislava, lá praí com o Ministro da Saúde, ou da Segurança Social, ou dos Bisturis e Outros Afins. E havia uma data de mulheres que podiam interromper a gravidez com segurança e dignidade, sem terem que pagar balúrdios a uma parteira e correr sabe Deus que riscos de saúde e de vida.
Mas não, têm que inventar não sei que macacadas de referendos e outros que tais que vão ser uma trabalheira pra uma data de gente que tem que montar os estaminés, e tomar conta das urnas e dos cadernos eleitorais. Lá vão fechar outra vez as escolas pra montar os ditos estaminés, e depois dizem que tão muito preocupados com os alunos que não têm aulas coitadinhos, e eles adoram todos mas é ter um feriado. Eu tenho um vizinho que vai sempre tomar conta da urna, e aquilo até parece que tem partes engraçadas mas tamém deve ser uma estopada uma pessoa estar ali sentada todo o dia a fazer um ar muito sério porque votar é sempre assim um acto de cidadania, e etcetra e tal - de maneira que quem vai votar tem sempre assim um ar de coisa séria e de solenidade, e os senhores que estão a tomar conta fazem o mesmo ar sério e compenetrado.
E no fim ficamos todos com aquela sensação de termos sido uns bravos e valentes patriotas, e dormimos todos muito tranquilos e orgulhosos porque cumprimos o nosso dever de cidadania.
Isto é tudo muito bonito e patriótico, e mais uma vez o povo vai dar uma lição de democracia e civismo e outros palavrões que sempre são repetidos em ocasiões semelhantes - mesmo que haja uma abstenção de não sei quantos por cento.
Sem falar em analistas, comentadores e sociólogos que vão poder analisar e comentar e fazer estudos profundos e pormenorizados, e as televisões e os políticos tudo em acção antes, durante, e depois do acto.
Disto tudo o que fica é criancinhas sem escola durante um dia inteiro, um despesão doido em pessoal e transporte de cabines de voto e urnas, mais não sei quantos milhões de boletins de voto que se vão imprimir e mais de metade vão parar à barriga inútil da Dona Abstenção.
Tudo isto se podia evitar se o Governo tomasse coragem.
(bastava um bocadinho da "coragem" que tem mostrado ao subir preços e impostos, e em baixar os direitos e regalias de quem trabalha ou trabalhou para construir este país)
Pois se podem legislar sobre tudo, expliquem-me que eu ainda não percebi porque é que o Governo ou a Assembleia não podem fazer a tal Lei que permita às famílias que não têm condições para ter um filho poderem evitar que nasça mais uma vida sem promessas. sem futuro e sem esperança.
Pra tudo isto eu só vejo uma explicação: o Governo e a Assembleia querem ter o monopólio do aborto:
leis que são autênticos abortos, aprovações de construções e de estradas e de prédios; e de nomeações de pessoas, e de prisões preventivas, e de solturas preventivas, e sei lá mais que milhares de situações irregulares, ou injustas, ou ilegais que há por aí.
Em Portugal existe um direito ao aborto: para os que têm o poder da lei ou o poder do dinheiro.
Os restantes, os que só ambicionam o direito de nascer e viver com dignidade, com saúde e com o respeito que todos merecemos, continuam a só ter dois direitos: pagar e calar.
E disse.
Opinadela de vitriolica às outubro 29, 2005 12:00 AM
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Pois é,querida Vi,nos últimos dias tive a leve esperança de que alguma coisa iria mudar e o Engº Sócrates iria ter um rasgo da tal coragem de que se arroga quando toma as medidas que acha imperiosas para o desenvolvimento do país...mas afinal a hipocrisia prevaleceu.
Opinanço de: monalisa às outubro 29, 2005 01:33 AM
TOP MAIS!
CINCO ESTRELAS!
E ainda acrescento, Vi(zinha) . SE, SE, SE... se o aborto ou IVG doesse tanto aos homens como dói às mulheres...
SE fosse assunto de homem, já estava resolvido há que tempos.
Dá jeito aos beatos falsos, aos padres retrógrados, ter um lugarzinho em que mandam - fora dos confessionários. Não há 'Crime do padre Amaro' que os ponha no sítio.
A despenalização do aborto podia ser uma questão meramente jurídica, não? A penalização do aborto é um resquício da santa concordata, como o foi o divórcio. A conquista do direito ao divórcio para os cristãos foi menos dolorosa do que a pouca vergonha de apoucar as mulheres.
Opinanço de: Ida Lete às outubro 29, 2005 02:55 PM
Grande artigo comadre, grande artigo. Cá o Zecatelhado está cem por cento de acordo com tudo o que afirmou. É por estas e por outras que eu tomo as posições que tomo.
Um abraço ao cócó. Não o deixe entrar em contacto com outros galináceos e tenha as aspirinas à mão.
Para si
Aquele abração
Zecatelhado
Opinanço de: zecatelhado às outubro 29, 2005 11:12 PM
Amigo mais do que intímo do galo, sim
do próprio o tal que quase fora condenado ou o tal que se safou porque sabia cantar...
Era só para lembrar que esperamos os duros no projecto.
www.blogtok.com
e mais nada!....
e a minha desgraça é.
desjosé
Opinanço de: José às novembro 14, 2005 07:42 PM