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janeiro 25, 2007
Obviamente que sim!
Que uma mulher anda muito ocupada, mas hoje consegui tirar uns minutos pra dar uma saltadinha a esta minha assoalhada internética e dizer que sim,. que vou votar no Referendo - e mais, até a minha Cèlinha que não liga a mínima a votos nem a políticasos, lá foi tirar o seu cartão de eleitora só para poder ir dizer NÃO a mais mulheres prò matadouro, mal-atendidas em vãos de escada e que vão parar aos hospitais onde algumas são maltratadas por (algum) pessoal que julga o acto mas não a mulher ou as condições que a levaram a abortar. E dizer NÃO à clandestinidade que é um duplo castigo a juntar ao remorso de ter que dizer não à criança que até gostaríamos de ter, e criar, e amar... mas olha, a casa é pequena, o ordenado menor ainda, e agora não sabemos quando fecha a fábrica mas é pra breve, e o que te podíamos oferecer depois de nasceres? e é duplo castigo porque, além de ser feito às escondidas sempre com o coração ao pé da boca, além disso, ainda custa os olhos da cara, ou seja, para ser assim num sítio de confiança, paga-se balúrdios de massa - senão, uma desgraçada sujeita-se sabe-se lá a que condições...
Deixar nascer um(a) filho(a) é, de certo modo, uma promessa de futuro - mas que futuro podemos nós comprometer-nos a dar a um filho, nos dias que correm? A insegurança, o desemprego, as condições de vida a piorar dia a dia... e foi para isto que me trouxeste ao mundo, mãe?
Ouvi ontem nas notícias que o Senhor Engenheiro Guterres vai (ou já está a) angariar fundos para ajudar a melhorar as condições de NOVE MILHÕES DE CRIANÇAS QUE VIVEM EM CAMPOS DE REFUGIADOS (eu até nem sou mulher de usar maiúsculas, mas uma coisa destas é de bradar - de berrar aos céus). Bem mais valia que as pessoas que berram alto contra uns milhares de mulheres que tentam evitar mais sofrimentos e vidas difíces, mais valia que berrasem alto contra enormidades desta natureza, ou contra as medidas que têm sido tomadas contra a família - isso sim, verdadeiros atentados contra a vida humana.
Pois se os pais e as mães trabalham (os que têm a sorte de ir tendo trabalho, claro) cada vez mais longe, cada vez até mais tarde, que vida vão ter com os filhos? Se chegam a casa às tantas e ainda vão tratar do jantar, e da casa e sei lá mais do quê, quando vão ter tempo para serem pais dos filhos - conversar, ouvi-los, beijar, ralhar, contar uma história, ensinar uma cantiga?
Por isso, cá a mi, venham lá falar-me em "direito à vida" que eu pergunto logo: a que espécie de vida?...
E disse.
Posted by vitriolica at 01:53 AM | Comments (4) | TrackBack