setembro 20, 2006
Discussão sobre o "provérbio do dia"
Entre mim e o Cocó, claro!
Qual de nós é o/a maluco/a, e qual o/a maluco/a e meio/a?
Uma coisa é certa: não vai ser nenhum árbitro português a arbitrar esta acesa discussão. Que a gente só gosta de apitos de lata ou de plástico, não temos gabarito pra apitos dourados (nem livro de cheques a condizer).
(se houver praí algum árbitro com apito de lata, faxavor de desculpar e ignorar este segundo parágrafo)
Cá na minha, isto merece a formação de uma Comissão Duracell para averiguar quem é quem realmente: uma daquelas comissões que duram e duram, não chegam a conclusão nenhuma, mas recebem salários como deve ser; claro que eu e o Cocó, como profundos conhecedores do assunto em epígrafe (prajá, sabemos escrever caro o que dá sempre bom tom à coisa), seremos nomeados respectivamente Presidenta e Vice-Presidente (ou vice-versa) da dita Comissão.
E disse.
Publicado por vitriolica às 10:05 PM | Comentários (4)
janeiro 22, 2006
Reabre brevemente com nova gerência
Remodelado e recauchutado graças ao aumento de altura do muro; decorado com belos tapetes novos importados directamente de Marrocos. As estantes de livros serão removidas, por serem objectos de pouco uso: será mantida apenas uma, para servir de pano de fundo às entrevistas do novo locatário-gerente, e para que ninguém repita a frase “Para acabar de vez com a cultura”.
A ementa será reformulada de acordo com o paladar do proprietário, oferecendo um leque variado de pratos e iguarias:
2ª, 4ª e 6ª - prato único: Economia com todos (os que podem); sobremesa: Bolo-rei
3ª, 5ª e Sáb. – prato único: Finanças à perdiz com todos (os que tèm) sobremesa: Bolo-rei
Haveria ainda uma grande variedade de pratos como: saúde, educação, poder de compra, bem-estar social, cultura, respeito pela dignidade do cidadão comum; estes pratos estariam disponíveis todos os domingos, se não fosse tratar-se do dia de descanso do pessoal.

Publicado por vitriolica às 08:00 PM | Comentários (1)
novembro 28, 2005
Ora cá estou eu de novo!!!
Na minha plumagem natalina - como dizem os brasileiros, que cá usa-se mais o "natalícia", mas eu, Doutor Cocó, acho "natalina" assim mais internacional -, pra trazer um pouco de cor, luz e alegria a este blog, quiçá a toda a vizinhança do Weblog, porventura à blogosfera mundial.
Sim, que há por aí muito blog, e muita gente a escrever em blogs e a decorar os seus blogs, mas du-vi-do que haja blog que, de hoje até 6 de janeiro, seja mais natalício que este, com um dos autores que é - ele próprio em pessoa fotografada - uma árvore de Natal iluminada; menos imponente e vistosa que a da Praça do Comércio, concedo, mas talvez a única árvore de Natal cem por cento original e criada em exclusivo para este importante meio de comunicação - social para uns, individual para outros, mas relevante, importante, quiçá primordial.
Só há uma coisa que me aborrece, é que toda a gente discute sobre blogs escritos por homens e blogs escritos por mulheres, mas ninguém fala de blogs mantidos por autênticos animais, e muito menos galos como eu - se bem que deixe cá escrever a Vi, nunca se esqueçam que sem mim este blog não existia, porque eu é que sou o verdadeiro muso inspirador desta coisa.
Posto isto, vou ficar por aqui na minha farda de Natal a adornar este magnífico espaço de expressão e criação, e desejando quotidianamente a todos os visitantes umas boas festas - qualquer que seja a forma como celebram esta quadra.
Palavras do Cocó.
Publicado por vitriolica às 12:04 AM | Comentários (5)
novembro 25, 2005
Palavra(s) de Cocó!!!
- Olha, Cocó, tá a dar o Doutor Soares na televisão. Vê só que velhote corajoso, com aquela idade e o frio que deve estar no alto da roda gigante...
- Ora, ora, ele quis ir lá lá pracima, ali mesmo junto ao mar, pra ver se, dois meses antes das eleições, os areais tão a aumentar. Tá preocupado, que não lhe dá jeito nenhum ver Portugal maior....
Palavra(s) de(do Cocó.
Publicado por vitriolica às 10:01 PM | Comentários (0)
setembro 08, 2005
Tem toda a razão, Sôdona Laura (Bush)
Pois eu cá tou com a Senhora, fique sabendo. Este furacão do katrino veio dar razão aos chineses, que têm uma palavra (ou ideograma, ou lá essas coisas) que quer dizer «crise», mas também «oportunidade».
Aposto que foi isso mesmo que se lhe escorreu do bestunto quando estava a discursar não sei onde, e aproveitou pra dizer que aquilo que aconteceu até era bom para alguns, que já eram desfavorecidinhos e agora tão assim abrigadinhos nos estádios, e nos abrigos e refúgios. Eu e o Cocó também achamos. Távamos ali a lavar a loiça do jantar (quer dizer, eu a lavar e ele a dar palpites), e claro que não podíamos deixar de comentar a brilhante tirada da primeira dama dos E.U.A. (e se aquilo é a primeira dama, nem quero imaginar como será a última...).
O Cocó já não se lembrava das palavras exactas da nobre senhora, e eu menos ainda, que sou fraca da memória. Assim por alto, era maizoumenos o que ficou escrito acima. E entre espuma de detergente da loiça e pano da dita, concordámos que sim senhores, que foi uma grande sorte pròs pobrezinhos de Nova Orleães:
tão ali encafuados naqueles espaços onde têm que caber aqueles milhares de pobres desgraçados – mas têm um tecto e não têm que dormir ao relento, nem no chão;
a dormir rodeados de gente – um que ressona, outro que tosse, aquele que chora, o do lado que resmunga; sem falar nos que gritam enquanto o sonho os faz reviver o pesadelo;
muitos deles sem saber o que aconteceu a amigos, familiares, vizinhos, animais de estimação...
a terem que partilhar casas de banho com sabe-se lá quantas pessoas, que nem devem poder fazer o serviço em condições...
e nem vou mais longe, porque rebolar-me no sofrimento humano não é o meu forte.
Todos aqueles sobreviventes estão melhor que se lhes tivesse saído o Américomilhões, e bem podem agradecer todas as noites ao Senhor, ou a Alá, ou ao destino terem-nos posto no caminho daquele monstro do katrino.
A nossa conclusão final, enquanto eu arrumava a loiça e o Cocó debicava uma casca de pêra do nosso quintal, foi que os pobrezinhos de todo o mundo tão verdes de inveja dos pobrezinhos de Nova Orleães; vão todos reforçar no peditório, a ver se juntam pra um bilhete de avião de maneira a conseguirem estar nos Steites a tempo da próxima (grande) catástrofe.
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (11)
janeiro 04, 2005
Faca na liga
“Ó Vi, somos mesmo um país de faca na liga.”
“Então porquê, Cocó?”
“Os políticos andam todos a queixar-se de facadas nas costas...”
“Pois. Espero que isso fique lá só entre eles, que o povo já anda a levar facadas dessas há muito tempo.”
E disse.
Publicado por vitriolica às 11:59 PM
dezembro 23, 2004
Tou tramada com o Cocó
Desgraçada ideia que eu tive de usar o Cocó como árvore de Natal alternativa e ecológica!
Com tanta gente amável a cumprimentar e a elogiar, tem sido um Deus-nos-acuda cá em casa - subiram-lhe os elogios à cabeça, e o bicho está quase convencido que é mesmo o Pai Natal a sério, e que vai entrar para o Guiness como a mais bela árvore de Natal da blogosfera. Só quer saber porque é que eu não tenho uma fábrica de brinquedos na garagem, e onde é que páram as renas, e porque é que o Arnaldo ainda não puxou o lustro ao trenó...
Um destes dias ainda me passo com o diabo do bicho, que parece que quer bater o record do ego mais inchado/parvo, e mandar para o segundo lugar um certo Castelo Branco.
E tudo isto porquê? Bem, no fundo a culpa é minha que o deixo ler os comentários, e tive aquela infeliz ideia de poupar e reutilizar, e fazer o três-em-um. O bicho não aguentou a catadupa de elogios e cumprimentos, não consegue perceber que toda aquela beleza e opulência e magnificência são fruto da beleza dele, é verdade, mas só porque foi valorizada pela minha arte, habilidade, criatividade e imaginação. Faz tábua rasa daquela velha frase que diz "Por trás de um grande Cocó há sempre uma grande Vi", e quase se julga o dono do blog.
Eu também nunca me passou pela cabeça que esta modalidade três-em-um fosse tão apreciada, com direito a tréquebéque e tudo. Quanto aos comentários, e pelas razões que acima escrevi, não sei se os agradeça se os desagradeça. É sempre agradável receber cumprimentos e elogios, mas os efeitos secundários transformaram-se numa verdadeira seca (não, Cocó, as renas ainda não chegaram, nem sei quando vêm) . O Cocó anda eufórico porque tem a bendita mania de se levar a sério – coisa rara em Portugal, como toda a gente sabe.
“Tábem, Cocó, ainda esta noite passo a ferro – pela terceira vez – o teu traje de Pai Natal, mas tens que me prometer que pões o guardanapo antes de comer, que eu tou farta de escovar migalhas da guarnição do casaco.”
Estou farta de o ver pavonear-se de um lado para o outro na bancada da cozinha, e de ver aquele barrete sempre a abanar e a borla na ponta a dar, a dar... começo a ficar tonta, juro! Pior que tonta, é que já tive que voltar a coser a borla, que não há linha nem pontos que aguentem tanto baloiçar.
Agora que já desabafei, deixa-me pôr a boa educação em acção e agradecer em nome do Cocó (fui promovida a secretária particular de Sua Excelência o Cocó Natal) aos Senhores Eufigénio, Carlos, Nikonman, João Tito, Luís, e LNT, e às Senhoras Donas Catarina, Sílvia, Teacher e M&M. Todos os que até este momento cumprimentaram e elogiaram a beleza e elegância do Cocó-vestido-a-preceito-para-o-Natal.
Como já disse, não sei se devo agradecer ou desagradecer por causa da reacção do Cocó, mas sei que a intenção foi boa.
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (16)
dezembro 11, 2004
Os galos também têm cotovelo
Isto descobri eu ontem à noite, quando estava muito bem a ler o blogue dos Senhores Barnabés. Tive que ir ler no blogue, porque aqui no meu computador não consegui ver a emissão onláine, que isto é tecnologia como eu: antiga e com pouca memória.
Estava então a ler a descrição do lançamento do livro deles e mais não sei quê, e vem-me o Cocó com as conversas dele.
“O Vi, a gente (reparem só no desplante deste “a gente”, da parte de um “colaborador” que não dá um corócócó da sua graça há um ror de meses), se lançasse assim um livro, também tinha direito a televisões, e emissões, e coisas do estrangeiro e tudo?”
“Olha, Cocó, a mim não me parece, pra já, porque eu não conheço ninguém importante; tu conheces?”
“Pois! Isso é que é pior... Nem sequer o papagaio do Cabaré...”
O galo ficou mesmo decepcionado, coitado – lá pensava ele que lançar assim um livro tirado dum blogue é pra qualquer um -, e lá resolvi consolá-lo, antes que a dor de cotovelo (que crescia a olhos vistos) lhe passasse também para os joelhos:
“Olha, Cocó, se a gente for os dois assim muito criativos e inteligentes, e capazes de escrever coisas muito importantes que façam vir muuuuuitos visitantes ao nosso bloguezinho, pois quem sabe um dia possamos chegar a um milhão de visitas e ser notícia como eles foram.
Nessa altura, pode ser que uma editora se interesse pelos nossos escritos interessantíssimos e inteligentíssimos e nos convide para editar um livro. Até lá, ficamos como estamos, e já não é nada mau. Temos umas duzentas visitas por dia, o que para uma doméstica e um galo anónimos já é muito bom.”
“Isso tudo? Não tá nada mal, não senhores!”
“Pois! E se tu não andasses tão nas couves e arredado do blog, se tu tivesses assim ideias brilhantes e originais, a gente chegava ao milhão mais depressa.”
“Tá bem, se é para ir ao Cabaré da Coxa, e sair na Caras Notícias eu prometo que vou tentar. Olha, e ensinas-me a escrever?”
“Escrever, Cocó? Mas tu já escreveste aqui no blogue...”
“Não é isso, é com uma esferográfica como tu fazes às vezes! Senão, como é que eu vou dar autógrafos, hein?”
Fama, a quanto obrigas! Ainda bem que ele não está a pensar ir para o Quintal dos Ranhosos, senão ainda queria ir a Nova Iorque comprar um conjunto novo de penas e pôr bótócse na crista... Olha no que eu me meti!
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (5)
outubro 25, 2004
Caramba, que isto hoje é só pedir desculpas!
Nota da Redactora Principal: a redacção aqui por baixo foi escrita pelo Cocó. Com certeza que os meus leitores do costume perceberam que não é a minha maneira habitual de escrever, mas o Cocó gosta de armar ao pingarelho e usa aquelas coisas finas que ouve aos políticos e afins à hora dos telejornais.
Apresento o meu pedido de desculpas a todos, mas não posso mudar uma vírgula sequer: não quero ser acusada de censura por certas aves que têm a mania que são intelectuais. (Não, Cocó, não é nada contigo, estava a pensar no malcriadão do papagaio da Dona Ercília, que volta e meia declama pedaços de poemas do Bocage.) E peço muitas desculpas ao Senhor Ministro pela linguagem de um galo desbocado e que nem sequer paga impostos porque é amigo de umas galinhas que ciscam no quintal pegado à Junta de Freguesia, e vai daí conseguiu um atestado de pobreza.
Só posso dizer que falámos sobre o assunto enquanto eu descascava as benditas batatas (se soubesse tinha feito arroz ou massa para o jantar), e tomámos as decisões em conjunto. Se fosse eu dizia tudo em menos palavras, mas o Cocó resolveu intelectualizar a coisa.
Por outras palavras, concordámos nas decisões mas eu não tenho nada a ver com essa "espécie de rascunho de discurso para a Assembleia da República". Bah!
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM
Estreia mundial: Vi fornece serviço (quase) público
Pois é, sempre a bem da Cultura e da Nação, o Corpo Redactorial (Vi + Cocó) deste blog reuniu em Assembleia Geral frente ao monte de batatas em via de descasque. Após um animado debate de ideias sempre no mais estrito cumprimento das regras democráticas, deliberou, por unanimidade e aclamação, a aprovação das seguintes medidas, que serão implementadas de imediato sem necessidade de aprovação superior de qualquer organismo de tutela ou quaisquer outras entidades cuja única vocação seja meter o bedelho ou amandar bitaites e/ou bocas foleiras:
1. O fornecimento diário e gratuito de um naco de verdadeira Cultura Popular Portuguesa sob a forma de provérbio (ou adágio, anexim, ditado, dito, máxima, rifão...) – que já estava em Versão Beta há alguns dias, no canto superior direito deste nosso espaço electrónico – e que passa oficialmente, a partir de hoje, a Versão 0.0.0.1.¾;
2. a inclusão de uma caixa de texto que permite procurar, de forma imediata porém rigorosa, o significado de qualquer palavra no “tira-teimas” da Priberam – Língua Portuguesa On-Line;
3. a afixação de um autedor de apoio à leitura gratuita nas Bibliotecas e Estabelecimentos Correlativos e/ou Afins, coisa que a União Europeia devia fazer - mas não faz -, e que os nossos governantes deviam fazer - mas não fazem -, mas como a “Dona U. E.” parece que só quer saber de economias e não se importa que as pessoas leiam pouco e o nosso governo baixa as orelhas (para bom entendedor...), cá a Vi dá uma de mecenato e apoia, conforme pode, a petição que todos os que amam os livros DEVEM assinar – JÁ!
Esse apoio traduzir-se-á na afixação do supracitado autedor – o qual contém um linque para a imagem a cores e em tamanho real que pode ser impressa e colada ao lado da tal bandeira portuguesa que ainda não se descolou do vidro do carro ou noutros locais de assinalável visibilidade -, e do linque para a outrossim já nomeada petição.
4. Um outro linque para o magnífico, e em boa hora, quiçá atempada e pertinentemente lançado Campeonato Nacional da Língua Portuguesa, no qual entusiasticamente exortamos todos os digníssimos passantes barra leitores barra visitantes a participar - quer pelo indubitável enriquecimento linguístico proporcionado, quer pelos magníficos, valiosos e aliciantes prémios a auferir, quer ainda pelas incontáveis horas de prazer e saudável entretenimento familiar que certamente proporcionará.
E boa sorte a todos, e que vença o melhor (e que esse melhor se chame Cocó, que pretende conhecer melhor a excelsa cultura do Antigo Egipto e debruçar-se reverentemente sobre os papiros e palimpsestos da nova Biblioteca de Alexandria).
O corpo redactorial considera as medidas ora tomadas como de verdadeiro e legítimo serviço público, um autêntico Mecenato Cultural ao abrigo de cuja lei vai desde já requerer - respeitosa, porém veementemente - ao ministro Parvalhão Félicse a respectiva redução no IRS, IRC, não olvidando o MSN, ICQ e outros que oportunamente nos ocorram (desde que dentro dos respectivos prazos legais) – JÁ!
Assinado
Doutor Cocó e Senhora Dona Vi
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (3)
junho 30, 2004
À atenção do Senhor Presidente
O da República, claro, não o-que-há-de-ser da União Europeia!
Eu queria, Senhor Presidente, ficar de fora deste assunto; já há tanta gente a apitar-lhe aos ouvidos, para fazer jus à vocação que existe em cada Português para treinador de bancada!
Mas com mil antecipados perdões, e muito humildemente, venho lembrar-lhe esta candidatura que existe desde Abril.
Ponho as mãos no fogo pelo meu Cocó: não é ambicioso, não usa telemóvel nem está habituado a carro com chófer. Não vai a restaurantes finos, não usa roupas de marca, não sai à noite... enfim, como político "não existe", como se costuma dizer.
E mais! sabe o que custa a vida, andar em tranportes públicos, esperar seis meses para ter consulta, tudo aquilo que não se ensina nas escolas da política. Sabe falar Português, é educado - embora um bocado "estarola" e às vezes usa uma linguagem um bocadinho pesadota.
Pesando os prós e os contras, ficava Vossa Excelência descansado, e o País não ficava pior do que está!
Ele só faz uma exigência para aceitar o cargo: não me dispensa de ser assessora principal, por causa do velho hábito que temos de conversar enquanto eu trato das coisas da cozinha. Como eu sou uma rapariga modesta e sem ambições, trabalho por um ordenado decente e dispenso as "alcavalas", que não estou habituada a mordomias.
Posto isto, Senhor Presidente, está dado o recado e em precisando de qualquer coisinha deixe um comentário no local próprio que a gente depois comunica. Aproveite e diga quais são os autocarros que passam em Belém, que a gente anda de passe e não precisa mandar o chófer.
Aceite os nossos cumprimentos, e desejos de boa sorte e muita paciência para mexer o "caldinho" que o Durão lhe arranjou.
E disse, Senhor Presidente.
Publicado por vitriolica às 03:58 PM | Comentários (1)
junho 26, 2004
Túlipas e futebol
Desde que acabou há bocadinho o jogo da bola, o Cocó não pára de dar bicadas no pano da loiça que me deu a Idalete.
É um lindo pano da loiça, com uma rendinha na ponta e um belo ramo de túlipas.
Porque raio é que um galo de Barcelos há-de embirrar com túlipas num sábado à noite?
E disse.
Publicado por vitriolica às 11:26 PM | Comentários (1)
outubro 14, 2003
Cocó-alma-de Poeta
Ainda não lhes contei da alma de poeta do meu Galo de Barcelos. Mas primeiro tenho que explicar que este ano fui à Feira do Livro comprar umas histórias a ver se a minha Cèlinha lhes pegava, e uns romances para mim que gosto muito de ler histórias. Não sou muito dada a romances de amor, gosto mais de livros policiais, e de mistério e de espionagem. Eu cá acho que é por ter uma vida assim um bocado parada e pouco interessante, e por isso vivo as aventuras dos outros. E fico toda contente quando consigo descobrir o autor do crime antes de ler o nome dele no livro.
Voltando à Feira do Livro, no stand da Câmara (é assim que se escreve, D. Olímpia!) Municipal de Lisboa estavam a dar um livrinho com quadras populares do Senhor Fernando Pessoa. Como todo o bom Português, nunca digo que não a uma coisinha grátis (menos aventais dos partidos políticos, porque gosto de ser eu a escolher o meu avental).
E não é que gostei do livro? Eu não era muito chegada a poesia, mas sim senhores, fiquei fã! (quarta-feira, na Ribeira, compro poesia porreira . olha só que linda rima!).
Vai daí, comecei a gostar de ler o livro; e lia assim em voz alta, fazia de conta que era o senhor João Villaré ou o senhor Vítor de Sousa e isso. Deviam ter visto o meu Cocó! O bicho parecia tonto, de olhos fechados, a abanar o corpo. Se eu não tivesse passado a tarde na cozinha com ele, até apostava que o bicho tinha tomado alguma coisa esquisita, daquelas que não se vendem na farmácia nem podem ser substituídas por genéricos.
Mas não, o bicho só tinha milho na moela! Estava assim com uma coisa que devia ser um êxtaze. Quis tirar a coisa a limpo e parei; o bicho ficou logo quieto. Li outra quadra, e tumba! lá estava ele! .Então, Cocó, .tás-te a sentir mal?. .Porque é que paraste? Isso dá uma ganda pica!. (tem uma linguagem muito moderna, o meu Cocó). .Nunca tinha ouvido nada parecido! Foste tu que escreveste?. .Não, Cocó.... e lá lhe expliquei que era do Senhor Fernando Pessoa, que a Câmara tinha oferecido. .Gostava de conhecer esse Fernando. Deve ser do baril, para escrever coisas tão bonitas.. Tive que explicar ao Cocó que o senhor já morreu. .Que pena! Podíamos fazer uma mesa de pé dum primo meu, que eu gostava de lhe dizer que o acho muita lôco. Lê lá mais um bocadinho, vá láaaa...!. E eu a ler como se fosse aquela Dona Luísa que ia ao .Acontece. que Deus tem, e ele de olhinhos fechados a abanar-se todo e as barbelas a dar a dar.
E foi assim que eu e o Cocó descobrimos a poesia e o senhor Fernando Pessoa!
Bebe-se a água mais fria.
Quem tem tristezas não dorme,
Vela para ter alegria..
Publicado por vitriolica às 12:01 AM