agosto 26, 2006
Copus in da náite
Segue a conversa pela madrugada
Copos de branco - que rica pomada!
Que faz bem ao cálcio, da vaca tirada...
Molhada a palavra, segue a desgarrada.
Eu conto o meu causo,
com outro retrucas;
alguns doem na alma
outros são "lucas".
Ora dor na alma, ora gargalhada
Minha c'rida mana, que bela noitada.
Sonha o Laurentino com anjos e fadas
Pesadela o Arnaldo - as uvas gamadas
Dormem como justos, almas 'bençoadas
Andamos na náite num banco sentadas.
A fresca da noute nos faz companhia
Que gente modesta não quer mordomia
Bancos de madeira, a luz das estrelas;
Nem bares de moda, salões de noblesse
Coquetel's finesse, veludos, néons..
No simples da vida, nas cousas piquenas
Achamos a graça pois somos singelas.
Porém, bem matreiras: zurzimos às vezes
as cenas foleiras, os gestos soezes.
Que gente mais boa no mundo não há,
Mas nossas pessoas ninguém pisará!
Da noite o silêncio nos faz companhia
Parece que o Mundo até nem existia!
Só nós e a Paz desta nossa harmonia
De coisas pequenas que são poesia
Ri a Libelinha, cheira a maresia
Na imagem viva da fotografia.
É a nossa princesa de avós sem neta
A coisa mai-linda que há no planeta!
(será que um dia os homens que mandam
irão promovê-lo a calhau da treta?
Roubaram Plutão à tal lenga-lenga,
O que mais farão em próxima arenga?...)
Aqui te garanto: a nossa princesa
Não destronarão, isso de certeza!
Porque o reino dela não é deste (i)mundo:
É muito mais forte, muito mais profundo,
vem do coração onde o mando dos homens
não vale um chavelho nem tem voz activa.
Já dormes, ‘Dalette — paulada na tola!!!
Saltou-me o Cocó tal-qual uma mola
Tunga no teclado a compor a poizia
assim um bocado meio à revelia.
Os demais passantes vão ficar a leste
(inda resta algum? P’racaso soubeste?)
Mas pouco m’importa, mulher ocupada
Com muito croquete, meia passajada.
Pois façam de conta poizia moderna,
Assim tipo abstracta e cheia d’intelecto.
Leu, não percebeu, mas é tão boniiiito!
Parou a conversa, já é madrugada
Ficámos as duas coa alma lavada
Os copos do branco agora a escorrer
Já dormes ó mana, eu também — não tarda.
Que os anjos te dêem noite(s) descansada(s).
Publicado por vitriolica às 02:54 PM | Comentários (5)
maio 13, 2006
Mais parabéns a rimar - que é para festejar
Querida Idallete, faxavor desejar da minha parte, ao teu Laurentino, muitos parabéns. Eu sei que ele não é muito leitor de blogs nem apreciador deste tipo de poizia. Não faz mal: os parabéns são praele, a poizia é prati e mais prà Mariza Marlene.
Faz mais uma primavera
neste lindo mês de Maio
já não é um rapaz novo,
já não é nenhum catraio.
Meu cunhado Laurentino
antigo e mui estimado
em dia de aniversário
o meu abraço apertado.
Pudera eu of'recer-lhe
O que tenho na vontade:
Saúde - só quanta baste...
e muita felicidade.
Já tem o melhor presente
O Destino é que lho deu
Uma mulher excelente
Parece feita no céu.
Da menina nem se fala:
Essa querida Mariza...
de moçoilas como ela
é que este mundo precisa..
Dito isto, hoje há brinde
com champanha, bolo e tudo!
Que a sua vida lhe seja
macia como veludo.
Cá em casa, tudo à uma
canta em coro "Parabéns"
Ao cunhado e tio amigo
Querido como ninguém.
E muitos anos de vida
desejo com amizade
Um beijinho e um abraço
dados com muita vontade
Sua cunhada e amiga
Vi-zinha, prà eternidade.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (3)
maio 06, 2006
Poizia em famila
Que família de poetas
Que eu tenho
- e não sabia!...
rima a mana, e a sobrinha
segue o exemplo da tia...
Nunca tal houvera visto:
Dinastia de poetas
- eu sei, não é poesia,
não passam de umas rimetas!
Mas têm que concordar:
Coisa rara e pouco vista
duas manas e sobrinha
pegando assim nas palavras,
fazer sentido a rimar.
Quem sabe um dia, famosas
por esta tal qualidade
de rimar umas co'as outras
brincando com amizade.
Pois se anda praí menina
que escreve, imprime e repete
a mesma banalidade...
vezes a fio e sem conta;
e que por muitos é lida
(quem sabe, até, admirada)
e, tal como a rã da história
se está quase crendo boi
- no tamanho e no poder
(da palavra, já se vê...)
Nós, humildes cidadãs
e anónimas por gosto
temos assim descoberto
esta nossa habilidade:
rimar, mesmo se a brincar...
Eu fiz minha poizia
como forma de homenagem
à sobrinha e qu'rida amiga.
Logo vêm, na peugada,
assim bem duma assentada
dois comentários em verso.
Blog assim, com muita rima
só lá no Zeca da Nau
esse sim, muito inspirado
verdadeiro timoneiro
e autêntico herdeiro
dum tal Vicente, o Gil
que deixou galhofas mil
em belos versos - poeta.
Ou então na Dona Ana,
que afinal também é mana.
E, se não faz poesia
sabe escolhê-la com gosto,
ou então belas pinturas
obras de arte verdadeiras
de Setembro até Agosto.
Fica então o sentido
Desta coisa singular:
Fiz minha rima modesta
Prà sobrinha alegrar...
Logo a mana e a sobrinha
Vieram cá comentar
Tudo rimou, minha gente
"Poetisas" a brincar
Não lhes conhecia a arte
Só podia embasbacar...
Vida lá fora é madrasta
Nem a quero comentar
Só às vezes me apetece
Coisas boas celebrar,
Co'as engraçadas brincar.
Por isso cá venho pouco,
Pois o Cocó não ajuda
Não me diz senão tolice
Posto isto, vou-me
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (4)
maio 01, 2006
Parabéns, Cristalina
Ai minha rica menina
Minha c'rida Cristalina
Pois mais um aniversário
Venha de lá um beijinho.
A vida não tá pra festas
Diz a Amiga com razão
Também acho, cá na minha
Também sou de opinião.
Qu'isto não anda pra graças,
O mar não tá de feição;
A gente só vê desgraças
Há muita pedra no chão...
Pedras de contrariedade,
Tempos ruins, vida dura
Mas que não tiram a 'sprança
De acreditar no futuro.
No meio das pedras há
Um pouco de terra mansa
Flor's à borda do caminho
E uns olhos de criança.
E as flores da Primavera,
E os olhos da menina
Fazem a vida mais bela
Fazem crer que há outra Vida.
A gente crê nas estrelas
Que brilham na noite 'scura
Buscamos cada minuto
O que há nele de ventura.
Mesmo na noite mais triste
- já lá dizia o Poeta -
a gente sempre resiste
A gente sempre se nega...
A cruzar braços, ficar
À espera que a sorte vire
Vai à luta, afasta as pedras
Rega as flores, a sorrir.
As flores vão dar sementes
Novas flores vão brotar
Muitas botas de homens maus
Não as conseguem calcar.
Vêm nuvens, cobrem 'strelas,
Qu'importa, dizemos nós
Não as vemos, é verdade
Elas, não nos deixam sós.
O mundo pula e avança
E lá volta a tal 'strelinha
Que a esperança nunca morre
É como a erva daninha.
Já vai longa a poesia
Torta, tonta, mal-traçada
Quadrinhas de pé quebrado
Prà sobrinha bem-amada.
Nestas singelas letrinhas
Fica toda a amizade
Desta tia - tonta e tola
Metida à int'lectualidade.
Deixe lá, não 'tou sozinha
Que neste mundo moderno
Tudo arma ao pingarelho
E qualquer papel que escreva
Se convence no momento
Que é um documento eterno.
Tudo isto afinal
Estas mal traçadas letras
Só pra dizer minha amiga,
Do fundo do coração
Com muita, muita amizade
E um grande xi-coração.
Sai o Cocó do torpor,
As meias por passajar...
Pra lhe dar, com muito amor
Os sinceros parabéns
E desejar, com fervor:
Longa vida, muitos anos
Brandos, mansos, com saúde.
Ergo a taça, brindo à nossa!
Natalino, Libelinha,
Todos três num só abraço.
A vossa tia Vi-zinha.
Publicado por vitriolica às 01:16 PM | Comentários (6)
novembro 26, 2005
Pra acabar de vez com a tristeza
Que este blog tem andado um bocado tristinho, é verdade. A culpa é da vida, que prega partidas ao nosso coração, e a gente fica assim a modos que parada e sem vontade de pensar, quanto mais de escrever.
Hoje a coisa é diferente, porque quero festejar uma das coisas mais lindas da vida – além da própria vida - que é o amor.
Não vou entrar em grandes pormenóis, que são coisas assim do foro privado, particular e íntimo das respectivas pessoas. Mesmo assim, sempre vou dizendo que são dois amigos muito queridos a quem a vida pregou uma partida das boas faz hoje um ano, e que essa partida deixou muita gente muito feliz; chega de conversa, que é dia de rir e festejar e não perder tempo com parlapiés de quem mal sabe escrever duas mal-alinhavadas sentenças. Vou passar a palavra aos Poetas. Não falo dos que escrevem aqueles livros de poizia dita “a sério”, e são muito respeitados e conceituados e por aí fora. Eu cá sou mulher simples e do povo – sou mais virada para uma bonita canção, com uma daquelas letras que é feita de poesia com música; sou mais de poetas de canções do que de poetas de livros, com todo o respeito que estes últimos merecem.
Portanto, e com muita amizade, aqui dedico hoje duas letras de canções que celebram o amor de maneiras diferentes – mas iguais na beleza, sobretudo na versão cantada.
Teresinha
O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não
O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não
O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração
Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do Malandro
Ouçam a versão original do disco, cantada por Zizi Possi
Fascinação
Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar tonto de emoção
Com sofreguidão mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação, amor
(F. D. Marchetti e M. de Feraudy; versão brasileira de Armando Louzada)
Ouçam a versão cantada pela (enorme) Elis Regina
Pra vocês, meus amores, um beijão repenicado da Vi
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (6)
novembro 23, 2005
Lembra-te...
Para ti, Mana Lizandra, aqui fica a tradução do poema que te prometi naquele dia de tamanha tristeza quando mal tínhamos acabado de nos despedir da parte física do homem que foi a tua metade durante quase quarenta anos.
Não me agradeças nada, que quem fez a tradução foi a Cèlinha, e foi a Mana Idalete que fez a revisão. E claro, foi a m'Ana que escolheu o poema.
Lembra-te de mim quando eu tiver partido
Para longe, para a terra do silêncio;
Quando não puderes mais agarrar-me pela mão
Nem eu voltar tendo partido para sempre.
Lembra-te de mim quando não mais no dia a dia
Me contares o que planeaste para o nosso futuro:
Apenas lembra-te de mim; compreendes
Que será tarde então para conselhos ou orações.
Porém se me esqueceres por momentos
E a seguir lembrares, não o lamentes:
Pois se a escuridão e a decomposição deixarem
Algum vestígio dos pensamentos que um dia tive,
Bem melhor será que esqueças e sorrias
Do que lembrando-me isso te deixe triste.
Christina Rossetti
A gente sabe que não vai esquecer; a gente sabe que ainda é difícil sorrir, que a ferida ainda não parou de sangrar e vai levar muito tempo a fechar; e é daquelas feridas que só fecham por fora, e continuam a doer por dentro durante muito e muito tempo. O tempo é o único remédio para estas dores, mas é de acção muito lenta. Passou um mês, mas parece que foi há um dia, e seria igual se fosse há um século - porque a Vida não volta.
Ainda é (muito) cedo para a gente conseguir sorrir quando nos lembrarmos do nosso Carlos; ainda é muito cedo para pensarmos nele sem que as lágrimas teimosas não acompanhem a recordação. E não podemos fazer mais nada senão deixar a dor doer, engolir o nó na garganta, e se tivermos força agradecer todos os pedacinhos bons que nos deu enquanto nos fez companhia.
Fica a esperança de que o dia em que vamos ser capazes de o lembrar sorrindo e sem dor nem nó na garganta há-de chegar; não sabemos quando, e "adivinho" que ainda está longe.
Para a Mana Lizandra, para o Constantino Marcelo, a Vitriólica Maria e o Natalino Maurício fica esta tradução deste lindo poema (que ele ajude o sorriso a sair de trás das lágrimas como o Sol de trás das nuvens depois de uma tempestade violenta), e fica também o meu abraço, mais do Arnaldo e da Cèlinha.
Temos todos que guardar no coração o passado, mas lembrar que a nossa Vida é o presente e há que agarrar cada um dos bons momentos que ele nos dá, porque não sabemos quanto tempo vai durar o futuro de cada um.
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (0)
novembro 16, 2005
Já me esquecia, mas vem mesmo a propósito
Hoje celebra-se o Dia Internacional da Tolerância. E vem mesmo a propósito da Mana Lizandra, que é das criaturas mais tolerantes e bem-viventes que já encontrei durante os cinquenta e um anos que passei neste mundo descabelado.
Não sei se há lá nas Nações Unidas alguém que conheça minha Primeira Mana, mas podia muito bem haver. E essa pessoa teria escolhido este dia em que ela nasceu por ela ser um exemplo de tolerância e bom-viver com toda a gente.
Dentro daquele coração bom há, entre outras coisas, uma tolerância como é difícil de encontrar. E mais não digo, porque não há mais que dizer sobre isso.
O mundo estaria muito melhor se todos nós fôssemos um bocadinho mais tolerantes com O Outro, se houvesse mais Corações de Lizandra por aí.
Não confundir, no entanto, tolerância com "deixa passar" - sobretudo em Portugal, onde toda a gente "faz um jeitinho" mas no fundo tem muito de intolerante.
Fazemos o jeitinho entre os nossos iguais, mas no que toca às diferenças a coisa fia mais fino...
E disse.
Publicado por vitriolica às 08:34 PM | Comentários (4)
Para a minha mana Lizandra
No dia do teu aniversário, claro que eu não podia deixar de te dar aqui os parabéns.
A gente sabe que a vontade de festejar não é nenhuma, mas também não estou aqui para festejar: é mesmo só para lembrar que foi bom tu teres nascido há uns anitos (e juro que não digo quantos). E foi bom porque eu tenho a sorte de ter quatro irmãos que são pessoas muito especiais: cada um de uma maneira diferente, e cada um uma pessoa fora de série.
Só por isso vale a pena assinalar este dia com uma estrelinha brilhante, porque é para nós quatro, os teus manos mais novos, uma sorte ter uma Mana Maior como tu. Mais que uma sorte, é um privilégio! Para os teus manos, para os teus três filhotes, para a tua neta fofa, a Libelinha que tem o cabelo mais bonito que eu já vi!!!
Por isso eu tinha que dar os parabéns hoje: não só a ti, mas a todos os que têm a sorte de ser teus irmãos, teus filhos (e todos os que convivem contigo e de ti recebem/receberam tanto - mas hoje não me apetece falar dessa gente, só de nós cinco e dos teus meninos).
Então parabéns a mim, à Idalete, ao Hipólito e ao Plácido por teres sido, lá pelo século passado, a nossa Primeira Mana, a nossa Mana Maior; parabéns a nós por seres, durante estes anos todos, a amiga sempre pronta de braços e coração abertos, sempre disposta e sempre disponível.
Por seres um dos Corações Grandes desta família.
Um xi-coração da arca do pão bem apertado, e um par de beijocas repenicadas prati.
(A prenda vem mais tarde!)
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (0)
outubro 24, 2005
Dia de celebrar a vida
Apesar de tudo, apesar do raio que ontem fulminou a tua vida, meu sobrinho.
Isso não impede, meu Natalino Maurício, que hoje eu te dê os parabéns por teres nascido faz hoje uma data de anos.
Não sei se já te contei esta história – não tenho tanta idade assim, mas tenho memória de velhota taralhouca...
Naquela noite de há mais de trinta anos o teu pai estava a fazer serão (se não me engano, era de sábado para domingo); a tua mãe estava “para toda a hora”, e para não ficar sozinha em casa veio dormir comigo, que ainda vivia em casa dos avós, no nosso quarto de meninas solteiras.
Fui eu a segunda a saber que tu querias nascer, logo a seguir à tua mãe. Acompanhei-lhe as primeiras dores, no nosso quarto com aquela casa de banho minúscula; ouvi-lhe os primeiros desabafos, bem ao estilo dela. E pela madrugadinha lá fui chamar o avô, que levou a tua mãe ao velho hospital que serve agora de “Colégio Interno” aos noventa anos da avó Máxima (quem sabe ainda se candidata a Presidenta, coisa que está na moda).
Já nessa altura eras um rapaz desembaraçado, e algures por volta das sete telefonaram do hospital: já tinhas nascido, eras menino!!!
Fui a correr (de carro) com o Tio Hipólito a tua casa (não sei porque não telefonámos, mas agora é um bocadinho tarde pra pensar nisso). Batemos à janela do quarto – vantagens do rés-do-chão – e lá veio o teu pai, estremunhado, que tinha acabado de se deitar. Claro que ficou delirante por ter um menino homem, e foi uma festa para toda a família, oh se foi! Parece-me que ainda o estou a ver à janela, como se fosse ontem...
És o único sobrinho que teve a “honra” de me ter como quase-parteira: nos outros, estive sempre longe e vinha a saber da notícia por telefone. De todos, és o único de quem eu tenho uma “história de nascimento”.
Uma pessoa não consegue deixar de pensar nisso no dia de hoje, e de como se fala tanto da morte e de como às vezes quase nos esquecemos de festejar o nascimento e a vida.
Porque quando alguém desaparece todos filosofamos sobre a morte, e porque uns vão de uma maneira e outros de outra. E quando alguém nasce fala-se tão pouco sobre o dom que é a Vida. Em cada aniversário que passa a gente apaga as velas, e canta “Parabéns a Você”, e brinda à saúde – mas nunca ouvi ninguém (nem a mim própria) filosofar sobre o que é a Vida, esse dom único que tem tanto de maravilhoso como de terrível.
Se calhar andamos errados, porque é na Vida que nós temos mão, é a ela que podemos tentar modificar; logo, era sobre ela que devíamos filosofar, e não sobre a morte contra a qual nada podemos.
Hoje apetece-me filosofar sobre a Vida, sobre esse dom extraordinárip que nos é oferecido no momento em que soltamos o primeiro grito. E penso mais na tua Libelinha do que (perdoa esta velha tia) do que no teu pai que ontem partiu para caçar num Alentejo sem fim e sem seca, cheio de coelhos, onde o céu vai ser sempre azul, e onde já deve estar a ensaiar uns duetos com o Caruso, a Callas e sei lá quantos outros.
Penso no milagre de seres pai como eu sou mãe, e que a tua tarefa agora é pegares no teu passado, na mão da tua Cristalina, e juntos repetirem os passos que outras gerações de pais e mães já caminharam para levarem a vossa Libelinha para o Futuro que está à espera dela lá à frente.
A gente sabe que o caminho é duro, sobretudo nos primeiros tempos em que vais sentir (vamos todos) aquela Falta, que é como se fosse um pedaço de nós que foi arrancado antes do tempo. Não é fácil, e a gente pergunta “Porquê comigo?” mas esta pergunta não tem resposta.
Há uma coisa que podemos fazer: cerrar os dentes, dar as mãos e enfrentar a tempestade; não ter medo de cair, que às vezes o vento é forte; mas a gente levanta-se de novo, põe os olhos na Estrela Polar do Futuro, e segue viagem. Tu és forte, corajoso e bem preparado (eu sei, para certas situações ninguém está preparado); tens uma boa companheira de viagem, e sobretudo essa promessa pequenina de futuro e de continuação. Um milagre de vida que tu ajudaste a criar, como tu próprio foste um milagre de vida há trinta e cinco(?) anos. Só tens que pôr os olhos em tudo o que te deu e ensinou essa força da natureza que foi o teu pai. A seguir, deitas tudo por terra e constróis à tua maneira. Sem mais. A parte dele que tinha que ficar já está dentro de ti há muito tempo.
Houve com certeza palavras que foram ditas que preferias ter calado; as que não disseste, e que agora lamentas não ter ousado. Limpa essa lousa, não uses isso para te torturar, para te sentires amargo. Os pais sabem, mesmo o que não é dito; a gente sente.
Segue o exemplo dele, que gostava da Vida, de estar com os amigos, de comer bem, da caça, da sua cantoria. Guarda dele o muito que tinha de bom.
Se ele está nalgum sítio de onde te possa ver, vai querer que vivas, que aproveites todos os momentos bons da vida, que ajudes a Libelinha a transformar-se numa boa rapariga tal como fez de ti um excelente rapaz.
Ontem foi o dia de chorarmos a morte dele; hoje é o dia de celebrarmos a tua vida. Amanhã, vamos conviver com a vida e a morte como em todos os outros dias. Depois de amanhã, é o Futuro.
Perdoa estas filosofas de tia velha, e perdoa que dedique um pouco do sentido destas palavras à vizinha e amiga Valéria que também viu ser-lhe arrancado um pedaço da vida assim sem explicação.
Hoje é o nosso dia de celebrarmos o princípio da tua vida, e de lembrarmos que há dezasseis anos (era terça-feira, lembro-me bem) o avô Máximo foi jogar à sueca e conversar com os amigos para aquele sítio onde os baralhos são sempre novinhos em folha, e há sempre um petisco acabadinho de fazer e um copo limpo para mais um amigo que chega. Essa dor já vai sarando, a gente já se habituou à ausência, é como uma flor que perdeu a cor e o perfume mas continua lá, entre as páginas daquele livro; acredita, a serenidade vai chegar – para todos nós; até lá, temos que saber conviver com a dor. Não adianta querer calá-la, abafá-la, escondê-la. Ela vai estar em cada segundo da nossa vida, mas ao lado dela vamos ter a própria Vida, e o sorriso de uma Libelinha.
Publicado por vitriolica às 02:02 AM | Comentários (5)
outubro 23, 2005
Adeus velho Amigo
A caminho do Céu, daqui te digo adeus e te dou um daqueles “nossos” abraços.
Partiste a fazer aquilo de que gostavas, e lá vais tu com a espingarda e os cães, tuca-tuca neste domingo bonito de Outono, e tomara eu quando chegar a minha hora.
Tomara eu partir depressa e sem aviso; e sem dor nem sofrimento (“Quem cá ficar que se amanhe”, diria a Dona Máxima.). Abalar lá de trás da moita, na manhã fresca do Alentejo cheia de cheiros e cores e frescura que sobrou da noite.
Desta vez não vais trazer as perdizes, os coelhos, os faisões. E tinhas a alegria a bailar nos olhos quando as oferecias “Toma, leva, já tão amanhadas.” Porque gostavas de dar, de partilhar, de distribuir.
Eras bruto como as pedras da Serra onde nasceste, talhado só pela natureza e pela vida e pelo sofrimento e pelo trabalho – que começou cedo, como sempre acontece com os meninos que se fazem homens antes do tempo. Não tiveste tempo nem oportunidade de ser “aperfeiçoado” pelos salamaleques sociais, porque mergulhavas no trabalho que era ganha-pão e vício e passatempo, dias e noites a fio.
E eras bom como o pão lá da Serra, e aqui não há mais comparações nem palavras. Eras Bom Como o Pão. Ponto. Toda a gente contava contigo para o que desse e viesse, e tu ias a todas quando se tratava de ajudar, de apoiar, de fazer o que fosse preciso – fosse lá o que fosse.
Não nasceste na família, dizem. Mas desde que passaste a fazer parte dela, era como se já tivesses nascido com o nosso sangue, o nosso nome. Tinhas a nossa identidade, entraste como cunhado e no dia seguinte já eras irmão de nascença.
Não vou falar dos defeitos que tinhas – que não eram mais nem menos que os das pessoas normais – porque as qualidades pesam muito mais no meu prato da balança. Às vezes eras “difícil de assoar”, quando vinha à tona a tua “metade pedra”; eu tive a sorte de conviver mais com a tua “metade pão”.
Abalaste a caminho do Céu atrás de um coelho, trauteando em surdina uma daquelas árias de ópera que tanto gostavas de cantar, numa manhã calma de Outono arrefecida por uma brisa fria de um campo alentejano; nas narinas levas o cheiro do mato, das ervas rasteiras.
No ar fica uma Ave Maria – a de Schubert, se puder ser, gosto mais dela que da de Gounod.
Até sempre Carlos, cunhado, irmão e amigo.
Publicado por vitriolica às 04:19 PM | Comentários (3)
outubro 09, 2005
E brindo de novo, pois tá claro!
Não, ainda não é sobre as eleições, é cá um brinde pessoal, intransmissível e familiar.
Querida Mariza Marlene
, aquela que é minha sobrinha há mais anos (tá descansada, que aqui a velha tia só “denuncia” a idade dela própria e de mais ninguém), faz hoje precisamente não-sei-quantos anos que promoveste a Avó Máxima ao posto de Avó, e a mim (nessa altura ainda sem cabelos brancos) ao posto de tia em primeira mão. E eras a coisa mai-linda que eu tinha visto em forma de bebé, oh se eras!
Ainda hoje és uma linda moçoila, mas a tua parte mais bonita só alguns conhecem: os que convivem contigo mais de perto e vêem essa alegria que dás aos outros sempre que podes, e que herdaste (acho eu de que) da tua mãe que dá e se dá tanto. E nisso me parece que são bem iguais, que todos os dias dão o vosso coração a quem está perto, e em troca recebem quase sempre tão pouco, e no dia seguinte há um novo coração pronto a dar e a dar-se. Se eu pudesse, tirava do vosso caminho todas aquelas pedras malvadas que passam rasteiras e atrapalham o passo. E no lugar delas punha rosas, cheirosas e sem espinhos, pra vos amaciarem o passo e perfumarem os dias e as acções bonitas com que enchem os vossos dias.
Mas o que eu posso é muito pouco, e por isso recebe uma grande beijoca e um xi-coração da arca do pão, bem aconchegadinho. E aceita o nosso brinde de parabéns, mas ainda, e sobretudo, o nosso desejo verdadeiro de que também na tua vida caia uma chuva que faça florir todos os dias um novo sorriso.
E tá na hora de pôr isto no ar, antes que acabe o dia dos anos da Mariza Marlene, e parabéns mana Idalete que puseste no mundo esta pérola de pessoa, e obrigada por deixarem esta taralhouca meia-destrambelhada ser tia e irmã de pessoas como vocês. Daqui ergo a minha flûte, que eu sou chique nestes pormenores e sei que champanhe em taças é coisa que passou de moda e até aprendi a escrever em francês, com todos os pormenóis; por ti, Mariza Marlene, ergo a flûte, faço o brinde e bota abaixo!
E disse (hic).
Publicado por vitriolica às 11:29 PM | Comentários (7)
agosto 16, 2005
Mandei o Arnaldo plantar batatas...
... e ele, como é um marido como deve ser, foi até ao quintal e fez a vontade à sua mulherzinha.
Já não me lembro há quanto tempo foi, mas no nosso quintal do tamanho de um lençol queen size ele plantou um batatal assim do tamanho de um toalhão de banho; já foi há não sei quanto tempo, mas aqui há uns dias lá foi ele tratar da nossa reforma agrária, e o resultado foi este:

Pra que não haja confusões, esclareço que a colher que se encontra na foto é das de café, só pra dar uma ideia do tamanho das batatas. Ou seja, vou ter que fazer qualquer coisa com batatas a murro, porque descascar estas miniaturas é coisa pra levar uma tarde inteira e eu tenho mais que fazer.
Tábem, Arnaldo, não são todas deste tamanho, é verdade; estas foram escolhidas a dedo (ou talvez devesse dizer “à lupa”...); as outras são de um tamanho decente e normal, próprias para qualquer prato desses do trivial.
Agora estas são especiais, (devem ser sementes que vieram de Lilliput...) e por isso, além de me irem pelo estreito abaixo um destes dias, merecem ficar pra sempre imortalizadas com uma redacção e um lugarzinho na blogosfera. São também o meu tributo ao Arnaldo-Hortelão que acompanha os meus dias e trata do meu quintal do tamanho de um lençol queen size.
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (7)
maio 23, 2005
A ver se amanhã...
Cumpro outra promessa e conto à mana Idalete como é que foi em Beja.
Desculpa lá, mana, mas tou muito desconcentrada por mor do orçamento cá de casa. Pedi ao Arnaldo que me comprasse umas caixas de aspirinas e xarope prà tosse, e ele gastou o dinheiro e não me sabe dizer em quê.
Anda-me sempre a dizer que tenho que passar a ir à praça a pé (pois! não é ele que vem ajoujado com a cesta e mais os sacos), que ele precisa do carro pra ir levar uma carta ao correio. E que eu gasto muita gasolina, e o orçamento não chega pra tudo.
Isto dava uma grande história, mas eu tou por aqui com orçamentos, e acho que um destes dias dou em eremita que assim já não tinha que me preocupar com essas tretas.
E disse.
Publicado por vitriolica às 11:59 PM | Comentários (1)
março 30, 2005
Parabéns a você!
Meu querido Arnaldo do meu coração, para ti neste dia muitas beijocas!
Há quase trinta anos que a gente se conheceu, e vamos lá ver se a coisa dura, no mínimo, outros tantos.
Hoje só quero desejar-te que os próximos trezentos e sessenta e cinco dias venham tranquilos, e já agora com tudo o que a gente precisa: a saúde do costume, e a sorte de não termos azares.
Obrigada por teres a paciência de me aturar este tempo todo; eu e tu sabemos que nem sempre é fácil, e vice-versa.
Vamos então ver se continuamos a envelhecer juntos, vendo crescer a nossa Cèlinha que qualquer dia há-de bater as asas para construir o seu próprio ninho. A gente há-de ficar os dois aqui no nosso cantinho – cuidando do quintal e um do outro, nos dias de sol e nos dias de chuva, e com a companhia dos nossos bichanos.
Por mais este aniversário recebe um xi-coração e um abraço da tua
Vi
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (5)
março 06, 2005
Bombas e estrelas
A bomba foi aquele anúncio de ontem, do Senhor Ministro das Coisas Lá de Fora, que parece que apanhou muita gente de surpresa, e caiu-me em cheio no prato da sopa de puré de feijão com massinha de pevide, que até me ia engasgando; convenci-me que aquilo devia ser feijão transgénico cruzado com algum animal, e então tinha osso e tudo – senão como é que eu me ia engasgar, não era? Mas afinal foi só por causa do tamanho da surpresa.
Até me refiz depressa daquela surpresa, mas deve haver praí muita gente que tinha mesmo osso na sopa, ou no bife, ou na postinha de peixe, e há-de ficar engasgada durante muito tempo.
Acontece que hoje a minha política é outra, é que a família foi mais promovida do que se tivéssemos todos sido feitos ministros.
Melhor, muito melhor, porque ganhámos todos uma estrela, uma estrelinha verdadeira, que veio por aí abaixo a brilhar para iluminar as nossas vidas. Estamos todos de parabéns, muito felizes e alegres com a chegada da nossa Libelinha.
E perguntam vocês: “Quem é a Libelinha?”; e respondo eu: “Pois a Libelinha é a minha primeira sobrinha-neta, que nasceu ontem, sábado, mesmo à hora do almoço. E pelas fotografias, assim à primeira vista é parecida com o pai.”
É verdade, aqui a boa e velha Vi foi promovida a tia-avó, vejam lá que coisa boa! E a família toda está que nem pode com tanta alegria. Andámos nove meses a vigiar e a acarinhar aquela barriga, e a sonhar com aquela menina, e agora aí está ela! Eu ainda não fui visitá-la porque moro um bocadinho longe (aí uns trezentos quilómetros), mas o babadão do pai, o meu querido Natalino Maurício, não se esqueceu da sua velha tia e mandou-me um SMS logo que ela deu o primeiro choro, e agora ao serão mandou-me um ror de fotografias que ele tirou com o seu telemóvel desses do útimo grito da moda. Aposto que com tanta fotografia gastou um bocado da lente da câmara do telemóvel e tudo!
Agora temos uma família inteira toda babada: pais, avós, tios, tios-avós, e até a minha Mãe, a Dona Máxima, que é uma bisavó novinha em folha com os seus oitenta e quatro anos. Mais informo, a quem possa estar interessado, que foi parto normal, e que mãe e filha se encontram de boa e perfeita saúde.
O Natalino Maurício teve o privilégio e a felicidade de ver nascer a sua menina, e de certeza vai ter muitos momentos de felicidade a vê-la crescer, pois ele e a Cristalina – mãe da Libelinha – são gente boa, que vai saber amar e acarinhar aquela menina, aquela estrelinha que veio iluminar as nossas vidas; e vão saber também educá-la, que isso é que é coisa mais rara hoje em dia, mas que é muito, muito importante, pra não crescer como os bichinhos do campo – ignorante e sem maneiras nem respeito pelas regras do convívio e pelas pessoas.
Portanto, parabéns aos pais felizes e babados, e parabéns à Libelinha por ter a sorte de ter nascido no coração daquele casal, e parabéns pra todos nós: tios, primos, tios-avós, avós e bisavó.
Mais não digo, que hoje as nossas almas cantam mais alto e mais forte que o costume – não é Cocó? E o Cocó tá muito apreensivo porque não sabe bem qual é o grau de parentesco dele com a “chavalita”, como ele diz. Eu já lhe disse que ela vai tratá-lo por “tio”, que é como as criancinhas daquelas famílias assim “bem” tratam os amigos da família. E ele começou logo a sentir-se assim como se fosse uma pessoa importante, que até tem uma sobrinha e tudo. Pior estou eu: ter uma sobrinha-neta faz-me sentir mais velhota, quer dizer que já tenho idade para ser avó. Mas assim cumássim,, isso da idade é mais um estado de espírito, e estou a sentir-me da idade da Libelinha, como se tivesse acabado de nascer e tivesse um mndo novo e inteirinho à minha espera, para brincar e viver.
E disse.
Publicado por vitriolica às 02:16 AM | Comentários (6)
dezembro 30, 2004
Parabéns à Idalete
Assim meio a correr, querida mana, que o tempo é curto, a vontade de escrever foi passar o revelhão pra longe e tou mesmo de abalada prò buraco no fim do mundo.
Fica só um grande beijo, e que dupliques (pelo menos) o número.
E bjinhos, inté.
E disse.
Publicado por vitriolica às 04:49 PM
outubro 24, 2004
P. S. à redacção anterior
Fica aqui prometido, sobrinho, e não sei como não pensei nisso antes: vou pegar no exemplo do Senhor Ministro da Saúde, e já que o presente vai fora de tempo vou-te mandar um cheque-brinde.
Diz-me só se queres de operação ao apêndice, partir as pedras nos rins ou desencravar alguma unha mais rebelde. Eu cá gosto de coisas modernas, e acho encantadora esta ideia de cheques-brinde-prà-saúde; sobretudo agora que se aproxima a "chaga" da época antes do Natal em que somos zurzidos pela publicidade com sininhos e pais-natal. Os cheques-oferta das FNACs já estão muito vistos, muito batidos, e eu sempre gostei de dar prendas diferentes. Fica então descansado, que o chequezinho segue dentro de momentos.
E disse.
Publicado por vitriolica às 10:03 PM
Parabéns, Natalino Maurício
Pensavas que aqui a velha tia se ia esquecer de te dar aqui uma e-beijoca de parabéns?
É verdade que de há uns tempos a esta parte parei de dar sempre parabéns como foi costume durante mais de dez meses. Sabes que no verão tive aquela crise de inspiração no Cocó, e foi nessa altura que comecei a falhar os parabéns. A primeira até foi a Cèlinha, a minha rica menina, mas ela até preferiu assim, o que me calhou bem. E depois disso fui “saltando” mais alguns. Depois de trocar umas ideias com o Cocó e meditar muito sobre o assunto, resolvi que passo a dar os parabéns só àqueles que eu sei que gostam de vir cá lê-los, que apreciam esta forma diferente que esta tia meia velhota e meia tonta tem de fazer as coisas; e sei que tu és dos que dão cá um saltinho de vez em quando, mais a Tia ‘dalete, a prima Mariza e o tio Plácido. O resto da família não viaja muito por estes lados, que é quase tudo gente pouco dada a passeios na internet.
Voltemos então ao dia de festa, e logo à noite cá cantarão as nossas almas e se calhar ainda passa por cá o tio Plácido que ele andou por estas bandas e pernoitou por cá ainda umas noites. Foi pregar a outra freguesia, mas deve vir hoje antes de abalar de vez prò Sul.
Se ele ainda jantar por cá sempre é mais um para cantar Parabéns cá de longe, e fazer um brinde e beber um cálice à tua saúde e, já agora, à tua felicidade que é uma coisa que a gente também te deseja porque tu és um bom rapaz e bem mereces uma vida boa.
Os meus visitantes não sabem, mas eu explico: o Natalino Maurício é muito bom rapaz, muito amigo da família, educado e respeitador, e também muito trabalhador. Logo, só podemos desejar que a vida lhe corra muito bem. É daquelas pessoas que a gente gosta que sejam da nossa família, que não encontramos muitas vezes mas em cada uma é mesmo um prazer estar com ele, e não um pró-forma só porque é parente.
E depois há a Cristalina, que é uma moçoila muito jeitosa que ele desencantou há uns anos, também ela uma jóia de rapariga. Um bocadinho tímida, mas muito boa gente, amiga, simpática, trabalhadora, bonita e com um sorriso lindo. Não tem laços de sangue, mas não é menos da família por isso.
Por estas coisas todas é que os meus votos (e os de todos cá em casa) são mesmo sinceros, cá do fundo dos nossos corações, e agora andamos todos a torcer para que aquela encomenda de que vocês estão à espera chegue no momento próprio e em boas (muito boas, espero) condições. O que é preciso é manter a esperança e ter alguns cuidados. E depois, se correr tudo como a gente quer, havemos de comemorar, pois claro! Há lá coisa melhor do que comemorar coisas boas com pessoas de quem a gente gosta?
Hoje é que é só comemoração de aniversário, nem me lembro já há quantos anos foi mas por pouco não te via nascer, e fui eu mais o tio Hipólito que fomos avisar o teu pai, que tinha estado a trabalhar até de madrugada. Era por isso que a tua mãe estava a passar a noite em casa dos avós, comigo, no nosso quarto de meninas solteiras, e eu estive com ela naquela noite, e ainda lhe ouvi os desabafos das primeiras dores, mas não conto aqui essa parte...
Pronto, Natalino, comemora bem mais este aniversário (não trabalhes muito hoje, ouviste?), que eu, mais o tio Arnaldo, a prima Cèlinha e talvez o tio Plácido vamos brindar com o nosso cálice de Porto do costume – Cocó, só tens direito a um golinho, e não vou explicar outra vez porquê... E se estiver bem disposta talvez faça uma sobremesa pra ser uma comemoração a sério.
Um xi-coração apertado pra ti, e uma beijoca à Cristalina, e sobre o resto falamos depois, inté.
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (2)
outubro 09, 2004
Parabéns, Mariza Marlene
Está quase a acabar o dia, mas não quero deixar de dar os parabéns à minha sobrinha Mariza Marlene: uma pessoa bonita, uma alma sensível, um coração bom. Capaz de ser alegre e dar a sua bela gargalhada, mas muito amiga de ajudar quem precisa. Sempre educada e amável, sempre querida e atenciosa.
(Também, sendo filha de quem é, não admira: a minha mana Idalete e o meu cunhado Laurentino são pessoas especiais, daquelas que ajudam a tornar o mundo melhor.)
Para ti, querida M&M, uma grande beijoca desta velha tia, e uma florzinha especial do meu quintal – só pra ti, com muito carinho. Que o futuro te traga tudo aquilo que mereces.
E disse.
Publicado por vitriolica às 11:56 PM | Comentários (1)
junho 30, 2004
Dedicada à Cèlinha
Esta entrada é toda dedicada à minha menina, a minha Cèlinha. Foi ela a “decoradora” destas novas instalações, que é como quem diz, ela aconselhou-me as cores para pintar as paredes das novas instalações.
Eu nunca contei, acho eu, mas a Cèlinha é uma artista, e não estou a dizer isto por ela ser minha filha: é que ela desenha e pinta muito bem, e sabe muito dessas coisas de cores, e combinações, e tudo o que é do Visual; não dessa coisa de as pessoas estarem à moda e isso – embora também saiba disso -, mas das artes visuais. Além de desenhar e pintar como uma artista, sabe muito sobre arte, e estilos, e pintores e todas essas coisas que as pessoas cultas sabem. Interessa-se por esses assuntos, e lê tudo o que encontra para saber sempre mais.
E já agora sempre digo que é uma boa filha e uma boa estudante. É certo que está numa idade difícil – para ela e para mim e o Arnaldo. Para ela, porque toda a gente sabe que crescer é difícil e a adolescência é um tempo complicado, em que já não se é criança mas ainda não se é adulto; para nós porque às vezes não sabemos bem como lidar com isso, se ela hoje é mais menina ou mais crescida, se está mais para “Doraemon” ou “People and Arts”.
Cá vamos fazendo o que podemos para vivermos bem uns com os outros, tentando todos os dias construir pontes para nos mantermos ligados. De vez em quando há uma ponte que fica assim meia desmoronada por causa de uma ventania que passou, e lá voltamos ao princípio e começamos a construir outra ponte. E há aqueles dias em que um está cansado e o outro não está bem e as pontes abanam todas e parece que caiu ali um pedaço do tabuleiro da ponte e quase não conseguimos chegar uns aos outros. É preciso fazer mais um esforço, mas todos nos gostamos e estimamos e respeitamos e ajudamo-nos uns aos outros como podemos.
Voltando à Cèlinha, até teve um final de ano lectivo complicado, uma jovem que perde a melhor amiga que foi atropelada por causa de falta de segurança numa obra junto à estrada – foi o que aconteceu à Cèlinha. Imaginam o desgosto, a tristeza que é?
E continuou a passar todos os dias naquele lugar maldito, à ida e à vinda da escola, sem a amiga e a ter que recordar aqueles dias tão maus entre o atropelamento e o fim, e a pensar que nunca mais vai ver a amiga – tão jovem e cheia de vida que ela era. E digam-me lá o que podem fazer uns pais que queriam tirar-lhe aquele sofrimento do coração e não podem?
A Cèlinha também foi uma pequena heroína, porque conseguiu continuar a aplicar-se e a estudar, e a levantar as notas, mesmo quando eu andava um bocadinho cansada das minhas arrumações e não lhe dava muita atenção.
Hoje dedico esta entrada à Cèlinha. Agradeço-lhe a companhia e a amizade que me tem dado – apesar de às vezes eu não ser a mãe de que ela precisava ou que gostaria de ter. Às vezes as coisa não correm muito bem entre nós: as idades e as ideias são muito diferentes. Mas é preciso é não deixar cair as pontes, reconstruí-las todos os dias.
“Quando a gente gosta é claro que a gente cuida” (“Sozinho”, canção de Peninha – cantor brasileiro)
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:13 AM | Comentários (2)
junho 27, 2004
Parabéns, Vitriólica Maria
Quase me esquecia, com uma semana tão movimentada: ele é futebol, mais arrumações na casa, desarrumações na política... a cabeça de uma pobre dona de casa custa a "driblar" estes assuntos todos, e assim quase me esquecia de um assunto importante; sorte que o mano Plácido me deu um toque!
Pois hoje faz anos a Senhora Engenheira Vitriólica Maria - minha sobrinha porque é a filha "do meio" da mana Lizandra, a tal que é casada com o Constantino Alcides. Primeiro eles tiveram o Natalino Maurício, depois a Vi Maria, e depois o Constantino Marcelo. É claro que os mais observadores já perceberam que esta sobrinha - que é engenheira de uma coisa que eu não sei explicar, mas é assim do tipo "Águas Quentes e Frias" ou coisa parecida - tem o mesmo nome que eu, só que eu não sou Maria. Mas a verdade é que me senti muito honrada quando a Lizandra e o Constantino resolveram baptizar a "sua menina" com o meu nome.
É uma bela rapariga, a Vitriólica Maria, com um cabelo loiro, e uns olhos claros muito lindos nunca me lembro se verdes ou azuis; acho que são verdes, mas sei que é uma cor clara e bonita como aquelas praias distantes que a gente vê na televisão, uns olhos transparentes por cima de um sorriso bonito. E ao que parece, uma engenheira competente; elas trabalha com o pai, e sei que o Constantino respeita muito o trabalho da filha. Sendo ele um daqueles homens à antiga, não é de dar muita cúnfia a um filho, ainda mais se for mulher; é muito bom rapaz, mas tem assim algumas ideias um bocado do século passado - o que não admira num homem que já passou dos sessenta. Por isso, se ele admira e respeita o trabalho dela, não tenham dúvidas: ela é mesmo boa profissional.
A mim, claro, interessa-me mais saber que é boa rapariga, e amiga dos pais e dos manos, e também do resto da família.
Olha, Vi, já sabes, não podemos comemorar contigo n'A Garagem, mas já tenho uma bela perna de borrego para assar no forno com batatinhas, e a garrafa de Porto para bebermos um cálice à tua saúde logo à noite, e que contes muitos e a gente que vá comemorando, uns perto e outros longe, mas todos sempre a desejar o melhor para ti, a felicidade e a sorte que mereces.
Beijos da tia, do tio Arnaldo, da Cèlinha, e claro que o Cocó está aqui ao lado quase a berrar-me ao ouvido: .Não te esqueças da minha bicadinha meiguinha!!!!..
E agora vou-me deitar, que o meu mal é sono.
E disse.
Publicado por vitriolica às 02:37 AM | Comentários (3)
junho 05, 2004
E viva o mano mais novo
Que é como quem diz o Plácido, que faz hoje quarenta e quatro anos . é o mais chavalito dos cinco.
Plácido, maninho, aqui de longe vai um abraço, mais uma beijoca repenicada, e mais umas palmadas nas costas que isso é mais coisa de homens mas tu sabes que eu não ligo muito a esse tipo de divisões do .isto é de homem, isto é de senhora.; logo eu, olha que menina!
Pois fiquem sabendo, senhores leitores e visitantes, que hoje é dia de festa e como de costume, cá em casa cantam estas quatro almas . sendo que o único que canta afinado é o Cocó, que o resto nem por isso, sobretudo o Arnaldo que é a desafinação em pessoa; tem um ouvido fino para motores de automóveis e de motas e coisas dessas, mas no que toca a música e cantigas é mais tipo .porta., não tem ouvido nenhum. E vamos cantar .Parabéns a você. e beber um copo à saúde, que o Plácido merece.
E já que sempre fiz assim uma espécie de apresentação da personagem, cá vai:
O Plácido é o mais novo dos cinco manos, sendo eu a penúltima; ele nasceu quando eu estava para entrar para a primária. Já foi casado duas vezes, tem uma menina que é a Quitèrinha, mais nova que a minha Cèlinha . é a mais nova de todos os netos da nossa .velhota., a dona Máxima.
Agora vive só na companhia dele mesmo, mas tem a sorte de passar muito tempo com a sua menina, porque um casal inteligente, mesmo separado, sabe partilhar a companhia dos filhos sem chantagens nem parvoíces. E ele tem muitos amigos . não é um bicho do mato como eu. De vez em quando vem cá jantar e é sempre uma festa estarmos juntos mesmo que a comida seja o trivial, porque o que interessa é podermos estar um com o outro e falarmos das nossas coisas e das nossas vidas.
O Plácido é muito meu amigo, que é quem me ajuda nestas coisas de ter o blog e também me vai ensinar quando eu começar com o moblog . que estou mesmo deserta pra começar, só estou à espera que .abra a loja.. E também me faz muita companhia à noite, que o Arnaldo e a Cèlinha deitam-se mais cedo e eu tou aqui a ver um filme ou a ler um livro ou assim e vejo o bonequinho dele no messenger e mesmo quando a gente não conversa muito porque ele está ocupado, é como se o bonequinho dissesse: .Estou aqui, quase ao pé de ti.. É engraçado como é que um bonequinho no ecrã representa uma pessoa que está longe, mas faz tanta companhia. Às vezes está ele, mais a Idalete, mais a Mariza Marlene e a gente nem precisa de .falar. para se sentir acompanhado. Outras vezes .falamos. pelos cotovelos, e cada um diz a sua maluquice, e divertimo-nos como miúdos de doze anos.
E voltando ao Plácido: ele trabalha muito mas tem muitos clientes de borla, porque é uma daquelas pessoas que não tem muito jeito para cobrar, e como ele não cobra as pessoas nem dão conta de quanto ele trabalha. A maior parte dos .clientes. vai à boleia sem pagar bilhete, mas ele trabalha por gosto e gosta de ver os outros a aproveitar o trabalho que ele faz. O problema é que muita gente não percebe . ou não quer perceber . que todo o trabalho tem direito a um pagamento, mesmo que seja pequenino. O Plácido não obriga ninguém a pagar, de maneira que toda a gente quer é borlas e não querem saber se ele tem dinheiro para viver e para criar a filha. E isso é que é pena, mas sobre esse assunto não posso dizer mais senão ele ainda se zanga comigo e isso é que eu não quero, porque preciso da amizade dele que é das poucas que tenho.
E para acabar, Plácido, que me estás sempre a dizer que escrevo redacções muito compridas (é um problema que eu tenho, que só sei falar e escrever pelos cotovelos mas acho que é por causa da minha solidão que por sua vez é por causa de eu ser bicho do mato), para acabar:
Já que estás a entrar numa capicua, que ela te traga a sorte que bem mereces, e que de hoje a um ano possamos festejar juntos, quem sabe no tal .Cantinho. com o Hipólito & Companhia. Que os próximos 365 dias venham recheados de muitas coisas boas, que a Dona Sorte olhe muitas vezes para o teu lado, e sempre a sorrir.
E beijinhos do Arnaldo e da Cèlinha, e bicadinhas do Cocó, e mais um abraço da mana.
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:01 AM | Comentários (7)
Parabéns, Plácido
Não é muito habitual oferecer flores a homens, mas nem eu nem o Plácido ligamos a essas coisas.
Esta é do meu herbário pessoal, para o meu mano Plácido - com amor e carinho.

E disse.
Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (2)
maio 13, 2004
O Primeiro Cunhado é casado com a Segunda Mana
Que é como quem diz: o meu cunhado mais velho não é casado com a minha irmã mais velha, mas com a outra que vem a seguir, que tem só menos um ano. E também a Segunda Mana casou um ano antes da Primeira Mana. Mas isso não quer dizer nada, porque somos todos uma data de chavalos; a única diferença dos miúdos da escola é que temos mais anos de experiência (ah, e não damos dois erros de ortografia em cada três palavras e sabemos mais palavrões que eles mas também sabemos onde e quando não fica muito mal usar um de vez em quando).
Posto isto assim a modos de apresentação, eu quero mesmo é mandar daqui do meu blog (e digam lá o que disserem é meu, é só meu como o gelado da outra, e daqui não saio daqui ninguém me tira como na cantiga)
(e deixa-me recomeçar a frase, que isto de andar a escrever pouco a gente perde o treino e é como descascar batatas: leva um bocadinho a ajeitar a mão. Dizia eu então: )
quero, pois, neste dia auspicioso e dedicado a um querido parente e amigo (oh, valha-me Santa Tecla, isto a gente perde mesmo a mão, devo ter ouvido discursos de políticos a mais! .ou será de dirigentes desportivos?), enviar-lhe desde esta minha humilde e modesta tribuna . dádiva da democracia e da tecnologia moderna (das TIC, como lhes chamam os governantes), um caloroso abraço de felicitações e sinceros votos de que este dia não seja apenas mais um, mas o início de um ano cheio de alegria, prosperidade e saúde. (agora parece discurso de Presidente da Junta de Corta-Relvas de Baixo!) Ergo, pois, a minha taça (desculpe a malta dos protocóis e etiquetas, que agora é assim mais em francês: ), digo, a minha flûte, num brinde emocionado e amistoso pela passagem de mais um aniversário natalício.
Resumindo, concluindo e baralhando: o Cocó tá ali a gozar comigo, a rir que nem um perdido, e diz que esta linguagem é do século antes do século passado. Mas não quero saber. Ele não conhece o meu cunhado Laurentino, casado com a mana Idalete e pai da Mariza Marlene. Ele é um homem assim todo distinto, trabalha num escritório duns advogados e até sabe muito de leis só de ouvir aqueles doutores todos lá a discutir aqueles processos e julgamentos e essas coisas todas. Por isso merece uma linguagem que não é como as outras pessoas assim com palavras de todos os dias, tão a perceber? E tu, Cocó, pára com a galhofa senão nem provas o restinho das migas do jantar de ontem!
E o meu cunhado é muito bom rapaz não desfazendo no outro cunhado, que isto é uma família só de gente boa e decente, graças a Deus e à educação que também ajuda, porque o Senhor não pode fazer tudo embora haja pais modernos que pensam que sim, e só pode ser por isso que não dão educação aos filhos a pensar que isso é trabalho para o Altíssimo, que coitado não dá vazão a acabar com as guerras e ensinar aos soldados que torturar pessoas não é bonito; e com tanto que fazer onde é que Ele arranja tempo para dar educação a tanta criança que nasce, não é?
Ai que falta que me faz não ter blogado estes dias, que parece que não consigo encaixar as ideias nas palavras, logo eu que tirava sempre .Muito Bons. nas redacções da Escola . mas quem ganhou um prémio no jornal da terra foi a Idalete, que ainda hoje escreve muito bem e também tem um blog, mas eu não digo qual é senão ainda perco a audiência e vai tudo a correr para o blog dela que escreve muito melhor que eu, a minha sorte é que eu acho que ainda é mais tímida. Somos os bichinhos do mato da família, mas deixa lá, antes isso que sermos umas malucas descaradonas e sem maneiras como tantas que há por aí.
E desculpe lá cunhado, mas a inspiração deve ter ido de peregrinação à Senhora da Fátima que a mim hoje não me toca nada e o Cocó não está a ajudar nem um bocadinho, se continuas assim um destes dias promovo-te a cabidela que já tenho saudades, e vais ver o que é bom prà tosse!
Portanto, já sabe: logo à noite o telefonema da praxe, com muita pena de não poder estar aí para saborear o manjar dessa deusa que tem na cozinha que dá pelo nome de Idalete que tem umas mãos de fada e eu acho que vocês têm muita sorte um com o outro e com a Mariza, e só desejo que vocês continuem assim juntos e amiguinhos e que a gente por aqui não fique muito diferentes.
E depois do telefonema cá em casa também brindamos, não sei se ainda há champanhe mas também apreciamos Vinho do Porto e eu lembro-me que há ali uma garrafa que sobrou do último bolo inglês que foi quando a gente foi a uma festa que fazem no prédio ali em baixo e convidam-nos sempre porque há lá uma moça que é amiga da Célinha mas cada um tem que levar um prato doce e um salgado e eles dão as bebidas, que o sogro do senhor dos condóminos trabalha numa empresa de distribuição e compra com desconto.
E não sei porque é que escrevi uma redacção deste tamanho, quando bastava dizer:
Parabéns, Laurentino, do fundo dos nossos corações; e que conte muitos e a gente que veja! E já agora não custa nada pedir à Senhora da Fátima (eu não sei se também faz anos, mas pelo menos tem festa no mesmo dia), pedir à Senhora da Fátima tudo o que o cunhado precisa (e o resto do mundo também): um pedaço bom de saúde, paz quanta baste, e um nadinha de sorte.
E disse.
Publicado por vitriolica às 02:43 AM | Comentários (2)
outubro 24, 2003
As nossas almas estão quase roucas
Pois é, com tanto cantar este mês! Ele foi Parabéns à Mariza Marlene mais ao Alípio no mesmo dia, depois ao Constantino Marcelo.
Hoje é a vez do Natalino Maurício, que é o filho mais velho da minha irmã mais velha, mas acontece que não é ele o meu sobrinho mais velho!
Parabéns, Natalino, e que contes muitos! Cá a tia, mais o tio Arnaldo mais a Cèlinha vamos beber um cálice de Porto à tua; o Cocó ainda está em dúvida, porque da última vez que ele brindou, fui dar com ele de cabecinha a dar a dar e a cantar .I.m like a bird..... Ainda ando a pensar se o deixo fazer o brinde com o resto da família, mas cá os tios mais a prima, fica descansado que vamos brindar à tua!
Estava eu então a explicar que, sendo filho mais velho da minha irmã mais velho tu não és o meu sobrinho mais velho, és só o segundo mais velho; quem tem essa honra é a Mariza Marlene, também conhecida como M&M, porque a minha irmã Idalete, sendo a segunda mais velha, casou com o tio Laurentino antes da Primeira Mana, a tua mãe (Lizandra) ter casado com o teu pai, o meu querido cunhado Constantino Alcides.
A Lizandra já está reformada mas não parece, pois passa a vida a lavar, a cozinhar, a passar a ferro, a limpar e arrumar, enfim, agora é só doméstica como eu.
Tenho pena de não estarmos juntos numa grande jantarada, mas é o que dá morar longe, e sabes que o carro do tio Arnaldo tá outra vez com aquele problema do carburador e agora não dá muito jeito arranjar que ainda falta uma semana para o fim do mês e sabes como é: os ordenados da maior parte dos Portugueses foram estudados para vinte dias, mas o S. Pedro não sabia e fez os meses com trinta. Ou então foram os Romanos mas vem a dar no mesmo, porque os Romanos fizeram o calendário há muitos anos antes de ser inventada uma coisa chamada contenção salarial, e eles não podiam adivinhar que o mês de ordenado dos Portugueses só ia ter vinte dias.
Ainda bem que a gente comprou a garrafa de Porto no princípio do mês. Temos mesmo à justa para beber um calicezinho logo à noite. Graças a Deus não há mais ninguém da família a fazer anos este mês, senão tínhamos que brindar com gasosa e fingíamos que era champagne como escrevem os franceses (que eu sei que foram uns frades franceses que inventaram o champagne, e deviam ser danados pròs copos para inventarem uma coisa tão boa). Eu sei que é bom porque uma vez bebi um champagne de uma senhora francesa que era viúva de não sei quem mas tinha aquele champagne muito bom que parecia que nem era bebida, era só assim uma espuma muito levezinha .parecia levezinha, mas dava assim a volta à minha cabeça e eu ficava tonta e tinha que me segurar no braço do tio Arnaldo, o que vale é que ele é alto e forte.
E pronto, pessoal, desculpem lá trazer outra vez assuntos pessoais à baila, mas família é família e quando estão longe a gente tem que se lembrar mais deles porque não os vê tantas vezes como gostava e assim sempre se mata um bocadinho as saudades.
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:05 AM | Comentários (3)
outubro 13, 2003
Mais Parabéns...
Ao Constantino Marcelo por 15 anos a crescer . e como cresceu, este rapaz! Faz (pelo menos) dois de mim, e é um .chavalo fixe.. É o filho mais novo da Lizandra, a minha irmã mais velha, também conhecida como Primeira Mana.
Também para ele cantam as nossas almas, que isto de cantar faz bem ao espírito e dá ginástica aos músculos da cara . o que é bom para mim e mau para as rugas!
Lá vou ter de brindar outra vez, que Outubro é o mês mais concorrido nos aniversários da Família. Ainda falta um!
Fazer anos é bom quando somos jovens, mas a partir dos 35 deixei de achar graça porque cada ano é mais um passo para a velhice. A velhice não tem nada de mal, antes pelo contrário.
Cada ano está recheado de 365 (ou 366) dias de experiência, ficamos cada dia um bocadinho mais sábios, compreendemos um bocadinho melhor as coisas porque temos mais hipótese de fazer comparações. Os velhos já viram muito, sofreram muito, aprenderam muito. A D Máxima, a senhora minha mãe, costuma dizer que .O Diabo sabe muito não é por ser diabo, é por ser velho.; e ela sabe de velhice, porque já vai nos oitenta e dois.
O problema é a ferrugem nas dobradiças, como quem diz, o reumático, e os olhos que já não vêm bem as coisas . sobretudo as letras, e as etiquetas do preço no supermercado. Eu acho que é um bocado maldade as pessoas terem tantos problemas com o corpo quando ficam velhas, e não podem descansar sossegadas depois de muitos anos de trabalho (e não vou falar do tamanho das reformas). E muitos velhotes ficam esquecidos e depois não sabem a quantas andam, confundem o filho com o neto, e quem és tu e quantos anos tens e já foste à tropa?
E afinal hoje é dia de festa e tristezas não pagam dívidas; quero é que o Constantino conte muitos e a gente todos a ver e a brindar à saúde. E muitos parabéns também para a Lizandra e o Constantino Pai que têm três filhos que são três espectáculos.
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:01 AM | Comentários (2)
outubro 11, 2003
Foi bonita a festa, pá!
E obrigada ao Hipólito que foi ele que pagou o jantar que o Alípio ainda não deve ganhar muito que trabalha há pouco tempo. Não tenho a certeza, mas também não gosto de estar sempre a fazer perguntas sobre a vida das pessoas, que eu sou curiosa mas não sou nenhuma metediça.
E lá fomos todos à Petisqueira do bairro, ao pé do trabalho antigo do Hipólito que ele agora mudou de firma.
As moelinhas estavam boas, com picante q.b., quer dizer que para o Arnaldo era pouco porque ele em casa põe picante em tudo menos na sopa. Alguns comeram pipis, mas eu não acho piada às patas e aos pescoços que é quase só osso e para roer ossos ficava mas era em casa.
E era cervejinhas, e vinho, e conversa e anedotas, e como o Alípio já é grandinho não havia bolo com velas mas a sobremesa foi Pudim Flã e Molotoff; eu e o Arnaldo pedimos um de cada e depois comemos a meias.
Era muita gente que era o Hipólito e mais os manos e famílias, e a minha cunhada Francelina e os manos dela com os filhos e a namorada do Alípio e mais a Rosalina - irmã do Alípio e o namorado dela que não me lembro o nome mas é muito simpático e conversa sempre um bocadinho com a minha Cèlinha. Eu até perdi o conto a tanta gente, acreditam? E ainda faltavam as manas Lizandra e Idalete com as famílias delas mais a minha mãe, porque moram longe e não dá para fazer trezentos quilómetros só para vir jantar por isso só puderam telefonar e mandar beijinhos.
É sempre muito bom quando as pessoas se juntam e podem conversar umas com as outras mas a vida não deixa fazer isso muitas vezes. As pessoas moram longe dos empregos e longe uma das outras e quando chegam a casa já não apetece sair outra vez e fazer uma data de quilómetros para estarem com os amigos.
É a vida moderna! Tem algumas coisas boas como a Internet que sem ela eu não conversava assim com a Idalete e o Plácido que a gente encontra-se no Messenger . aquele que tem dois bonequinhos que andam à roda . quase todos os dias. Mas tem coisas más, que as pessoas vivem longe dos empregos e longe dos amigos e saem de casa muito cedo e chegam muito tarde e mal têm tempo para falar com a família que vive na mesma casa, quanto mais com os que moram noutros sítios.
O pior da vida moderna é a globalização, mas isso fica para outro dia.
E disse.
Publicado por vitriolica às 12:01 AM | Comentários (4)
outubro 10, 2003
Venho da festa!
Estou um bocadinho .obnubilada. como diria a minha mana Idalete que até andou na faculdade e sabe muitas palavras caras.
Fomos todos aos anos do Alípio comer moelas e pipis, e cervejas menos eu que só gosto de uma pinguinha de vinho branco. Mesmo assim, junto com o Martini antes do jantar, estou assim um bocadinho tonta e não escrevo mais nada hoje para não sair nenhum disparate. A verdade é que não estou habituada a beber, e mesmo uma bebida pequenina já me deixa um bocadinho tonta. Vou pôr a cobertura no Galo para não apanhar pó, e boa noite até amanhã.
E diiiiiisszzzzzzze!.....
Publicado por vitriolica às 12:38 AM | Comentários (1)
outubro 09, 2003
Hoje é dia de festa!
Hoje é dia de festa, canta a minha alma e a do Cocó, mais a do Arnaldo e da Cèlinha. Desculpem os meus visitantes mas agora são assuntos familiares: hoje fazem aninhos... a Mariza Marlene, a minha sobrinha mais velha que é filha da minha irmã Idalete (que é a segunda mais velha), mais o Alípio que é o filho mais novo do Hipólito - o meu terceiro irmão mais velho
A seguir venho eu e depois o Plácido, sendo que a Lizandra é a Primeira Mana, a que veio preparar o Mundo para os outros quatro.
E hoje, então, é dia de Parabéns e eu também tenho que usar este meu cargo que não é público mas está à vista do Público, e dar qualquer coisinha à família . que cada um dá o que pode e em público só posso dar .Parabéns a vocês nesta data querida., e a prendinha é com as minhas economias do OGD (Orçamento Geral Doméstico) do dinheiro que o Arnaldo me vai dando para as despesas.
Felizmente a massita vai chegando, que a arrecadação do meu Ministro das Finanças é sempre reduzida. O Contribuinte (patrão) diz sempre que o lucro foi pouco, que não pode pagar mais imposto, e o Arnaldo só pode renovar o equipamento doméstico e o parque de viaturas quando o Rei faz anos . o que é uma chatice num País Republicano. Ao menos se fosse quando o Príncipe faz anos dava mais, que o Senhor Dom Duarte tem um rancho de filhos.
A bicicleta da Cèlinha já está a ficar um bocado curta, ela anda a reclamar equipamento novo mas ainda agora foi uma data de massa para o Ministério da Educação que o material escolar custa os olhos da cara, e agora o dos transportes também quer; tenho que ver se descubro onde é que se faz leasing de bicicletas.
Ora hoje não é dia de tristezas, é dia de beber um cálice de Porto e brindar à saúde dos .bebés. e à nossa que estamos vivos, e que de hoje a um ano estejamos todos vivos e de saúde para brindar outra vez . que o que se leva desta vida são as coisas boas que a gente aproveita.
E disse.
Publicado por vitriolica às 01:17 AM | Comentários (4)