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novembro 28, 2005
Ora cá estou eu de novo!!!
Na minha plumagem natalina - como dizem os brasileiros, que cá usa-se mais o "natalícia", mas eu, Doutor Cocó, acho "natalina" assim mais internacional -, pra trazer um pouco de cor, luz e alegria a este blog, quiçá a toda a vizinhança do Weblog, porventura à blogosfera mundial.
Sim, que há por aí muito blog, e muita gente a escrever em blogs e a decorar os seus blogs, mas du-vi-do que haja blog que, de hoje até 6 de janeiro, seja mais natalício que este, com um dos autores que é - ele próprio em pessoa fotografada - uma árvore de Natal iluminada; menos imponente e vistosa que a da Praça do Comércio, concedo, mas talvez a única árvore de Natal cem por cento original e criada em exclusivo para este importante meio de comunicação - social para uns, individual para outros, mas relevante, importante, quiçá primordial.
Só há uma coisa que me aborrece, é que toda a gente discute sobre blogs escritos por homens e blogs escritos por mulheres, mas ninguém fala de blogs mantidos por autênticos animais, e muito menos galos como eu - se bem que deixe cá escrever a Vi, nunca se esqueçam que sem mim este blog não existia, porque eu é que sou o verdadeiro muso inspirador desta coisa.
Posto isto, vou ficar por aqui na minha farda de Natal a adornar este magnífico espaço de expressão e criação, e desejando quotidianamente a todos os visitantes umas boas festas - qualquer que seja a forma como celebram esta quadra.
Palavras do Cocó.
Posted by vitriolica at 12:04 AM | Comments (5)
novembro 26, 2005
Agora, quem fecha a p¡¥±‰™§†ℵƒ♠⇔¨♣∃Σ do blog sou eu!!!
Atão primeiros, uma mulher passa uns tempos sem nada pra dizer ao mundo, e só vem aqui à xafarica de vez em quando pra limpar o pó, porque senão é uma vergonha e há vizinhança que repara.
Segundos, a vida de vez em quando é madrasta, e a gente vem aqui desabafar as mágoas; passa um, e diz: “Li o que tu escreveste e quase que chorei”, e vem outra e diz “Até chorei quando li aquelas tuas palavras” E uma pessoa só queria desabafar um bocadinho e coisa e tal, e põe meio mundo a chorar sem querer, e pensa: “Pois aprende lá ó sua desmiolada, que isto do blog pois é pessoal e intransmissível, sim senhores, mas a verdade é que a coisa pega-se e vê lá mas é se tens mais cuidadinho com o que escreves!”
Terceiros, “Ai é? Pois agora fico na moita, só hei-de aparecer quando tiver coisas muito boas pra dizer, e contar e comemorar, assim tipo «Saiu-me o Euromilhões, e agora é que me vão ver de Mercedes com chófer fardado, e com poleiro de ouro prò Cocó (com poleiro o Mercedes, não é o chófer...)». Nada de vir pràqui desabafar as tristezas, que bem basta cada um(a) ter as suas”.
De repente a gente tem uma coisa boa pra comemorar (não, inda não é desta que vou à fábrica da Mercedes em pessoa pra supervisionar a colocação do poleiro... mas é pena), assim coisas de amores bonitos e tal, de gente boa e merece e por aí fora, e tufas! Cai-me logo a qui um mariquinhas-pé-de-salsa, e coisa e tal, que até fiquei com uma coisa na garganta e sei lá mais o quê!
Ó senhor, pois vá lá ao Doutor dos Ortorrincos pra ele lhe tirar a coisa, senão ainda lhe acontece alguma coisa má e depois lá venho eu carpir prò blog e pumba – lá fico outra vez arrependida de me vir desabafar e deixar mais uma dúzia com a lágrima ao canto do olho e a coisa atravessada na garganta!
De maneiras que ando cá a pensar de mim para cumim – com a assessoria do meu terapeuta privativo e Excelentíssimo Doutor Cocó – se hei-de ou não fechar aqui esta porta de cozinha por onde deixo espreitar quem passa.
Que é como quem diz, é verdade que o movimento anda fraco, e a culpa é minha que não tenho mercadoria de redacções para a clientela; que tamém eu não chamo ninguém, e as pessoas quando pegam no rato pra dar uma voltinha pela internet pois lá fazem o favor de passar por aqui – e só vem quem quer, que eu às vezes até me dá dó de não ter cá uma coisinha nova, e é tudo mercadoria antiga e modas da época passada.
Por outras palavras, não é que eu tenha vontade, mas depois ponho-me a pensar que eu não sou mulher de gostar de ver ninguém triste, e se eu fechasse o blog não se perdia grande coisa; posso sempre fazer as redacções no bloco onde faço a lista das compras entre dois pacotes de Ice Tea e uma embalagem de meio quilo de grão.
Pois se fecham os blogs importantes e de referência como o Barnabé, e o Ruínas e o De Esquerda, a democracia quando nasce é para todos e o fecho do blog também é pra todos – mesmo pra blogs picaninos, humildes e domésticos como este.
Ao mesmo tempo, não tenho assim vontade, que se diga vontade, de fechar o blog: sempre venho limpar o pó de vez em quando e pôr cortinas de lavado. Vou “dar um tempo” como dizem os brasileiros das novelas. Venho e vou quando me apetecer, ponho mais uma redação aqui, mais um biblôt ali, e vai-se vendo.
Acho que é melhor assim; inda por cima, eu nunca fui muito mulher de ir nas ideias dos outros, e assim como eu tenho o direito de escrever, cada um tem o direito de tirar do que escrevo o riso ou o choro que lhe vai na alma.
Tá-me a parecer que já tou a meter os pés pelas mãos, ou o teclado alfabético pelo teclado numérico, mas isso tamém já não interessa nada.
Atão ficamos assim combinados: eu venho quando puder, e o meu caro(a) leitor(a)/visitante faz o mesmo; eu escrevo o que sentir à minha maneira, o/a leitora sente o que ler à sua maneira. Sem compromisso, tábem?
E disse.
Posted by vitriolica at 07:15 PM | Comments (3)
Pra acabar de vez com a tristeza
Que este blog tem andado um bocado tristinho, é verdade. A culpa é da vida, que prega partidas ao nosso coração, e a gente fica assim a modos que parada e sem vontade de pensar, quanto mais de escrever.
Hoje a coisa é diferente, porque quero festejar uma das coisas mais lindas da vida – além da própria vida - que é o amor.
Não vou entrar em grandes pormenóis, que são coisas assim do foro privado, particular e íntimo das respectivas pessoas. Mesmo assim, sempre vou dizendo que são dois amigos muito queridos a quem a vida pregou uma partida das boas faz hoje um ano, e que essa partida deixou muita gente muito feliz; chega de conversa, que é dia de rir e festejar e não perder tempo com parlapiés de quem mal sabe escrever duas mal-alinhavadas sentenças. Vou passar a palavra aos Poetas. Não falo dos que escrevem aqueles livros de poizia dita “a sério”, e são muito respeitados e conceituados e por aí fora. Eu cá sou mulher simples e do povo – sou mais virada para uma bonita canção, com uma daquelas letras que é feita de poesia com música; sou mais de poetas de canções do que de poetas de livros, com todo o respeito que estes últimos merecem.
Portanto, e com muita amizade, aqui dedico hoje duas letras de canções que celebram o amor de maneiras diferentes – mas iguais na beleza, sobretudo na versão cantada.
Teresinha
O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não
O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não
O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração
Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do Malandro
Ouçam a versão original do disco, cantada por Zizi Possi
Fascinação
Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar tonto de emoção
Com sofreguidão mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação, amor
(F. D. Marchetti e M. de Feraudy; versão brasileira de Armando Louzada)
Ouçam a versão cantada pela (enorme) Elis Regina
Pra vocês, meus amores, um beijão repenicado da Vi
E disse. Na cesta Em família
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (6)
novembro 25, 2005
Palavra(s) de Cocó!!!
- Olha, Cocó, tá a dar o Doutor Soares na televisão. Vê só que velhote corajoso, com aquela idade e o frio que deve estar no alto da roda gigante...
- Ora, ora, ele quis ir lá lá pracima, ali mesmo junto ao mar, pra ver se, dois meses antes das eleições, os areais tão a aumentar. Tá preocupado, que não lhe dá jeito nenhum ver Portugal maior....
Palavra(s) de(do Cocó.
Posted by vitriolica at 10:01 PM | Comments (0)
novembro 23, 2005
Lembra-te...
Para ti, Mana Lizandra, aqui fica a tradução do poema que te prometi naquele dia de tamanha tristeza quando mal tínhamos acabado de nos despedir da parte física do homem que foi a tua metade durante quase quarenta anos.
Não me agradeças nada, que quem fez a tradução foi a Cèlinha, e foi a Mana Idalete que fez a revisão. E claro, foi a m'Ana que escolheu o poema.
Lembra-te de mim quando eu tiver partido
Para longe, para a terra do silêncio;
Quando não puderes mais agarrar-me pela mão
Nem eu voltar tendo partido para sempre.
Lembra-te de mim quando não mais no dia a dia
Me contares o que planeaste para o nosso futuro:
Apenas lembra-te de mim; compreendes
Que será tarde então para conselhos ou orações.
Porém se me esqueceres por momentos
E a seguir lembrares, não o lamentes:
Pois se a escuridão e a decomposição deixarem
Algum vestígio dos pensamentos que um dia tive,
Bem melhor será que esqueças e sorrias
Do que lembrando-me isso te deixe triste.
Christina Rossetti
A gente sabe que não vai esquecer; a gente sabe que ainda é difícil sorrir, que a ferida ainda não parou de sangrar e vai levar muito tempo a fechar; e é daquelas feridas que só fecham por fora, e continuam a doer por dentro durante muito e muito tempo. O tempo é o único remédio para estas dores, mas é de acção muito lenta. Passou um mês, mas parece que foi há um dia, e seria igual se fosse há um século - porque a Vida não volta.
Ainda é (muito) cedo para a gente conseguir sorrir quando nos lembrarmos do nosso Carlos; ainda é muito cedo para pensarmos nele sem que as lágrimas teimosas não acompanhem a recordação. E não podemos fazer mais nada senão deixar a dor doer, engolir o nó na garganta, e se tivermos força agradecer todos os pedacinhos bons que nos deu enquanto nos fez companhia.
Fica a esperança de que o dia em que vamos ser capazes de o lembrar sorrindo e sem dor nem nó na garganta há-de chegar; não sabemos quando, e "adivinho" que ainda está longe.
Para a Mana Lizandra, para o Constantino Marcelo, a Vitriólica Maria e o Natalino Maurício fica esta tradução deste lindo poema (que ele ajude o sorriso a sair de trás das lágrimas como o Sol de trás das nuvens depois de uma tempestade violenta), e fica também o meu abraço, mais do Arnaldo e da Cèlinha.
Temos todos que guardar no coração o passado, mas lembrar que a nossa Vida é o presente e há que agarrar cada um dos bons momentos que ele nos dá, porque não sabemos quanto tempo vai durar o futuro de cada um.
E disse.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (0)
novembro 16, 2005
Já me esquecia, mas vem mesmo a propósito
Hoje celebra-se o Dia Internacional da Tolerância. E vem mesmo a propósito da Mana Lizandra, que é das criaturas mais tolerantes e bem-viventes que já encontrei durante os cinquenta e um anos que passei neste mundo descabelado.
Não sei se há lá nas Nações Unidas alguém que conheça minha Primeira Mana, mas podia muito bem haver. E essa pessoa teria escolhido este dia em que ela nasceu por ela ser um exemplo de tolerância e bom-viver com toda a gente.
Dentro daquele coração bom há, entre outras coisas, uma tolerância como é difícil de encontrar. E mais não digo, porque não há mais que dizer sobre isso.
O mundo estaria muito melhor se todos nós fôssemos um bocadinho mais tolerantes com O Outro, se houvesse mais Corações de Lizandra por aí.
Não confundir, no entanto, tolerância com "deixa passar" - sobretudo em Portugal, onde toda a gente "faz um jeitinho" mas no fundo tem muito de intolerante.
Fazemos o jeitinho entre os nossos iguais, mas no que toca às diferenças a coisa fia mais fino...
E disse.
Posted by vitriolica at 08:34 PM | Comments (4)
Para a minha mana Lizandra
No dia do teu aniversário, claro que eu não podia deixar de te dar aqui os parabéns.
A gente sabe que a vontade de festejar não é nenhuma, mas também não estou aqui para festejar: é mesmo só para lembrar que foi bom tu teres nascido há uns anitos (e juro que não digo quantos). E foi bom porque eu tenho a sorte de ter quatro irmãos que são pessoas muito especiais: cada um de uma maneira diferente, e cada um uma pessoa fora de série.
Só por isso vale a pena assinalar este dia com uma estrelinha brilhante, porque é para nós quatro, os teus manos mais novos, uma sorte ter uma Mana Maior como tu. Mais que uma sorte, é um privilégio! Para os teus manos, para os teus três filhotes, para a tua neta fofa, a Libelinha que tem o cabelo mais bonito que eu já vi!!!
Por isso eu tinha que dar os parabéns hoje: não só a ti, mas a todos os que têm a sorte de ser teus irmãos, teus filhos (e todos os que convivem contigo e de ti recebem/receberam tanto - mas hoje não me apetece falar dessa gente, só de nós cinco e dos teus meninos).
Então parabéns a mim, à Idalete, ao Hipólito e ao Plácido por teres sido, lá pelo século passado, a nossa Primeira Mana, a nossa Mana Maior; parabéns a nós por seres, durante estes anos todos, a amiga sempre pronta de braços e coração abertos, sempre disposta e sempre disponível.
Por seres um dos Corações Grandes desta família.
Um xi-coração da arca do pão bem apertado, e um par de beijocas repenicadas prati.
(A prenda vem mais tarde!)
E disse.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (0)