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abril 25, 2007

25 de quê?

Primeiro, levaram os judeus.
Mas não falei, por não ser judeu.

Depois, perseguiram os comunistas.
Nada disse então, por não ser comunista.

Em seguida, castigaram os sindicalistas.
Decidi não falar, por não ser sindicalista.

Mais tarde, foi a vez dos católicos.
Também me calei, por ser protestante.

Então, um dia, vieram buscar-me.
Mas, por essa altura, já não restava nenhuma voz
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.

Martin Niemöller ( pastor protestante anti-nazi)

Assim começa um artigo do Dr. Garcia Pereira no blog da Associação 25 de Abril, intitulado "O 25 de Abril Chegou ao Fim!".
A razão porque deixo aqui este poema é porque ele retrata a maneira de ser dos portugueses, cada um só combatendo o fogo quando chega ao seu próprio quintal, todos muito preocupados com as suas próprias viditas; são capazes de se emocionar com dramas a milhares de quilómetros de distância, manifestar-se por causas nobres, mas quando toca a lutar pelo bem de todos nós, dentro de portas, a conversa é outra: mete as mãos nos bolsos, olha prò lado e assobia.

Fiquem bem.
E disse.

Na cesta Vi-zinha

Posted by vitriolica at 04:01 AM | Comments (7) | TrackBack

Hoje é dia 25 - de Abril   25 de Abril sempre

Pra dizer a verdade, não há muito pra festejar no presente.
Isso não me impede de lembrar a alegria de há trinta e três anos. O que veio nos últimos anos acabou com a alegria, a democracia está como se sabe, os direitos do cidadão idem, e já não há muitas formas de animar a malta.

Não posso e não quero deixar de lembrar a alegria sem fim de um povo que foi liberto do papão imenso, do pesadelo velho de quase cinquenta anos chamado ditadura.
Viver sem medo foi uma experiência única e um privilégio.
Só por isso valeu a pena, obrigada, Capitães.

Liberdade - Vieira da Silva
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
Chico Buarque

E disse.

Na cesta Vi-zinha

Posted by vitriolica at 12:00 AM | Comments (1) | TrackBack

abril 23, 2007

Vinte e um por cento de I.V.A sobre a Liberdade

A Sôdona Ministra com apelido de livro da quarta classe celebrou hoje o Dia do Livro.
Eu também: entrei em duas livrarias duas, e se da primeira saí sem comprar nada, da segunda não trouxe livro nenhum.
Que eu cá compro livros quando me calha a mim, e não quando calha ao Dia!...

Mas voltando à vaca fria - que neste caso, e com todo o respeito, é a Sôdona Ministra da Cultura - foi Sua Excelência celebrar o prazer de não ler (como disse o sábio poeta Pessoa(s)...) à cadeia de Tires. E ela lá muito sentadinha assim com umas senhoras, e as reclusas nas mesinhas com um ar muito sossegado, e atrás da Sôdona Ministra e respectivas acolitantes, bem enfileiradinhos nas prateleiras - eles, os livros, muito quietinhos a ouvir com toda a atenção e respeito....
...e pasme-se, Senhores, que o que eu vi nas mãos das reclusas foram... fotocópias!!! Até os olhos me pularam nas órbitas e quase saltavam pra dentro do ecrã, que nem queriam acreditar no que viam - é que não é só de livros que se fala hoje, mas também dos direitos dos seus Autores, só que disso ninguém falou...

O melhor de tudo foi aquela beleza de liberdade poética de dizer naquele espaço fechado que "Ler é um exercício de liberdade". A sério. Achei um momento bonito, sem nada de clichês nem politicamente correctos, uma coisa assim cem por cento original se formos a olhar ao assunto e ao local. Eu diria mesmo, completamente imprevisível e inusitado (encontrei esta palavra no dicionário e acho-a bonita, prontos!).
Só foi pena não fazer assim uma coisa mais de concreto, do tipo decreto, maizoumenos pôr o IVA um bocadinho mais baixo. Se a Sôdona Ministra da Educação gastasse menos dinheiro a fazer publicidade prà gente "Ler Mais", poupava uma dinheirama e assim podia cobrar menos impostos nos livrinhos.

Porque não é por alguém me dizer "lê" que eu leio - tenho que poder comprar livros, não é?
E disse.

Na cesta Portugal ovitisoP

Posted by vitriolica at 10:17 PM | Comments (3) | TrackBack