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fevereiro 23, 2006
Pra mostrar à vizinhança
À minha vizinha Dona Anita e à minha vizinha Isabelinha como é que se faz um blog.
Na cesta Vi-zinhançasPosted by vitriolica at 04:25 PM | Comments (2)
O Poeta, o Músico e o Cantor
Pensa que é já lua cheia
Vela que a onda condena
Feita em pedaços na areia
Saia rota subindo a estrada
Inda a noite rompendo vem
A mulher pega na braçada
De erva fresca supremo bem
Canta a rola numa ramada
Pela estrada vai a mulher
Meu senhor nesta caminhada
Nem m'alembra do amanhecer
Há quem viva sem dar por nada
Há quem morra sem tal saber
Velha ardida velha queimada
Vende a fruta se queres comer
A noitinha a mulher alcança
Quem lhe compra do seu manjar
Para dar à cabrinha mansa
Erva fresca da cor do mar
Na calçada uma mancha negra
Cobriu tudo e ali ficou
Anda, velha da saia preta
Flor que ao vento no chão tombou
No Inverno terás fartura
Da erva fora supremo bem
Canta rola tua amargura
Manhã moça nunca mais vem.
Porque foi o primeiro álbum do Zeca que entrou em minha casa, porque o poema, a música e a voz estão cheios de beleza. Estamos na corrente.
E disse.
Na cesta Serviço Cultural
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (5)
fevereiro 22, 2006
Canto Moço
Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nós vamos
À procura da manhã clara
Lá no cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá no cimo duma montanha
Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (2)
fevereiro 21, 2006
Pão com sonho (em Guimarães)
Durante os meses de Fevereiro e Março, vão ser distribuídos milhares de sacos de pão com dados biográficos e poemas do Zeca.
Isto, porque dias 24 e 25 de Fevereiro, Guimarães recebe os amigos de José Afonso e dá-lhes guarida. Saiba mais aqui ou aqui.
Há muitos sítios onde o Zeca há-de morar sempre.
E disse.
Posted by vitriolica at 02:20 AM | Comments (1)
Eu não devia escrever nada sobre o Zeca
E não devia escrever nada, porque não devia ser preciso, pois tá claro!!!
Porquê, pergunta o meu caro leitor? Ora, porque o Zeca devia ser uma referência nacional, assim uma espécie de pessoa-monumento que todos conhecem, admiram e respeitam. E os nossos órgãos de comunicação social deviam todos lembrar o dia em que Portugal e a Música ficaram mais pobres. Que o Zeca foi um português de primeira, mas também um músico dos bons, um divulgador de músicas, de poetas, um poeta.
Por outro lado, ainda há muita gente que não percebe isso, que não gostam de vermelhos, e que confundem a cor do Zeca com a obra dele. Em qualquer outro país do mundo o Zeca era grande, qualquer povo teria orgulho de dizer "Este homem nasceu no mesmo país que eu, escreveu e cantou poemas e canções bonitos na mesma língua em que eu falo todos os dias".
O problema é que o Zeca teve o mesmo azar de dez milhões de pessoas - nasceu no País do Esquecimento e da Ingratidão, da Inveja e da Mesquinhez. O próximo dia 23 devia ser aproveitado para falar dele em letras grandes. Grandes como o homem e o artista que foi.
Cá no meu blog as letras são pequeninas, mas vou entrar na corrente, tal como entrei nesta outra corrente que há dois anos decidiu lembrar os 17 anos sem a presença física do Zeca.
Quero só deixar uma pergunta:
- E para o Zeca, não vai nada?
- Tudo!
E disse.
Na cesta Serviço CulturalPosted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (3)
fevereiro 13, 2006
Uma semana depois...
...já parece primavera:
Especialmente para a Sôdona Ana, mas oferecida a todos os visitantes e leitores que por aqui passarem (e já lá vai quase um quarto de milhão de visitas nestes dois anos e quase meio).
Que ao menos a natureza nos continue a dar razões para nos sentirmos bem com a vida.
Boa semana, fiquem bem.
E disse.
Posted by vitriolica at 12:35 AM | Comments (7)
fevereiro 12, 2006
Hábitos que não fazem monjas
Pois fui contemplada por um convite pra falar de cinco hábitos estranhos — e esta parte do estranhos é que é pior; cá pramim os hábitos de cada um não são nada estranhos pra si próprio, podem é parecer estranhos a quem os vê de fora...
Atão lá vai, a ver se consigo descobrir alguma coisa. Sou uma pessoa que vive tão habituada que é muito mais fácil descobrir o que não é habitual na minha pessoa.
Hábito número um, é que tenho que começar o dia com uma chávena de leite morno (e isto, há mais de trinta anos). Nem que a seguir tenha que ir comer um boi, sem a minha chaveninha de leite àquela temperatura exacta — 1 minuto no microondas a 750, num determinado tipo de chávena — porque se for de outro material, já muda o tempo: 55 segundos numa, 1 minuto e 15 noutra...
Hábito número dois, é a bica a seguir ao almoço; e tem que ser no café estabelecimento (não em casa, o que acontece sempre depois do jantar), e mesmo mesmo assim que acabo de almoçar; é preciso que seja uma bica cheia com copo de água, e tem que arrefecer um bocadinho porque a minha garganta não gosta de nada a escaldar — nem muito frio.
Hábito número três é, logo a seguir ao jantar, vestir o meu traje de noite: umas calças de malha e meias daquelas de andar em casa com embutidos borrachosos na sola no inverno, um capindó tipo vestido - mas largo e até aos pés — e chinelos de enfiar no verão. Só assim me sinto liberta e à vontade no sofá, sem nada a tolher-me os movimentos (e se calhar as ideias...)
Hábito número quatro: ver todos os noticiários da Sic Notícias quando estou em casa (o das oito da noite é na Sic).
Hábito número cinco — que não é bem um hábito mas uma mania — usar o "raspa Salazar" em todo o tacho, panela, frigideira ou penico da família quando tenho que retirar um restinho pra guardar num tamparié e guardar no frigorífico. Raspo, e raspo até retirar tudinho...
E pronto, espero ter deixado satisfeita a menima M&M com esta exposição em público de certas partes privadas e íntimas da minha pessoa. E desculpe lá, menina, mas só conheço quatro pessoas na blogosfera com quem tenha intimidade pra lhes mandar uma "praga" destas, e todas elas já responderam ou foram intimadas a responder a este inquérito. Por isso, não posso passar a bola a ninguém.
Ainda por cima, sou um bocado avessa a cadeias, e só respondi a esta por o convite vir da parte de quem vinha e hoje não tar muito ocupada - que o jantar foi uma refeição congelada (pré-cozinhada pela minha pessoa em quantidade razoável e congelada em pequenas doses pra dias como hoje em que me falta a imaginação ou a vontade de cozinhar), e por isso houve pouco trabalho na cozinha. Mesmo assim ainda tive que picar um bife de tomatada do jantar de ontem prà Cèlinha que tá com as amídolas ao peito e me pediu uma coisa que não desse trabalho a engolir.
E disse.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (2)
fevereiro 10, 2006
"Começar de Novo" só pra quem gosta
No sábado que vem vale a pena fazer o sacrifício de ficar em casa (cá pra mim não é sacrifício nenhum, porque é raro sair de casa depois do jantar... gostos!) - pra quem aprecia a Simone brasuca, aquele mulherão baiano com mais de metro e oitenta de altura e vozeirão e talento a condizer.
Se é fã da Simone Bittencourt de Oliveira, zape prà DOIS no próximo sábado lá pela meia-noite e quarenta e cinco e poderá assistir a um espectáculo ao vivo, gravado em Agosto passado. Como brinde, ainda apanha com a voz do Milton Nascimento (conhece a "Travessia"?), Ivan Lins (o próprio "Começar de novo" em pessoa) e Zélia Duncan.
Mais palavras para quê? Quem gosta não vai perder, quem não gosta pode sempre ver a alternativa cultiural da TVI, que a esta hora já deve tar a dar o "Fiel ou infiel" - ou a arte da pouca-vergonha (do apresentador, que manipula as pessoas e as situações com uma habilidade que até mete nojo).
Uma das vantagens de já ser "entradota" é ter assistido ao primeiro espectáculo da Simone em Portugal, lá por '70 e tal. Foi antes da passagem de Nuno Abecassis pela Câmara de Lisboa, e portanto antes de a dita Câmara ter deixado de ceder o Casalinho da Ajuda para a Festa do Avante... No mesmo ano, tive o prazer de me regalar com as presenças de Chico Buarque - e ouvir a "Morena de Angola" em estreia mundial -, MPB4 (pouca gente deve conhecer mas são (eram?) quatro vozes masculinas que cantavam que só (ou)visto, e a Simone, claro. Era ainda uma ilustre desconhecida em Portugal, mas ficou-me no ouvido e sou fã até hoje.
Este sábado, pode tremer a terra ou fazer sol de rachar à meia-noite, que ninguém me tira de casa.
E disse.
Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (1)
fevereiro 06, 2006
Nova gerência, mesmos funcionários...
Que é como quem diz...
Mudou hoje de mãos o nosso bairro aqui do Weblog. Mas os blogs são os mesmos, escritos exactamente pelas mesmas pessoas.
E esta redacção “nasceu” do que li no Pópulo, escrito pela Sôdona Emiéle. A mim também me faz um bocadinho de impressão saber que vou entrar no “bairro” e não encontrar, sentado à secretária, a vigiar com olhos de lince os tais monitores cheios de luzinhas a medir a velocidade, a temperatura, os tempos de resposta, o tráfego... de mata-moscas em punho a afastar os horrorosos dos spams que vinham infestar as nossas caixas de comentários de viagras e meninas nuas. (às vezes, até, “convidado” a apartar brigas entre homens de barba na cara e que deviam ter mais juízo...) - que não vou encontrar o nosso “senhorio como eu lhe chamava. O criador deste espaço onde viemos, um a um, abrir os nossos estaminés de palavras, ideias e imagens.
Em volta deste nome “Weblog” foi-se juntando um grupo de pessoas de todos os sexos, idades, opiniões políticas, provavelmente de diferentes religiões e com maneiras de amar também diferentes. Muitas dessas pessoas foram criando um sentimento de “pertencer” a qualquer coisa. (euzinha própria, que há muitos anos não me sentia pertencer senão a mim própria – e à minha família – dei por mim a “fazer parte de”, fui a encontros, conheci outros bloggers, saí da casca...). Cada um no seu blog, e à sua maneira, foi construindo dia a dia uma pequena peça deste imenso puzzle de ideias, opiniões, personalidades, pessoas. Foi então assim que o Weblog chegou até aqui.
Com um grande(ssíssimo) trabalho do nosso senhorio, mas com a colaboração e a contribuição de todos os que por aqui “aterraram”. Blogs “de referência” e blogs sem referência, formadores de opinião ou sem opinião formada, onde quer que houvesse desejos de escrever, de “dizer coisas ao mundo”, lá vinha a vontade de abrir um blog. E sempre o Senhorio a dar o apoio, a resolver o problema ou a dificuldade... Ele e a sua equipa-de-um-só-homem-ele-próprio.
E hoje é dia de “passar a pasta” a um novo senhorio. A este, provavelmente, não vou conhecer a cara, não vou vê-lo sentado à secretária ali na entrada do “bairro” – deve arranjar uma sala tranquila e reservada para colocar os tais monitores cheios de luzinhas a piscar. Vai com certeza ter uma meia dúzia de funcionários a tratar da papelada, uma empregada da limpeza a cuidar de spams, bugs e quejandos. Não nos vai responder pessoalmente, mas pedir à secretária que nos envie um mail a responder ao nosso apelo desesperado porque o template “deu o prego”. As nossas “casinhas” vão continuar a ser limpas e cuidadas, o jardim da frente aparado.
No fundo, há “uma pequena parte” da equipa do Weblog que vai mudar: a tal equipa de uma pessoa que fazia noventa (e muitos) por cento do trabalho. O restante da equipa, que somos todos nós, vai ser a mesma amanhã e depois, enquanto cada um de nós quiser.
Neste dia da passagem do testemunho, vou convidar o meu mui estimado Cocó a levantar comigo a flûte, fazer um brinde aos dois Weblogs – de antes e depois da mudança de gerência – e a aplaudir, de pé e com muita força, todas as equipas do “Weblog”: a que parte, a que chega, e a que fica, que somos todos nós.
E disse.
Posted by vitriolica at 11:59 PM | Comments (7)
fevereiro 05, 2006
Provérbios...
Já reparaste, mana Idalete, que o "provérbio do dia" tem tudo a ver?
Pois lá diz o outro ditado "Voz do povo é voz de Deus". E também: "Quem sai aos seus não degenera".
'brigada pelo belo presente, e obrigada também à Mariza Marlene, que não desfazendo a prenda dela não desmerece nada a da mãe, benza Deus.
Queria ter muita vontade de festejar hoje, mas por acaso tenho pouca. Enfim, coisas da vida, mas tamém esta coisa de festejar com data marcada é assim a modos de uma imposição do calendário que não tem nada a ver com as partes íntimas de cada um.
Mal comparado, é como essa coisa que resolveram impor de não se poderem casar pessoas do mesmo sexo mas que se amam e se querem bem; já se forem de sexos diferentes, podem casar e andar à pancadaria dia sim dia sim que ninguém se escandaliza...
Por estas e por outras é que eu sou assim meia anarquista - quando vejo estas situações que vão contra a natureza das pessoas só porque está escrito num pedaço de papel que "tem que ser assim". O que devia ser importante era que cada um vivesse bem consigo próprio(a), e que todos pudessem ser, senão felizes, pelo menos viverem sem serem incomodadas - desde que não incomodassem ninguém.
E esta redacção que era só pra agradecer-te, mana Idalete, acabou por "virar" um dos meus "filosofanços", que é como quem diz, filosofia de cozinha a condizer com o blog.
Queria muito agradecer-te teres-me dado uma parte da minha vida passada; com o teu jeitinho e o teu amor sacanaste todas aquelas fotografias antigas, do tempo em que estávamos todos fisicamente juntos - mas talvez menos próximos que agora. E se há presentes que não têm preço, este é um deles: esta parte bonita do nosso passado que é a lembrança das coisas boas.
Já te devia muito, fico a dever-te mais esta dádiva. (que frase mais cheia de "d's", mas olha, fica mêmassim, prãtes!).
(como o dia tá a acabar, aqui fica lembrado o provérbio: "Não te envaideças do que sabes e repara sempre no que fazes.")
De repente deu-me uma vontade de deixar aqui um bocadinho do meu jardim pra todas vocês, mulheres que são estrelinhas no céu da minha vida; que estes meus narcisos ainda por abrir sejam a promessa de uma Primavera no fim deste inverno tão duro que estamos a viver.
Prà Idalete e a Mariza Marlene, prà Lizandra e a Vitriólica Maria, prà Cristalina, prà Artemísia fica um grande beijo e muuuuita gratidão por esta coisa que nos une que se chama amizade, irmandade, amor limpo e desinteressado. São gerações diferentes, laços diferentes, mas a força que circula entre nós é a mesma.
Fiquem bem, um abraço.
E disse.

Posted by vitriolica at 11:48 PM | Comments (3)