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agosto 26, 2006

Copus in da náite

Segue a conversa pela madrugada
Copos de branco - que rica pomada!
Que faz bem ao cálcio, da vaca tirada...
Molhada a palavra, segue a desgarrada.

Eu conto o meu causo,
com outro retrucas;
alguns doem na alma
outros são "lucas".
Ora dor na alma, ora gargalhada
Minha c'rida mana, que bela noitada.

Sonha o Laurentino com anjos e fadas
Pesadela o Arnaldo - as uvas gamadas
Dormem como justos, almas 'bençoadas
Andamos na náite num banco sentadas.

A fresca da noute nos faz companhia
Que gente modesta não quer mordomia
Bancos de madeira, a luz das estrelas;
Nem bares de moda, salões de noblesse
Coquetel's finesse, veludos, néons..

No simples da vida, nas cousas piquenas
Achamos a graça pois somos singelas.
Porém, bem matreiras: zurzimos às vezes
as cenas foleiras, os gestos soezes.
Que gente mais boa no mundo não há,
Mas nossas pessoas ninguém pisará!

Da noite o silêncio nos faz companhia
Parece que o Mundo até nem existia!
Só nós e a Paz desta nossa harmonia
De coisas pequenas que são poesia
Ri a Libelinha, cheira a maresia
Na imagem viva da fotografia.

É a nossa princesa de avós sem neta
A coisa mai-linda que há no planeta!
(será que um dia os homens que mandam
irão promovê-lo a calhau da treta?
Roubaram Plutão à tal lenga-lenga,
O que mais farão em próxima arenga?...)

Aqui te garanto: a nossa princesa
Não destronarão, isso de certeza!
Porque o reino dela não é deste (i)mundo:
É muito mais forte, muito mais profundo,
vem do coração onde o mando dos homens
não vale um chavelho nem tem voz activa.

Já dormes, ‘Dalette — paulada na tola!!!
Saltou-me o Cocó tal-qual uma mola
Tunga no teclado a compor a poizia
assim um bocado meio à revelia.
Os demais passantes vão ficar a leste
(inda resta algum? P’racaso soubeste?)
Mas pouco m’importa, mulher ocupada
Com muito croquete, meia passajada.

Pois façam de conta poizia moderna,
Assim tipo abstracta e cheia d’intelecto.
Leu, não percebeu, mas é tão boniiiito!
Parou a conversa, já é madrugada
Ficámos as duas coa alma lavada
Os copos do branco agora a escorrer
Já dormes ó mana, eu também — não tarda.
Que os anjos te dêem noite(s) descansada(s).

Na cesta Em família

Posted by vitriolica at 02:54 PM | Comments (5)