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março 19, 2007
Já pelo princípio do século passado se usava esta técnica de marquetingue...
Acabo de descobrir que, antes do ilustre Manuel Zinho houve gente ilustre a plagiar por antecipação esta brilhante táctica marqueteira.
Nada mais nada menos que um célebre pintor que, baptizado lá por mil oitocentos e bués com o bielorusso e estrambótico nome Moishe Segal, achou mais tarde, e muito bem, que era nome pouco mediático-apelativo no grande Império Russo; arranjou, pois, um nome mais sonante, digno de um império governado por um Czar; vai daí, virou Mark Zakharovich Shagalov - nome muito mais sonoro, logo, bem mais capaz de vender quadros e coisinhas assim.
Claro que uns anitos mais tarde, quando chegou a Paris, percebeu logo que Shagalov soava pálido ao lado de craques do pincel como Picasso, Matisse e outros que tais... A sua visão de longo alcanceu fê-lo perceber que os futuros Joe Berardos da vida nem hesitariam entre uma pintura assinada por um nome como Pablo Picasso ou Paul Matisse e uma pelintrice como Mark Shagalov. Num lampejo de génio (adoro esta expressão, e acho que fica aqui muito bem), percebeu que o futuro era a língua inglesa, e já que queria ser admirado por todos, o segredo era esse: ser o Mark de todos.
Assim nasceu Marc ChagALL, que só não usou as maiúsculas no fim por respeito pela ortografia, coisa que hoje em dia já não existe*.
* A ortografia ainda sobrevive, mas o respeito... foi-se.
E disse.
Posted by vitriolica at 08:52 PM | Comments (3) | TrackBack
março 17, 2007
A minha contribuição prà melhoria da economia do país (actualização)
Já que estamos numa de lambe-botismo (acabei de inventar o palavrão mas assenta que nem uma luva a muita personalidade), permitam-me a minha modesta contribuição pra ajudar a tornar conhecidos lá fora uma meia dúzia de portugueses desconhecidos mas que têm algum valor. Vale a pena estropiar o nome, quem sabe talvez passem a ser mais conhecidos vendidos lá fora.
Luís Vaz de Camões -> Louis Goes of Camones
Amália -> Amíliah
Eusébio da Silva Ferreira -> I Zíbiu of the Blackberry-bush Lady Blacksmith
Madredeus -> Mother of God
José Saramago -> Joseph Sir Amahgo
Lisboa -> Good Liz
Figo -> Fáigou
José Mourinho -> Joseph Little Moorish
Siza Vieira -> Tax Scallop
Fernando Pessoa -> Ferdinand Person
Benfica -> Good Stay
P.S. - Se quiser, pode deixar a sua contribuição; as finanças do País agradecem... pois samos todos pobrezinhos (até os milionários são pobrezinhos - quase nem pagam impostos...)
Adalberto João Jardim -> ALL berth John Garden - President of Wood's Island
Paulo Portas -> Paul Doors (Emperrated - acrescento by moi)
Alice Vieira -> ALL ice Scallop*
* pra quem não sabe, é uma das escritoras portuguesas para jovens mais traduzidas - tendo chegado a ser nomeada para o Prémio Hans Christian Andersen (procurem no sáite da Editorial Caminho, que não dá pra pôr linque directo)
Posted by vitriolica at 04:59 PM | Comments (4) | TrackBack
março 16, 2007
Do nacional-lambebotismo...
... pimbalhismo, bacoquismo, parvoísmo, pelintrismo... e vão ao dicionário buscar os ismos mais ranhosos que cohecerem, que todos hádem ser poucos.
E porque já me treme o pêlo na venta - mais que a crista do Cocó, que acordou estremunhado da sua hibernação perante o tamanho da ministerial bacorada do Ministro Manuel Pimba Pinho.
Ferve-se-me a indignação no sangue, nesta altura do ano em que o Ministro Pimba exige de todos nós que espremamos salários de terceiro mundo pra pagar impostos de segundo mundo e recebermos em troca serviços públicos ao nível do melhor que existe em qualquer quarto mundo - tudo gerido e governado por gestores e ministros com salários de primeiro mundo.
Nesta mesma altura vem Sua Pimba Excelência anunciar que parte do meu IRS vai servir para pagar, entre outras coisas de primeiríssima necessidade, uma coisa chamada ALLGARVE. Até o D. Afonso Terceiro se revolve na tumba a esta hora, a pensar "Foi praisto que fui combater lá abaixo e mais os meus cavaleiros e arraia-miúda? Antes ter ficado a jogar à bisca lambida no paço!!! Pois atão estes totós não vêm que eu luitei pra fazer daquele território uma coisa nossa, portuguesa, e querem agora transformá-la uma coisa assim a modos de estrangeirada? Já agora sempre podiam alugá-la à minha prima Elisabeth da Britânia, ou ali ao Juã Carlos de Castela, ou até à minha parenta afastada lá da Holanda, acho que é uma tal de Beatriz. Assim, almenos, ainda o país lucrava alguma coisa - que um território deste tamanho sempre há-de merecer uma renda alta, aqui mesmo central na bordinha do Atlântico, um gaveto com duas frentes - serventia prò Atlântico e prò Mediterrânico."
Mal tá a acabar na RTP um concurso sobre os Grandes Portugueses (desculpem a falta de patriotismo mas não vi, que pramim Grande Português é o Zé Povinho que atura esta quantidade de governantes que acham que governar é "ter ideias" mesmo que sejam de jerico e marimbar-se nas pessoas que fazem este país trabalhando todos os dias apesar do desprezo e descaso que sofremos por parte dos iluminados que brincam aos governos enquanto lixam as massas)... enquanto acaba um programa sobre os Grandes Portugueses o que faz o genial Ministro das Finanças, ou da Economia, ou diabo que o valha? Pois acha que a salvação do país (quiçá do Mundo) é mudar para inglês o nome de uma parte do nosso território; não contente com isso – que chateia mas não dói muito, a não ser na alma de alguns de nós -, vai gastar SEIS MILHÕES DE EUROS SEIS na campanha de promoção da coisa, e mais TRÊS MILHÕES DE EUROS TRÊS em eventos relacionados com tal acontecimento.
No tempo em que o Professor Cavaco era só Primeiro-Ministro, um outro jerico teve a peregirna ideia de alterar o nome da vilória onde Sua Excelência nasceu, e que tinha o plebeu nome de Poço de Boliqueime (provavelmente, há umas centenas de anos) para o mais chique Fonte de Boliqueime. Lá deve ter achado que uma tão sábia iluminada criatura não podia ter vindo do fundo de um húmido e escuro poço, antes brotado duma alegre, cristalina e irrequieta fonte. Bacoquice pura e simples, que o nome das terras faz parte do nosso património, da História deste País e deste Povo, e não é pra andar assim a mudar ao sabor das vontades de cada um. Já viram o que era uma liga moralista querer que se alterasse o nome de uma terra que praí há chamada Picha? E não é pecado chamar Vila Nova da Rainha a uma terra bem velha que por aí há, onde nunca uma Rainha pôs os pés, e que se chegou a vila foi há poucos anos? Atão vamos exigir que se passe a chamar Terreola Velha dos Que Lá Moram...
Voltando à vaca fria, já dizia a minha avó que quem não tem que fazer faz colheres – e atão eu sugiro um curso de formação de fazedor de colheres prò Senhor Ministro, a ver se não pensa tanto em coisas que não levam a nada senão à gastação do nosso rico pobre dinheirinho, que era mais bem empregue a tapar buracos em estradas, reparar pontes (e ainda não desabou nenhum túnel, mas não estamos livres disso), manter escolas e hospitais abertos...
Mas não, como todo o bom pelintra, prefere gastar o dinheiro em coisas que acha que dão “estatus” em vez daquelas que dão conforto, saúde, qualidade de vida (só um poucachinho que fosse, a gente já ficava menos tristes e deprimidos...).
Pra benefício dos menos informados, a coisa resume-se em duas frases: sua excelência acha que se mudar o nome do Algarve para ALLGARVE vai conseguir atrair as duas dúzias de turistas endinheirados que ainda não conhecem/visitaram o Algarve, e que eles vão deixar por lá uma boa parte das suas fortunas e assim salvar as suas (dele) finanças.
Já pela década de ’60, andava o actual Primeiro Ministro de fraldas, os ingleses e os nórdicos (suecos, dinamarqueses...) podiam não saber pronunciar com todas as lllletras a palavra, mas sabiam o caminho prò aeroporto e chegar ao Algarve quando bem lhes apetecia. Daí pra diante, nunca foi sabido de nenhum turista que não tivesse chegado à Praia da Rocha ou a Albufeira por não saber pronunciar os respectivos nomes; vinham aviões de suecos e de alemães, e o que eles queriam era sol e mar quentinho, e trabalhar prò bronze, e comer sardinhadas e beber do tintol – aposto que metade deles nem sabia dizer o nome da terra onde tinha passado as férias, mas iam e vinham, gostavam e voltavam.
E pronto, esta redacção deve tar uma grande confusão mas desde as 8 da noite que a minha cabeça deu um nó com o tamanho da parvoíce – e saber que é a este homem que vou entregar uma parte do dinheirinho que tanto custou a ganhar ao meu Arnaldo, e a mim a tentar poupar algum... (o mesmo que foi dizer aos chineses que a gente era mal-pagos e não bufava, inda por cima). Inda bem que ele não é meu vizinho aqui no bairro, que se eu cá o apanhasse no café assim à hora da bica, havia de lhe dizer das boas, oh se havia!!! (pois tou mesmo agora a ouvir que há não sei quantos portugueses que não têm médico de família... com por exemplo eu, o meu Arnaldo e a nossa Cèlinha...).
Depois de ouvir tamanha enormidade, fui a correr ao dicionário e caiu-me o dedo em cima de uma palavra: sa-bu-ji-ce: acto ou atitude de sabujo; bajulação; servilismo; humilhação. Esta mania que alguns portugueses têm de lamber as botas aos mais poderosos pra ver se estes lhes dão umas migalhinhas, uma gorjetinha, é de uma pobreza de espírito de bradar aos céus. Cá dentro, com os menos poderosos que somos todos nós cidadãos, têm a arrogância do quero-posso-e-mando e tu tens que amochar e calar, lá fora só falta lamberem as botas a um ranhoso qualquer desde que tenha dinheiro.
Qualquer dia ainda tenho desgosto de ser portuguesa.
E disse.
Posted by vitriolica at 11:10 PM | Comments (5) | TrackBack
Não quero contribuir para nove milhões de euros de pimbalhice, buááááá!
Maria Albertina como foste nessa
De chamar Vanessa à tua menina?
Posted by vitriolica at 08:18 PM | Comments (1) | TrackBack