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janeiro 23, 2006

Os meus momentos eleitorais

Pois está na hora da analisezinha da praxe, e como não foi possível à equipa técnica do blog conseguir a presença do Professor Marcelo e daquele Doutor do PP que vai à Quadratura do Círculo e parece sempre que vem de um casamento onde foi o padrinho do noivo (reparem bem no casaco, que parece sempre que acabou de sair da montra de uma loja chique, nas gravatas largas, abundantes, com um nó que tem o ar de "fui acabado de fazer, ó pramim cheio de pujança", e no cabelo com ar de ter sido ajeitado e alisado fio por fio).
Dizíamos nós, equipa técnica, que como não nos foi possível trazer figuras de proa para redigir elaborados e meticulosos artigos de opinião, tomaremos graciosamente em nossos ombros essa grandiosa e grandiloquente tarefa: Passamos, pois, a apresentar uma breve mas exaustiva resenha dos momentos mais significativos desta gloriosa jornada em que, por um dia, saímos da nossa apagada e vil condição de povinho para sermos guindados à cívica e nobre condição de eleitorado.

Momento mais alto da jornada eleitoral:
Num momento da hora do jantar em que o meu Arnaldo se apossou do telecomando e zapou prà TVI, a magnífica actuação da peixeira siliconada da boca grande, que tem a grande qualidade de tratar os entrevistados como se fossem um bando de putos que acabou de surpreender a riscar-lhe o carro no estacionamento. Vinte valores pela elegância, pela dignidade, pelo ar sereno — e pela forma como faz os convidados sentirem-se em casa (acabada de invadir por Conan e os Vinte Bárbaros). Só houve um pequeno problema: gelou-se-me logo o molho da carne no prato...

Frase da noite:
Foi a Sôdona Ana que a "pescou" de um dos candidatos. Faxavor ir lá ler, que eu sou pela divulgação dos originais e não pelo copia/cola à papo-seco.

Boletim Meteorológico:
O boletim do dia é o da Sôdona Emiéle. (e não se esqueçam de clicar na foto!)
Uma consolação nos resta: "... há sempre uma candeia dentro da própria desgraça..."; não podemos esquecer-nos de a manter acesa.

Melhor história:
votos que são menos secretos que outros...

Futurologia:
Uma previsão rigorosa, baseada em critérios científicos do mais moderno que há em Portugal, estrangeiro e arredores. Os meus (óculos) vão ser como as janelas cá de casa: vidros duplos, pra aumentar a protecção contra as agressões!!!

Mau perder:
Senhor Engenheiro, em trinta anos e não sei quantas eleições, nunca me lembro de ver um líder "aparecer no ar" ao mesmo tempo que um colega. Os vossos umbigos são tão ciosos e zelosos que fazem os possíveis por aparecer um de cada vez e bem destacado da concorrência, pra terem a ceteza de que têm o tempo de antena todo a que (acham que) têm direito...
O Senhor Engenheiro deu ao povo um bonito exemplo de elegância democrática, uma altíssima prova de que é superior a qualquer espécie de "mau perder". O eleitorado, reconhecido, agradece a inestimável lição de civismo proporcionada pelo Homem que superiormente dirige os destinos da Nação. Querer obnubilar a presença da concorrência nos media (palavra chique e high-tech, esta!) é d'Homem, é de cavalheiro imbuído do mais apurado respeito pela democracia e pelo adversário.

A grande prova:
Há vida política em Portugal fora dos partidos políticos.... embora haja políticos nos partidos que não sabem/não acreditam.
E disse(mos)

Na cesta Vi-zinha

Posted by vitriolica at 12:19 AM | Comments (5) | TrackBack

janeiro 22, 2006

Viva a monarquia!!!

Informa-se os estimados clientes, passantes, leitores e outros aderentes que este blog acaba de aderir à monarquia — após uma curta mas decisiva e intensa reunião trabalho. A decisão foi tomada por unanimidade e aclamação, com o auxílio de um chazinho de cidreira. Para já trata-se de um contrato de cinco anos, renovável por mais cinco se as condições assim o justificarem.
O Conselho de Redacção: Vi e Doutor Cocó

Na cesta Vi-zinha

Posted by vitriolica at 11:36 PM | Comments (2) | TrackBack

Eu cá é que não fazia sociedade no Euromilhões com o Engenheiro Sócrates... Livra!!!

Não, que eu cá tenho muitos defeitos, mas não sou parva!
Atão o homem engana-se a apoiar o candidato? Atão o Ingenheiro Socas tem um candidato menos usado, em melhor forma, — e ainda por cima com aquela voz... — e escolhe um candidato que vem lá do lar de idosos, toma umas garrafinhas de Red Bull e faz-se à estrada?
E agora andam praí umas pessoas que dizem que a culpa é do Candidato Alegre.... pois não me parece que fosse isso que o eleitorado achou...
Cá a mim, parece-me que o povo queria assim um candidato com menos quilometragem, que fizesse, quiçá, umas Presidências Poéticas, que recitasse o seu poemazinho no final dos discursos à Nação — assim a modos de como quem diz: "Pois já que a vida tá uma seca, uma aridez que só visto, ao menos aqui fica um bocadinho de poesia, uma pitadinha de sonho..."

Parece que foi o Engenheiro Sócrates que não teve lá grande habilidade a preencher o boletim, e meteu uma aposta que não teve direito nem ao segundo prémio... E agora, toca a pôr as culpas nos socialistas que jogaram de sociedade com o Candidato Alegre... Pois cá a mim parece-me que a culpa foi do Engenheiro, que não quis entrar na sociedade com o Doutor Alegre e resolveu apostar numa chave tão antiga, tão antiga, que até já tinha o rótulo do prazo de validade meio rasgado, e não perceberam que o prazo já tinha acabado.

Seja como for, lá parece que vamos ter que gramar com o "esticadinho de Boliqueime", como lhe chama o Cocó. E a culpa é do Engenheiro Sócrates, que deve tar todo contente. Que eles tão mesmo ao queres um prò outro.
E disse.

Na cesta Códrilhices

Posted by vitriolica at 10:04 PM | Comments (2) | TrackBack

Reabre brevemente com nova gerência

Remodelado e recauchutado graças ao aumento de altura do muro; decorado com belos tapetes novos importados directamente de Marrocos. As estantes de livros serão removidas, por serem objectos de pouco uso: será mantida apenas uma, para servir de pano de fundo às entrevistas do novo locatário-gerente, e para que ninguém repita a frase “Para acabar de vez com a cultura”.

A ementa será reformulada de acordo com o paladar do proprietário, oferecendo um leque variado de pratos e iguarias:
2ª, 4ª e 6ª - prato único: Economia com todos (os que podem); sobremesa: Bolo-rei
3ª, 5ª e Sáb. – prato único: Finanças à perdiz com todos (os que tèm) sobremesa: Bolo-rei

Haveria ainda uma grande variedade de pratos como: saúde, educação, poder de compra, bem-estar social, cultura, respeito pela dignidade do cidadão comum; estes pratos estariam disponíveis todos os domingos, se não fosse tratar-se do dia de descanso do pessoal.

blemarian.jpg

Na cesta Coisas do Cocó

Posted by vitriolica at 08:00 PM | Comments (1) | TrackBack

janeiro 03, 2006

Só pra que conste...

Só pra que conste, ando parada mas tou vivinha da Silva, oh se tou! O juízo anda assim um bocadinho esmarrido, que é como quem diz que ando fraca da cabeça para pensar; e é por isso que tenho aberto pouco as janelas e as cortinas aqui do blog, e o pó vai-se acumulando e tal. Uma chatice, é o que é. E vai-me faltando a freguesia (basta ver as 'tatísticas aí ao fundo à direita), e a vizinhança até reclama...

Isto há épocas na vida de uma pessoa que são assim, meio paradas das ideias - e com tanta coisa a acontecer por aí: pois lá acabou a Primeira Companhia e parece que quem ganhou foi um velhinho chamado Mário que tá cheio de pedalada e vai concorrer a um reality show que estreia em final de janeiro que é a Primeira Presidência; mais um candidato que é de uma terra que primeiro se chamava Poço e depois foi promovida a Fonte vá-se lá saber porquê; e outro candidato, que só me lembra uma canção que dizia "... e Alegre se fez Triste..." - o que é uma pena, porque se forem bem a reparar, é o que tem melhor voz pra entrevistas e Conversas com a Nação.
Sim, que isto ao cabo e ao resto eles falam, falam, e depois não há lá muita coisa que um presidente possa fazer - que até há uns senhores que acham que eles até fazem coisas a mais e queriam mesmo que os presidentes de Portugal fossem como aquele que era Almirante.
Esse era bom a cortar fitas e a fazer inaugurações, mas os Presidentes, agora, já não podem fazer essas coisas, quem tem que fazer são os ministros que é para terem muitos votos nas eleições. O Presidente Almirante também era bom nos discursos, que em lembro-me de um que começava assim: "É a primeira vez que aqui estou desde a última vez que cá estive..." Isto sim, é que era discursar a sério, e acontecia tal como agora: o povo ouvia e não percebia nada, mas achava muito bonito e batia muitas palmas.

Ontem ouvi um senhor na televisão (um que é nortista e não elitista) a dizer que os Presidentes têm poderes a mais, e depois querem mexer nas coisas e estragam tudo - o que me lembra logo do coitadinho do Eduardo que tinha umas Mãos de Tesoura e também era uma desgraça, a pobre da criatura.
Por isso, se calhar, aquele Senhor que estava a falar na televisão devia era mandar dar aos Presidentes da República um curso de Corte de Coisas Várias, e o povo inscrevia-se e ia ao Palácio de Belém cortar o cabelo, e requisitava o Presidente pra ir aparar os arbustos nos jardins.
Eu cá ia logo dar o nome prás duas, que o meu cabelo bem tá a precisar de um jeitinho e já tinha quem me podasse as roseiras no Dezembro que vem - sem falar na sebe de alecrim, que tá a ficar mais alta que o meu Arnaldo.

Assim os Presidentes já ficavam com uns poderes pra se entreterem, o povo tinha cortes de cabelo e podas de jardim à borliú, e o governo não tinha ninguém a mandar criar Secretarias de Estado Disto e Daquilo, ou a fazer Presidências de Proximidade, nem a querer justiça, harmonia, e mais convergência, e mais uma data de exigências que os Candidatos todos andam praí a fazer. Só tenho pena que a Dona Carmelinda não tenha arranjado as assinaturas, que eu ia ver se lhe pedia um jeitinho (não é meter uma cunha, era só um jeitinho) pra ela arranjar maneira de pôr todos a pagar a crise por igual, em vez de serem só os do costume.

Pronto, não falei do Candidado Louçã e do Candidato Camarada Jerónimo. Mas isso é só porque estive quase uma semana fora do meu planeta do costume: não vi noticiários senão uns bocadinhos, e esquecia-me logo a seguir. Tou muito desactualizada da actualidade, mas prometo que se ouvir alguma coisa interessante sobre o assunto volto a ele.
Por agora ando muito atarefada com croquetes e peúgos, e outros afazeres das lidas domésticas - e não tenho Secretário de Estado nem Director-Geral que me valha: sou só eu, tudo eu, e uma mulher é pequena e não pode chegar a tudo, é o que é. Quando puder, eu volto.
E disse.

Na cesta Vi-zinha

Posted by vitriolica at 09:00 PM | Comments (1) | TrackBack