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novembro 23, 2005

Lembra-te...

Para ti, Mana Lizandra, aqui fica a tradução do poema que te prometi naquele dia de tamanha tristeza quando mal tínhamos acabado de nos despedir da parte física do homem que foi a tua metade durante quase quarenta anos.
Não me agradeças nada, que quem fez a tradução foi a Cèlinha, e foi a Mana Idalete que fez a revisão. E claro, foi a m'Ana que escolheu o poema.


Lembra-te de mim quando eu tiver partido
Para longe, para a terra do silêncio;
Quando não puderes mais agarrar-me pela mão
Nem eu voltar tendo partido para sempre.

Lembra-te de mim quando não mais no dia a dia
Me contares o que planeaste para o nosso futuro:
Apenas lembra-te de mim; compreendes
Que será tarde então para conselhos ou orações.

Porém se me esqueceres por momentos
E a seguir lembrares, não o lamentes:
Pois se a escuridão e a decomposição deixarem

Algum vestígio dos pensamentos que um dia tive,
Bem melhor será que esqueças e sorrias
Do que lembrando-me isso te deixe triste.

Christina Rossetti

A gente sabe que não vai esquecer; a gente sabe que ainda é difícil sorrir, que a ferida ainda não parou de sangrar e vai levar muito tempo a fechar; e é daquelas feridas que só fecham por fora, e continuam a doer por dentro durante muito e muito tempo. O tempo é o único remédio para estas dores, mas é de acção muito lenta. Passou um mês, mas parece que foi há um dia, e seria igual se fosse há um século - porque a Vida não volta.

Ainda é (muito) cedo para a gente conseguir sorrir quando nos lembrarmos do nosso Carlos; ainda é muito cedo para pensarmos nele sem que as lágrimas teimosas não acompanhem a recordação. E não podemos fazer mais nada senão deixar a dor doer, engolir o nó na garganta, e se tivermos força agradecer todos os pedacinhos bons que nos deu enquanto nos fez companhia.

Fica a esperança de que o dia em que vamos ser capazes de o lembrar sorrindo e sem dor nem nó na garganta há-de chegar; não sabemos quando, e "adivinho" que ainda está longe.
Para a Mana Lizandra, para o Constantino Marcelo, a Vitriólica Maria e o Natalino Maurício fica esta tradução deste lindo poema (que ele ajude o sorriso a sair de trás das lágrimas como o Sol de trás das nuvens depois de uma tempestade violenta), e fica também o meu abraço, mais do Arnaldo e da Cèlinha.

Temos todos que guardar no coração o passado, mas lembrar que a nossa Vida é o presente e há que agarrar cada um dos bons momentos que ele nos dá, porque não sabemos quanto tempo vai durar o futuro de cada um.
E disse.

Opinadela de vitriolica às novembro 23, 2005 12:00 AM

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