Uma cestinha cheia de Portugal ovitisoP

abril 23, 2007

Vinte e um por cento de I.V.A sobre a Liberdade

A Sôdona Ministra com apelido de livro da quarta classe celebrou hoje o Dia do Livro.
Eu também: entrei em duas livrarias duas, e se da primeira saí sem comprar nada, da segunda não trouxe livro nenhum.
Que eu cá compro livros quando me calha a mim, e não quando calha ao Dia!...

Mas voltando à vaca fria - que neste caso, e com todo o respeito, é a Sôdona Ministra da Cultura - foi Sua Excelência celebrar o prazer de não ler (como disse o sábio poeta Pessoa(s)...) à cadeia de Tires. E ela lá muito sentadinha assim com umas senhoras, e as reclusas nas mesinhas com um ar muito sossegado, e atrás da Sôdona Ministra e respectivas acolitantes, bem enfileiradinhos nas prateleiras - eles, os livros, muito quietinhos a ouvir com toda a atenção e respeito....
...e pasme-se, Senhores, que o que eu vi nas mãos das reclusas foram... fotocópias!!! Até os olhos me pularam nas órbitas e quase saltavam pra dentro do ecrã, que nem queriam acreditar no que viam - é que não é só de livros que se fala hoje, mas também dos direitos dos seus Autores, só que disso ninguém falou...

O melhor de tudo foi aquela beleza de liberdade poética de dizer naquele espaço fechado que "Ler é um exercício de liberdade". A sério. Achei um momento bonito, sem nada de clichês nem politicamente correctos, uma coisa assim cem por cento original se formos a olhar ao assunto e ao local. Eu diria mesmo, completamente imprevisível e inusitado (encontrei esta palavra no dicionário e acho-a bonita, prontos!).
Só foi pena não fazer assim uma coisa mais de concreto, do tipo decreto, maizoumenos pôr o IVA um bocadinho mais baixo. Se a Sôdona Ministra da Educação gastasse menos dinheiro a fazer publicidade prà gente "Ler Mais", poupava uma dinheirama e assim podia cobrar menos impostos nos livrinhos.

Porque não é por alguém me dizer "lê" que eu leio - tenho que poder comprar livros, não é?
E disse.

Publicado por vitriolica às 10:17 PM | Comentários (3) | TrackBack

março 19, 2007

Já pelo princípio do século passado se usava esta técnica de marquetingue...

Acabo de descobrir que, antes do ilustre Manuel Zinho houve gente ilustre a plagiar por antecipação esta brilhante táctica marqueteira.
Nada mais nada menos que um célebre pintor que, baptizado lá por mil oitocentos e bués com o bielorusso e estrambótico nome Moishe Segal, achou mais tarde, e muito bem, que era nome pouco mediático-apelativo no grande Império Russo; arranjou, pois, um nome mais sonante, digno de um império governado por um Czar; vai daí, virou Mark Zakharovich Shagalov - nome muito mais sonoro, logo, bem mais capaz de vender quadros e coisinhas assim.

Claro que uns anitos mais tarde, quando chegou a Paris, percebeu logo que Shagalov soava pálido ao lado de craques do pincel como Picasso, Matisse e outros que tais... A sua visão de longo alcanceu fê-lo perceber que os futuros Joe Berardos da vida nem hesitariam entre uma pintura assinada por um nome como Pablo Picasso ou Paul Matisse e uma pelintrice como Mark Shagalov. Num lampejo de génio (adoro esta expressão, e acho que fica aqui muito bem), percebeu que o futuro era a língua inglesa, e já que queria ser admirado por todos, o segredo era esse: ser o Mark de todos.
Assim nasceu Marc ChagALL, que só não usou as maiúsculas no fim por respeito pela ortografia, coisa que hoje em dia já não existe*.
* A ortografia ainda sobrevive, mas o respeito... foi-se.
E disse.

Publicado por vitriolica às 08:52 PM | Comentários (3) | TrackBack

março 17, 2007

A minha contribuição prà melhoria da economia do país (actualização)

Já que estamos numa de lambe-botismo (acabei de inventar o palavrão mas assenta que nem uma luva a muita personalidade), permitam-me a minha modesta contribuição pra ajudar a tornar conhecidos lá fora uma meia dúzia de portugueses desconhecidos mas que têm algum valor. Vale a pena estropiar o nome, quem sabe talvez passem a ser mais conhecidos vendidos lá fora.

Luís Vaz de Camões -> Louis Goes of Camones

Amália -> Amíliah

Eusébio da Silva Ferreira -> I Zíbiu of the Blackberry-bush Lady Blacksmith

Madredeus -> Mother of God

José Saramago -> Joseph Sir Amahgo

Lisboa -> Good Liz

Figo -> Fáigou

José Mourinho -> Joseph Little Moorish

Siza Vieira -> Tax Scallop

Fernando Pessoa -> Ferdinand Person

Benfica -> Good Stay

P.S. - Se quiser, pode deixar a sua contribuição; as finanças do País agradecem... pois samos todos pobrezinhos (até os milionários são pobrezinhos - quase nem pagam impostos...)


Actualização, graças à contribuição da sôdona Teacher (com um piqueno acrescento by Cèlinha )

Adalberto João Jardim -> ALL berth John Garden - President of Wood's Island

Paulo Portas -> Paul Doors (Emperrated - acrescento by moi)

Alice Vieira -> ALL ice Scallop*
* pra quem não sabe, é uma das escritoras portuguesas para jovens mais traduzidas - tendo chegado a ser nomeada para o Prémio Hans Christian Andersen (procurem no sáite da Editorial Caminho, que não dá pra pôr linque directo)

Publicado por vitriolica às 04:59 PM | Comentários (4) | TrackBack

março 16, 2007

Do nacional-lambebotismo...

... pimbalhismo, bacoquismo, parvoísmo, pelintrismo... e vão ao dicionário buscar os ismos mais ranhosos que cohecerem, que todos hádem ser poucos.
E porque já me treme o pêlo na venta - mais que a crista do Cocó, que acordou estremunhado da sua hibernação perante o tamanho da ministerial bacorada do Ministro Manuel Pimba Pinho.

Ferve-se-me a indignação no sangue, nesta altura do ano em que o Ministro Pimba exige de todos nós que espremamos salários de terceiro mundo pra pagar impostos de segundo mundo e recebermos em troca serviços públicos ao nível do melhor que existe em qualquer quarto mundo - tudo gerido e governado por gestores e ministros com salários de primeiro mundo.
Nesta mesma altura vem Sua Pimba Excelência anunciar que parte do meu IRS vai servir para pagar, entre outras coisas de primeiríssima necessidade, uma coisa chamada ALLGARVE. Até o D. Afonso Terceiro se revolve na tumba a esta hora, a pensar "Foi praisto que fui combater lá abaixo e mais os meus cavaleiros e arraia-miúda? Antes ter ficado a jogar à bisca lambida no paço!!! Pois atão estes totós não vêm que eu luitei pra fazer daquele território uma coisa nossa, portuguesa, e querem agora transformá-la uma coisa assim a modos de estrangeirada? Já agora sempre podiam alugá-la à minha prima Elisabeth da Britânia, ou ali ao Juã Carlos de Castela, ou até à minha parenta afastada lá da Holanda, acho que é uma tal de Beatriz. Assim, almenos, ainda o país lucrava alguma coisa - que um território deste tamanho sempre há-de merecer uma renda alta, aqui mesmo central na bordinha do Atlântico, um gaveto com duas frentes - serventia prò Atlântico e prò Mediterrânico."

Mal tá a acabar na RTP um concurso sobre os Grandes Portugueses (desculpem a falta de patriotismo mas não vi, que pramim Grande Português é o Zé Povinho que atura esta quantidade de governantes que acham que governar é "ter ideias" mesmo que sejam de jerico e marimbar-se nas pessoas que fazem este país trabalhando todos os dias apesar do desprezo e descaso que sofremos por parte dos iluminados que brincam aos governos enquanto lixam as massas)... enquanto acaba um programa sobre os Grandes Portugueses o que faz o genial Ministro das Finanças, ou da Economia, ou diabo que o valha? Pois acha que a salvação do país (quiçá do Mundo) é mudar para inglês o nome de uma parte do nosso território; não contente com isso – que chateia mas não dói muito, a não ser na alma de alguns de nós -, vai gastar SEIS MILHÕES DE EUROS SEIS na campanha de promoção da coisa, e mais TRÊS MILHÕES DE EUROS TRÊS em eventos relacionados com tal acontecimento.

No tempo em que o Professor Cavaco era só Primeiro-Ministro, um outro jerico teve a peregirna ideia de alterar o nome da vilória onde Sua Excelência nasceu, e que tinha o plebeu nome de Poço de Boliqueime (provavelmente, há umas centenas de anos) para o mais chique Fonte de Boliqueime. Lá deve ter achado que uma tão sábia iluminada criatura não podia ter vindo do fundo de um húmido e escuro poço, antes brotado duma alegre, cristalina e irrequieta fonte. Bacoquice pura e simples, que o nome das terras faz parte do nosso património, da História deste País e deste Povo, e não é pra andar assim a mudar ao sabor das vontades de cada um. Já viram o que era uma liga moralista querer que se alterasse o nome de uma terra que praí há chamada Picha? E não é pecado chamar Vila Nova da Rainha a uma terra bem velha que por aí há, onde nunca uma Rainha pôs os pés, e que se chegou a vila foi há poucos anos? Atão vamos exigir que se passe a chamar Terreola Velha dos Que Lá Moram...

Voltando à vaca fria, já dizia a minha avó que quem não tem que fazer faz colheres – e atão eu sugiro um curso de formação de fazedor de colheres prò Senhor Ministro, a ver se não pensa tanto em coisas que não levam a nada senão à gastação do nosso rico pobre dinheirinho, que era mais bem empregue a tapar buracos em estradas, reparar pontes (e ainda não desabou nenhum túnel, mas não estamos livres disso), manter escolas e hospitais abertos...

Mas não, como todo o bom pelintra, prefere gastar o dinheiro em coisas que acha que dão “estatus” em vez daquelas que dão conforto, saúde, qualidade de vida (só um poucachinho que fosse, a gente já ficava menos tristes e deprimidos...).

Pra benefício dos menos informados, a coisa resume-se em duas frases: sua excelência acha que se mudar o nome do Algarve para ALLGARVE vai conseguir atrair as duas dúzias de turistas endinheirados que ainda não conhecem/visitaram o Algarve, e que eles vão deixar por lá uma boa parte das suas fortunas e assim salvar as suas (dele) finanças.
Já pela década de ’60, andava o actual Primeiro Ministro de fraldas, os ingleses e os nórdicos (suecos, dinamarqueses...) podiam não saber pronunciar com todas as lllletras a palavra, mas sabiam o caminho prò aeroporto e chegar ao Algarve quando bem lhes apetecia. Daí pra diante, nunca foi sabido de nenhum turista que não tivesse chegado à Praia da Rocha ou a Albufeira por não saber pronunciar os respectivos nomes; vinham aviões de suecos e de alemães, e o que eles queriam era sol e mar quentinho, e trabalhar prò bronze, e comer sardinhadas e beber do tintol – aposto que metade deles nem sabia dizer o nome da terra onde tinha passado as férias, mas iam e vinham, gostavam e voltavam.

E pronto, esta redacção deve tar uma grande confusão mas desde as 8 da noite que a minha cabeça deu um nó com o tamanho da parvoíce – e saber que é a este homem que vou entregar uma parte do dinheirinho que tanto custou a ganhar ao meu Arnaldo, e a mim a tentar poupar algum... (o mesmo que foi dizer aos chineses que a gente era mal-pagos e não bufava, inda por cima). Inda bem que ele não é meu vizinho aqui no bairro, que se eu cá o apanhasse no café assim à hora da bica, havia de lhe dizer das boas, oh se havia!!! (pois tou mesmo agora a ouvir que há não sei quantos portugueses que não têm médico de família... com por exemplo eu, o meu Arnaldo e a nossa Cèlinha...).

Depois de ouvir tamanha enormidade, fui a correr ao dicionário e caiu-me o dedo em cima de uma palavra: sa-bu-ji-ce: acto ou atitude de sabujo; bajulação; servilismo; humilhação. Esta mania que alguns portugueses têm de lamber as botas aos mais poderosos pra ver se estes lhes dão umas migalhinhas, uma gorjetinha, é de uma pobreza de espírito de bradar aos céus. Cá dentro, com os menos poderosos que somos todos nós cidadãos, têm a arrogância do quero-posso-e-mando e tu tens que amochar e calar, lá fora só falta lamberem as botas a um ranhoso qualquer desde que tenha dinheiro.
Qualquer dia ainda tenho desgosto de ser portuguesa.
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:10 PM | Comentários (5) | TrackBack

Não quero contribuir para nove milhões de euros de pimbalhice, buááááá!

Maria Albertina como foste nessa
De chamar Vanessa à tua menina?

Publicado por vitriolica às 08:18 PM | Comentários (1) | TrackBack

setembro 02, 2006

República dos Berlindes

Pois é verdade, há praí muita República das Bananas, mas República dos Berlindes há só uma: esta nossa republicazinha da treta, com tantos anos de experiência e nenhum tino...

Anda praí um tal Mateus que virou caso, vejam lá... Verdade verdadinha que eu não pesco nada do assunto - que até nem gosto de bola! Bem pedi ao Arnaldo que me explicasse a coisa assim só em palavras de duas sílabas, e mesmo assim fiquei sem perceber lá grande coisa.

Há bocado no noticiário ficámos a saber que os Senhores Que Mandam na Federação resolveram a coisa da melhor maneira possível. (ufa, fiquei tão aliviada... até o jantar escorreu melhor p'la goela, e vou dormir muito mais descansada esta noite!!!)

Somos um país de génios, de crânios, de verdadeiras luminárias do saber! Só assim se compreende como, num instante, alguém tenha, de forma brilhante, resolvido o problema do tal Mateus, que eu não conheço o rapaz mas parece que a coisa era séria, até já se estava a internacionalizar (quiça, extraplanetar, com assembleias extraordinárias em Marte e Plutão - que pramim continua a ser planeta de Primeira Classe, digam os entendidos o que disserem).
E assim, de um momento prò outro - clic! - fez-se luz nalgum bestunto iluminado: faz-se uma lei e declara-se que esta coisa toda é do interesse público! Ora digam lá que não é genial!!! Vê-se logo que isto do futebol é que é!!! nada dessas ninharias de saúde, educação, direitos dos cidadãos, protecção do ambiente, qualidade de vida do povo em geral, o povo mais deprimido da Europa (porque será?), combate aos incêndios (assim desmatados, os terrenos inda levam mais uns campos de futebol, uns campos de golfe, uns empreendimentos imobiliários de luxo...)

Resumindo, concluindo e baralhando: em Portugal há um assunto verdadeiramente importante, capital, fundamental - a bola; tudo o resto é coisita sem importância, que se lixe.
O buraco do ozono, salvem as baleias, aquecimento global? bagatelas! Fecham maternidades, cada médico de família tem quinhentos mil portugueses, a gasolina aumenta dia-sim-dia-não? ninharias!!
Interesse público é outra coisa, é resolver assuntos de contratos de futebol assim, à homem, faz-se uma lei e tufa! mai-nada!
Ou não vivêssemos nós numa República dos Berlindes, cheia de pessoas pequeninas que confundem um berlinde com uma bola de futebol.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (5)

maio 21, 2006

Luto Nacional - 22 e 23 de Maio

Recebi por imeil, e já aderi. O imeil traz um anexo que é um bocado longo, mas resumindo dá nisto: a dignidade dos políticos foi-se, as reformas chorudas são às resmas, o respeitinho aqui pelo cidadão comum-pagante-contribuinte-eleitor foi-se, faleceu-se de todo...
E não há muito que o cidadão possa fazer... que aliás, o cidadão só sabe lamentar-se, dizer mal, e empanturrar-se de bola, morangos com arsénico (digo chantili), bandeiras de gajas boas e outros assuntos igualmente dignos e relevantes, quiçá prioritários.
Faxavor de arranjarem um caderninho - de preferência de capa cor de alma de político (preta, pra quem não 'tiver a ver bem a coisa), e anotarem lá todos os dias cada roubo nas regalias e direitos, cada não-aumento de salário, cada fecho de serviço público (com respectivo desaparecimento de postos de trabalho), cada facada nas áreas protegidas pra empreendimentos de utilidade pública - leia-se "condomínio privado pra gente que ganha dez vezes o que ganha o cidadão comum e paga de impostos menos de metade"... Querem mais? leiam nos jornais...
E depois, uma semana antes do próximo acto eleitoral, peguem no dito caderninho e estudem-no até o saberem de cor; talvez os ajude a decidir quando forem pôr a cruzinha no papelinho, talvez os obrigue a tirar o real traseiro do sofá e irem até à assembleia do voto.

Porque já lá dizia o outro que o voto é a arma do povo.

Desta vez, a arma é só uma pequena fisga, mas vamos acertar-lhes em cheio no olho:
Dias 22 e 23, vamos TODOS vestir uma blusa, ti-chârte, camisa, top... pretos, em sinal de luto pela morte da dignidade dos políticos, e também do lento assassínio da nossa dignidade de cidadãos-objecto, que não passamos de carne pra impostos nas mãos dos nossos governantes.
Reza o imeil que recebi: use a blusa preta, ou um lenço preto ao pescoço (ou no braço), pendure um pano preto na janela - e porque não no carro? (pergunto eu) -, em sinal de luto pela apagada e vil tristeza em que todos os dias nos vão afundando um pouco mais...
Eu, já 'tou de luto.
E disse.

Publicado por vitriolica às 06:13 PM | Comentários (6)

Pouca-vergonha quanta baste

Esta do Senhor Procurador Solto Moura, de pôr as culpas nos jornalistas e mais na PT (que é muito boa rapariga não desfazendo no que nos cobra...), é um bocado como aquela história do rei que matava o mensageiro que lhe levava as más notícias...

Tamém aqui a culpa é do mensageiro, não é de quem deixou escapar a mensagem, mas de quem a escarrapachou no jornal!!!

Sempre gostava de compreender este "salto de raciocínio" do Senhor Procurador...

Primeiros - a PT tem lá a continha do Estado (já nem pergunto porque é que os impostos do meu Arnaldo têm que pagar ainda hoje as contas de telefones e telemóveis de uma data de senhores que foram governantes há uma data de anos e que têm umas chorudas reformas, e provavelmente uns belos tacho de complemento de reforma;

Segundos - a PT dá a dita listinha aos Senhores Investigadores da Procuradoria (ou coisa parecida, que não tou bem recordada dos pormenóis);

....

Terceiros - a lista chega às mãos de uns Senhores Jornalistas; o papel dos jornalistas é publicar notícias, e logo uma coisa destas... toca prà frente!!!

...

E ali entre o Segundos e o Terceiros não falta nada? Não há ali um acontecimentozinho que dá pelo gentil nome de fuga de informação?

A não ser que se trate de um Waterguêite à Portuguesa, e que os Senhores Jornalistas tenham assaltado a PT ou a Procuradoria pra gamar a tal listinha e a gente não saiba.... mas isso não deve ter acontecido, porque senão tavam mas era na prisa...

Portanto, haja praí alguém de direito que pergunte lá ao Senhor Procurador quando é que vai procurar (não é por isso que é Procurador - pra procurar?) quem deixou fugir a tal informação que os jornalistas são acusados de ter conseguido.

A menos que tenha sido algum passarinho, algum degenerado primo do meu bem-amado muso Cocó, que tenha levado a informação no bico.

Ou isso, ou esta história toda traz muita água no bico...

E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (1)

outubro 30, 2005

Condensado de cleptocracia

Cleptocracia s.f. regime político-social em que práticas corruptas, esp. com o dinheiro público, são implicitamente admitidas ou mesmo consagradas. (Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, ed. Círculo de Leitores)

Este dicionário custou-me um ror de massa, e andei a recebê-lo e a pagá-lo a bochechos, com as minhas economias, durante um ror de meses. Tábem, problema meu, que gosto de saber o que querem dizer as palavras: as que leio/oiço, e as que escrevo.

Consultei o meu Houaiss depois de ter lido este escrito da Sôdona Teacher, pra ter uma segunda opinião além da da Wikipedia; ambos dizem a mesma coisa por palavras diferentes.
E depois leio dois cabeçalhos do Expresso (só tenho direito às “gordas” porque não pago assinatura — tudo bem, que um jornal é um negócio e não uma ONG): um que me informa de que os autarcas tomam posse a correr pra não perderem regalias, porque o decreto que já devia estar em vigor ainda não conseguiu chegar ao Diário da República — burrice do decreto, que se ele apanhasse o mesmo transporte que apanham os da subida dos preços, da idade da reforma e outros que tais, tinha sido logo escarrapachadinho na hora! E há outra notícia do Expresso que diz que o Senhor Engenheiro Sócrates vai fazer o Milagre do Sumiço de Não Sei Quantos Funcionários Públicos.

Eu cá só pergunto quantos funcionários públicos — daqueles que fazem falta e são úteis — podiam ser pagos com o que sobra das reformas dos vereadores, Presidentes de Câmaras e tudo o mais que se vai sabendo (fora o que a gente nem sonha...); mais mordomias e telemóveis e carros com chófer e etcetra e tal. Se os Governos tivessem a mesma “coragem” que têm quando cortam nos “gordos privilégios” dos trabalhadores normais, e “apenas” aplicassem justiça, a mesma “justiça corajosa”, aos deputados, gestores, administradores e demais cidadãos acima das leis que o cidadão comum (e burrinho como eu) acredita que são nossos iguais em deveres e direitos.

“Eles” andam a brincar com o povo que os elegeu, “eles” gozam-nos à parvalhona pelas costas, e lá no fundo devem perguntar como é que alguém ainda vota e acredita neles... Pois eu cá, voto porque é praticamente o único direito que me resta, e não vou dispensá-lo enquanto tiver uma mão capaz de fazer uma cruz no papel e de deitá-lo numa urna. Agora acreditar, acreditar, só se for num milagre de Santo dos que estão no céu.

E voltando ao princípio da coisa: se alguém se sentir muito ofendido com isto, prove-me por A mais B que não somos governados por uma data de gente que não tem escrúpulos nem respeito pelo ser humano, e que só serve os seus interesses ou os de quem lhe presta favores, ou lhe dá sabemos nós que regalias e presentes, ou de amigos e parentes. Provem-me que eu represento, para esses senhores, mais do que um pedaço de plástico, uma peça do Jogo do Monopólio que os Senhores Políticos e os Senhores do Dinheiro jogam uns com os outros. Provem-me que há neles alguma amostra de humanidade, de respeito pelo cidadão comum que os elege, os alimenta, faz deles o que são.
Voltando ao princípio da coisa: é cleptocracia e pronto, mesmo que “eles” digam: "é tudo legal, é um direito meu." Pois é, tem muita razão. Mas os meus direitos também são legais, e vão-me sendo roubados um a um em nome da Justiça e disto e daquilo.
Chamem-lhe os nomes bonitos que quiserem, façam os discursos bombásticos e piedosos que lhes apetecer, inventem campanhas de palmadinha nas costas, auto-estima e outras balelas que tais. O que a gente quer mesmo é ver respeitadas as nossas pessoas e o nosso direito a uma vida digna. E nisso, Senhores Políticos, quase todos se mostram incapazes e incompetentes.
Provem-me por A mais B que estou enganada: eu e mais dez milhões de portugueses aldrabados e explorados agradecíamos.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (4)

outubro 29, 2005

Eles querem é ter o monopólio dos abortos

Sim, porque que eu saiba, uma Assembleia de uma República serve pra fazer leis, e um Governo serve pra governar os cidadãos.
Acontece que há certas coisas que os governos não querem fazer vá lá eu saber porquê; e então fazem uma coisa que os brasileiros chamam "empurrar com a barriga", e eu chamo "faz que anda mas não anda".
Vai daí, passam a bola pra referendos, e Presidentes da República, e Tribunal Constitucional e outras entidades todas muito dignas do nosso respeito e consideração, mas que não precisavam de ser pràqui chamadas salvo seja.

Tudo isto tem a ver com a maneira como o Governo do Senhor Engenheiro Sócrates (não) tratou mais uma vez a questão do aborto.
Se há uma maioria que podia aprovar uma lei, não era mais fácil e mais rápido e mais barato discutir a lei lá no Parlamento e pimba? Pois a gente sabe que os partidos à esquerda do PS votavam a favor e o resto contra, e contados os votos provavelmente a lei era aprovada e fim de conversa.

Ou então o Governo legislava, lá praí com o Ministro da Saúde, ou da Segurança Social, ou dos Bisturis e Outros Afins. E havia uma data de mulheres que podiam interromper a gravidez com segurança e dignidade, sem terem que pagar balúrdios a uma parteira e correr sabe Deus que riscos de saúde e de vida.

Mas não, têm que inventar não sei que macacadas de referendos e outros que tais que vão ser uma trabalheira pra uma data de gente que tem que montar os estaminés, e tomar conta das urnas e dos cadernos eleitorais. Lá vão fechar outra vez as escolas pra montar os ditos estaminés, e depois dizem que tão muito preocupados com os alunos que não têm aulas coitadinhos, e eles adoram todos mas é ter um feriado. Eu tenho um vizinho que vai sempre tomar conta da urna, e aquilo até parece que tem partes engraçadas mas tamém deve ser uma estopada uma pessoa estar ali sentada todo o dia a fazer um ar muito sério porque votar é sempre assim um acto de cidadania, e etcetra e tal - de maneira que quem vai votar tem sempre assim um ar de coisa séria e de solenidade, e os senhores que estão a tomar conta fazem o mesmo ar sério e compenetrado.
E no fim ficamos todos com aquela sensação de termos sido uns bravos e valentes patriotas, e dormimos todos muito tranquilos e orgulhosos porque cumprimos o nosso dever de cidadania.

Isto é tudo muito bonito e patriótico, e mais uma vez o povo vai dar uma lição de democracia e civismo e outros palavrões que sempre são repetidos em ocasiões semelhantes - mesmo que haja uma abstenção de não sei quantos por cento.
Sem falar em analistas, comentadores e sociólogos que vão poder analisar e comentar e fazer estudos profundos e pormenorizados, e as televisões e os políticos tudo em acção antes, durante, e depois do acto.

Disto tudo o que fica é criancinhas sem escola durante um dia inteiro, um despesão doido em pessoal e transporte de cabines de voto e urnas, mais não sei quantos milhões de boletins de voto que se vão imprimir e mais de metade vão parar à barriga inútil da Dona Abstenção.

Tudo isto se podia evitar se o Governo tomasse coragem.
(bastava um bocadinho da "coragem" que tem mostrado ao subir preços e impostos, e em baixar os direitos e regalias de quem trabalha ou trabalhou para construir este país)
Pois se podem legislar sobre tudo, expliquem-me que eu ainda não percebi porque é que o Governo ou a Assembleia não podem fazer a tal Lei que permita às famílias que não têm condições para ter um filho poderem evitar que nasça mais uma vida sem promessas. sem futuro e sem esperança.

Pra tudo isto eu só vejo uma explicação: o Governo e a Assembleia querem ter o monopólio do aborto:
leis que são autênticos abortos, aprovações de construções e de estradas e de prédios; e de nomeações de pessoas, e de prisões preventivas, e de solturas preventivas, e sei lá mais que milhares de situações irregulares, ou injustas, ou ilegais que há por aí.

Em Portugal existe um direito ao aborto: para os que têm o poder da lei ou o poder do dinheiro.
Os restantes, os que só ambicionam o direito de nascer e viver com dignidade, com saúde e com o respeito que todos merecemos, continuam a só ter dois direitos: pagar e calar.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (4)

junho 20, 2005

Portugueses: 50% incompetentes, 50% desonestos

Calma, calma, se ler a mesma coisa mas ao contrário, vai ficar feliz por saber que temos cinquenta por cento de portugueses honestos, e outro tanto de portugueses competentes... (safa, que alívio!)

A verdade é que este título foi influenciado por aqueles anúncios bombásticos da Dona Júlia Pinheiro na Quinta das Banalidades: "Os portugueses votaram..." – quando a verdade é que eu nunca votei naquelas Quintas, nem Big Brothers, tal como uma data de milhões de portugueses.
Portanto, se a TVI e a Dona Júlia mais a Dona Teresa Guilherme podem exagerar, eu cá não tenho menos direito.

Vamos então aos factos que ditaram este título (esta não parece uma frase minha, e por acaso não é: mas uma mulher começa a ler, a cultivar-se e aprende assim a escrever umas frases todas interessantes), e que são os seguintes:
A Sic (televisão) resolveu pegar num computador, desligar-lhe um cabo e levá-lo a uma loja de reparações (se viu o Jornal da Noite de domingo, pode saltar o resto da história)...
Das quatro lojas que experimentaram, duas indicaram um problema que não tinha nada a ver com o assunto, e duas outras levaram preços escandalosos para a "reparação" que tinha que ser feita...

Ora vejam lá se tive ou não tive razão para o meu título! Sim, porque um teste daqueles acaba por ser assim uma espécie de sondagem – mas na prática. Logo, fazendo a estatística da coisa, os resultados são estes, não há nada que enganar. Metade daquelas lojas levou preços do arco da velha para a tal "reparação" que mais não era que abrir o caixote e religar o fio desligado, e a outra metade indicou avarias que os pobres computadores nunca na vida lhes passou pela cabeça poderem vir a ter.
Diga-se em abono da verdade que em duas das lojas acabaram por não cobrar nada pela tal "reparação" – o que também prova que há muita gente honesta e escrupulosa, honra lhe seja feita!

Ou seja: no que diz respeito a reparações de computadores é preciso ter muito cuidado, porque há por aí muita gente que anda a levar couro e cabelo, aproveitando-se do desconhecimento das pessoas.
Valham-nos, ao menos, os cinquenta por cento dos competentes e os cinquenta por cento dos honestos...
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (7)

maio 23, 2005

Sobre governos, e orçamentos e défices III

A fúria é tão grande, que não tenho mais palavras.
Faço minhas palavras de outra pessoa, (vénia à pessoa) sobre outro assunto, porque há coisas que uma senhora como eu não diz nem escreve; mas tem todo o direito de pensar, oh se tem!
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:45 PM

Sobre governos, e orçamentos e défices II

O povo português tem vocação pra rolha: serve mesmo é pra tapar buracos.
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:15 PM

Sobre governos, e orçamentos e défices I

Tão bom és tu, como és tu, vê lá tu.
E disse.

Publicado por vitriolica às 10:41 PM

maio 20, 2005

Apetece-me criar o Sítio do Talvez, ou do Antes Pelo Contrário

Parece que a blogosfera tá em ponto de rebuçado, ou melhor, quase a ferver. Inda bem que isto é só blogues, sempre é mais elegante do que as pessoas pegarem-se por aí à pancadaria "porque sim" ou "porque não" – o que era engraçado de se ver, mas também uma coisa muito feia.
É claro que estou a falar do "Sítio do Sim" e do "Sítio do Não" – que é como quem diz, isto parece o Benfica-Sporting do Referendo à Constituição Europeia. De repente, não mais que de repente, pois isto do governo rosa não dá assim muito pra cascar e coisa e tal, o Sporting foi o que se viu, e de um dia para o outro a gente descobre que tem um referendo pela proa. Toca lá a pegar nesta, que temos assunto pra uns meses. (Isto hoje é uma misturada das minhas ideias com as do Cocó, por isso não estranhem se fizer – ainda – menos sentido que o costume.)

Não é bem assim, com todo o respeito pelos criadores dos blogues do"sim" e do "não". Acho muito bem que cada um defenda a sua dama, que é como quem diz, a sua maneira de pensar. Democracia é isso mesmo, e também escusava de ter escrito isto que é uma coisa que já toda a gente sabe; ... mesmo assim, é bom lembrar de vez em quando...

Agora vamos a factos:
O que é essa tal dessa Constituição Europeia? Do que é que trata? Onde é que eu posso ler isso numa língua que eu, humilde doméstica de poucas letras (mas muitas palavras, eu sei – mea culpa, mea culpa!), de poucas letras, dizia, possa então ler E COMPREENDER essa tal Constituição?

É que essa é a única maneira de eu poder decidir e votar em consciência, porque não sou cá mulher de votar só por votar; quero lá ir, sabendo que vou votar "sim" porque concordo com a maior parte do que diz a Constituição, ou votar "não" porque não concordo. Por agora só tenho uma certeza: quero ir votar. Ponto.

Além da certeza tenho montanhas de dúvidas, a começar por esta:

Isso de cada um defender a sua dama é muito cavalheiresco e muito bonito, mas não ajuda muito a maior parte dos eleitores – que somos nós, o povo, meio-inculto e meio-analfabeto. Se só me vierem com argumentos intelectuais a defender ou a atacar, não me ajudam nada, obrigada.
Do que eu preciso é de informação, e não de opinião, que disso tenho cá muito – sem falar no Arnaldo, que esse gosta de opinar (adoro a palavra "opinar", acho-a podre de chique!) sobre o que conhece, e até sobre o que não conhece.

Opinem, sim senhores, que é um direito que todos temos (obrigada outra vez, 25 d'AbrilAbril, esperanças mil), mas não se esqueçam de nós, povo candidato a votante.
Sobretudo os senhores políticos, deputados e outros que tais, que são eleitos para defender e servir todos os portugueses — quer tenham votado quer não — não se esqueçam de que têm um mandato para servir o País. Neste caso, isso significa servir o povo, ou mais assim em concreto, servir ao povo informação e esclarecimento.

Quanto à decisão, deixem-na com cada um de nós, que todos somos maiores e vacinados.
Não nos digam como votar, expliquem-nos aquilo sobre que temos que votar.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (6)

abril 23, 2005

TVI - 1, Canal 18 - 0

Ou seja, é meia-noite e meia de sexta-feira princípio de fim de semana. Muitos meninos vão-se deitar mais tarde, e a Dona TVI programou um espectáculo de Educação Sexual.
Acho muito bem: os professores (Senhor e Senhora) estão vestidinhos com lingerie, sem esquecer o sapato de salto alto - dela e o relógio - dele. Tudo muito correcto e decente, inclusive com legendas explicativas pra quem não perceba bem a acção. Completado ainda pelas explicações de um locutor, ou apresentador.
Ainda por cima, vê-se a cara de um namorado ou marido ou companheiro da "senhora professora": ali, bem ao vivo, os sentimentos e expressões do pobre traído. No fim de tudo há discussão e agressão.

Um mimo. Um exemplo. De atitudes, de comportamentos... tou abobalhada.
Parabéns à TVI. Consegue transmitir, pouco depois da meia-noite, cenas que chocam o bom-senso e bom-gosto de muita gente. Nem sequer falo das imagens de pseudo-sexo, sem o menor interesse a não ser pra quem nunca viu, e mesmo assim não fica lá muito informado(a).

Tudo o resto é muito perto da miséria humana, péssimos exemplos de pessoas; desconfiança, sexo medíocre, traição conjugal, violência de palavras e de gestos (com lutas físicas e verbais entre o traído e o traidor).
O programa é brasileiro; isso não tira o "mérito" à TVI, de ter na sua programação uma coisa do mais rasteiro que eu já vi (eu, que tinha achado mau o Jerry Springer que a SIC transmitia aqui há tempos). Tive que ver um bloco (mais ou menos) inteiro para acreditar no que os meus olhos viam.

A TVI ganhou ao Canal 18, onde profissionais fazem um trabalho de representação para quem aprecia. Num canal dito generalista, o que é que temos? Pessoas comuns (ou apresentadas como tal), que suspeitam, montam armadilhas, traem, discutem, e têm atitudes violentas.
Será que as audiências justificam tudo?
Os órgãos de comunicação, sobretudo os comerciais, talvez não tenham a obrigação de ensinar ou educar. Mas precisam de desensinar e deseducar assim? Até dá saudades do "All you need is love", e faz sentir que o "Perdoa-me" era um programa cinco estrelas.
Não sei se é mais pobre de espírito quem inventa e participa em tamanha porcaria, quem o escolhe para a programação, ou quem o vê. (tem razão, eu vi: um bloco, uma vez - de que outra maneira podia comentar?)
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:28 AM | Comentários (7)

março 15, 2005

O Ruben, a Maria João e o Gilberto

São três meninos da minha rua. Todos filhos do mesmo pai e da mesma mãe.
O Ruben tem um problema grave de saúde, mas o pai e a mãe dizem que não podem, que não há dinheiro, que ele tem que se desenrascar sozinho e fazer pela vidita. “Tu sofres, meu menino? Olha, tem paciência, fica-te com o teu sofrimento que a gente é pobrezinhos e não pode fazer nada.”

A Maria João é artista. Gosta de tocar piano, e toda a gente diz que toca muito bem – está farta de ganhar prémios. Trabalha que se desunha para poder ter o piano. E ajuda outros meninos a aprender, e a conhecer outras artes. Mas agora os pais, não conheço muito bem a história e não sei se não lhe deram dinheiro nenhum ou se lhe deram pouco... O que é certo é que ela precisa de pagar uma despesa que até nem é muito grande, mas falta-lhe o dinheiro e nem os vizinhos que gostam tanto de a ouvir: o merceeiro, a senhora da padaria, a dona da loja dos trezentos... se se juntassem todos não custava nada. Se calhar vai ter que ir pra outra terra – onde tratam e respeitam e apoiam melhor os meninos-artistas.

O terceiro filho é o Gil, o Gilbertinho. Rapaz prendado, gabam-no os pais! Ainda o ano passado gastaram um dinheirão pra lhe comprarem umas chuteiras novas, de marca, e um equipamento completo. O rapaz tinha um jogo importante de futebol, e não podia fazer feio... Ele não é lá grande jogador, é mais assim-assim, e nos jogos há confusões volta e meia – ora com árbitros ora com dirigentes, mas também é futebol de bairro, gente de pouco nível, vê-se logo.

E hoje, por causa destas três histórias, saiu discussão no café. Porque sim senhores, que futebol é que é bom, que dá dinheiro e saúde, e que com putos enfezados e meninas prendadas não se ganha dinheiro nem se tira nada de jeito e sei lá que mais... Mentira, berrava a parte contrária, é preciso apoiar quem precisa de se tratar, e as artes é muito importante porque também alegram as vidas de muita gente; o futebol é tudo uma cambada de gente sem nada dentro da carola, e que ganham este mundo e o outro...

Saí de mansinho antes que me pedissem a opinião. Ia “levar pancada” dos dois lados, porque eu acho que de devem apoiar os filhos todos por igual, e um levava só as chuteiras, e o outro fazia os tratamentos, e a menina sempre levava um dinheirito para as despesas. E não iam gostar quando eu dissesse que aqueles pais eram um bocadinho desnaturados e os vizinhos – alguns até tiram bons lucros, que a gente bem percebe – são uns coça-pradentros que bem podiam fazer um bocadinho de mecenato que inda por cima abate nos impostos. Por estas e por outras saí à francesa, e vim pra casa conversar com o Cocó. Desta vez ele até concordou comigo, e passámos uma bela tarde nas lidas domésticas a gozar o solzinho que entrava pela janela.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (1)

março 07, 2005

Por isso sai... sai da minha vidaaaaaa!

Era o que cantava o Doutor Jorge hoje à tarde enquanto fazia a faxina de fim-de-semana às paredes do Palácio. Isto, enquanto a Doutora Maria areava as pratas da baixela na cozinha. “Sabe, Zezinha, acho que vou atirar esta tralha p’la janela; estes olhos todos a olhar pramim tão-me a dar nos nervos! Tou quase possesso!” – gritou ele na direcção da cozinha.
“Oh Jorginho, mas o que é que lhe deu hoje? Porque é que resolveu implicar assim com estes senhores que estão aí sossegadinhos há tantos anos?” retrucou ela do meio da prataria.
“Então a menina não vê que isto é uma data de traidores? Todos abandonaram o Palácio, um abandonou o País e anda lá p’lo estrangeiro, e a maior parte deles abandonou o Palácio, o País, e até este vale de lágrimas! Amanhã alugo uma camioneta de mudanças e vou despejar esta tralha toda à porta do Alto de S. João e dos Prazeres - pra onde a maior parte fugiu -, que é pra eles aprenderem. Traidores!”
(J. sai pela direita alta cantando “Saaaaaaiiii! Sai da minha viiiidaaaaaaa!”)

(inda não sei se isto vai ser um romance tipo “Maria não me mates que sou a tua mãe”, ou uma peça de teatro assim entre a tragédia e a comédia. Prajá, ainda é só um rascunho. Eu sei que a personagem principal tem um ar um bocado acriançado, mas que querem? É da minha falta de prática. Mas lá que o começo é bom e a obra completa há-de ser melhor ainda...)
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (1)

janeiro 05, 2005

(Ainda) há vida inteligente na política portuguesa

O Professor Aníbal viu que não tinha muito a ver usar os homens do passado do PSD para prometer um futuro de “boas obras”.
É um bocado como a história do lobo e do cordeiro, mas ao contrário. Gente capaz no passado não é garantia de gente de qualidade no futuro, porque cada um é como cada qual.

Esta história fez-me pensar que os candidatos do PSD não devem ter grande coisa a oferecer aos portugueses. Se tivessem não precisavam de ir buscar as “velhas glórias” (mais ou menos) retiradas da política, e até da vida.
(Ou será como aquela história dos putos “o meu pai é mais forte que o teu!”, aqui em versão “os políticos do nosso passado são melhores que os dos outros partidos!”?)

Seja como for, a gente não precisa de feitos passados, mas de respeito pelos cidadãos no futuro.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (3)

dezembro 02, 2004

Porque será...

Que quando há um problema nas políticas há sempre a "descoberta" duma grande escandaleira noutra área?

É um grande mistério para mim, que isto de ser uma mulher com fracos conhecimentos limita-me o entendimento. O Caso Casa Pia tamém "aconteceu" num momento "meio assim" das políticas.

Claro que o Doutor Cocó tinha que ter uma teoria: "Se calhar, quando os políticos ficam com problemas os polícias ficam mais espertos."
Ó Cocó, haja paciência! Nem uma doméstica com pouca bagagem na carola acredita numa dessas!
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:58 PM

novembro 26, 2004

Como os Portugueses são valentes!

Era vê-los, à saída do Tribunal, a apuparem e insultarem um grupo de pessoas que foram acusadas (de coisas terríveis, concordo) mas que ainda não foram julgadas, nada se provou contra elas, e não estão condenadas.

O que eu gostava mesmo era de, por uns instantes ser Deus Nosso Senhor e fazer um teste àquela bravata toda. Era assim:
Parava o tempo em volta, e deixava na cena só o suspeito e um daqueles desocupados de língua comprida – todas as outras pessoas desapareciam magicamente do local. Esse/a suspeito/a crescia só um bocadinho, para ficar uns três dedos mais alto e mais forte que o/a insultador/a.. E dizia numa voz assim alta, poderosa, e ameaçadora: “Anda cá, se és homem/mulher pra mim!”
Quer-me cá parecer que na maior parte dos casos aquela “coragem” toda de agredir e insultar quem não se pode defender ia logo pelo primeiro escoadouro abaixo.

(E quase que aposto que uma boa parte daquela malta já teve ou ainda tem as tais bandeirinhas em exibição. E repito a pergunta: orgulho de quê? Quem tem orgulho de pertencer a um povo de malcriados, arruaceiros e cobardes? Tábem, tou a exagerar: felizmente não somos todos assim!)
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:31 AM | Comentários (4)

Ó patego, olha o balão!

Esta era uma frase que se ouvia aí há uns quarenta anos, quando eu era uma jovenzinha de dez. Foi do que me lembrei hoje, quando vi aqueles mirones todos à porta do Tribunal logo de manhã.

Aquela frase, que acho que já ninguém usa hoje, queria dizer mais ou menos que alguém estava especado e feito parvo para qualquer coisa que não tinha nada de especial para ver.
Pois que interesse pode ter, senhores, estar à porta de um edifício para ver umas dúzias de pessoas a entrar? É certo, alguns são caras conhecidas... mas mesmo assim! Se não se pode entrar, se não se pode assistir, qual é o interesse de ver entrar um conjunto de pessoas para uma casa? Tive vontade de ir até lá com uns peúgos que tenho ali na caixa da costura, que não tive vontade nenhuma de passajar. Talvez no meio daqueles desocupados todos alguém quisesse uma distracção diferente, e eu ainda pagava uns cêntimos por cada buraquinho tapado!
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:07 AM | Comentários (2)

novembro 24, 2004

Orgulho de quê?

Hoje vi um carro. E esse carro estava mal estacionado. Muito mal estacionado. Estava em segunda fila. É claro que tinha as benditas luzinhas a piscar, como se fosse uma grande emergência; duvido – era em frente de um café! Se um dos condutores dos dois carros que ele estava a “trancar” tivesse uma emergência a sério, como é que era?

O mais engraçado era que o automóvel, a viatura, tinha espetada do lado de fora, na janela do lado do condutor, uma... bandeirinha de Portugal. Pois.

Eu cá não me orgulho de ser Portuguesa e desrespeitar assim as regras mais simples do Código da Estrada. Eu cá pensava que a gente devia orgulhar-se das coisas boas, ou bonitas, ou bem-feitas, que somos capazes de fazer.
Provavelmente aquela bandeira queria só mostrar o orgulho do dono na Selecção e nos futebóis. Porque, no fundo, pouco mais do que isso interessa a um grande número de pessoas.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (5)

novembro 21, 2004

Apelo ao Professor Marcelo

Caro Senhor Professor
Eu sei que o Senhor não me conhece; eu também só o conheço de o ver nas televisões, e uma vez até o vi a tomar banho no Tejo – o que na altura não abonou muito em favor do seu juízo nem da sua inteligência, pois podia ter apanhado uma coisa má ou até morrido com alguma sulipanta, que o Tejo ali é mais porcaria que rio.

Depois, quando aparecia aos domingos na TVI, é que dava para perceber que aquele acontecimento deve ter sido filho de um momento de desvario. Aquilo é que era um esbanjar de conhecimentos, e de inteligência e de livros que até dava gosto!
Só não consegui ver onde é que estava a piada do Portugal Positivo a que o Senhor Professor deu assim tanto impacto, porque essa história da auto-estima está demasiado em baixo e já não vai lá com palmadinhas nas costas: precisa é de Atitudes Positivas da parte de quem manda, respeitando o Povão que somos todos nós, e os nossos direitos (pode não acreditar, Senhor Professor, mas a Constituição fala de outros direitos para os cidadãos além do direito de voto e o direito de pagar e não bufar).

Deixando de lado essa espécie de anedota que acho que só é levada a sério pela meia dúzia de contentinhos que engendraram essa bela iniciativa que devem andar felizes e cheios de auto-estima pela belíssima ideia que tiveram e a dar palmadinhas nas costas um dos outros...

Voltemos pois à vaca fria, ou melhor, à “pergunta quente”. Pois o que eu queria pedir ao Senhor Professor E Doutor Marcelo Rebelo de Sousa era o seguinte:
O Professor sabe de leis e de governos e dessas coisa a potes, não é? E aposto que percebeu lindamente aquela pergunta arrevezada que vão fazer à gente lá mais pra não sei quando, sobre a Constituição Europeia e mais não sei quê...

Então, Senhor Professor, se quer fazer uma coisa que ajude mesmo os Portugueses – os cidadãos comuns que são padeiros, e torneiros mecânicos, e senhoras que passam a ferro para fora, e cozinheiras, e todas as pessoas que têm poucos estudos e poucos conhecimentos.
A minha ideia era assim procurar no meio dessas ideias inteligentes todas que tem dentro dessa cabeça, a ver se descobria assim umas maneiras de poder explicar às pessoas:

Primeiros - o que é que aquele arrazoado todo daquela pergunta quer mesmo dizer;
Segundos – onde é que a gente pode ler essa tal de Constituição Europeia, e não é só ler assim tipo juntar as letras para formar palavras e frases; é ler de perceber, de saber o que são e para que servem os tais artigos, pelo menos os que são mais importantes para as pessoas em geral, os que podem vir a mexer com as nossas vidas.

Eu sei lá se não há por lá um artigo, um parágrafo, assim pequenino, que diz que o Presidente da União Europeia (t’arrenego três vezes) pode requisitar o meu Cocó pra ir enfeitar a cozinha do apartamento ou o bar do escritório dele lá em Bruxelas? Então alguma vez eu podia concordar com uma constituição que dissesse semelhante barbaridade?
Por isso está a ver, Senhor Professor, a gente tem que saber o que é que diz essa tal Constituição para podermos dizer “sim” ou “não”...

Eu tenho mais umas perguntinhas para fazer, mas agora tenho que ir tratar da família (Cocó incluído) que uma dona de casa não tem direito a esses privilégios de fim-de-semana. (Bem podiam fazer umas leis sobre isso, lá em Bruxelas; se um dia resolvemos todas fazer uma greve, vai ser bonito, vai!...)
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (5)

novembro 20, 2004

Isto é pergunta que se faça?

Ontem ouvi-a nos noticiários, mas a minha memória é aquela desgraça que eu já expliquei – menos que uma disquete daquelas que havia há muitos anos, daquelas de 360 Kb, munta grandes e flexíveis que eram boas para fazer de leque no tempo quente.

Quanto à pergunta, quando a ouvi não percebi metade. Cheguei à conclusão que deve ser aquilo que nos filmes americanos chamam a “pergunta de 10 milhões de dólares”.

Há bocadinho estive a ler a pergunta... e fiquei na mesma. Como é que eu vou responder a uma pergunta que não sei o que significa?
Acho que vou ter que contratar um explicador...
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:02 AM | Comentários (3)

novembro 14, 2004

Estou triste, decepcionada e desiludida...

Uma mulher aqui a querer comunicar-se com o Nosso Primeiro, toda boazinha e numa de construtiva, e vai daí manda o imeilzinho e tal, tudo como manda a sapatilha.
Pois é, e na volta recebe assim uma coisa em inglês, seca, fria, tipo telegrama:

This is an automatically generated Delivery Status Notification.
Delivery to the following recipients failed.
            gpm@pm.gov.pt

Ora eu acho mal que o nosso Primeiro Ministro trate assim os seus governados/cidadãos, pois nada de “Estimada Dona Vi”, nada de “subscrevo-me com elevada estima e consideração”, enfim, uma pobreza no que diz respeito a boas maneiras e respeito pela língua Portuguesa. Talvez lhe faça falta assim uma Dona Edite Estrela, ou coisa assim. Se bem que aquela Ministra Dona Bustorf tem assim um ar de Senhora que é só cultura, mas não sei, se calhar está mais virada para as culturas que vêm lá de fora e tem menos vocação para a Cultura Portuguesa que se faz em Portugal.

Seja como for, fiquei triste por a minha mensagem não ter sido entregue (foi o que me explicou a Cèlinha que aquilo queria dizer), decepcionada por não ter conseguido dar o meu recado ao Senhor Primeiro-Ministro, e desiludida porque tá-me cá a parecer que vou mesmo gramar com a cartinha, e não vou perceber patavina daquilo; só estou indecisa se a hei-de reciclar para o “papelão” ou se a hei-de guardar para atear o lume da lareira.
E afinal eu no outro dia falava de altas tecnologias e ceroulas, e tá-me cá a parecer que estava a adivinhar sem querer – vou mas é daqui já directa para o Portal dos Jogos da santa Casa, que a “futurar” desta maneira os próximos jackpots já tão no papo (no papo da Vi-zinha, não do Cocó!).
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:55 PM | Comentários (2)

novembro 13, 2004

Ainda o i-meile aberto ao Senhor Primeiro Ministro

Só para explicar duas coisinhas e dar o seu a seu dono.
Pois acontece que li esta tarde esta redacção do Senhor Rui e achei que ele, e mais o senhor Bruno e ainda o senhor Luís tinham muita razão. E só achei o texto da carta assim um bocadinho seco e frio, mas compreendo que os homens são assim mais práticos e vão logo direitos ao que importa. Eu, que não devo ter oportunidade de alguma vez na vida falar com o nosso Primeiro Ministro, pois resolvi fazer uma coisa assim mais tipo conversa em família (parece que os políticos gostam disso); vai daí e pedi ajuda à Dona Benilde que uma vez teve um trabalho temporário de quase três meses como secretária não sei bem de quê, mas é uma mulher assim habituada a escrever cartas mais “formais”, como se diz. (foi ela que me ensinou aquela do “explanar”, que é muito mais chique que “explicar”, e aquelas partes do princípio e do fim de uma carta para uma Alta Entidade, que eu só sei coisas assim tipo “Querida prima” e “um beijinho, com muita estima, da prima amiga”). A D. Benilde ajudou-me a fazer o rascunho, e passei o serão todo aqui às voltas com o Microsoft Word e o Outlook Express, e lá mandei o i-meilzinho que ainda por cima o Senhor Primeiro Ministro pode pôr-me na lista dos contactos e quando quiser dizer alguma coisa já sabe, é muito mais rápido e muito mais barato, e ganha ele, ganha o País, ganhamos todos.

E estou muito contente por alguém ter tido uma ideia tão boa, e quem sabe se ainda são contratados pelo Senhor Doutor Bagão, pois homens que têm ideias assim poupadinhas bem podem dar uns bitaites para ajudar o Governo a poupar umas massas, e assim já não eram só os governados a poupar e a espremer o ordenado, que o governo também fazia a parte dele.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (3)

novembro 12, 2004

i-meile aberto ao Senhor Primeiro Ministro

Excelentíssimo Senhor Doutor Santana Lopes e
Primeiro-Ministro de Portugal

Excelência, li num blog – daqueles que podem ser levados a sério, porque eu sou uma pessoa que sabe que não se pode acreditar em tudo o que se lê na internet em geral e nos blogs em especial (não acredito que haja mentiras de propósito, mas às vezes parece que há pessoas que confundem os seus palpites, desejos e opiniões com factos e acontecimentos de verdade).
Dizia eu, pois, Excelência, que li num blog que Vossa Senhoria está a pensar mandar-me uma cartinha a explicar-me umas coisinhas sobre o Orçamento de 2005.
Ora eu vinha, muito respeitosa e humildemente – e sem querer ofender, longe de mim tal ideia! – rogar a V. Exª se digne riscar-me e ao meu Arnaldo da lista das pessoas a quem vai enviar essa carta, pelas razões abaixo explanadas:

Primeiros – o mais certo é eu não perceber nem a quarta parte da explicação, porque não entendo nada de finanças do Estado, e só sei tentar esticar a mesada que me dá o meu Arnaldo para ver se temos comidinha no prato e passe social até ao fim do mês;

Segundos – é mais fácil procurar nos blogs por aí fora, ler um pedaço aqui, outro acolá, juntar tudo e depois pedir ao Arnaldo que me explique assim alguma coisa mais complicada;


Terceiros – se ainda ficar com alguma dúvida posso sempre convidar o mano Hipólito pra vir jantar um sábado cá a casa; ele é gerente de um sucateiro, já foi gerente de uma loja de materiais de construção, e tem um curso comercial assim tipo contabilidade, por isso pode explicar as partes mais complicadas – e sempre é uma forma de a gente estar assim mais um bocadinho em família;

Quartos – o Senhor Doutor, Vossa Excelência, pode matar vários coelhos de uma cajadada, como por exemplos:

Quintos – aproveita e pega no dinheirito dos selos todos, e entrega a uma Cerci; e quem diz uma Cerci diz comprar assim umas arvorezinhas-bebés para reflorestar as nossas florestas que têm levado um desbaste tão grande com os incêndios, ou outras coisas que fazem tanta falta por esse país fora; vai ver que faz um vistão, deixa uma quantidade de pessoas felizes e agradecidas, e ainda vai ter as televisões, as rádios e jornais a cobrir o acontecimento – o que dá sempre muito jeito.

Sem outro assunto de momento, fico grata pela atenção dispensada, e sou
atenta, reverenda e obrigada
Assinado
Vitriólica C. O. Rosiva & respectiva Família

Publicado por vitriolica às 11:55 PM | Comentários (3)

outubro 07, 2004

Digam-me que eu estou a sonhar. Pior, a pesadelar!

Pois é, anda um homem tão ilustre e tão respeitado a dizer na televisão aquilo que lhe vai na alma, e de repente vem outro senhor e chama-lhe mentiroso assim do pé prà mão, e chama pela Dona Autoridade e coisa e tal... e afinal, se um senhor dissesse mentiras sobre mim, ou o meu Cocó, ou o Arnaldo ou a Cèlinha, a única coisa que eu podia fazer era pôr-lhe um processo na justiça. Pois. Mas isso era se fosse eu, ou vocês meus leitores, gente assim do povo, sem cargos nem poder.

Afinal é governo democrático e tudo o mais, mas se alguém critica acaba-se logo a brincadeira, que é como quem diz, fecha-se a torneira da democracia. Como no tempo da RTP antiga, “A democracia segue dentro de momentos”.
Eu cá acho muito mal feito, porque democracia é cada um ter o direito de dizer o que pensa, e logo o Professor Marcelo que é uma pessoa que pensa tanto – e sabe explicar bem as coisas às pessoas assim que não sabem muito de políticas e afins, como eu e o Cocó.

E afinal isto já parece assim um bocadinho estranho, como é que um governo que é democrático e é para o povo e parece que não quer que expliquem as coisas ao povo. Há por aqui umas coisas que não estão lá muito bem explicadas, e agora já não há Professor Marcelo para explicar. Ou seja, acho que vou ter que pedir ao tal Senhor Ministro que me explique.

Senhor Ministro, faça então o favor, tenha lá a bondade de me explicar... eu pensava que o papel de um comentador era comentar e dar opiniões, não era ler o Diário da República e no fim bater palmas!... Então uma televisão (que nem sequer é governada pelo Governo) não tem o direito de contratar um senhor para dar opiniões? Não é como nos jornais e nas rádios? Eu, pelo menos, desde 1974 que não sei de nenhum caso de alguém que escreva nos jornais ou fale nas rádios que tenha sido despedido porque alguém no Governo não gostou do que foi dito ou escrito por essa pessoa...
E então se agora os senhores e senhoras que mandam nos governos podem assim mandar nos meios de comunicação que não são do Estado, não era melhor nacionalizá-los todos? Depois os governos já podiam mandar neles como deve ser, e pôr lá comentadores dos tais que dizem sempre “Siiiiim!”. E nem sequer era preciso haver uma Alta Autoridade para a Comunicação Social, ou seja, acabava-se com o despesão que deve ser pagar aos senhores todos que lá trabalham, que era uma alegria para o Doutor Bagão Félix que anda sempre a contar os tostões. A gente bem vê o tamanho do esforço, que até em dois meses o governo só nomeou mil e tal pessoas, por causa das poupanças.

Mas voltando à vaca fria, que é como quem diz, à história do Professor Marcelo, eu estou para aqui cheia de dúvidas: as televisões privadas têm que “baixar as orelhas” de cada vez que alguém do governo não gostar do que lá se diz? Se não é assim, porque é que o Doutor Amaral foi a correr fazer o que o tal Ministro não podia mas gostava de fazer? E porque é que ninguém vem explicar nada à gente? Nem da TVI, nem o Professor Marcelo... Há pessoas como eu, que sou uma grande curiosa e que gosto de perceber as coisas, e assim ficamos ignorantes, porque há coisas que não conseguimos compreender sozinhos e não vem ninguém explicar-nos nada.
O Professor Marcelo bem podia dar, ao menos, uma última explicaçãozinha; uma pessoa que tinha tantos fãs todos os domingos à noite, desculpe lá, mas eu acho que é quase uma obrigação dar uma explicação a quem gostava de o ouvir explicar certas coisas que, se não fosse o Senhor, eu nunca ia perceber. Os senhores da TVI também acho que se calhar deviam explicar aos seus espectadores... Eu bem ouvi aquela do “Professor Marcelo é que decidiu acabar...” mas cá em casa não colou... Aquela história de o Doutor Amaral convidar o Professor Marcelo para jantar, e logo calhar, naquele dia, o Prof. Marcelo sentir uma grande vontade de acabar com os comentários de domingo à noite... Não é preciso ser nenhum Einstein para ver que há ali coincidência a mais!

Resumindo e concluindo: a mim, o que me parece, é que alguém (ou um grupo de “alguéns”) anda a querer dar umas facadinhas na nossa Liberdade – neste caso, a liberdade de uns dizerem o que pensam, e outros de serem informados por gente inteligente e com opinião própria. Primeiro foi aquela de tirarem o ERRE da Revolução, agora querem calar o bico ao Martelo...
Cá na minha opinião, a coisa anda a ficar preta. Já passam a vida a ir-nos à carteira, agora já não podemos ouvir quem queremos... qualquer dia vêm-me cá dizer o que querem que plante no quintal?
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (8)

outubro 02, 2004

Nesta não põem eles portagem, ora toma!

Toca a aproveitar, pessoal! Já começou a ponte do feriado, e pelo menos nesta ponte os nossos governantes não conseguem pôr umas cabinezinhas nesta entrada de sexta-feira nem na saída de terça-feira.
Claro que os maus da fita vão ser os senhores que mandam dentro das escolas – se fizerem ponte ficam os alunos e os professores contentes, e os pais e o Governo ficam aborrecidos; se não fizerem, é a mesma coisa mas ao contrário... Coitados, são presos por ter cão e presos por não ter, num país em que só foram prà cadeia o senhor Bibi e o doutor Azevedo que era do Benfica.

Mas não se fala de coisas tristes, que a ponte está aí, sem portagens nem impostos. E já que o tempo está mais ou menos bonito vamos todos arejar, e engarrafar as estradas todas para as praias e para os campos; e já agora tudo para os centros comerciais, e para os Ikeas para ser um verdadeiro fim de semana em família, com mais engarrafamentos e banhos de multidão e criancinhas a berrar e a puxar o cabelo da senhora que está à frente na bicha da caixa, mas afinal ninguém leva a mal que esta é uma ponte valente, e domingo à noite – não se esqueçam!!! – começa a quinta dos ranhosos, perdão, dos famosos, sem água nem luz, e também podiam lá pôr a Dona Ildeberta que vive numa aldeia lá pròs cafundós do Judas e assim como assim nem ia estranhar nem nada porque vive há mais de cinquenta anos a candeeiro a petróleo e água do poço. As Câmaras e os Governos é que deviam ir todos passar uma semaninha na quinta do Doutor Moniz e viam logo como é bom viver sem água nem electricidade e iam pagar a peso de ouro a mansão da D. Ildeberta com cozinha, um quarto e w.c. ao ar livre em contacto directo e diário com a natureza. E depois a Dona Ildeberta já podia comprar umas quatro assoalhadas num prédio a 15 minutos do Marquês de Pombal – aos sábados às três da manhã quando não há trânsito nenhum - , logo ali a seguir à Brandoa, mas que ela tem a certeza que tem água e electricidade porque quando tocou à campainha para ir ver o andar apanhou um choque, e soube logo que havia águas correntes mal entrou no prédio e ouviu o autoclismo do condómino do 3º H e comentou para os seus botões “Vou ver se convido aquele senhor muito chique que parece que é de Castelo Branco para vir cá tomar uma banhoca e conhecer a minha casa nova; e até o ensino a ordenhar uma vaca que a Dona Betty não deve saber e portanto não pode ensinar.”
E assim a Dona Ildeberta também já pode ir fazer pontes destas sem portagem e ir conhecer os Centros Comerciais mais os Hipermercados e afins, que faz muito bem à vida familiar porque vai a família toda junta e no fim comem todos uma piza daquelas todas moles que só foi preciso estar três quartos de hora na bicha para comprar. E ainda bem que a página está a acabar, que eu prometi a mim própria que não escrevia mais de uma página; se este fim-de-semana-de-ponte-sem-portagem durasse mais um dia eu ficava ainda mais cansada e a precisar de um fim-de-semana-normal só de sábado e domingo para descansar do fim-de-semana comprido.
Com isto tudo nem me lembrei de ir à terra buscar as batatas que estão a acabar, mais umas couvinhas e uns chouriços – sem esquecer o pão de quilo para cortar aos pedaços e meter na arca congeladora já todo às fatias, que vai dar para um ror de tempo. Mas esta viagem vai ter de ficar para a próxima ponte – se houver dinheiro para a gasolina e as portagens.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (5)

setembro 19, 2004

A culpa não foi bem do macaco, mas quase

Quer dizer, foi do sistema informático. É como nos acidentes: a culpa é sempre do automóvel, e não do condutor.
Foi a conclusão a que cheguei depois de ouvir o Nosso Primeiro falar dos problemas das colocações dos professores; eu disse problemas? queria dizer confusão, caos, granel... pelo menos foi o que me pareceu que aconteceu.

É sempre fácil dizer que a culpa é do computador, mas eu bem ouvi no café um senhor que mora aqui na rua dizer que os computadores, como não têm inteligência, não erram; nem os programas; quem erra é quem escolhe mal um programa para fazer uma tarefa, ou quem não sabe dizer ao programa o que quer e como quer que ele faça.

Bom, mas antes atirar as culpas ao programa do que à funcionária que limpa o gabinete do director que escolheu aquele programa porque é da empresa onde trabalha o primo da mulher, ou ao contínuo que trouxe para o nãoseiquantésimo andar o terceiro saco de papéis de inscrição dos pobres dos professores.

A gente já sabe que, no fim das contas, quem vai pagar as favas são os desgraçados dos professores que ainda não sabem a quantas andam, mais os alunos que ainda não vão ter professores quando começarem as aulas, mais os pais que têm direito a ver os seus meninos terem os professores nas escolas a tempo e horas.

E afinal, alguém estranha que as coisas corram assim? Ou já se esqueceram que estamos em Portugal?
E disse.

Publicado por vitriolica às 10:21 PM

julho 10, 2004

Hoje não há folhetim do Alandroal

A programação foi alterada devido à cobertura do final da novela "estrelada" pelo artista que agora se chama José Manuel Barroso - que por sinal foi o primeiro a sair de cena para ir estrelar outro folhetim com mais audiência e melhor cachet.

Pelo facto pedimos desculpa aos fiéis leitores e prometemos retomar a programação normal logo que possível.
(O coração precisa de um tempo para voltar a bater a compasso depois de tantas surpresas e emoções).
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:33 AM | Comentários (3)

julho 09, 2004

Advogados suspensos...

... por trinta e sete euros e meio!
Na moeda antiga, são pouco mais de sete contos e quinhentos - que os advogados devem pagar por ano à Ordem a que pertencem.

Das duas uma: ou os doutores advogados se estão marimbando para a sua Ordem, ou então estão na mesma quase-miséria do resto do povo Português e não conseguem pôr de parte aquele dinheirito ao longo de doze meses.
Não sei porquê, só me vem à cabeça uma ideia de pedaços de tecido vermelho e verde; desconfio que afinal é só uma epidemia de um novo tipo de sarampo que atacou muitas construções nas últimas semanas.
E disse.

Publicado por vitriolica às 06:08 PM | Comentários (2)

julho 04, 2004

De onde se prova que não se deve acreditar em prognósticos
feitos antes do jogo

Se o pessoal não tivesse acreditado na vitória antes de terminarem os noventa minutos, agora a decepção não era tão grande. A culpa foi, em grande parte, dos nossos “comunicadores sociais” que passavam a vida a repetir frases que levavam as pessoas a convencer-se que o jogo estava ganho. E também, claro, dos palermas que não têm cabeça para pensar sozinhos e ver que não se podem afirmar coisas dessas. É como se eu dissesse: “Prà semana vou ganhar na lotaria” (tábem, eu sei, aqui as hipóteses eram maiores – mas eram exactamente as mesmas do gregos, ou não?).

Fomos completamente “injectados” com palavras e imagens de vitória antes de o jogo estar ganho. Quem mandou contar com o ovo que ainda estava no traseiro da galinha?
E disse.

Publicado por vitriolica às 10:16 PM | Comentários (1)

junho 27, 2004

Confesso - actualização

Como eu disse ali em baixo, heroísmo é outra coisa.
Há milhares de heróis anónimos como este. Mal pagos muitas vezes, arriscando a vida quase sempre, pagando muitas vezes do próprio bolso as "armas" que usam para vencerem as batalhas da vida.

E depois vêm uns senhores armados em heróis e gozam com o povo todo. Lindo serviço.
E disse.

Publicado por vitriolica às 01:38 AM

Patriotismo é isto!

Então é assim:
pede-se patriotismo aos Portugueses: ponham bandeirinhas para apoiar uns senhores que vão jogar à bola contra outros senhores;
pede-se patriotismo aos Portugueses: não façam greves para exigir aumentos (mais que devidos e merecidos, pois a gente sabe como são os ordenados e o custo de vida para quase todos nós), vão lá servir os turistas que vêm ver os senhores muito bem pagos para jogar futebol uns contra os outros.

E depois vem um senhor que ainda há pouco tempo vi, durante o congresso lá do partido dele, dizer aos militantes, com aquele sorriso sempre de orelha a orelha: - Confiem em mim!

E que faz agora aquele senhor que há dois anos jurou servir o país até 2006? Pois aparecem-lhe pela frente duas coisas: um tacho melhor, e uma bela saída para não ser ele o derrotado nas próximas eleições. Assim, de bandeja!
E vai daí, marimba-se no País e no Povo que jurou governar, no programa de governo que tanto defendeu durante a campanha e depois dela, deixou de ser importante aquela coisa lá das finanças e não sei lá mais o quê...

Se bem estão lembrados, logo na noite das eleições Europeias Sua Excelência disse que, apesar de os Portugueses terem mostrado que não estavam a gostar da governação dele, ele ia continuar a governar daquela maneira, porque achava que assim é que devia ser.

E agora pergunto eu: Ó Doutor Durão, então agora a governação e o endireitar das finanças já não são importantes? As políticas do Governo e todos esses palavrões pomposos que alguns políticos tanto gostam de ter na boca deixaram de ter significado?.
O Doutor sabe o que é patriotismo? Acha que patriotismo é abandonar o governo do País, dizer a quem o elegeu (nanja eu!) que se está c... para eles e para os outros que não votaram em si mas tiveram que gramar os sacrifícios todos a que nos tem obrigado?.

E o Doutor Santana, que também jurou governar Lisboa durante quatro anos, vai deixar para outro a "castanha quente" do Túnel do Marquês, a "batata" do Parque Mayer e sabem lá os alfacinhas que outros "vegetais escaldantes"?

Vejam bem, compatriotas que são povo como eu, como os nossos políticos nos estimam! Deixam a "estima" para os rapazes do futebol, eles que nos mantenham o cérebro adormecido e a auto-estima em alta, que os políticos têm mais que fazer. Para eles importa é arranjar um emprego melhor, um cargo mais acima, e o povo e a nação que se lixem.

Patriotismo? Isso é coisa para a ralé! Nós, os políticos, temos coisas mais importantes com que nos preocuparmos: o nosso prestígio, a nossa carreira política, e fugirmos com o rabo à seringa quanto pudermos.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (2)

junho 26, 2004

É o mesmo?

Este Doutor Durão é aquele Presidente do PSD que acusou o Engenheiro António Guterres de cobardia e de abandono da Nação?
(Só queria mesmo saber...)

Publicado por vitriolica às 11:42 PM | Comentários (1)

Pedrocas das Tias & Paulinho das Peixeiras?

Encontrei o Cocó a rir às gargalhadas e a cacarejar que nem um louco quando voltei do quintal onde tinha ido apanhar uma salsa para temperar filetes para o almoço de amanhã; tinha deixado a têvê da cozinha ligada. O bicho ouviu, com certeza, as notícias que dizem que o Doutor Santana Lopes pode vir a ser o novo Primeiro Cherne (perdão, Primeiro Ministro), e o Doutor Paulo Portas o Ministro dos Negócios Estrangeiros.
E não parava de repetir a frase que é o título desta entrada, e de rir às gargalhadas. Eu não percebi nada; nem achei graça.
E disse.

Publicado por vitriolica às 10:41 AM | Comentários (1)

junho 22, 2004

Fez-se luz no meu cérebro. Obrigada, Cocó

Nada, realmente, como ter um muso privativo! É verdade que ultimamente ele tem andado a precisar de contratar, ele próprio, alguém que lhe dê inspiração para ter uma conversa de jeito e arranjar-me assunto para blogar. A minha esperança é que seja uma fase passageira, senão não o levo comigo quando for inaugurado o "Bairro Novo" que o "Senhor Weblog" anda a preparar. Já o avisei ou, para falar de acordo com os dias que vivemos, já lhe mostrei o cartão amarelo.

Hoje o bicho fez aquilo a que os brasileiros chamam "Fazer um gol de placa"

Acho que tem andado a conviver aí com uns pombos das redondezas, e alguns vivem lá para os lados de Alcochete. Para pombos e outros bichos voadores, é um saltinho aéreo vir de lá até aqui ao meu cantinho.
Pois acontece que um pequeno grupo de pombos andou a voar por aqui nos últimos tempos: durante o dia ficam aqui nesta vizinhança calma e pasmacenta, e à noite, depois de os mirones de Alcochete recolherem à toca, lá vão dormir a casa - que a bicharada não gosta muito de barulhos.

Contou-me então o Cocó, que o ouviu de um dos pombos que assistiu directamente à conversa na Academia do Sporting em Alcochete.
Estão lembrados da visita do nosso Primeiro Cherne ao retiro da Selecção? E de como ele contou nas televisões que tinha dado uns conselhos ao senhor Felipe Scolari? (que neste país há um treinador de bancada - pelo menos - em cada esquina, e o Nosso Primeiro não é menos que os outros, pois então!).
Pois é esse o segredo da vitória de ontem, nem mais! Uma coisa simples, um verdadeiro ovo de Colombo - esse até era espanhol (ou seria italiano? - mas isso agora não interessa nada), mas a trabalhar para o Rei Português quando ganhou lá o Campeonato da Descoberta da América. É verdade que parece que houve quem chegasse lá antes, mas isso foi em campeonatos de épocas muito recuadas, e a do Colombo foi a última descoberta oficial do Continente da América do Norte.

Voltando ao Cocó, e mais à códrilhice dos pombos e à conversa em Alcochete; terá o Cherne dito ao ouvido do Senhor Scolari: "Meu caro, o segredo é treinar os jogadores como eu oriento os meus ministros, fazê-los jogar como eu os faço governar. Ter pulso forte, deixá-los fazer o que querem desde que o que eles querem seja aquilo que eu mando".
"Mas isso é o que eu faço, Doutor! Eu dou as táticas, e eles seguem-nas e repetem-nas até sair tudo certinho e apuradinho como uma feijoada no ponto!"
"É certo, mas falta o tal ingrediente secreto, que não vem nem nos livros de política nem nos manuais de futebóis e tácticas. Para que tudo saia bem, não se esqueça: faça como eu faço, e faça-os jogar como eu faço os meus ministros governar.. .Não tou entendendo, doutor..."
"Com os pés, meu caro, sempre com os pés!"

E assim foi: Scolari seguiu os conselhos, e a Selecção Nacional ganhou aos Espanhóis. Grande Povo este, governado por um Primeiro Ministro que é tão amiguinho que até revela as mais secretas tácticas de política e governação para fazer a selecção ganhar. Bem podem meter a viola no saco os mal-agradecidos que andam sempre a dizer mal do Governo.
Obrigada, Cocó, por esta grande cacha, uma verdadeira cacha jornalística em exclusivo para a blogosfera nacional e para o Mundo.
(Amanhã vais ter ração dupla!)
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM

junho 21, 2004

Só me apetece dizer "Pois!"

"Pois" é uma das minhas palavras favoritas, e geralmente uso-a para dizer a um outro: "Concordo contigo, e não há mais nada que eu possa acrescentar; disseste tudo o que eu diria se o tivesse pensado e dito, mas se calhar disseste/escreveste melhor do que eu o faria."

E é o que me apetece mandar daqui ao meu vizinho Senhor João Tilly, por escrever um texto intitulado "Embrutecer o cérebro a toda uma população é crime de lesa-Pátria".
Por isso, muito especialmente para si, vizinho João:
- Pois! ;)
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:59 PM | Comentários (1)

outubro 22, 2003

Leis II

Desculpe, Dr. Paulo Portas, mas cá estamos nós outra vez! Atão agora convida-se os moçoilos para irem conhecer a tropa e quem não for tem multa?
E diz logo o Cocó: .Tenho que experimentar esse truque com as galinhas da tua sogra . só pra ver se tenho sorte!.

Não sei se me interessava muito por um convite obrigatório, mas isso é uma questão de opinião. Se calhar o Dr. consultou o tal sombra que lê os pensamentos que lhe disse que os mancebos estavam doidinhos para ir mas tinham vergonha de dizer, e assim com um convite desses tinham uma boa desculpa para ir sem dizer que queriam muito!
Agora só acho um bocadinho mal que não tenha convidado também umas moçoilas; eu sei que isso da tropa é só para quem quer, mas ia apostar que há por aí umas .chavalas. que até iam gostar; elas também tinham o direito de ir conhecer.

Mas o que é que isto tem a ver com leis? Pois, parece que não tem nada... Se não fosse aquele pequeno pormenor da multa!
Parece que a tal lei que obriga os jovens a aceitar o convite também diz que quem não aceitar paga multa. Então porque é que o senhor Secretário de Estado deu a entender que as multas não vão ser aplicadas?
Ai, ai, ai, que assim a Doutora Leite não vai gostar! A partezinha melhor, que é sacar a massa ao povo, vai ficar na gaveta?
Como é que é isto, que só se aplica metade da lei?...

Eu cada vez percebo menos disto. As leis, quando nascem não são para todos, como o Sol? Pode-se aplicar assim só metade de uma lei? E o que vão dizer os mancebos que alinharam só com medo à multa, e agora ficam a saber que os malandrecos que ficaram em casa não pagam a dita multinha?

Ó, senhores, desculpem lá, mas agora é que a minha cabeça dá um nó! Acho que vou ter que pedir uma audiência ao Dr. Júdice (eu não queria, porque ele deve gastar muito tempo para defender as coitadas das leis que andam pelas ruas da amargura, mas se calhar vai mesmo ter que ser . desculpe lá, Doutor!) para ver se ele me explica isto bem explicadinho, que eu cada vez percebo menos!
E disse.
(Disse?... nem sei se disse se não disse. Anda cada vez mais baralhada. E se amanhã sair uma lei a dizer que eu não disse o que agora disse? Aplica-se a lei, ou eu disse mesmo o que disse? Felizmente tenho uma testemunha . o meu Cocó é capaz de jurar que eu disse mesmo o que disse. Que alívio!)

Publicado por vitriolica às 01:05 AM

outubro 20, 2003

Casas de banho públicas...

... são o espelho das cabeças dos Portugueses?
É o que eu pergunto a mim própria quando tenho que utilizar algumas.
Se há aquelas que estão limpinhas e apresentáveis e não têm nada que se lhes diga há outras, senhores...
Valha-me Deus, mas a gente só entra lá porque não tem a parte de trás de uma árvore ali à mão de semear!

Ele é o chão alagado que se uma pessoa vai de calças tem que se arregaçar para as ditas não servirem de esfregona e entranharem-se daquele líquido acastanhado . nem quero pensar na composição química!
A tampa meia solta e nem sempre asseada, o fundo cheio de restos de papel e de outros restos que não tenho vontade de descrever; o cesto de papéis, quando existe, a transbordar de todo o tipo de materiais de cores e cheiros de todos os géneros; um destes dias a pilha tinha uma altura que quase me dava pela cintura (é verdade que só meço 1,55m.)
E a porta, senhores, será ela uma antepassada dos blogs?!... (Lembro-me que no meu Liceu se dizia que havia um Professor . o Dr. Gomes, de História - que ia organizar uma antologia de textos de portas de W.C.) Nos tempos em que eu era (ainda mais) ingénua, fazia-me impressão ver entrar e sair daquele local senhoras muito bem vestidas e maquilhadas que pareciam mesmo umas Senhoras Donas, e quando lia aquela .literatura de m.... ficava surpreendida e quase chocada por pensar que aquele chorrilho de palavrões e aquelas descrições porcas só podiam ter sido escritas por aquelas mãozinhas delicadas, manicuradas, de unhas bem pintadas. Como eu costumo dizer, .não ligava nada o nome com a pessoa..
Isto era há mais de vinte anos, mas as coisas não mudaram nada.
Vivemos numa época em que todos querem parecer bem . o que eu acho muito bem, por sinal! -, só que afinal vai-se a ver e as coisas não mudaram nada. As pessoas mudaram por fora mas esqueceram-se de mudar por dentro, a maneira de pensar, a mentalidade, ficaram lá no tempo das caravelas, do atirar os despejos pela janela sem sequer dizer .água vai..
Talvez o Governo, que anda sempre a pensar em maneiras novas de .criar incentivos para as empresas., devesse pensar em criar .incentivos para a boa educação e o civismo dos cidadãos..
Mas isso deve ser muita areia para a camioneta deles, porque os governos modernos só governam para a economia e as empresas e esquecem-se que são governo porque o povo os pôs lá. Para eles o povo é assim como um cometa que só está perto durante três meses de quatro em quatro anos . mesmo antes de irem a votos.
Será que a política é a Grande Casa de Banho Pública dos Portugueses, com um cheiro pouco agradável e muitas ideias de m...?...
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:01 AM | Comentários (5)

outubro 08, 2003

Modernização do Ensino II

Já depois da redacção anterior soube que o orçamento do ensino para o próximo ano vai "crescer para baixo".
Só deve haver dinheiro para umas borrachas novas para os pés da cadeira da Cèlinha lá na Escola.
É melhor ir comprar uns novelos de linha e fazer uma almofadinha de croché para ela levar para a escola, a ver se não me desgraça as calças todas outra vez.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:26 AM | Comentários (3)

Modernização do Ensino

Estava-me aqui a lembrar de anteontem quando eu estava eu a lavar a loiça do almoço . sim, que aos domingos o Arnaldo faz o almoço e a Cèlinha põe a mesa, mas a divisão democrática de tarefas acaba aí.
Dizia eu que veio a minha Cèlinha que estava a fazer os têpêcês e era o de Língua Portuguesa e diz assim: .O mãe, sabes alguma coisa de Países Lusófonos?. E eu lá me lembrei de uns e ela de outros e lá fizemos o trabalho a meias.

E fiquei a pensar com o meu Galo nas inaugurações do ano escolar; e pensei: este ano é que foi a valer, que puseram um mapa de Portugal novinho em folha numa quantidade de escolas. Isto é que é modernização do ensino a sério. E o Galo muito sério que parecia mesmo que estava a dizer: é desta que vamos ficar todos patriotas como gosta o Senhor Ministro PP do PP. Que o patriotismo é realmente muito importante e muito bonito e fica sempre bem nas fotografias.
Pois, pensei eu. Gastam o dinheiro todo em mapas por causa do patriotismo e da modernização mas a escola da minha Cèlinha precisava era de passadeiras e telhadinhos porque é daquelas com muitos pavilhões como eu vi no dia da Recepção aos Alunos. E ela diz mas é que são parvalhões (é o Parvalhão 1 para cá, e o Parvalhão 3 para lá, mas é muito injusto porque se fossem mesmo parvalhões os alunos não aprendiam nada e é mentira, que a minha Cèlinha já aprendeu umas coisas novas)
Os pavilhões são assim todos ao pé uns dos outros mas um bocadinho separados, e se está a chover quando acaba uma aula e eles mudam de parvalhão molham-se todos e põem os pés nas poças que a minha Cèlinha no outro dia chegou a casa com os ténis encharcados e eu disse logo .Porque é que não levaste as botas novas? Tira já isso antes que apanhes uma pneumonia...
Aqui há tempo passámos por outra escola que é como a da minha Cèlinha mas é melhor porque assim à volta no meio dos pavilhões tem uma espécie de passadeira um bocadinho alta e por cima das passadeiras tem uma espécie de telhadinho também à volta. Assim ao menos os alunos e os professores que não levaram chapéu de chuva podem mudar de pavilhão sem apanhar uma carga de água.
E o senhor Primeiro Ministro mandou também pôr uma quantidade de computadores nas escolas como tinha feito o outro senhor ministro Mariano Gago. Resta saber se essas escolas todas têm tomadas eléctricas senão lá nas aldeias do interior têm que levar o porco e ligar o computador no focinho do bicho que é a energia do biogás que os porcos produzem muito material para o biogás . é por isso que se chamam porcos.
E isto é que é a modernização do ensino a sério. Que até há países, vejam lá, em que são os pais que dão dinheiro para as fotocópias, e o papel higiénico, e as esfregonas mas em Portugal não é nada disso.
Dizia noutro dia não sei quem que se não gastassem dinheiro a mais nas obras de não sei que cidade esse dinheiro dava para pagar não sei quantos anos de propinas a não sei quantos alunos. Mas isso agora não vem ao caso.
Espero que para o ano façam mais modernização do ensino e que ponham pelo menos uma cadeira nova em cada escola e que calhe à minha Cèlinha a da escola dela porque ainda agora as aulas começaram e já tive que passajar as calças dela três vezes por causa da cadeira que está cheia de farpas . o meu Galo de Barcelos é testemunha.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:01 AM | Comentários (1)