Uma cestinha cheia de Agora a sério

abril 23, 2005

Os homossexuais, a IVG e o 25 de Abril – tudo no mesmo saco (mais a religião, já agora)

Juro que não foi o Cocó que inventou este título, fui mesmo euzinha, a Vitriólica C. O. Rosiva! Vamos atão à explicação:

Vem isto a propósito dos casamentos de homossexuais e do aborto, e de duas coisas que ouvi hoje.
Alguém da Igreja Católica sugeria hoje aos notários espanhóis que sejam objectores de consciência, e se recusem a realizar os ditos casamentos. Um senhor (penso que o Presidente da Ordem dos Médicos) dizia que qualquer médico pode ser objector de consciência e recusar-se a praticar o aborto – mesmo nos casos em que a lei se aplica.
Até aqui, tudo bem, eu não posso concordar mais. Não faço ideia do que diz a lei sobre se estas pessoas são ou não obrigadas a praticar estes actos. Não sabendo nada de leis, estou a leste. Mas sei muito bem o que eu acho.

Eu acho que um notário que tem convicções morais que reprovam o casamento entre homossexuais tem o direito de recusar-se a prestar esse tipo de serviço; o mesmo, para os médicos que não concordam com o aborto praticado dentro do respeito pela lei.
E agora aqui entra o 25 de Abril, que nos trouxe a liberdade e a democracia, e o respeito pelos direitos de todos – sem excepção!

Pois é! Aqui é que a porca torce o rabo! Tal como os senhores e senhoras que têm princípios que não lhes permitem praticar estes actos, há outros tantos que acreditam que eles são justos e certos, e estão dispostos a praticá-los. Então, está tudo resolvido: os primeiros objectam, mas não impedem os outros de realizar; os segundos realizam, e não obrigam os outros a praticar. Chama-se a isto democracia, e respeito pelas convicções do Outro.
Ou não é?
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (4)

abril 19, 2005

Ratzingers partam...

Subtítulo: redacção mazinha com título cem por cento malvado, por (má) influência das histórias perversas que ando a ler desde sábado à noite.

Pois parece que temos Papa, que não deve ser tão fácil de engolir como uma papa Cérélac!
Tendo em vista o que se sabe de Sua Santidade, se calhar ainda se vai andar um bocadinho mais pratrás em certos assuntos da Igreja; talvez na área do convívio e da tolerância em relação às outras formas de adorar a Deus — o que parece mal, sobretudo para um homem que vive na cidade onde todos os caminhos vão dar.
Vamos a ver se o "humilde trabalhador da vinha do Senhor" não usa a tesoura de podar em demasia, se não corta a torto e a direito ramos que deviam crescer e florescer, se não atrofia a adesão de mais "trabalhadores voluntários", se não confunde pés de aspecto um bocadinho diferente com pés atacados pelo míldio e o oídio, e arranca e queima esses pés só porque têm uvas de cor diferente, que mesmo assim sabem a uva e dão bom vinho.

Não tenho grandes conhecimentos de assuntos da Religião Católica, mas parece-me que a Congregação para a Doutrina da Fé (que ele comandou nos últimos vinte e quatro anos) é assim uma espécie de neta da "Santa" Inquisição; isso não dá lá muita confiança a pessoas que vêem a Igreja e a Fé com olhos de Século XXI.

É verdade que eu não percebo nada do assunto. Mas desde quando é que esse facto impediu alguém — sobretudo português(esa) de ter e dar a sua opinião sobre seja o que for?
Não sou militante mas sou simpatizante, como eu costumo dizer: fui educada na religião católica, e fui-me afastando se calhar por falta de fé, se calhar sei lá porquê. Mas interesso-me pelas religiões em geral, porque entendo que todas as que são pelo bem, pelo amor e respeito pelo próximo são dignas e merecedoras de respeito. Cá pra mim, é esse o significado do ditado "Todos os caminhos vão dar a Roma" — Deus, se existe, é só um, mas cada religião o "pinta" de uma maneira diferente, como uma mesma paisagem vista por pintores diferentes.
O importante é não fazer mal a ninguém, fazer-se o bem quando se puder, e no mais o Papa é uma espécie de Presidente: pode ser ele que está lá em cima, mas quem faz o país, bom ou mau, são também todos os outros cidadãos, com ou sem cargo, com ou sem poder — pelas palavras e pelas acções de todos os dias.
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:59 PM | Comentários (5)

fevereiro 21, 2005

Agora é que tem que começar a reflexão a sério

Pelo menos para o Senhor Engenheiro que vai mandar na gente todos. Veja lá bem a responsabilidade, Senhor Engenheiro!
Vou já esta noite começar uma novena à Irmã Lúcia pra ver se ela lhe ilumina a mente, e o coração e os caminhos.

De caminho faço outra a Santo António, cá da minha devoção, e outra a S. Francisco - tenho de andar sempre de bem com ele, porque é o Padroeiro dos meus três bichanos, sem esquecer o Cocó, claro.
A verdade é que não é só por isso, a Irmã Lúcia que me perdoe mas pelo resultado do dia ainda não tem a mão lá muito bem treinada nos milagres, e o Doutor Portas (Paulinho) que o diga!
(Ou será, Irmã, que é muito ajuizada e quis foi castigá-lo pela forma como ele se "pendurou" e se fez convidado, lá para a cerimónia que era íntima e de família? Pois se até dizem que a Irmã era uma pessoa inteligente e com sentido de humor! Olhe que se assim foi, tá uma partida muito bem pregada, sim senhores.)
Que eu cá respeito muito a Irmã e todas as pessoas que acreditam e têm fé, e há dias - mas são poucos - que até eu me parece que acredito. Se perguntar aí ao seu Chefe, ele explica-lhe que eu sou assim a modos de brincalhona, mas não é falta de respeito. E tenho mais amor ao próximo, e à Mãe-Terra, e aos irmãos bichos que muito praticante que vai à missa todos os dias!
Mas foi partida, não foi? Foi de maroteira, diga lá? Que ele, a bem dizer, andava mesmo a pedi-las, convencido que podia andar a dar cabo da carola aos portugueses e depois era só meter uma cunhazita aí no céu, e tungas! caíam-lhe dez por cento no colo, assim de mão beijada!...

Pois já que estamos aqui à conversa, se puder dê lá uma luzinha ao Doutor Engenheiro Sócrates - assim a modos como que a luz que tinha o outro Sócrates de antigamente, pessoa inteligente e sábia. E se for muito difícil esse milagre, ao menos olhe por este povo tão espezinhado e maltratado e vá fazendo um milagrezinho aqui e outro ali,pra tornar os dias menos negros e os futuros um bocadinho mais risonhos.

E então, qual é o espanto? Se se podem fazer orações pra vir a chuva regar os campos, não se pode fazer assim um pedido a uma quase-santa pra mandar um raio de sol e um bocadinho de arco-íris pra um povo cansado de não ter quem olhe por ele?
E disse. Prontos.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (5)

dezembro 03, 2004

Vocês querem a verdade?

Disse há bocado um senhor comentador na Sic Notícias qualquer coisa mais ou menos assim: “O povo português quer a verdade”. Mas a verdade é que a mim ninguém me perguntou nada, e aquela frase eu não assino por baixo.

O senhor comentador estava a falar desta coisa que tem todo o ar de ser uma nova escandaleira que vem por aí. Pois deixe que lhe diga, Senhor comentador – e com todo o respeito -, que eu me estou completamente nas tintas prà verdade (pra não usar a famosa frase do Doutor Ferro), se ela não vier acompanhada de Justiça. O Senhor falou em nome do povo mas não me consultou, por isso uso aqui esta minha “coluna” pessoal para deixar a minha opinião.

Estamos fartos de ver a verdade aparecer de vez em quando, aqui e ali (Dr. Vale e Azevedo, Casa Pia... ), embora a mim me pareça que a gente só vê a pontinha pequenina do rabo muito comprido de um crocodilo-gigante chamado Verdade; e mesmo essa pontinha pequenina desse rabo comprido desse crocodilo comprido só é esfolada pela metade, e dos culpados aparece um em cada cem e só sofre pena praí um em cada mil!

Pra mim verdade é como palmadinhas nas costas: é muito bonito, mas é só a terminação da lotaria. O prémio grande, a Taluda da Justiça, é só para os desgraçados que não têm nome sonante.

E Deus queira que eu esteja enganada, mas a Taluda do Apito Dourado vai ser, no máximo, pra um desgraçado dum fiscal de linha da terceira divisão e mais para a senhora que limpa o balneário dos árbitros, e no caso Casa Pia não há-de aparecer mais nenhum nome de gente conhecida. Onde estão os políticos, os desportistas, e será que de artistas era o Herman José o único suspeito? O único político debaixo d’olho era o Dr. Paulo Pedroso?

Vocês querem a verdade? Eu quero a justiça!
Verdade sem justiça é como sopa sem colher: muito bonito, mas sem grande utilidade; prémio de consolação pra enganar tolos.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (5)

dezembro 01, 2004

Hoje é dia de lembrar

Os que já foram apanhados; os que já morreram; e dia de lembrar aos que ainda não foram apanhados que ela ainda anda aí.

sidamata.jpg

Não perca este Editorial.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:03 AM | Comentários (1)

novembro 23, 2004

Uma poesia na carola

A propósito da tal famosa “PERGUNTA” que nos vem por aí, tenho visto escrito nalguns blogs os conselhos: “Faz como eu, vota não!”, ou “A única resposta é a abstenção.” e outros parecidos.
E uma mulher fica na dúvida... E tenho todo o respeito pelas opiniões de cada um, mas para mim às vezes não chega. E não sei porquê, mas há uns dias que um poema não me sai da cabeça. Lembro-me de ou-ver há muitos anos na televisão, dito pelo grande João Villaret, no tempo em que os famosos e as celebridades eram gente que podia não ter um corpinho escultural nem sair em revistas cor-de-rosa, mas tinham poesia na cabeça e faziam sonhar outro tipo de sonhos.
Só me lembrava de uma frase, de modos que fui-me à procura por essa internet fora até que descobri. E aqui fica a parte que me interessa:

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

.........

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
...........
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
                                        José Régio Cântico Negro

Quem quiser ler o resto do poema, é aqui.

Leiam o poema. Pensem e meditem. Outro dia volto a este assunto.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (3)

novembro 20, 2004

Para que conste

É sempre bom saber.

É sempre bom não esquecer.
O preço da guerra no Iraque:
(JavaScript Error)
Clique aqui para saber pormenores.

Publicado por vitriolica às 12:12 AM | Comentários (2)

outubro 10, 2004

Citação

"Nós, que temos liberdade há 30 anos é que somos uns comodistas, pois preferimos ir à praia ou ficar em casa, do que honrar uma democracia que foi conquistada com muito custo!"
Já eu tinha 21 anos feitos quando pude ver, em Portugal, eleições livres.
Hoje li esta frase aqui.
Lembrem-se disto nas próximas eleições.
E disse.

Publicado por vitriolica às 01:50 AM | Comentários (3)

julho 12, 2004

Perdemos mais um capitão de Abril

disse (o major ?) Vítor Alves sobre a Doutora Maria de Lourdes Pintassilgo.
Nem adianta dizer que não me lembro nada do tempo em que ela foi Primeira-Ministra.
(Eu não tenho memória, só uma disquete de 760 kb no lugar dela)

Mas uma coisa sei: dela fiquei com a ideia de ser uma pessoa como deve ser, boa cidadã e boa pessoa, daquelas que ainda se lembram de que lado fica o coração.

Em pouco tempo foram a poetisa Sophia Menina do Mar Andresen - outra daquelas pessoas que são muito especiais, e o apresentador Henrique Mendes.

Todos no mesmo saco, pode parecer esquisito. Mas uma coisa os une: o tipo de pessoas que eram por dentro, apesar de tão diferentes nas profissões e em tudo o resto.
Três cidadãos exemplares e admirados por quem os conhecia; daqueles que, não sendo insubstituíveis, vão fazer falta e deixar saudades a quem os conhecia de perto e também a quem os conhecia só das notícias.

Essa é a grande diferença: os que fazem falta aos que os conhecem de perto, e os que fazem falta a milhares que só os conhecem das notícias.

(ouvi hoje o Dr. Marcelo Rebello de Sousa dizer que, na missa do trigésimo dia do Prof. Sousa Franco, só havia duas pessoas - mais o Dr. Ferro Rodrigues que não entrou na igreja por não ser católico. Pois. Não há câmaras, não há audiências, não vale a pena aparecer... Quanto ao Dr. Ferro, eu compreendo mas não custava muito entrar, que Deus Nosso Senhor não se zangava por não ser "cliente". E quem lá estivesse dentro ia sentir o seu apoio e a sua solidariedade. No fundo, essas homenagens servem mais para "aquecer" o coração dos vivos que estão a sofrer a perda, e esses merecem sentir a presença dos amigos.)
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (2)

junho 29, 2004

Oásis

Chama-se Ana Sousa Dias, mas bem podia chamar-se Serena, ou Amável, ou Oásis. Tem um programa que não sei se chame de entrevistas ou de conversas. Mas gosto. São duas pessoas sentadas, num cenário assim prò preto, com um habilidoso fundo espelhado que nos deixa ver o reflexo do(a) entrevistado(a) quando a câmara foca a entrevistadora, e vice-versa. Uma mesa pequena, uma pessoa de cada lado. Tá feito um programa. E dos bons.

Não há cores, cenários, não há luzinhas, não há público a bater palminhas a mando dos "animadores" (domadores?). Nem bailarinas de serviço, nem orquestra, nada. Visto assim, parece coisa (de) pobre. Mentira. É dos programas que mais gosto de ver. Antes de mudarem o nome à RTP2 passava ao sábado às 21, e era pra lá que o Arnaldo zapava na hora barulhenta do final dos noticiários. Foi nessa altura que lhe pusemos o nome de "o nosso oásis".
Depois mudou de horário e perdi-lhe o rasto. Ainda não me habituei, porque tenho uma falta de memória desgraçada e ainda não fixei a hora. Como tudo neste país que tem um bocadinho de qualidade, de interesse, de assunto, foi despromovido no horário - segundas-feiras pelas 24.30 (era assim que era anunciado há bocado). Na Dois.

A Dona Ana é assim uma rapariga discreta sem ser apagada; é perguntadeira sem ser espalhafatosa nem agressiva; é simpática sem ter um ar assim meloso. É agradável, calma, atira-nos pela sala dentro um sopro de tranquilidade; tem sentido de humor mas não o exibe a dizer piadas: conversa de forma inteligente e a gente vê as estrelinhas do humor a brilharem-lhe nos olhos e a salpicar a conversa de vez em quando em comentários inteligentes.
E traz-nos pessoas; mostra-nos personalidades que não são personagens. Gente com uma pessoa lá dentro. Alguns já conheço, outros nunca vi - mas a gente fica a conhecê-los bem, e com vontade de conhecer mais sobre aquelas pessoas ignoradas que passam naquele programa fora dos horários a que chamam nobres (quando afinal o "sangue azul" corre noutras veias).
Os entrevistados ali não são as figuras que aparecem nos noticiários nem nas colunas sociais.
(Abre parênteses: não leio "revistas cor de rosa", porque me interesso por pessoas, e não pela vida das pessoas. A coisa mais "social" que leio é a coluna da TV Mais, e da Visão. São estas as minhas únicas fontes de informação no que diz respeito ao Jet-Três-e Meio nacional. Fecha parênteses.)
Os entrevistados ali são pessoas que fizeram ou fazem coisas interessantes e/ou importantes: cientistas, investigadores, escritores, poetas, e outros, muitos que já esqueci. Quase todos eles desconhecidos da maior parte dos Portugueses. Sabem falar, têm assunto, e a conversa corre assim como um riacho numa planície num dia calmo de primavera. Suave mas cheio de vida.
Ficava agora aqui mais um pedaço só a falar dos sentimentos e do clima que aquele programa me traz mesmo para dentro da minha sala.
Na semana passada o entrevistado foi o Senhor José Duarte - o tal do Jazz, esse mesmo. Foi bom revê-lo e sobretudo re-ouvi-lo. Duas pessoas com inteligência e uma pitadinha de humor. Uma hora inteira . mas podia ser toda a noite.
Hoje é o Senhor Joaquim Benite, do Festival de Teatro de Almada. Os dois juntos dão vontade de ir ao teatro.
Precisamos de mais gente desta, que tem força dentro. É gente assim que dá força a Portugal - mesmo sem rematar à baliza.
E disse.

Publicado por vitriolica às 01:00 AM | Comentários (3)

junho 18, 2004

Morreu no ano em que eu nasci

Fez cinquenta anos em 3 de Abril passado.
Chamava-se Aristides Sousa Mendes, e foi um dos raros não-judeus a ser publicamente homenageado pelo Estado de Israel, - em 1967, a Autoridade para a Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto considerou-o um Gentio Virtuoso e, no jardim que relembra os que arriscaram a vida para salvar os judeus na II Guerra Mundial, foi plantada uma árvore em sua memória.

Durante a segunda guerra mundial salvou das câmaras de gás aí umas 30 mil pessoas, dando-lhes vistos para Portugal no Consulado de Bordéus. Por causa do .atrevimento. sofreu um processo disciplinar, foi suspenso, perdeu o lugar de Cônsul e morreu na miséria.
Três pedacinhos de documento mostram-nos a bondade e a consciência de um Homem que pensava nos outros, sobretudo nos direitos dos que tinham perdido todos os direitos; e a coragem de desobedecer a um ditador para salvar as vítimas de um ditador/assassino.
Por tudo isto ele é hoje o meu herói.
Veja a seguir os documentos

Nota de culpa

Francisco de Paula Brito Júnior, Conselheiro de Legação e Chefe da Repartição das Questões Económicas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, deduz, na qualidade de Instrutor do processo disciplinar mandado instaurar por Sua Excelência o Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros contra o Dr. Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches, Cônsul de 1ª classe actualmente na situação de disponibilidade por conveniência de serviço, os seguintes artigos de acusação:
[.]


Nos dias 18 e 19 de Junho, o arguido entrou na Chancelaria do Consulado de Portugal em Bayonne e, arrogando a sua autoridade de superior hierárquico, começou concedendo vistos a todos que os solicitavam, alegando que era necessário salvar toda essa gente.


Além de haver o arguido exercido numa Chancelaria que não era a sua, as funções do seu cargo, ordenou ainda ele ao titular do posto de Bayonne que concedesse, à semelhança do que estava fazendo, os vistos solicitados e que essa expedição de vistos fosse feita gratuitamente. [.]


A atitude do arguido deu lugar a uma situação desprestigiante para Portugal perante as autoridades espanholas e as alemãs de ocupação. [.]

Lisboa, 1 de Agosto de 1940

O Conselheiro de Legação Instrutor
Francisco de Paula Brito



Resposta à Nota de Culpa
Era realmente meu objectivo salvar toda aquela gente cuja aflição era indescritível. [...] Não podia eu fazer diferença (...) visto obedecer a razões de humanidade que não distinguem raças, nem nacionalidades. [...]
Posso ter errado. Mas, se errei, não o fiz com intenção, tendo procedido sempre segundo os ditames da minha consciência que (...) nunca deixou de me guiar no cumprimento dos meus deveres, com pleno conhecimento das minhas responsabilidades.
Aristides de Sousa Mendes

Processo disciplinar
Pode o depoente garantir que, para resistir às súplicas e às implorações de tantos desgraçados, apavorados com a aproximação do invasor e o justo medo do campo de concentração, ou ainda pior, do fuzilamento, se requeria uma coragem moral pouco banal. [...] Eram milhares de pessoas angustiadas que tinham sido metralhadas ou bombardeadas na fuga. É neste ambiente, afigura-se ao depoente, que tem de ser vista e julgada a atitude do arguido.
Depoimento de Calheiros e Menezes, testemunha de defesa


E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (3)

outubro 21, 2003

Leis I

Estou a ouvir o Dr. J. Miguel Júdice no Jornal 2. Mostra que é um Homem como deve ser. Todas as palavras dele (ouvi uma parte, sobre as fugas de informação) deviam .fugir. daquele noticiário para todos os jornais . escritos, da televisão e da rádio.
Deviam ser repetidos tantas vezes como as palavras que deviam estar em segredo de justiça e andam em todos os noticiários.

O segredo de justiça é sagrado . para alguém (neste caso, o Dr. António Costa) pedir para ouvir as gravações dos seus próprios telefonemas e não ser possível por estarem em segredo de justiça; mas já não é sagrado para essas mesmas gravações se esgueirarem por uma frincha de um tribunal e .escorrerem. directamente para as primeiras páginas dos jornais e dos noticiários. (Aposto que um destes dias vai ser nomeada uma comissão de inquérito e até já sei qual vai ser a conclusão . e juro que não sou telepata nem vidente . ninguém foi responsável porque a fuga fugiu sozinha; ou então, foi um pobre desgraçado que não tem como se defender: a senhora da limpeza, ou o primo do contínuo, que trabalha numa loja de ferragens da Baixa. Lembram-se do semáforo da Avenida da República?...)

Portugal é o país onde as leis só servem para vender Diários da República e chatear o Zé Povinho. Tudo o que é acima de sargento está acima das leis.
O gerente de banco dos Açores foi logo preso; se fosse administrador, provavelmente tirava umas férias nas Bahamas e quando voltasse já tudo estava esquecido.
Qualquer dia ainda dou razão à D.ra Fátima Felgueiras. Porque é que as leis hão-de ser para ela? O que ela fez foi ilegal e imoral, mas num país onde a lei não é para todos, se calhar devia haver mais gente a fazer como ela.
E disse.

Publicado por vitriolica às 10:40 PM | Comentários (2)

outubro 18, 2003

Boa malha, Dr. Portas!

Ou melhor ainda, duas boas malhas. Este Portas é o que manda mais, que é o Dr. Paulo; o outro Dr. Portas, como é da oposição não manda nada, só pode mandar bocas.
Como eu ia a dizer, hoje ouvi nas notícias que o nosso Ministro da Defesa decidiu mandar construir dois navios de combate à poluição, nos estaleiros de Viana do Castelo.

Boa malha 1: encomendar em Portugal coisas que os Portugueses sabem fazer, em vez de mandar vir do estrangeiro a preços de saldo coisas velhas que os outros acham que estão boas para a sucata, ou encomendar novo lá fora;
Boa malha 2: encomendar material para uma luta real e importante, que é o combate à poluição, que a gente sabe que esses transportadores dos venenos dos oceanos muitos são uns descuidados e não querem saber das porcarias que deixam à porta (no mar) dos outros. Outros têm mais cuidado, mas ninguém está livre de um acidente.
É verdade que ele tem feito muita coisa com que eu não concordo (só que ele não lê o meu pensamento sobre esses assuntos, só leu da outra vez para saber que eu também não era marxista); aquela mania que ele tem de comprar submarinos, e aviões, e coisas dessas deve ser coisa que alguns políticos herdaram de um General que, lá pela década de .70, ainda queria ir reconquistar Olivença aos espanhóis.
Mas ele (tirando a Dona Leite, que gosta de fazer poupanças sobretudo à custa dos Portugueses que ganham menos, ou que fumam, ou que têm carro) é o único ministro que tem anunciado medidas para gastar menos, ou poupar mais, dentro do Ministério ou na área do dito.
Ele fez isso com umas histórias de uns programas de computador que cada um tinha um programa diferente e assim saía muito mais caro, e ele decidiu que ficavam lá as repartições, ou coisa parecida, todas com o mesmo programa, e era mais prático, mais rápido e mais barato por causa de uma coisa que se chama comparatibilidade, ou compatibilidade ou coisa assim.
Assim é que se trabalha, senhores da Administração Pública! Que eu me lembre, o Dr. Portas é o único que sabe que é bonito ver um Senhor Ministro a dar bons exemplos ao Povo, para não ser só eles a mandar fazer uma coisa e a fazerem ao contrário!
Não é como aqueles senhores do Tribunal não sei de onde, que condenam os outros por fazerem coisas contra a lei e não sabem que é uma grande maldade contra a natureza não fazer a reciclagem do papel. Eu diria mesmo que são duas grandes maldades: uma é fazer mais lixo, e a outra é não reciclarem o papel para poupar as florestas. Aposto que no Ministério do Dr. Portas vão os papelinhos todos primeiro para o triturador (que o Dr. Portas tem cara de se preocupar com essas coisas dos assuntos secretos), e depois para a reciclagem.
E nem vou dizer nada sobre o que estava escrito naqueles papéis, que parece que eram coisas assim de muito segredo, e nas Televisões andam sempre uns a dizer mal dos outros que dizem coisas que deviam ser um grande segredo, e afinal, o Tribunal faz uma destas! E depois investigam, e vai-se a ver, parece que não foi ninguém! Coitados dos macacos do Jardim Zoológico, que ficam com as culpas outra vez e continuam atrás das grades... Sim, porque se não foi ninguém, a culpa foi do macaco.

E agora há pessoas a pensar assim: então ela no outro dia disse mal do Portas e agora diz bem? Pois é, pessoal, a mim não me interessa a pessoa nem o cargo, interessa-me o que ele ou ela diz e faz bem ou mal. O resto são tremoços!...
E disse.

Publicado por vitriolica às 02:01 AM | Comentários (3)

outubro 05, 2003

Nós, as mulheres, somos assim! II

De oito pessoas que fizeram o favor de comentar as minhas filosofâncias (não incluo nestas estatísticas os familiares e amigos), cinco - mais de metade - falam do facto de ser mulher, e alguns da minha condição de doméstica.
Curioso! Não sei se o mesmo acontece aos bloggers machos! Quer dizer, falarem-lhes do facto de eles serem homens, e não de terem escrito isto ou aquilo...

Esquecemo-nos todos que as mulheres são mais de metade da humanidade, e que grande parte de nós, diferentemente dos homens, temos dois empregos a tempo inteiro?
Como diria a minha Cèlinha, .Hei, pessoal, acordem!. A gente também anda cá há milhares de anos, e os homens não chegaram à lua sozinhos!
Já ouviram falar de Marie Curie?...
Recebeu um Prémio Nobel da Física em conjunto com o marido, Pierre Curie, pelo trabalho conjunto sobre radioactividade; já depois da morte do marido, recebeu sozinha o Prémio Nobel da Química, sendo o único cientista a receber dois Prémios Nobel. A filha de ambos veio mais tarde a receber o Prémio Nobel da Química, também em conjunto com o marido, Frédéric Joliot. (Fonte: Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003 )
Já ouviram falar de Ana de Castro Osório? Escritora, feminista e activista republicana de finais do séc. XIX, criou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e ainda arranjou tempo para ser a fundadora da literatura infantil no nosso país. Dizia ela que ser feminista é "desejá-las [as mulheres] criaturas de inteligência e de razão".
Podia encher páginas e páginas - uma Internet inteira - de mulheres que fizeram coisas que vêm nos livros (e a valentíssima Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota?...).
E as outras, aquelas de que fala o Poeta (José Gomes Ferreira) . a Luísa, por exemplo, a da "Calçada de Carriche" com que Odete Santos (vénia!) se emociona e nos emociona?

Vão por essas ruas, essas estradas, esses campos - estão cheias de mulheres que todos os dias fazem coisas que, a muita gente, podem parecer surpreendentes - a todos aqueles que não conhecem as Mulheres.
As mulheres não são diferentes dos homens - têm é tido oportunidades diferentes.
Eu cá, graças a Deus, tenho pêlo na venta e um Arnaldo que - honra lhe seja feita - sabe entender que homens e mulheres só são diferentes no físico (graças a Ti outra vez, meu Deus!); as capacidades intelectuais são as mesmas.
Acorda, people! Já chegámos ao século XXI. Estamos na Era de Aquário! (embora ainda não se note muito...).
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:10 AM | Comentários (7)