Uma cestinha cheia de Vi-zinha

abril 25, 2007

25 de quê?

Primeiro, levaram os judeus.
Mas não falei, por não ser judeu.

Depois, perseguiram os comunistas.
Nada disse então, por não ser comunista.

Em seguida, castigaram os sindicalistas.
Decidi não falar, por não ser sindicalista.

Mais tarde, foi a vez dos católicos.
Também me calei, por ser protestante.

Então, um dia, vieram buscar-me.
Mas, por essa altura, já não restava nenhuma voz
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.

Martin Niemöller ( pastor protestante anti-nazi)

Assim começa um artigo do Dr. Garcia Pereira no blog da Associação 25 de Abril, intitulado "O 25 de Abril Chegou ao Fim!".
A razão porque deixo aqui este poema é porque ele retrata a maneira de ser dos portugueses, cada um só combatendo o fogo quando chega ao seu próprio quintal, todos muito preocupados com as suas próprias viditas; são capazes de se emocionar com dramas a milhares de quilómetros de distância, manifestar-se por causas nobres, mas quando toca a lutar pelo bem de todos nós, dentro de portas, a conversa é outra: mete as mãos nos bolsos, olha prò lado e assobia.

Fiquem bem.
E disse.

Publicado por vitriolica às 04:01 AM | Comentários (7) | TrackBack

Hoje é dia 25 - de Abril   25 de Abril sempre

Pra dizer a verdade, não há muito pra festejar no presente.
Isso não me impede de lembrar a alegria de há trinta e três anos. O que veio nos últimos anos acabou com a alegria, a democracia está como se sabe, os direitos do cidadão idem, e já não há muitas formas de animar a malta.

Não posso e não quero deixar de lembrar a alegria sem fim de um povo que foi liberto do papão imenso, do pesadelo velho de quase cinquenta anos chamado ditadura.
Viver sem medo foi uma experiência única e um privilégio.
Só por isso valeu a pena, obrigada, Capitães.

Liberdade - Vieira da Silva
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
Chico Buarque

E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 25, 2007

Obviamente que sim!

Nem obrigada!!!
(imagem tirada daqui)

Que uma mulher anda muito ocupada, mas hoje consegui tirar uns minutos pra dar uma saltadinha a esta minha assoalhada internética e dizer que sim,. que vou votar no Referendo - e mais, até a minha Cèlinha que não liga a mínima a votos nem a políticasos, lá foi tirar o seu cartão de eleitora só para poder ir dizer NÃO a mais mulheres prò matadouro, mal-atendidas em vãos de escada e que vão parar aos hospitais onde algumas são maltratadas por (algum) pessoal que julga o acto mas não a mulher ou as condições que a levaram a abortar. E dizer NÃO à clandestinidade que é um duplo castigo a juntar ao remorso de ter que dizer não à criança que até gostaríamos de ter, e criar, e amar... mas olha, a casa é pequena, o ordenado menor ainda, e agora não sabemos quando fecha a fábrica mas é pra breve, e o que te podíamos oferecer depois de nasceres? e é duplo castigo porque, além de ser feito às escondidas sempre com o coração ao pé da boca, além disso, ainda custa os olhos da cara, ou seja, para ser assim num sítio de confiança, paga-se balúrdios de massa - senão, uma desgraçada sujeita-se sabe-se lá a que condições...

Deixar nascer um(a) filho(a) é, de certo modo, uma promessa de futuro - mas que futuro podemos nós comprometer-nos a dar a um filho, nos dias que correm? A insegurança, o desemprego, as condições de vida a piorar dia a dia... e foi para isto que me trouxeste ao mundo, mãe?

Ouvi ontem nas notícias que o Senhor Engenheiro Guterres vai (ou já está a) angariar fundos para ajudar a melhorar as condições de NOVE MILHÕES DE CRIANÇAS QUE VIVEM EM CAMPOS DE REFUGIADOS (eu até nem sou mulher de usar maiúsculas, mas uma coisa destas é de bradar - de berrar aos céus). Bem mais valia que as pessoas que berram alto contra uns milhares de mulheres que tentam evitar mais sofrimentos e vidas difíces, mais valia que berrasem alto contra enormidades desta natureza, ou contra as medidas que têm sido tomadas contra a família - isso sim, verdadeiros atentados contra a vida humana.
Pois se os pais e as mães trabalham (os que têm a sorte de ir tendo trabalho, claro) cada vez mais longe, cada vez até mais tarde, que vida vão ter com os filhos? Se chegam a casa às tantas e ainda vão tratar do jantar, e da casa e sei lá mais do quê, quando vão ter tempo para serem pais dos filhos - conversar, ouvi-los, beijar, ralhar, contar uma história, ensinar uma cantiga?

Por isso, cá a mi, venham lá falar-me em "direito à vida" que eu pergunto logo: a que espécie de vida?...
E disse.

Publicado por vitriolica às 01:53 AM | Comentários (4) | TrackBack

setembro 02, 2006

Reportagem em directo da Festa do Avante

É verdade, camaradas passantes e leitores, cá estamos nós, eu e mais o Arnaldo. A Cèlinha hoje ficou em casa - do Cocó nem se fala, embora tenha encontrado uma quantidade de primos dele ali nos artesanatos lá do Minho.

Pois a Festa tá gira, há bué da people, e estou a usar um computador com um sistema operativo chamado Komunix V3, que é um Linux feito pelos comunistas portugueses - que eles são como o meu irmão Plácido que é todo do Linucse, e Softuére Livre e coisas dessas. Coisa esquisita, desta vez não é o Internete Explorer do senhor Bill, é uma coisa chamada Konqueror, mas aqui a minha casinha da internet tá exactamente igual... Eu ainda um dia hei-de pedir ao Plácido que me instale um Linux ou Komunix ou Ubuntu no meu computador, que acho muito giro ter o Linux e é tudo gratuito e a malta cria os programas por amor à camisola e assim.
O teclado é um bocado duro; à minha direita um puto de uns dez anos pergunta a um senhor que deve ser avô dele "Como se escreve Che Guevara". Isto é engraçado porque nunca escrevi assim uma redacção ao vivo e em directo, e agora passam os bombos lá ao longe (eu gosto muito de ouvir bombos, e melhor que bombos é se vierem acompanhados de gaita de foles).
Bem, people, pois eu ficava aqui agora a fazer a reportagem em directo e ao vivo, mas primeiros, se fico aqui de rabo sentado há muito pouco a dizer; segundos, daqui a nada ainda me expulsam, que deve haver mais gente a querer navegar; terceiros, este teclado é bué da duro, e quase que tenho de escrever tudo duas vezes porque erro metade das téculas e das letras. Parece que já me tão a espreitar por cima do ombro, e o avô e o neto aqui do lado já encontraram a história todinha do Comandante Che Guevara.
Além do mais tenho que ir ali à Festa do Livro, e depois à procura do Arnaldo, e olha, mana Dallete, já comprei um Sant'António de barro pintado, maneirinho - não é bem o que eu queria, mas enfim, é uma forma de apoiar os camaradas artesãos de Braga. Depois logo ponho cá a fotografia.
Tá aqui a chavalita a espreitar-me por cima do ombro, e falo com ela e faz um sorriso envergonhado e diz "Não, eu só queria jogar..." como quem diz "O estupor da velha tá mas é a escrever um novo "Guerra e Paz" e não há meio de desamparar a loja..."
Prontos, em directo da Festa do Avante é todo por agora, saudações.
E disse.

Publicado por vitriolica às 10:27 PM | Comentários (6)

fevereiro 13, 2006

Uma semana depois...

...já parece primavera:

Narcisos
Os primeiros narcisos estão em flor e apetece deixá-los aqui - sobretudo para quem está de casa nova.
Especialmente para a Sôdona Ana, mas oferecida a todos os visitantes e leitores que por aqui passarem (e já lá vai quase um quarto de milhão de visitas nestes dois anos e quase meio).

Que ao menos a natureza nos continue a dar razões para nos sentirmos bem com a vida.
Boa semana, fiquem bem.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:35 AM | Comentários (7)

fevereiro 05, 2006

Provérbios...

Já reparaste, mana Idalete, que o "provérbio do dia" tem tudo a ver?
Pois lá diz o outro ditado "Voz do povo é voz de Deus". E também: "Quem sai aos seus não degenera".
'brigada pelo belo presente, e obrigada também à Mariza Marlene, que não desfazendo a prenda dela não desmerece nada a da mãe, benza Deus.

Queria ter muita vontade de festejar hoje, mas por acaso tenho pouca. Enfim, coisas da vida, mas tamém esta coisa de festejar com data marcada é assim a modos de uma imposição do calendário que não tem nada a ver com as partes íntimas de cada um.
Mal comparado, é como essa coisa que resolveram impor de não se poderem casar pessoas do mesmo sexo mas que se amam e se querem bem; já se forem de sexos diferentes, podem casar e andar à pancadaria dia sim dia sim que ninguém se escandaliza...
Por estas e por outras é que eu sou assim meia anarquista - quando vejo estas situações que vão contra a natureza das pessoas só porque está escrito num pedaço de papel que "tem que ser assim". O que devia ser importante era que cada um vivesse bem consigo próprio(a), e que todos pudessem ser, senão felizes, pelo menos viverem sem serem incomodadas - desde que não incomodassem ninguém.

E esta redacção que era só pra agradecer-te, mana Idalete, acabou por "virar" um dos meus "filosofanços", que é como quem diz, filosofia de cozinha a condizer com o blog.
Queria muito agradecer-te teres-me dado uma parte da minha vida passada; com o teu jeitinho e o teu amor sacanaste todas aquelas fotografias antigas, do tempo em que estávamos todos fisicamente juntos - mas talvez menos próximos que agora. E se há presentes que não têm preço, este é um deles: esta parte bonita do nosso passado que é a lembrança das coisas boas.
Já te devia muito, fico a dever-te mais esta dádiva. (que frase mais cheia de "d's", mas olha, fica mêmassim, prãtes!).
(como o dia tá a acabar, aqui fica lembrado o provérbio: "Não te envaideças do que sabes e repara sempre no que fazes.")

De repente deu-me uma vontade de deixar aqui um bocadinho do meu jardim pra todas vocês, mulheres que são estrelinhas no céu da minha vida; que estes meus narcisos ainda por abrir sejam a promessa de uma Primavera no fim deste inverno tão duro que estamos a viver.
Prà Idalete e a Mariza Marlene, prà Lizandra e a Vitriólica Maria, prà Cristalina, prà Artemísia fica um grande beijo e muuuuita gratidão por esta coisa que nos une que se chama amizade, irmandade, amor limpo e desinteressado. São gerações diferentes, laços diferentes, mas a força que circula entre nós é a mesma.
Fiquem bem, um abraço.
E disse.

Narcisos ainda em botão

Publicado por vitriolica às 11:48 PM | Comentários (3)

janeiro 23, 2006

Os meus momentos eleitorais

Pois está na hora da analisezinha da praxe, e como não foi possível à equipa técnica do blog conseguir a presença do Professor Marcelo e daquele Doutor do PP que vai à Quadratura do Círculo e parece sempre que vem de um casamento onde foi o padrinho do noivo (reparem bem no casaco, que parece sempre que acabou de sair da montra de uma loja chique, nas gravatas largas, abundantes, com um nó que tem o ar de "fui acabado de fazer, ó pramim cheio de pujança", e no cabelo com ar de ter sido ajeitado e alisado fio por fio).
Dizíamos nós, equipa técnica, que como não nos foi possível trazer figuras de proa para redigir elaborados e meticulosos artigos de opinião, tomaremos graciosamente em nossos ombros essa grandiosa e grandiloquente tarefa: Passamos, pois, a apresentar uma breve mas exaustiva resenha dos momentos mais significativos desta gloriosa jornada em que, por um dia, saímos da nossa apagada e vil condição de povinho para sermos guindados à cívica e nobre condição de eleitorado.

Momento mais alto da jornada eleitoral:
Num momento da hora do jantar em que o meu Arnaldo se apossou do telecomando e zapou prà TVI, a magnífica actuação da peixeira siliconada da boca grande, que tem a grande qualidade de tratar os entrevistados como se fossem um bando de putos que acabou de surpreender a riscar-lhe o carro no estacionamento. Vinte valores pela elegância, pela dignidade, pelo ar sereno — e pela forma como faz os convidados sentirem-se em casa (acabada de invadir por Conan e os Vinte Bárbaros). Só houve um pequeno problema: gelou-se-me logo o molho da carne no prato...

Frase da noite:
Foi a Sôdona Ana que a "pescou" de um dos candidatos. Faxavor ir lá ler, que eu sou pela divulgação dos originais e não pelo copia/cola à papo-seco.

Boletim Meteorológico:
O boletim do dia é o da Sôdona Emiéle. (e não se esqueçam de clicar na foto!)
Uma consolação nos resta: "... há sempre uma candeia dentro da própria desgraça..."; não podemos esquecer-nos de a manter acesa.

Melhor história:
votos que são menos secretos que outros...

Futurologia:
Uma previsão rigorosa, baseada em critérios científicos do mais moderno que há em Portugal, estrangeiro e arredores. Os meus (óculos) vão ser como as janelas cá de casa: vidros duplos, pra aumentar a protecção contra as agressões!!!

Mau perder:
Senhor Engenheiro, em trinta anos e não sei quantas eleições, nunca me lembro de ver um líder "aparecer no ar" ao mesmo tempo que um colega. Os vossos umbigos são tão ciosos e zelosos que fazem os possíveis por aparecer um de cada vez e bem destacado da concorrência, pra terem a ceteza de que têm o tempo de antena todo a que (acham que) têm direito...
O Senhor Engenheiro deu ao povo um bonito exemplo de elegância democrática, uma altíssima prova de que é superior a qualquer espécie de "mau perder". O eleitorado, reconhecido, agradece a inestimável lição de civismo proporcionada pelo Homem que superiormente dirige os destinos da Nação. Querer obnubilar a presença da concorrência nos media (palavra chique e high-tech, esta!) é d'Homem, é de cavalheiro imbuído do mais apurado respeito pela democracia e pelo adversário.

A grande prova:
Há vida política em Portugal fora dos partidos políticos.... embora haja políticos nos partidos que não sabem/não acreditam.
E disse(mos)

Publicado por vitriolica às 12:19 AM | Comentários (5)

janeiro 22, 2006

Viva a monarquia!!!

Informa-se os estimados clientes, passantes, leitores e outros aderentes que este blog acaba de aderir à monarquia — após uma curta mas decisiva e intensa reunião trabalho. A decisão foi tomada por unanimidade e aclamação, com o auxílio de um chazinho de cidreira. Para já trata-se de um contrato de cinco anos, renovável por mais cinco se as condições assim o justificarem.
O Conselho de Redacção: Vi e Doutor Cocó

Publicado por vitriolica às 11:36 PM | Comentários (2)

janeiro 03, 2006

Só pra que conste...

Só pra que conste, ando parada mas tou vivinha da Silva, oh se tou! O juízo anda assim um bocadinho esmarrido, que é como quem diz que ando fraca da cabeça para pensar; e é por isso que tenho aberto pouco as janelas e as cortinas aqui do blog, e o pó vai-se acumulando e tal. Uma chatice, é o que é. E vai-me faltando a freguesia (basta ver as 'tatísticas aí ao fundo à direita), e a vizinhança até reclama...

Isto há épocas na vida de uma pessoa que são assim, meio paradas das ideias - e com tanta coisa a acontecer por aí: pois lá acabou a Primeira Companhia e parece que quem ganhou foi um velhinho chamado Mário que tá cheio de pedalada e vai concorrer a um reality show que estreia em final de janeiro que é a Primeira Presidência; mais um candidato que é de uma terra que primeiro se chamava Poço e depois foi promovida a Fonte vá-se lá saber porquê; e outro candidato, que só me lembra uma canção que dizia "... e Alegre se fez Triste..." - o que é uma pena, porque se forem bem a reparar, é o que tem melhor voz pra entrevistas e Conversas com a Nação.
Sim, que isto ao cabo e ao resto eles falam, falam, e depois não há lá muita coisa que um presidente possa fazer - que até há uns senhores que acham que eles até fazem coisas a mais e queriam mesmo que os presidentes de Portugal fossem como aquele que era Almirante.
Esse era bom a cortar fitas e a fazer inaugurações, mas os Presidentes, agora, já não podem fazer essas coisas, quem tem que fazer são os ministros que é para terem muitos votos nas eleições. O Presidente Almirante também era bom nos discursos, que em lembro-me de um que começava assim: "É a primeira vez que aqui estou desde a última vez que cá estive..." Isto sim, é que era discursar a sério, e acontecia tal como agora: o povo ouvia e não percebia nada, mas achava muito bonito e batia muitas palmas.

Ontem ouvi um senhor na televisão (um que é nortista e não elitista) a dizer que os Presidentes têm poderes a mais, e depois querem mexer nas coisas e estragam tudo - o que me lembra logo do coitadinho do Eduardo que tinha umas Mãos de Tesoura e também era uma desgraça, a pobre da criatura.
Por isso, se calhar, aquele Senhor que estava a falar na televisão devia era mandar dar aos Presidentes da República um curso de Corte de Coisas Várias, e o povo inscrevia-se e ia ao Palácio de Belém cortar o cabelo, e requisitava o Presidente pra ir aparar os arbustos nos jardins.
Eu cá ia logo dar o nome prás duas, que o meu cabelo bem tá a precisar de um jeitinho e já tinha quem me podasse as roseiras no Dezembro que vem - sem falar na sebe de alecrim, que tá a ficar mais alta que o meu Arnaldo.

Assim os Presidentes já ficavam com uns poderes pra se entreterem, o povo tinha cortes de cabelo e podas de jardim à borliú, e o governo não tinha ninguém a mandar criar Secretarias de Estado Disto e Daquilo, ou a fazer Presidências de Proximidade, nem a querer justiça, harmonia, e mais convergência, e mais uma data de exigências que os Candidatos todos andam praí a fazer. Só tenho pena que a Dona Carmelinda não tenha arranjado as assinaturas, que eu ia ver se lhe pedia um jeitinho (não é meter uma cunha, era só um jeitinho) pra ela arranjar maneira de pôr todos a pagar a crise por igual, em vez de serem só os do costume.

Pronto, não falei do Candidado Louçã e do Candidato Camarada Jerónimo. Mas isso é só porque estive quase uma semana fora do meu planeta do costume: não vi noticiários senão uns bocadinhos, e esquecia-me logo a seguir. Tou muito desactualizada da actualidade, mas prometo que se ouvir alguma coisa interessante sobre o assunto volto a ele.
Por agora ando muito atarefada com croquetes e peúgos, e outros afazeres das lidas domésticas - e não tenho Secretário de Estado nem Director-Geral que me valha: sou só eu, tudo eu, e uma mulher é pequena e não pode chegar a tudo, é o que é. Quando puder, eu volto.
E disse.

Publicado por vitriolica às 09:00 PM | Comentários (1)

dezembro 04, 2005

Apoiar campanhas - sim, ou não? (ou eu keru iXkrever bãi pk eh bunit)

Isto uma mulher passa a vida a receber meiles, e a ler apelos em blogs, e precisava de ter um(a) secretário(a) só pra tratar desses assuntos.
Ele há campanhas pra tudo e mais alguma coisa, que nem há mãos a medir.
Hoje li duas coisinhas que me interessaram:
Uma delas foi ali na sôdona Teacher, senhora muito séria e respeitável, e também dona de um coração bom como sabe quem a conhece. Também ela caiu numa esparrela, que isto no melhor pano cai a nódoa, sobretudo em quem acredita e confia e tem vontade de ajudar.
E sobre isto só vou escrever uma coisa, que é, se não conhecer pessoalmente – e bem – a pessoa que criou o pedido, ou o apelo, vá com muita cautela. Até porque a gente não precisa de “inventar” causas novas, que infelizmente abundam muitas, e justas, e criadas por Gente do Bem.

A outra foi ali no menino White Tiger, e tem tudo a ver comigo porque é sobre iskrever bãi – que é uma coisa que sempre me interessou desde que andava na escola primária. É verdade que a redacção do Menino é sobre outra coisa, tem a ver com a página da FIFA, e o futebol, a mim, é coisa que nem aquece nem arrefece. Já o ter a página da FIFA em português é outro assunto, e quem quiser ir lá assinar a petição pois faça o favor, porque apoiar o uso da nossa Língua é sempre uma coisa bonita de se fazer. O que me chamou a atenção na redacção foi aquela parte da campanha do “Eu sei escrever”. Só é pena não ter sido um português a ter a ideia, mas se calhar tem a ver com a maneira como os Portugueses estimam o que é seu e que esteja vivo; aposto que, se a Língua Portuguesa morresse, havia logo montes de campanhas a dizer “Ai era tão boa, e tão bonita e tão rica, que pena ter-se finado, vamos fazer-lhe um lindo enterro com missa de Sétimo Dia e o governo todo em peso de gravata preta, e sai já um peditório pra lhe fazermos um monumento de homenagem.”
De maneiras que eu cá declaro-me desde já apoiante/simpatizante/aderente desta nobre causa. Não importa se escrevemos em português de Portugal, ou do Brasil, ou de outro país lusófono, cada um com seu sotaque e suas maneiras de dizer; importa que cada um saiba usar os diferentes paladares da nossa língua com respeito.

E pronto, sobre causas estamos conversados por hoje, e não se esqueçam que estamos em Dezembro, e ainda vai a tempo de fazer uma doação daquelas que vão descontar no IRS do próximo ano – que é como quem diz, depois de comprar as prendas de Natal, se lhe sobrarem uns trocados, deposite-os na conta de uma Instituição de Solidariedade, peça a respectiva declaraçãozinha, e pode abater no IRS que vai ter de pagar em 2006.
Pode ver uma lista de algumas organizações que merecem a sua/nossa prenda de Natal neste sítio onde um grupo de gente boa anda a usar este brinquedo dos blogs pra espalhar um bocado de solidariedade prática.

P.S. já a acabar esta redacção, descobri que a campanha “Eu sei escrever” teve praí um ataque cardíaco e está em coma desde o fim de Junho. Mas não faz mal. Há praí muita gente que, mesmo sem saber da existência, põe em prática todos os dias esta frase. Como dizia o poeta, “A minha pátria é a Língua Portuguesa”; logo, escrever correctamente pode ser um acto de patriotismo.
E disse.

Publicado por vitriolica às 03:32 AM | Comentários (8)

novembro 26, 2005

Agora, quem fecha a p¡¥±‰™§†ℵƒ♠⇔¨♣∃Σ do blog sou eu!!!

Atão primeiros, uma mulher passa uns tempos sem nada pra dizer ao mundo, e só vem aqui à xafarica de vez em quando pra limpar o pó, porque senão é uma vergonha e há vizinhança que repara.

Segundos, a vida de vez em quando é madrasta, e a gente vem aqui desabafar as mágoas; passa um, e diz: “Li o que tu escreveste e quase que chorei”, e vem outra e diz “Até chorei quando li aquelas tuas palavras” E uma pessoa só queria desabafar um bocadinho e coisa e tal, e põe meio mundo a chorar sem querer, e pensa: “Pois aprende lá ó sua desmiolada, que isto do blog pois é pessoal e intransmissível, sim senhores, mas a verdade é que a coisa pega-se e vê lá mas é se tens mais cuidadinho com o que escreves!”

Terceiros, “Ai é? Pois agora fico na moita, só hei-de aparecer quando tiver coisas muito boas pra dizer, e contar e comemorar, assim tipo «Saiu-me o Euromilhões, e agora é que me vão ver de Mercedes com chófer fardado, e com poleiro de ouro prò Cocó (com poleiro o Mercedes, não é o chófer...)». Nada de vir pràqui desabafar as tristezas, que bem basta cada um(a) ter as suas”.

De repente a gente tem uma coisa boa pra comemorar (não, inda não é desta que vou à fábrica da Mercedes em pessoa pra supervisionar a colocação do poleiro... mas é pena), assim coisas de amores bonitos e tal, de gente boa e merece e por aí fora, e tufas! Cai-me logo a qui um mariquinhas-pé-de-salsa, e coisa e tal, que até fiquei com uma coisa na garganta e sei lá mais o quê!
Ó senhor, pois vá lá ao Doutor dos Ortorrincos pra ele lhe tirar a coisa, senão ainda lhe acontece alguma coisa má e depois lá venho eu carpir prò blog e pumba – lá fico outra vez arrependida de me vir desabafar e deixar mais uma dúzia com a lágrima ao canto do olho e a coisa atravessada na garganta!

De maneiras que ando cá a pensar de mim para cumim – com a assessoria do meu terapeuta privativo e Excelentíssimo Doutor Cocó – se hei-de ou não fechar aqui esta porta de cozinha por onde deixo espreitar quem passa.
Que é como quem diz, é verdade que o movimento anda fraco, e a culpa é minha que não tenho mercadoria de redacções para a clientela; que tamém eu não chamo ninguém, e as pessoas quando pegam no rato pra dar uma voltinha pela internet pois lá fazem o favor de passar por aqui – e só vem quem quer, que eu às vezes até me dá dó de não ter cá uma coisinha nova, e é tudo mercadoria antiga e modas da época passada.

Por outras palavras, não é que eu tenha vontade, mas depois ponho-me a pensar que eu não sou mulher de gostar de ver ninguém triste, e se eu fechasse o blog não se perdia grande coisa; posso sempre fazer as redacções no bloco onde faço a lista das compras entre dois pacotes de Ice Tea e uma embalagem de meio quilo de grão.
Pois se fecham os blogs importantes e de referência como o Barnabé, e o Ruínas e o De Esquerda, a democracia quando nasce é para todos e o fecho do blog também é pra todos – mesmo pra blogs picaninos, humildes e domésticos como este.

Ao mesmo tempo, não tenho assim vontade, que se diga vontade, de fechar o blog: sempre venho limpar o pó de vez em quando e pôr cortinas de lavado. Vou “dar um tempo” como dizem os brasileiros das novelas. Venho e vou quando me apetecer, ponho mais uma redação aqui, mais um biblôt ali, e vai-se vendo.
Acho que é melhor assim; inda por cima, eu nunca fui muito mulher de ir nas ideias dos outros, e assim como eu tenho o direito de escrever, cada um tem o direito de tirar do que escrevo o riso ou o choro que lhe vai na alma.

Tá-me a parecer que já tou a meter os pés pelas mãos, ou o teclado alfabético pelo teclado numérico, mas isso tamém já não interessa nada.
Atão ficamos assim combinados: eu venho quando puder, e o meu caro(a) leitor(a)/visitante faz o mesmo; eu escrevo o que sentir à minha maneira, o/a leitora sente o que ler à sua maneira. Sem compromisso, tábem?
E disse.

Publicado por vitriolica às 07:15 PM | Comentários (3)

outubro 09, 2005

Ergo a minha taça para brindar...

Primeiros, ao regresso da chuva, lá pela meia-noite e picos, que eu tava em casa da mana Idalete a conversar com ela e com o Arnaldo e de repente comecei a ouvir aquela música, tão familiar mas já quase esquecida, da chuva a dar pancadinhas nos vidros, nas folhinhas cheias de sede do quintalão, na chapa dos automóveis.
Era meia-noite e picos e eu disse: “Caluda, oiçam lá!” E era mesmo a chuva, primeiro tão fininha e ao de leve que mal se sentia, e logo logo já não havia dúvidas, era a velha amiga que voltava. E os três à janela da marquise parecíamos três tontinhos de mãos estendidas com as palmas pra cima, a medir, a pesar...
Primeiro com medo “Se calhar são só uns borrifos e pára já...”, e depois já com o sorriso a crescer com a certeza de que era mesmo a sério! E só apetecia ralhar com ela “Sua marota, onde é que tem tado escondida que a gente estava que era uma preocupação só!!!”
Pois ele era os agricultores, e os criadores de gado, mais as Câmaras que já quase não tinham água pra vender às pessoas, éramos dez milhões de pessoas preocupados com o sumiço da boa amiga, que não deu recado nem mandado e tardava em voltar.
Eu cá, que raramente saio de casa, achei que se calhar foi um bocadinho de “culpa” minha, que me desabalei por esse Alentejo afora par ir visitar aquele pedacinho de família que tá um bocadinho longe no mapa mas perto no coração. Enfim, convencimentos tolos, eu sei. Mas provem-me lá, por A mais B, que não fui eu, mais o Arnaldo e a Cèlinha, que fomos levar a chuva àquele Algarve tão precisado dela nos campos, nos charcos, nas cisternas, nos poços. Se forem capazes de mo provar, eu tiro este sorriso de prazer e de felicidade por ter reencontrado a velha amiga que já não via há tanto tempo.
Por isso ergo a minha flûte ao regresso da chuva, e que seja para ficar – mas não abuse, hein?
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:00 PM | Comentários (1)

agosto 26, 2005

Carta Aberta ao Senhor Ministro das Finanças – Folha número 2

Excelentíssimo Senhor Ministro das Finanças de Portugal
Excelência, Vossa Senhoria
Continuando o nosso assuntozinho da carta anterior (ver Folha número 1), e agora que já aprendeu como é que se poupam umas lecas, deixe-me aqui contar-lhe um segredo que eu acho que pouca — muito pouca gente — sabe: acredita, Vossa Senhoria, que há Câmaras Municipais que tão cheias de dívidas? E que dívidas também querem dizer juros? E quase que apostava que algumas — praí umas três ou quatro, pelo menos!!! — até lhe devem dever a Si, Senhoria e Excelência!!!! Pois! E aposto que não devem só dez euros e mais uns trocos como eu e o Arnaldo! Tábem, com os juros e as alcavalas parece que a coisa já vai em vinte...
Mas e as Câmarazinhas, como é que é? Atão um organismo que é eleito pelo povo, e que ao povo deve governar e respeitar, não sabe que é muito feio ter dívidas e não pagar?
Por exemplo: mesmo sendo uma ninharia de vinte euros + trocos, acho que o senhor fez muito bem em não me devolver o meu dinheiro enquanto eu não pagar o que devo. Mas e os outros? ... as Câmaras... os clubes da bola... e os sei lá quantos mais que eu nem faço ideia?

Se o Senhor obrigasse cada um a pagar as dívidas que faz, ia ver que num instante as Câmaras, os clubes da bola e sei lá quem mais iam ter que bater a bolinha rasteira e pensar antes de gastarem mundos e fundos — que é o que fazemos todos os dias: eu, e milhares de domésticas, e mulheres que trabalham, e homens por esse país fora.

Pois, o Senhor tá bem de vida, e nem sonha as ginásticas que as pessoas comuns são obrigadas a fazer todos os dias; porque não há-de o resto fazer o mesmo? Tábem, eles só fazem porque podem; ou antes, porque os deixam! Fazem as porcarias todas que querem, e no fim vão-se embora alegremente e ninguém é responsável por nada. A gente já sabe...

Olhe, fique descansado que eu amanhã já vou a caminho das Finanças pagar os tais dez euros mais os juros. Só espero que lhe vão logo dizer, e que tamém seja rápido a depositar o chequezinho da devolução...
E não se esqueça: se procurar com cuidado, encontra gente que deve muito mais que muitas vezes dez euros, e até — pode não acreditar, mas juro-lhe que me contaram e pela pessoa que foi eu acredito — há gente que lhe diz que ganha menos do que ganha só pra não pagar o que devia. E há por aí muito organismozinho do Seu/nosso estado onde há muito desperdício.
Vou pagar os dez euros mais juros, mas gostava que me prometesse que vai controlar tão bem os gastos do Seu ministério como eu controlo os gastos cá de casa.
Pronto, ficamos assim combinados, eu não me importo nada de pagar o que devo, agora só falta Vossa Excelência, Senhoria, ir à caça dos outros caloteiros; ou pensa que sou eu a única?

Fique bem, e com os anjos, Senhor Ministro, e dê muitas recomendações à família.
Cumprimentos respeitosos e humildes desta sua devedora que se assina
          Vitriólica C. O. Rosiva

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (3)

agosto 24, 2005

Carta Aberta ao Senhor Ministro das Finanças – Folha número 1

Excelentíssimo Senhor Ministro das Finanças de Portugal
Excelência, Vossa Senhoria
Venho por este meio electrónico dar assim uma palavrinha a Vossa Excelência por causa do meu IRSzinho e mais do meu Arnaldo.
Eu não sei se o Senhor Ministro sabe, nós somos ciber-contribuintes – que é como quem diz, cumprimos os nossos deveres fiscais pela internet, pelo menos quando podemos: quando o sítio não entope, e tudo corre nos conformes. E temos cada um o seu endereço de correio electrónico, e tudo!

É por isso que eu não percebo porque é que hoje recebemos três cartas três, só para nos dizer que não nos devolve aquele pedacinho dos nossos impostos que lhe sobrou. Tábem, não devolve por enquanto e a culpa é nossa. Lá irei mais adiante.
Agora, Senhor Ministro, pois não sabe que o imeile é grátis? e ainda por cima amiguinho do ambiente e da floresta porque não consome papel? Isto, claro, sem falar no seu mealheiro, que só em papel e selos é uma dinheirama louca...

Pois eu cá, se fosse ao Senhor Doutor, mandava mas era um meile prò casal, daqueles com aviso de recepção, e tava o assunto resolvido. Já nem falo do que poupava de carteiros, mais do postal de aviso se a pessoa não está em casa – mais uma data de postais, mais uma arvorezinha derrubada, mais magro o porquinho mealheiro... Com dois meiles de graça tava resolvido o assunto.

Agora três cartas!!! Tá-se a ver que a coisa tá a ficar organizada, mas ainda faltam uns retoquezinhos... Se a gente tem uma dívida, bastava uma cartinha a dizer: “Os senhores têm a haver tanto, mas só recebem depois de pagarem o vosso calote, que é tanto”. Viu? Uma cartinha – melhor ainda, um meile com aviso de recepção chegava! E a tinta pra imprimir as resmas e resmas de folhas? E o desgaste das não-sei-quantas impressoras?
Cá na minha modesta opinião de doméstica ainda há muito desperdício no ministério de Vossa Excelência; se quiser umas dicas de poupança como deve ser é só dar um toquezinho aqui à Vi e vai ver que consegue um ror de dinheirama num instantinho.

Por agora fico por aqui, pra não cansar muito a carola de Vossa Excelência.
Despeço-me com muita estima por um Alto Servidor da Nação e sou, com toda a consideração e respeito
Esta sua que se assina
Vitriólica C. O. Rosiva

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (6)

agosto 22, 2005

Natureza morta

Pois nem só de batatas se faz um quintal, e para provar isso mesmo, aqui fica uma colheita de legumes que é de fazer inveja a muita gente.
Ele é tomates, batatas, pêras e até uma cebola - procurem bem, senhores e senhoras, assim mais clarinha, na parte de baixo do cestinho.

Legumes à Arnaldo

Tudo isto é fruto do trabalho do meu Arnaldo assim para se entreter ao fim de semana, que ele gosta destas coisas de mexer na terra e agricultar um bocadinho. O tamanho não importa, o que importa é que são fresquinhos, e se não são tão de agricultura sem aditivos como eu gostaria, é que o Arnaldo não desiste de pôr de vez em quando uma coisinha pra matar o bicho; eu ando sempre a tentar convertê-lo à agricultura biológica, mas tem que ser aos pouquinhos e com muita diplomacia...
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:13 AM | Comentários (1)

agosto 12, 2005

Leve

e luminoso e lindo; e com a simplicidade e a pureza de uma humilde flor do campo.

Flor

É assim que eu desejo o futuro da minha querida Cèlinha, desde o dia em que ela nasceu – faz hoje (alguns) anos.

Prati, filhota, neste dia vai tudo o que de bom eu tenho no coração. (nos outros todos também, mas hoje especialmente.)
E disse.

Publicado por vitriolica às 05:48 PM | Comentários (4)

agosto 01, 2005

PT que pariu - parte 2

Ou Às vezes, reclamar adianta mesmo

Pois é verdade, cá a Vi, ainda antes de vir fazer queixinhas e dizer mal aqui no blog, fez duas reclamações em forma, uma à Sôdona PT e outra ao Clix.
Que é como quem diz, expus os factos, disse que estava mal e perguntei o que é que eles pensavam fazer em relação ao assunto. Mai-nada! A verdade é que não estava à espera de grande coisa - afinal, sou uma consumidora-pagante-portuguesa, o mesmo é dizer, tenho dois únicos direitos: pagar e calar...
Mas não, desta vez a coisa foi diferente! Ou talvez seja melhor dizer meia-diferente:
da Sôdona PT recebi, passados quatro dias, um meile que dizia o seguinte:

Estimado Cliente

Na sequencia do e-mail que nos enviou, informamos que tera de reportar a situacao apresentada ao respectivo fornecedor de internet.

Continuando ao dispor, subscrevemo-nos

Com os melhores cumprimentos
Servico de Apoio ao Cliente

Faxavor reler com atencao: nem assentos, nem ssedilhas, nem desculpe nem lamentamos... Só um "sacudimos a água do capote, porque o nosso negócio são milhões e não perdemos tempo com coisas de tostões" Tábem, eu não esperava outra coisa. Fim de episódio.

Já o Clix, levou um bocadinho mais de tempo a responder: só passados cinco dias tive uma primeira resposta:

Estimado Cliente,
Antes de mais agradecemos o seu contacto.

Acusamos a recepção da sua mensagem, a qual foi encaminhada para o departamento competente. Brevemente terá uma resposta às suas questões.

Para mais informações ou ajuda adicional não hesite em contactar-nos.

O Clix pede-lhe: lembre-se da sua responsabilidade ambiental antes de decidir imprimir este e-mail

(e pensei cá com os meus botões: "Bem, lá pra dia de S. Nunca, mesmo pela hora da bica, há-de vir a segunda parte da resposta...")Apreciei o pormenor ecológico, e agradeci mentalmente em nome das arvorezinhas do planeta.

Pois não é que me enganei?
E se ele há dias em que uma mulher fica contente por se ter enganado, este foi um deles, oh se foi!!!

Ontem à tarde (nove dias depois da reclamação, o que é um recorde pelas regras portuguesas!!!) recebi um novo mail do Clix que reza assim:

Estimado Cliente,
Antes de mais agradecemos o seu contacto.

No que diz respeito à sua questão, informamos que foi dado 1 dia de utilização, como compensação pela situação que nos indica.

Para mais informações não hesite em contactar-nos.

O Clix pede-lhe: lembre-se da sua responsabilidade ambiental antes de decidir imprimir este e-mail

Bonito; gostei de ler. (e de novo o pormenorzinho ambiental que faz parte da "assinatura" do Clix) Mesmo assim, e como boa cidadã deste país que não (pode) acredita(r) muito em promessas, fui à minha "Área de Cliente" no Clix confirmar a verdade verdadeira, que nestas coisas aprendi com o São Tomé. E lá estava, preto no branco, o pagamento da próxima mensalidade adiado um dia.

De onde se prova que vale a pena reclamar em termos; de onde se prova que, mesmo mesmo tratando-se de uma ninharia, o cliente gosta que lhe dêem razão quando a tem; de onde se prova que há empresas em Portugal que ouvem o cliente - e sobretudo, que lhe conhecem e respeitam os direitos.
De onde se prova que tenho razão em ser fiel ao "meu" Clix.

Por isso, caro(a) leitor(a)/visitante, se foiO que a gente precisa (entre muitas outras coisas), é de mais saber reclamar e menos dizer mal. um(a) dos(as) afectados(as) pelo "apagão" do Clix no dia 20 de Julho que afectou o people da Margem Sul do Tejo, verifique se também foi contemplado(a) com um diazinho extra; e se foi, deixe aqui um comentariozinho; e se não foi, faça como eu - reclame; e já agora, depois venha cá e conte, que a gente gosta sempre de saber.

E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (4)

julho 21, 2005

PT que pariu!!!...

Pois é, uma mulher quer saber o que se passa no resto do mundo, e fica sujeita aos jornais e telejornais.
É pouco, pra quem tá habituado(a) a ver o mundo todo à volta pela internet.

Eu, que sempre disse bem do "meu" Clix, hoje roguei-lhe umas pragas valentes por ter passado mais de não sei quantas horas sem poder ligar-me à Mãe de Todas as Redes.
Os desgraçados devem tem tido umas centenas largas de chamadas, oh se devem! Como mulher prevenida vale por duas, eu cá só telefonei ao fim de umas horas valentes – que isto de chamadas a não sei quantos cêntimos por minuto, uma mulher tem que andar devagar.
Fui atendida à segunda vez, que aqueles telefones até devem ter fervido com tanta chamada. Um rapazinho lá me explicou que tinha sido um tranglomanglo qualquer no não-sei-quantos da Portugal Telecom, ou seja, o serviço que a PT vende (provavelmente caro) ao Clix foi prò caixote do lixo – em toda a zona aqui das minhas redondezas.

Pronto, assunto encerrado. Lá tive que des-rogar as pragas que tinha rogado ao Clix (que sempre tem sido maizoumenos certinho), e voltar a rogá-las (desta vez em dobro) à "querida" Portugal Telecome.
E depois, pra acalmar a fúria, telefonei à PT e apresentei a minha reclamação.

Como vivemos em Portugal, isto vai ficar tudo como está...
Mas cá no meu ver, devia ser assim:
- O Clix, quando às vezes me esqueço de pagar, corta a ligação no minuto exacto em que termina o prazo de pagamento – certinho, benza Deus!
- Logo, o Clix devia devolver-me cada minuto em que estive privada do acesso à Admirável Rede das Redes.
- O Clix não teve culpa do que se passou.
- Logo, o Clix devia exigir à PT uma indemnização que cobrisse todos os minutos perdidos por todos os assinantes afectados, mais uma bela quantia por perdas e danos, por ter perdido prestígio junto dos actuais e candidatos-a-futuros utilizadores.
Isto, se a gente vivesse num país onde os consumidores têm outros direitos além do de pagar, e onde não houvesse um monstro dominador e intocável chamado Portugal Telecome – que faz o que quer e lhe apetece e lhe dá na realíssima gana, e ninguém lhe vai à mão por isso.
Não sei se hei-de chamar a isto um desabafo, uma fúria ou sei lá o quê; uma chatice, sei eu que foi. E se calhar prejudicou muita gente que precisa da Internet para trabalhar, enquanto a mim só me irritou. E é pouco?

Esta parte aqui por cima foi escrita ontem, quarta-feira, às três da tarde. A "minha internet só "ressuscitou" pertinho da meia-noite...
E disse.

Publicado por vitriolica às 01:48 PM | Comentários (7)

julho 14, 2005

372 - minimalista

adjectivo 2 géneros
· diz-se da arte que utiliza um reduzido número de temas ou elementos, repetindo-os ou isolando-os no contexto da obra;
· que reduz ao mínimo;
substantivo 2 géneros
artista que utiliza esta técnica;
(De mínimo+-al+-ista)
© Porto Editora, Lda. – 2001

Inauguração de um novo estilo neste blog, por influência de um comentário do Senhor Rajoadas (e por causa da mudança de estilo e coisa e tal, aqui está um linque umbiguista prà redacção em causa).
Sendo eu uma mulher do contra, em vez de fazer títulos bem compridões pra dar nas vistas, ou todos em maiúsculas estilo parangona de jornal, vou passar a fazer títulos curtinhos – que isto, se há pessoas que gostam de mudar o visual, pois a mim apetece-me mudar o estilo dos títulos: bem piquininos - assim quase despercebidos.

Com tudo isto aprendi uma palavra nova, o que me deixa muito contente porque eu adoro aprender coisas – e quando são significados de palavras novas, oh, oh, ainda gosto mais!

Temos então blog minimalista. À vista. Nova experiência. Sensações. Giro. Curtido. Bué. Minimalista só por parte dos títulos, que isto de escrever pouco custa mais e cansa mais o cérebro do que escrever tal-qual a gente pensa. Mas os títulos, esses, vão mesmo ficar minimalistas.
Um muito obrigada ao vizinho Adalberto que me ensinou a palavra nova e me aconselhou a ver o significado no dicionário.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (1)

julho 13, 2005

então e não é que levei mesmo?

Levei mesmo c'uma coisa em cima, muito bem atirada por um vizinho atento. É verdade que eu estava mesmo a pedi-las, porque falei de "a importância da falta de assunto na criatividade dos que escrevem nos blogues".
Ora o que eu devia ter escrito era "a importância da falta de assunto na criatividade das pessoas chamadas Vitriólica C. O Rosiva que escrevem nos blogues."

Tábem, não me apetece falar da desgraça dos incêndios porque já falei deles no verão passado, e os Senhores Ministros desse tempo também falaram, e se bem me lembro alguém disse que estavam a organizar tudo pra este ano a coisa não correr mal. Tá-se a ver. Pensei cá comigo: "Vi, pois se o senhor, no ano passado, disse que a coisa este ano ia correr bem, aquelas coisas que andam a dar nos noticiários devem ser como aquilo do arrastão que toda a gente disse que foi, e agora anda toda a mesma gente a dizer que não foi."
Aposto que dos incêndios se calhar ainda acontece o mesmo, que eu não acredito nada que o Senhor Ministro tenha prometido e dado a palavra, e agora não esteja a acontecer tal-qual como ele disse que ia ser.

E outras coisas assim importantes não tem havido nada de que me apetecesse falar, porque aquilo que tenho visto nos últimos meses só serve para "reforçar" a minha confiança nos políticos e respectivas promessas.
Se eu mandasse no parlamento fazia já uma lei como naquela coisa do futebol: "Promessas, só no fim do mandato do Governo". Que assim os Senhores Políticos e Governantes já não tinham que gastar a imaginação a inventar promessas de campanha eleitoral e poupavam as energias e as forças e a imaginação pra resolver problemas reais de quem os elegeu, pra fazer coisas concretas que melhorassem a vida das pessoas.
Neste momento está tudo a correr muito bem, não há descontentamento, todos vivemos às mil maravilhas com belos ordenados e poucos descontos; em Portugal temos políticos e governantes honestos, escrupulosos, incorruptiveis, zelosos pelo bem-estar do sempre bem-amado povo. Vou falar de quê?

Também não me apeteceu falar daquela desgraça que aconteceu em Londres. Pra quê? Pra dizer "Andavam mesmo a pedi-las."? (não as vítimas, inocentes desgraçados que pagaram com a vida o preço do petróleo de uns, a sede de poder de outros, e o fanatismo de outros ainda).
Ou pra achar piada à histeria que vem a seguir a uma coisa destas:
- dos que aproveitam o valente susto para inventarem logo maneiras de vigiar tudo e todos ;
- dos que começam logo a "pôr trancas na porta" como se fosse haver um atentado igual ou parecido no mesmo sítio ou noutro parecido, no dia ou na semana seguintes.

A verdade é que isto do terrorismo virou um (infeliz e macabro) folclore, e se eu tivesse a tara das conspirações dizia que o Bush & Companhia tá feito com o Bin Laden & Companhia; ou seja, os atentados terroristas servem às mil maravilhas para os propósitos dos que acham que são mais donos do mundo que os outros: aplicam a táctica do terror, acagaçam o pessoal todo, e lá vão convencendo o comum do cidadão a deixar vasculhar a vida de tudo e de todos com a desculpa do "É pra ajudar a acabar com o terrorismo."
No final das contas, vão apertando a tarracha sobre o pobre do Zé Povinho mundial, mas o que acontece é que os terroristas não são parvos nenhuns, e quando atacarem outra vez (lagarto, lagarto!) vai ser numa cidade, e num local e numa hora que ninguém faz ideia – senão não era ataque terrorista nenhum, era "explosão com hora e local marcados".
E a verdade é que quem morre praticando actos terroristas é tal-qual os soldados das guerras "normais" (devo estar fora do meu juízo pra chamar "normal" à maior anormalidade do Homem): morre sem glória, pra encher os cofres dos "pançudos" do costume.
O Live8 também foi muito bonito, e eu vi uns pedaços na televisão. Pois a intenção é boa, e eu não podia apoiar mais; mas a gente sabe que quem decide é o G-8, e duvido que eles liguem a mínima a uns milhões de gente boa e solidária mas que não manda uma beata nos destinos do planeta.

E tirando isto, não tenho mais assunto. Vou voltar ao croché e às bainhas dos panos da loiça.
O expediente deste blog tá em "estiagem", que é a mesma coisa que "hibernação" mas ao contrário.
E disse.

Publicado por vitriolica às 02:55 AM | Comentários (4)

melhor

ou "A MELHOR COISA DOS BLOGS É QUE A GENTE SÓ ESCREVE QUANDO TEM VONTADE E INSPIRAÇÃO E NÃO TEM OBRIGAÇÃO NENHUMA DE VIR PRÀQUI ESCREVER COISAS COM DIA E HORA MARCADA"

Este é que era pra ser o título da redacção, mas ia parecer muito mal na lista do Weblog um título deste tamanho – inda por cima todo em maiúsculas. Inda corria o risco de algum vizinho aqui do Weblog me atirar com alguma coisa acima – e com toda a razão, diga-se de passagem.

De modos que a verdade é que de repente deu-me assim uma saudade e uma grande vontade de escrever qualquer coisa. O pior é que ando mesmo sem assunto...
Vai daí, pois a falta de assunto é um assunto tão bom pra escrever como qualquer outro. O que não falta praí é livros, e textos e não só sem assunto, e não deixa de não ser por isso que não são escritos.

Dizia eu então falta de assunto... é não é que é o único assunto que me vem à imaginação? Pois está visto!
Claro, é um tema que tem prós e contras, vantagens e desvantagens; uma coisa é certa: podia ficar aqui uma hora a escrever sobre este assunto da falta de assunto. Muita coisa se pode escrever sobre o tema, e aposto que deve haver até estudos universitários, quiçá teses de pós-gradeamento sobre tão difícil e complicada matéria.
Afinal de contas o zero é o infinito (ou coisa parecida) – logo, o zero-assunto é o nada mas também o tudo, o vazio e o a-rebentar-como-um ovo. A matéria daria, certamente, pano para mangas, quiçá uma obra em vários e pesados volumes.
Porém, hoje, fico por esta pequena mas afincada reflexão sobre a importância da falta de assunto na criatividade dos que escrevem nos blogues.
E disse.
(assim se escrevem nove parágrafos, trezentas e oito palavras, mil trezentos e vinte e seis caracteres – excluindo espaços, mil seiscentos e e vinte e quatro caracteres – incluindo espaços, tudo isto afora o presente parágrafo, e tendo como único assunto: a falta de assunto.)

Publicado por vitriolica às 12:02 AM

julho 06, 2005

Hoje estou assim

O QUE RESTA DE HOJE

O que resta de hoje
não serve
para viver, para morrer,
para mim, para ninguém.

in OBRA POÉTICA 1953-1993, LUÍS PIGNATELLI, &ETC, 1999

pedi emprestado aqui

Ontem e hoje não foram dias bons. Foi por isso que não pude aceitar o convite gentil do Senhor Changuito.
Numa altura mais propícia lá irei cumprir o prometido. Palavra de Vi.
E disse.

Publicado por vitriolica às 08:03 PM | Comentários (4)

julho 05, 2005

Resposta em forma de redacção

Caro senhor Changuito:
Venho por este meio agradecer o seu mais que amável convite para a sessão poético-cultural de 3ª feira 5 de Julho - próximo futuro.
Fiquei deveras sensibilizada por se ter dado à maçada de se abalar do seu blog até aqui, para me transmitir de vivo teclado a delicada convocação.

Neste momento não tenho ainda a certeza de poder comparecer à (certamente brilhante) noite de poesia. Ainda mais, tratando-se de poesia de caril surrealista (ver o comentário do Senhor Changuito à redacção anterior).
Por uma graciosa coincidência, após o lançamento do livro da Sôdona Ana, também fui comer um caril - no caso, um belíssimo caril de camarão. Eu própria não me saio nada mal quando resolvo cozinhar um caril de frango, que faz as delícias do pessoal cá de casa: eu própria, a Cèlinha, e, claro, o meu Arnaldo.

Vou certamente adorar conhecer um caril surrealista, à mistura com poesia idem. Deve ser uma receita de superior e apurado gosto, ainda mais servida pelo Senhor e pela sua partenaire - que pelo apresentado parece ser pessoa fina e de bom gosto.

Ainda bem que fez o convite com tempo, que assim ainda posso ir procurar um bocadinho de informação sobre esse tal do grupelho surrealista; sem esquecer essa coisa do Surrealismo, que só conheço de ouvido.
Isto de uma mulher saber pouco às vezes torna-se um bocado aborrecido, mas o que é preciso é querer saber mais e aproveitar as oportunidades como esta.

Queira, pois, considerar aceite o convite - que muito honrou a modesta doméstica semi-analfabeta que sou, mais a mais da parte de uma pessoa da Cultura com letra maiúscula. Caso não haja nenhum contratempo, lá estarei com muito prazer, acompanhada pela minha Cèlinha, claro.

Quanto às palavras que escrevi, fico contente por as ter achado gentis; fique sabendo que eu só escrevi o que senti e achei sobre aquele pedaço de tarde tão bem passado - que não sou mulher de dizer ou escrever coisas só "porque sim": o que acho acho, o que não acho não escrevo.

Ficamos então combinados para amanhã, lá pròs lados da meia-noite. O Senhor e a Menina Patrícia vão ensinar-me a descobrir e a conhecer essa tal da poesia com caril surrealista; espero que tenha um bocadinho de picante - que dá gosto -, mas que não seja exagerado porque às vezes não me assenta bem no estômago.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (3)

maio 24, 2005

É só pra dizer....

...que a minha mánica de receber tréquebéques tá avariada.

Publicado por vitriolica às 12:52 AM | Comentários (4)

maio 21, 2005

Só uma perguntinha...

Que eu não entendo nada de economia nem de finanças nem dessas coisas.
Quando os Senhores Doutores Economistas dizem "Ah, pois é, isto tá mal e coisa e tal... mas é fácil resolver: aumenta-se a gasolina, mais o tabaco, sobe-se o IRS, e tungas - já tá!"...
Eu gostava de tar lá do outro lado do microfone, e fazer-lhes uma perguntinha: ".. atão e o Senhor Doutor, pode mostrar a sua declaração de IRS?"
E já agora, ajude aqui a esclarecer esta pobre doméstica ignorante: "Assim em forma de supônhamos, se eu e mais uns milhares de tesos como eu tivermos um aumentozinho no IRS e pagarmos mais umas dúzias de contos cada um, isso dá mais tacho às finanças do Estado do que se as Grão Parás e os clubes de futebol pagarem tudo o que devem ao Estado?"

"E a(s) empresazinha(s) onde o senhor trabalha tamém têm os impostos em dia? E não têm assim daquelas coisas de pagamentos sem factura pra fugir ao IRS e ao IRC % Companhia?"

E no fim disto tudo, a moralzinha não devia começar em casa destes senhores e mais dos senhores políticos, e mais no estado-caloteiro-que-temos que cobra a todos e não paga a (quase) ninguém?

Estas perguntas, a gente nunca vê feitas nas TêVês, nas Rádios, nos Jornais... porque será? Tamém acredito que, se fossem feitas, o Senhor Doutor Político ou Economista de Serviço havia de arranjar maneira de começar a falar de outra coisa qualquer – muito utgente e importante, claro está! – e a gente continuava com a curiosidade por satisfazer.

Por hoje chega, porque como não percebo nada disto, quando o meu cérebro começa a magicar nestes mistérios acaba sempre em dor de cabeça. E amanhã preciso de acordar coa cabeça fresca, que tenho um compromisso importante e vou almoçar a Beja.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (1)

maio 13, 2005

Tenha medo...

... tenha muuuuito medo!

A Cèlinha acha-me fofinho :)!

Hoje é Sexta-Feira 13.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:01 AM | Comentários (7)

maio 07, 2005

1, 2, 3, testando...

Isto é um teste, isto é um teste, isto é um teste, isto é um teste, isto é um teste, isto é um teste, isto é um teste, isto é um teste, isto é um teste.

Eu avisei: isto é mesmo só um teste.

Mas aproveito pra dizer duas coisas: fui-me ao dicionário e aprendi um monte de palavras novas: servilismo - que me obrigou a aprender também servil, e daí até ignóbil, indigno, bajulador, subserviente, foi um passo.
Isto, sem falar em totalitários, encómios, putativos - que parece palavrão mas não é -, alavancou, genuflexão e feudal; só o pretextualizado é que fiquei a ignorar na mesma porque não está no dicionário.
A segunda coisa é que acabei por não perceber lá muito, a não ser que há os blogs tipo "Caras" que são assim meia dúzia de personalidades conhecidas e depois a comunicação social, volta e meia, pega neles - sobretudo se não caiu nenhuma ponte, nem a Selecção anda a ganhar coisa que se veja, e se o Caso Casa Pia anda com poucas novidades assim "flashantes". Como se esses senhores fossem uma espécie de Papas da Blogosfera, e toca tudo quanto é blogueiro a dar os parabéns ao Vizinho Pacheco só porque ele é um Notável.

Com todo o respeito que eu tenho pelo Doutor Pacheco Pereira, não leio o blog dele. Porque sou uma mulher muito atarefada e não me sobra tempo pra escrever no meu blog, quanto mais pra ler outros; e quando posso dar uma saltadinha como leitora, gosto de ir ler os blogs aqui da lista ao lado, e mais uns que ando pra acrescentar há uma data de tempo mas falta-me o tempo e a falta de preguiça.
De maneiras que vou ter que concordar com o meu distinto e estimado senhorio, que uma coisa é dar os parabéns à dona Aliete ali do 2º esquerdo que fez anos anteontem, com quem me dou há uns anos e até trocamos receitas, e outra é ir dar os parabéns à mulher do Senhor Engenheiro do mesmo prédio 7º esquerdo, que eu só conheço de vista e é muito simpática, que dá sempre a boa tarde quando nos encontramos no café ou no talho; mas a verdade é que não tenho intimidade nem lidação com a senhora, e só sei que tem dois meninos e o marido é vice-administrador de uma empresa assim um bocado importante.

E acho que era uma parvoíce eu ir a correr dar-lhe os parabéns só porque ouvi a empregada dela comentar na padaria que iam ter visitas importantes ao jantar para festejarem os anos da senhora. Eu cá, que não sou tola nenhuma, não ia armar-me em parva e pôr-me em bicos de pés "Oh, Sôdona Maria Madalena, beijinho, beijinho, que hoje faz aninhos!". A senhora ia pensar que eu era parva ou que me tava a pôr em bicos de pés pra chegar a algum lado, que não é nada cá do meu feitio.

Mas pronto, isto é mesmo assim e cada um é como cada qual, e também o Doutor Pacheco não faz lá grande proeza que há blogs aí mais antigos, mas como os donos não são gente "da sociedade", não saem nas colunas. (ou então fazem anos nalgum dia em que os noticiários tão cheios de assuntos interessantes, e já não cabem.)
E tá dito!

Publicado por vitriolica às 01:08 AM | Comentários (3)

abril 25, 2005

Eu 'tive lá

O 25 de Abril esteve na rua
Deixei em casa o Arnaldo e a Cèlinha que não aceitaram o convite, mais o Cocó que não tem direito a andar nos transportes públicos - que a democracia ainda não chegou à capoeira.

Já não ia há muitos anos à manif do 25 de Abril, mas há um ano prometi a mim própria que este ano havia de ir; promessa cumprida!

Gostei de sentir um bocadinho da lembrança daquele espírito de há trinta e um anos, e de estar no meio de um grupo de pessoas que sentem que aquela data foi importante para muitos de nós. E comprei um cravo vermelho, pois claro! E dei vivas à liberdade e à democracia também.

E mais não conto, porque fui lá pra sentir e pra viver, e não pra fazer reportagem.
Muito obrigada ao senhor Pedro Figueiredo que me deu a informação sobre o local e hora da manifestação.

E já me esquecia de uma coisa muito importante: faz hoje trinta anos que, pela primeira vez, tive direito a votar. Pois, é bom não esquecer.
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:59 PM | Comentários (8)

Pergunta importante

Alguém sabe dizer de onde e a que horas sai a manifestação?
Agradece-se deixar a informação aí nos comentários faxavor, que acho que este ano sou capaz de ir.

Publicado por vitriolica às 12:04 AM | Comentários (1)

Importante - não esquecer

Agradecer mais uma vez aos homens sem sono (como então foram chamados) que nos devolveram o direito de conhecer o sabor e a cor da liberdade, e de ser cidadãos de corpo inteiro num país democrático e pacífico.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (1)

março 25, 2005

Boas Páscoas a todos!

Cá estou eu meia de fugida dos preparativos da viagem.
Vamos prò Meio de Nenhures, a três quilómetros do Cafundó do Judas, onde vamos passar a Páscoa com os meus sogros, as minhas cunhadas e respectivas proles. Ou seja, lá vou eu prà penitência, que naquele buraco não há nada de nada!

Fiquem com os meus votos de boa Páscoa para todos os que passam aqui e festejam a data. Para os que não festejam, pois tenham um bom fim de semana prolongado e fiquem bem.

E todos, mas TODOS mesmo, tenham muito cuidado na estrada!
E disse.

Publicado por vitriolica às 02:41 PM | Comentários (7)

março 19, 2005

Hoje às 00:30 - o êxtase!

Elis sempreElis Regina Carvalho Costa teria completado 60 anos no dia 17 de Março 2005.
Em imagens inéditas na televisão portuguesa, ela fala de si, das suas musicas e dos seus compositores preferidos.
Dona de uma belíssima voz, imortalizou algumas das mais belas canções da música popular brasileira.
Um momento para recordar a arte de Elis Regina, que permanece imortal.

(texto no sítio d'A Dois)

Cá a Vi-zinha não vai perder! Sou fã de paixão d'Essa Senhora, Essa Mulher.
Desgosto: tou sem uma única cassette de vídeo em casa... Se alguém gravar, eu tou disposta a mandar um cheque por correio pra pagar uma cópia em cassette ou DVD e respectivos portes. E muito agradecida!
E disse.

Publicado por vitriolica às 10:31 PM | Comentários (5)

março 16, 2005

Lista de compras revista e aumentada

Batatas, cebolas, arroz, aspirinas, azeite...
Vai-me custar a habituar assim a meter os remediozitos básicos na lista do supermercado, mas isto é bom que uma mulher se vá habituando. E perguntou-me a vizinha Pulquéria: “Ó vizinha, mas não lhe faz impressão comprar tudo no mesmo sítio? Trazer assim as aspirinas ao lado do peixe congelado?” “Olhe, vizinha, é da maneira que chegam casa ainda fresquinhas.”
“Ai, não diga isso, então e depois quem é que me diz o que é como é que eu hei-de fazer? Se é pra tomar antes ou depois das refeições? Se posso desfazer na sopa ou é para engolir tal-e-qual?”
“Ó vizinha, eu cá sou uma mulher prática, e quando me dói a cabeça ou outra coisa qualquer, pego na aspirina ou coisa que o valha, num copo de água, e lá vai disto. Qual é a dúvida?”
“Ó Dona Vi, então e não é assim perigoso? Uma pessoa até se pode enganar e tudo, e tomar o que não deve!”
“Ai é, Dona Pulquéria? E o que é que impede a sua sogra, que é tão taralhouca e vê tão mal, de meter à boca a garrafa da lixívia que eu já vi na sua bancada da cozinha ali mesmo ao lado da garrafa do refrigerante?”
“Tem razão, vizinha Vi (e aqui ela corou um bocadinho), às vezes a gente distrai-se, facilita, e nem pensa no que pode acontecer – tal-qual como aquela senhora dos Estados Unidos e o puto foi buscar a arma e foi a desgraceira que se viu. Mas ainda não me convenceram com essa de xarope prà tosse e banha pura de porco no mesmo saco.”

“Bem, se calhar é uma questão de hábito e de mentalidade. Pois as pessoas não podem comprar pão, e gelo, e essas coisa, no mesmo sítio onde compram a gasolina e o gasoil? E não é verdade que em Portugal as pessoas todas acham que são médicas, e todos dizem: Se lhe dói aí, tome o XXXX que fez muito bem à prima da minha mulher-a-dias quando teve uma dor mesmo ao lado?
E se a gente chega à farmácia e fica três quartos de hora à espera da vez pra levar uma caixa de comprimidos prà gripe, e ainda temos vinte pessoas atrás pra ser aviadas, onde está a coragem de perguntar, ai como e quando é que se toma e coisa e tal?”
Com estas e outras lá deixei a vizinha Pulquéria a matutar naquilo, que pelo menos sempre é uma opinião diferente da do vizinho Izidoro (assim mesmo, como as salsichas). É que a minha vizinha Pulquéria não é muito de ter ideias próprias, e engole tudo o que o seu Izidoro lhe impinge. De maneiras que eu, quando posso, atiro-lhe assim uma “bombinha” pra dentro do cérebro, que é para a obrigar a pensar, e ver que há ideias e pontos de vista diferentes, e que ela se deve informar antes de ter a sua própria opinião.

O Cocó, que nunca precisou de tomar nada na vida porque tem uma saúde de aço- que não enferruja -, quis saber pormenores sobre estas coisas de remédios. Lá lhe expliquei que muitas vezes, na farmácia, a gente também não pergunta nada porque são coisas muito simples. E que os perigos existem sempre: ou porque a pessoa vê mal e não consegue ler as instruções do médico ou do farmacêutico; ou porque acha que se uma dose faz efeito duas hão-de fazer mais ainda, ou mais depressa; e também há aquelas pessoas que tomam o remédio do marido, ou da mulher ou de quem for, só porque fez bem ao outro.
E afinal são só alguns medicamentos, os de venda livre, quer dizer, que qualquer pessoa pode comprar sem receita – só esses é que se vão (se forem) poder comprar fora das farmácias.
“E sobretudo, Cocó, quem quiser ir comprar mesmo o medicamento na farmácia, não vai passar a ser proibido. Quem quiser consultar o(a) Doutor(a) Farmacêutico(a) em pessoa pra saber se pode cortar o comprimido ao meio ou se tem que despejar o pozinho do pacotinho para o copo ou, pelo contrário, despejar a água no pacotinho, pode sempre ir à farmácia como fez até agora, mas se está com pressa e com dor de cabeça e há uma epidemia de gripe, então talvez seja mais prático ir a uma loja em vez de ficar uma hora na bicha da farmácia por causa de uma mísera caixinha de aspirina ou coisa do género.”

E disse. Antes que se me ferre uma dor de cabeça, que não tenho nada em casa e a esta hora, só na farmácia de serviço.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (7)

março 08, 2005

A mulher de Março e o João Sem Medo

Diz o Provérbio do Dia (aí mesmo à direita da barriga do Cocó) que a mulher de Março traz o cesto no braço. O provérbio saiu ao acaso, não foi escolhido para este dia. Mas bate certo com a data: com as mulheres que trazem as compras, que no cesto guardam a roupa que (algumas ainda) remendam e passajam, que colhem nos campos, o cesto que quer dizer o trabalho.
Hoje encheram-lhe o cesto de flores. Será que ficou mais leve? Alguns, em meia dúzia de países, sim. Terá havido hoje menos mulheres e meninas espancadas, abusadas, desrespeitadas, exploradas? Se assim fosse, teria valido a pena. Por uma mulher, menina, que tivesse sido poupada hoje, valia a pena aturar o folclore anual da hipocrisia das "boas vontades" (algumas são sentidas, a gente sabe; o resto é quase tudo folclore como o "Paz na Terra" de Dezembro passado e dos últimos dois mil Dezembros).

Deve haver muitos homens que escreveram hoje sobre este nosso dia (e desejo que sintam e pratiquem o que escreveram nos trezentos e sessenta e quatro dias que vêm, e assim sucessivamente). Eu gostei muito de ler este Senhor João; hoje também pode ser o dia de alguns homens: dos que sabem que, na verdade, somos todos iguais - porque são mais inteligentes que a maioria.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM

março 04, 2005

Fechado pra obras

O Weblog - umas horas - e este meu estabelecimento de conversa (a)fiada até que o muso desiberne.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:53 AM | Comentários (2)

Um, dois, três, 'xpriência

Faxavor não ligar, que isto é só uma beta-testagem.
Cumprimentos a quem ler.
Mas hei-de voltar, prometo.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:46 AM | Comentários (1)

fevereiro 20, 2005

A primeira abada já tá

Pelo menos, cá no bairro.
Acabo de chegar da assembleia de voto cá da minha freguesia, e inda venho de queixo caido de espanto: há muitos anos que não via tanta gente a votar.
Verdade, verdadinha, lá desde os cafundós de não sei que ano do século passado. Como de costume almoçámos às quinhentas, depois fomos à bica eu mais o Arnaldo, e lemos os jornais pra termos tempo de reflectir mais um bocadinho, que isto de pôr um voto numa urna pra eleger uma Assembleia e um Governo é uma baita duma responsabilidade, olá se é!
O Cocó queria por força que eu o metesse na cesta e o levasse, porque nunca viu ninguém votar, mas tive que lhe tirar as ilusões – e lá ficou o bicho a resmungar uns sons que tinham a ver com discriminação, e ditadura, e “que raio de democracia é esta...”. Adiante.

Pois é verdade, não sei o que deu ao pessoal cá da freguesia, mas a Escola tava com gente como eu nunca vi, e pela primeira vez em muitos anos gostei de ficar na bicha; nos outros anos a gente chegava lá e era logo entrar, que aquilo até era um desconsolo. Hoje, não, tinha praí umas cinco pessoas à frente, e quando saímos (eu e o Arnaldo, que isto, casal que vota unido mantém-se unido) havia outras tantas à espera para ir cumprir o seu dever cívico.
Agora resta esperar que os futuros senhores governantes façam o mesmo.
E pelas conversas de travesseiro (que os pensamentos a gente não conhece) até nem pomos a cruzinha no mesmo quadradinho, mas isso não interessa nada – o que interessa é ir lá e dizer de nossa justiça.
Como eu dizia no princípio, a primeira abada já está, que cá no bairro a Sôdona Abstenção não deve ter sorte nenhuma com tanto voto que já deve ter caído naquelas urnas. Almenos, os senhores políticos não têm a desculpa do costume: “Ai, votaram na abstenção? Pois atão a gente abstém-se de os governar e governa mas é a nossa vidinha!”

E quem ainda não votou, pois largue lá o computadorzinho e a Internet por um bocadinho – que eles não fogem, pegue na patroa ou no patrão e nos meninos e/ meninas, e ala até à assembleia de voto, e aproveitem e tomem um lanche na pastelaria e dêem uma voltinha no jardim, ou no parque, ou pelos arredores que tá uma tarde bonita pra passear e ver as vistas, que até já parece primavera. Mas só depois de visitarem a assembleiazinha! Só falta hora e meia, e pense que o partido da sua simpatia pode perder aquele deputado por um voto...
E disse.

Publicado por vitriolica às 05:23 PM | Comentários (1)

fevereiro 13, 2005

O Único e Verdadeiro Grande Acontecimento da Semana

Pois como eu dizia aqui por baixo, o único e Verdadeiro Grande Acontecimento da Semana foi outro, mas quando comecei escrever ferrou-se-me uma bela duma irritação contra os senhores que pensam que o povo todo é parvo e acredita em cantigas e promessas. E pior que isso, acreditam eles próprios naquilo que dizem – enquanto estão a dizê-lo. E com a irritação acabei por quebrar a promessa que tinha feito a mim própria e ao Cocó, que era não falar de políticas nem de campanhas senão no dia da reflexão, assim a modos de conversa com os meus botões a ver se fazia um balanço e tomava a Grande Decisão. A verdade é que os Senhores Políticos Candidatos não falam de mim, das minhas necessidades e problemas – e dos meus semelhantes – mas daquilo que acham que a gente quer ouvir. Por isso tamém não falo deles, tá decidido.

E ponto final no assunto política e vamos ao que é importante:
Esta semana, Senhoras e Senhores, Queridas/Queridos Visitantes e Comentadores, vocês atingiram (e já ultrapassaram) o bonito e redondo número de cem mil! Sim, um redondinho

100.000 visitantes!

Tábem, eu sei que o Barnabé, daqui a pouco, tem isso por dia. Pois merece, que aquilo lá é escrito por pessoas importantes e cultas e que sabem escrever bem sobre assuntos importantes e relevantes para o Estado da Nação. E até sabem escrever livros e tudo.
Há muitos mais blogues que, em quinze meses, tiveram bem mais de cem mil visitas. Pois. Mas eu, a Vi-zinha, aqui do meu canto da cozinha e só com a assessoria do meu Cocó, falando das nossas coisas assim domésticas de cada dia... Pois ficamos felizes, é claro que ficamos felizes!

Isto de ter havido pessoas que assim todas juntas e postas em carreirinha era como se fossem cem mil pessoas a terem entrado aqui, pois então não dá alegria a uma pessoa? Saber que há esta gente toda (e alguns vêm cá mais do que uma vez, que a gente sabe) que se dá à maçada de vir ler as ideias e pensamentos e opiniões que me dá na veneta partilhar com o resto da humanidade, pois tenho que confessar: isto aquece o coração a uma mulher.

É, pois, com as vozes trémulas embargadas pela comoção, os olhos marejados de lágrimas de gratidão, a voz rouca de emoção, os braços trémulos, que o Cocó e eu abraçamos todos e cada um de vocês, nossos eleitores (perdão, visitantes – de onde terá vindo isto), a cada uma beijamos repenicadamente em ambas ao bochechas, a cada um damos um forte abraço bem à portuguesa acompanhado de sonoras palmadas nas costas, e levantando/acenando ambos os braços (ambas as asas), dizemos:

- Bem hajam, queridos amigos! Continuaremos a governar, digo, a redaccionar este blogue na protecção dos vossos interesses (escrevendo o que nos der na real bolha), tendo sempre presente que é nossa missão servir os leitores (atrair muita gente pra ficarmos bem classificados nas estatísticas do Weblog) de forma desinteressada (a gente quer mesmo é ter muitos comentários), abnegada (nos dias em que a coisa não der, olhem, tenham paciência), porque almejamos fazer o real e verdadeiro Serviço Público (não sei muito bem explicar esta, mas concordem que soa bem!).

E disse.

Publicado por vitriolica às 12:11 AM | Comentários (11)

fevereiro 12, 2005

O Grande Acontecimento da Semana

Não, não é nenhum desses em que estão a pensar. Porque, não sei se já repararam, mas ainda não falei da campanha eleitoral; e espero continuar assim por mais uma semana, se Deus NosSenhor quiser.
A minha ideia não é falar do que disseram que o Professor Aníbal parece que disse – ou pensou em voz alta? – nem dos que desataram logo às pedradas ao senhor antes sequer de terem a certeza de ser verdade; nem da peixeirada em que foi transformada esta campanha eleitoral, com candidatos de partidos que só fazem queixinhas de outros candidatos de outros partidos, e mais acusações, e mais notícias de coisas que se calhar aconteceram ou se calhar não aconteceram, e são coisa velhas e antigas, que aparecem agora “por acaso”, mas não tem nada a ver com campanhas nem eleições.

A verdade é que não devem ter, porque eu cá não tenho nada a ver nem sei nada de campanhas eleitorais. Se quiserem saber sobre o assunto têm que perguntar aos senhores candidatos e aos senhores dos meios de comunicação, que andam a correr uns atrás dos outros: os que querem ser filmados/fotografados atrás dos que querem filmar/fotografar, e vice-versa. Uns e outros ainda não perceberam que o povo tá cansado daquele folclore, que isso de folclore a gente é mais ranchos.
Essa história de andarem aí “de palanque em palanque” como dizia o outro só serve pra eles andarem entretidos convencidos que andam a fazer uma grande coisa. Agora até lhes deu para andarem com a tenda às costas, e armam a barraca onde quer que cheguem. Deve ser a única utilidade da taxa de desemprego, porque como está a aumentar assim têm muitos desocupados pra encher as tendas e compor o “boneco”. E lá andam os candidatos felizes da vida, a dizer aquelas coisas todas que são como as serpentinas e papelinhos que a gente guarda numa gaveta na quarta-feira de cinzas e até prò ano. Só que aqui são compromissos e promessas e guardam-se noutra gaveta no dia 21 e até daqui a quatro anos, se Deus quiser e o Senhor Presidente da República concordar.

E assim não falei do grande acontecimento da semana... mas volto já.
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:59 PM

fevereiro 08, 2005

Senhora oferece-se

Até dia 18 de Fevereiro, disponível para comícios – de preferência em recinto fechado e com aquecimento -, banhos de multidão e actividades correlativas.

Senhora de meia-idade, baixa estatura e com ar de “popular”. Discreta mas eficaz, com curso de aplausos e beijinhos ao Líder – tirado por correspondência nas melhores Universidades online – , vasto vocabulário de slogans e frases feitas adequadas a cada situação/partido (incluindo entrevistas de rua às televisões), e preparação de ginástica especializada para agitar bandeirinhas.
Também faço entregas ao Líder: ramos de flores, galhardetes e outras lembranças de Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia ou Clubes Recreativos/Desportivos.

Disponho de equipamento próprio: fato de saia-e-casaco (preto ou cinzento-papo-de-rola) com pregadeira de estilo antigo, blusas várias de acordo com as cores partidárias, ou em tons neutros para usar com écharpes nas ditas cores; em alternativa, aceita-se cachecol do Partido. No entanto, em nenhuma situação será aceite qualquer tipo de chapéu, boné ou barrete – quer porque não me favorecem nada, quer porque já andei de barrete enfiado por políticos as vezes suficientes.

Viajo para qualquer parte do Continente, e aos Açores (sempre aproveitava para conhecer, que a minha vizinha Teodora disse-me que são muito bonitos) em qualquer dia da semana, e não enjoo de autocarro.
A figura ideal quer para manifestações espontâneas (desde que avisada com um mínimo de 24 horas de antecedência), ajudar a compor mesas em jantares de apoio, ou reduzir “clareiras” nas filmagens televisivas (a boa forma física permite-me ir do lado já filmado para o plano seguinte em poucos segundos).

Apoia-se qualquer partido, formação política ou candidato (assim cumássim vai ganhar um dos do costume, não vale a pena estarmos com coisas).
Tabela única: deslocações e refeições pagas pelo cliente; às refeições deve ser servida água mineral (nada de refrigerantes), e o autocarro deve dispor de aquecimento.
Faça a sua marcação rapidamente, pois a agenda está quase preenchida.
Contactos: aqui no blog – caixa de comentários.
E disse.

P.S. Idas à Madeira estão fora de questão, porque não apoio gente que vem cá sacar a massa e só diz mal do Cont'nãnt - é ingratidão e falta de educação.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (20)

fevereiro 06, 2005

Olha quem tá cá hoje!

Pois é, nós-zinhos da Silva, eu amais o Cocó viemos dar uma saltadinha só pra lembrar um dos meus ídolos. Se fosse vivo, tinha hoje para apagar trezentas e noventa e sete velas.
Eu aprendi a gostar dele por causa de umas coisas que li no liceu, lá nos cafundós do século passado. É que uma pessoa que escrevia assim bem, e falava melhor, e defendia os fracos, e foi perseguido pela “santa” inquisição, enfim, um homem que tem um currículo e pêras, dizia eu, esse é que merece ser famoso, e ídolo e herói e coisas dessas.

Agora assim mais a sério, a verdade é que eu fiz ontem cinquenta e um aninhos, e obrigada à dona Monalisa que deixou ali os seus parabéns, mais à Menina Jacky que é outra querida e me meilou uns parabéns muito bonitos.
E pronto, tinha que falar disto e tá falado, que é por causa de serem dois aniversários assim seguidinhos que eu nunca me esqueço do Padre António Vieira que é aquário de signo como eu, e viveu lá nos antigamentes do século dezassete: nasceu em 6 de Fevereiro de 1608, e foi um homem inteligente, culto e corajoso.

Tenho que confessar aqui uma coisa: quando vejo um grupo de políticos nas televisões lembro-me sempre do Padre Vieira, e do seu famoso Sermão de Santo António. Pois Padre Vieira achou, como o outro António – o Santo – lá no século treze, que pregar aos homens pouco adiantava, que não lhe ligavam a mínima, e decidiu também ele pregar aos peixes. Estes, sim, bons ouvintes, que ouvem e não falam – logo, não correm o risco de dizer disparates que é o mais que se ouve praí nos dias que correm.

Esse sermão de há mais de trezentos anos podia ter sido feito na semana passada em qualquer parte do mundo, que todas as ideias continuam actuais e frescas como se fosse acabado de escrever.
Deixo aqui uns parágrafos assim à guisa de aperitivo, para quem quiser ler e meditar.
E se quiserem ler mais, que vale a pena, é só ir aqui - é um bocadinho comprido mas vale a pena ler com atenção.

E se calhar depois disto talvez percebam que eu ando um bocado aborrecida e sem paciência, porque sou peixe pequeno farto de ser pescado, e esfolado e comido pelos grandes.


“Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá; para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros? Muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os Brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas; vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer e como se hão-de comer. Morreu algum deles, vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. Comem-no os herdeiros, comem-no os testamenteiros, comem-no os legatários, comem-no os acredores; comem-no os oficiais dos órfãos e os dos defuntos e ausentes; come-o o médico, que o curou ou ajudou a morrer; come-o o sangrador que lhe tirou o sangue; come-a a mesma mulher, que de má vontade lhe dá para a mortalha o lençol mais velho da casa; come-o o que lhe abre a cova, o que lhe tange os sinos, e os que, cantando, o levam a enterrar; enfim, ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra.”

“Nestas palavras, pelo que vos toca, importa, peixes, que advirtais muito outras tantas cousas, quantas são as mesmas palavras. Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, senão declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que menos podem e os que menos avultam na república, estes são os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, senão que os engolem e os devoram: Qui devorant. Porque os grandes que têm o mando das cidades e das províncias, não se contenta a sua fome de comer os pequenos um por um, ou poucos a poucos senão que devoram e engolem os povos inteiros: Qui devorant plebem meam. E de que modo os devoram e comem? Ut cibum panis: não como os outros comeres, senão como pão.”

“A diferença que há entre o pão e os outros comeres, é que para a carne, há dias de carne, e para o peixe, dias de peixe, e para as frutas, diferentes meses no ano; porém o pão é comer de todos os dias, que sempre e continuadamente se come: e isto é o que padecem os pequenos. São o pão quotidiano dos grandes; e assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo nem fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant plebem meam, ut cibum panis.

Parece-vos bem isto, peixes? Representa-se-me que com o movimento das cabeças estais todos dizendo que não, e com olhardes uns para os outros, vos estais admirando e pasmando de que entre os homens haja tal injustiça e maldade! Pois isto mesmo é o que vós fazeis. Os maiores comeis os pequenos; e os muito grandes não só os comem um por um, senão os cardumes inteiros, e isto continuamente sem diferença de tempos, não só de dia, senão também de noite, às claras e às escuras, como também fazem os homens.”

E pode ser que um destes dias me voltem o tempo, e a paciência e a inspiração e a disposição, já que o Cocó continua um bocado morcão (e fiquem-se com esta linda rima, pois então!).
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:59 PM | Comentários (8)

janeiro 11, 2005

Muito assoberbada, é o que é

Com obras cá em casa, e os meus queridos leitores (pelo menos alguns) devem saber o que isso é. A coisa tá complicada, com os homens das obras, e o barulho, e a poeira e sei lá mais o quê – e isto tudo junto põe-me a cabeça a andar à nora. Ando mais confusa que o costume, e baralhada das ideias, que isto quando uma mulher não vai para nova é uma desgraça, e já de si esta carola nunca foi grande espingarda. Agora então, a “recauchutar” a moradia, a coisa tem piorado. Pena é que não possa fazer uma remodelaçãozita e um apegreide nos mióis, que isso é que me dava um jeitão – mas ainda não encontrei uma empresa que queira aceitar a empreitada.

Inda por cima ando numa de trabalho artesanal, “virei” artesã-doméstica. Eu sempre gostei de fazer o meu tricotzinho e o meu crochezinho, embora não seja grande espingarda. É assim mais tipo coisas a direito: uns cachecóis, umas capinhas de almofadas – coisas simples, mas bem-feitinhas que não gosto nada de grandes floreados mas também não me agradam trabalhos mal-amanhados.
Agora meti-me a fazer uma mantinha para as noites de inverno, e mais uma espécie de xaile mas em rectangular, assim tipo écharpe. De maneira que, cavalheiros e cavalheiras, ando muito ocupada. Devo dizer que me anda a saber muito bem ver as carreirinhas a saírem direitinhas umas atrás das outras, e a écharpe a crescer, a crescer; ainda por cima está-me a fazer uma falta danada, porque a que eu costumava usar perdi-a durante as viagens do Natal. Como sou friorenta faz-me uma falta danada, por isso tenho que apressar o trabalho e não me sobra muito tempo pra blogar... e já nem sei há quanto tempo não consigo visitar os vizinhos e amigos aqui do Weblog e dos outros arredores, e muito menos deixar por lá a marca da minha passagem.

É por isto que tenho reduzido as blogações, e quando aqui em baixo ameacei que ia entregar o blog ao Cocó era só a fingir, um bocado como se estivesse a avisar que não posso aparecer todos os dias por causa dos meus outros afazeres.
Bem, a verdade é que fiquei um bocadinho sentida por ver que os “meus queridos visitantes e leitores” me têm em tão alta estima, para não dizer que apanhei uma bela duma irritação. Anda aqui uma mulher a tratar os seu visitantes nas palminhas, sempre toda cheia de boa educação e a tentar provocar uns sorrisos e um bocadinho de boa disposição a quem passa por aqui, e o que recebe em troca? Setenta e oito por cento de ingratidão, é o que é!!!! Isto tira qualquer uma do sério, têm que concordar comigo... O que me vale é que já sou um bocadinho crescida, senão tinha espingardado para todos os lados, lançado raios e coriscos a toda a volta. Mas eu quero mais é paz e sossego, que eu cá sou do bem, e já que estamos em princípio de ano, e comemorámos há poucos dias mais um Dia Mundial da Paz, pois vou perdoar a traiçãozinha a todos os que votaram no meu muso Cocó. Afinal, ele também é um bocadinho deste blogue. Este blogue somos nós dois porque é ele que às vezes me inspira, com aquelas ideias e conversas.

Perdoo, mas não esqueço! Também eu tive direito à minha facada nas costas, tão a ver? (quem sabe ainda vou a primeira-ministra...)
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (16)

janeiro 07, 2005

Fim oficial da quadra de Natal

Por isso é dia de sair o Cocó natalício e voltar o “velho” Cocó do costume.
T’arrenego, vade retro, que o passaroco anda impossível de aturar desde que tive a péssima ideia de fazer esta sondagem sobre quem manda neste blog.
E a propósito disso, já que os meus “queridos leitores” acham que quem manda aqui é o Cocó, estou a pensar seriamente oferecer-lhe o blog a ele, e passar-lhe o controle da coisa.

Toda a gente vai adorar, com certeza, redacções sobre os tipos de milho, a qualidade da couve, qual a raça de minhocas mais saborosa e as vantagens de ingerir grãozinhos de areia para uma melhor digestão; isto, já não falando nas fofocas galináceas no terreiro, e nas histórias de conquistas de galinhas e frangas mais espigadotas.
Mas pronto, o meu povo votou, está votado – o que pode uma mulher fazer quando tem uma minoria de três votos (dezasseis por cento) contra os quinze (oitenta e três por cento) do passarão? Digo-lhes o mesmo que digo depois das nossas eleições: “Votaram nele, não foi? Pois agora aturem-no e aguentem-se à bronca, que eu lavo daí as minhas mãos.”
Um feliz Dois Mil e Cinco para todos.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (9)

janeiro 02, 2005

De volta, ou o aisse bergue

Sim, aissebergue, depois de uns dias enfiada numa espécie de buraco gelado rodeada de frio por todos os lados e eu, pequenina e só com a ponta (gelada) do nariz de fora. Tal-qualmente um aissebergue, mas sem esquimós nem focas.
Dois pares de meias de lã pra conseguir adormecer, uma pilha de mantas que nem me deixava virar na cama; tamém, interessava mexer o mínimo possível para não sair daqueles centímetros quadrados de lençol que já estavam quase a ficar mornos.
Durante o dia só enfiada dentro da lareira, ou coladinha ao irradiador.

Internet, imeile, nicles! Até gramei com o final da Quinta dos Arranhosos, a ver como o Doutor Moniz transformou a Dona Júlia Pinheiro em grande dama da comunicação social, e a Miss Castelinhos (perdão, José Castelo Branco) em conde. Desconfio que o Doutor Moniz vai ser canonizado muito em breve, a fazer milagres desta natureza.

Sim, porque quem consegue transformar aquela espécie de bicha histérica, arrogante, beata falsa, intriguista, egoísta, convencida e só com trapos (de marca) na cabeça em “ídolo” – quem consegue convencer um grupo de portugueses idiotas e ignorantes de que aquela “coisa” é para ser admirada, quiçá idolatrada seja por quem for, só pode ser um milagreiro, a menos que seja assim uma espécie de Professor Herrero e tenha hipnotizado o pagode.
Já me esquecia do outro “milagre”, que é convencer os espectadores da TVI e da “Quinta” de que são “Os Portugueses”; é preciso muito descaramento pra anunciar assim que umas dúzias de pessoas a votar e a eleger aquela gente são “Os Portugueses” (é precisa muita cagança, tamém...). É pena só mostrarem percentagens, e nunca se saber quantos foram os malucos que gastaram essémesses e chamadas de valor acrescentado naquilo. (e depois os americanos é que são gente sem juízo por terem votado no Bush – venha o diabo e escolha!)

Tábem, eu, volta e meia, tamém vi. Assumo. Pois uma mulher tem de ver pra depois poder dizer mal, não é? E é uma forma barata de descarregar a fúria, já que de cada vez que via aquelas figuras tristes da Miss Castelinhos apanhava uma irritação das grandes. Assim, gastava a fúria e a irritação com aquele paspalhão convencido e pronto, escusava de me aborrecer com a família, ou com algum vizinho ou coisa assim, e tinha a minha vidita mais calma.

Voltando atão aos últimos dias, pois fui fazer o revelhão em casa dos meus sogros, que fica num lugar (pra quem não sabe, um lugar é um povoado mais pequeno que uma aldeia, só assim umas quatro ou cinco casas perto umas das outras) perdido no meio duma serra, a quilómetros da aldeia mais próxima. O frio era mais que muito, não sei se mais dentro de casa ou fora – tudo o que fosse a mais de um metro da lareira ou do irradiador, era o Pólo, acreditem. E por lá festejámos a entrada do dois mil e cinco, com champanhe e passas e bolinhos, que a minha sogra, Dona Miquelina, é boa de doces e não só.
Ainda tenho mais umas coisitas pra contar, e agradecer as amabilidades dos visitantes, mas têm que ficar pra outra ocasião, que ainda tenho que ir acabar de descongelar as falangetas dos dedos dos pés.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (2)

dezembro 21, 2004

O maior Galo de Natal da Europa

Ora essa, duvido que haja por essa Europa, quiçá pelo mundo, um galo igual ao meu: são trezentos e quatro pixels de altura por duzentos e seis pixels de largura, e 27.604 bytes de “peso” da imagem.
Além disso também é Pai Natal (apreciem a beleza do barrete desenhado aqui pela moi), e ao mesmo tempo, simultaneamente, faz de árvore de Natal – adornado por pequenos pixels coloridos que vão aparecendo e desaparecendo à vez para imitarem o pisca-pisca das luzes que se põem na árvore de Natal.
Posto isto, mostrem-me lá onde mais é que há um galo que consegue ser o três-em-um da época natalícia!

E assim, o Cocó e eu aproveitamos esta inauguração (que já foi ontem à noite, mas há governantes que fazem o mesmo, isto é, mais um discursozito sobre uma inauguração anteriormente inaugurada) para desejar a todos os nossos vizinhos da Blogosfera, leitores, comentadores, visitantes e passantes ou qualquer outra modalidade que venha a propósito, que tenham um Feliz Natal e um Ano Novo que não lhe fique atrás.
Aos que não festejam estas datas, desejamos boas férias se for caso disso, ou então que 2005 seja um ano com muitas coisas boas para lembrar e poucas coisas más para esquecer.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (13)

dezembro 19, 2004

Pois uma mulher gosta de ver certas coisas!

Foi por isso que hoje gostei de ver a nossa Primeira Dama, Doutora Maria José Ritta, a fazer uma coisa que nunca tinha visto, em Portugal. (pode ter acontecido, mas eu cá não me lembro).
Lá estava o Casal Presidencial a visitar uma escola, o Senhor Presidente parece que teve tonturas, e lá foi a Primeira Dama fazer a função. E fez muito bem, e deu ali um belo exemplo - com um ar muito calmo a descansar as pessoas, que não se preocupassem que não era nada de sério..
Se eu estivesse no lugar dela havia de estar muito preocupada com o que se estivesse a passar com o meu Arnaldo, oh se havia! Por isso é que ela chegou a Primeira Dama e eu não, que de certeza o coração dela também devia estar bem apertadinho a pensar em como estaria o seu Jorge. Portou-se como uma mulher de armas, e lá foi ela para não decepcionar as pessoas que estavam a contar com eles, fazer as honras do cargo, com discurso e tudo.

Doutora, espero que o Senhor Presidente já esteja melhor a esta hora, e que aí no Palácio esteja tudo mais tranquilo. Faça favor de transmitir os meus votos de melhoras ao Senhor Seu Marido, e diga-lhe que gostei daquilo que ele disse sobre os portugueses e as eleições, antes de lhe dar o amoc, até porque concordo com cada palavra.
É bom que cada um dos não sei quantos portugueses que têm direito de voto não se esqueçam daquelas palavrinhas mágicas: quem manda é o povo (isto é, o povo que se dá à maçada de ir votar!).
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (5)

dezembro 08, 2004

E afinal quem é que não se leva a sério?

As pessoas sérias e humildes, que sabem que valem por aquilo que são e que fazem; e que têm consciência de que todos temos um valor qualquer dentro de nós, mas na verdade ninguém é melhor que ninguém. Essas é que não se levam a sério, porque sabem que uma pessoa é só uma pessoa, e que ter o rei na barriga é só para a rainha-mãe - e durante nove meses!

As pessoas que não se levam a sério sabem isso tudo, porque têm sabedoria e a sabedoria não se aprende na escola, nem nos livros, aprende-se olhando para dentro da gente mesmos e tendo a humildade de querer aprender com tudo e com todos. Felizmente há por aí muita gente assim, e esses são capazes de Catarina se rir de si próprios< /a>. Têm sabedoria e inteligência e sabem que há mais mundo do que um palmo em volta dos seus umbigos – e respeitam esse “restinho” de mundo.

As coisas sérias da vida são tão importantes e tão sérias que não podemos gastar as energias a levar a sério senão aquilo que é mesmo sério.

Os outros, aqueles que se levam a sério, fazem-me lembrar aquele alemão do “Alô, alô” que andava sempre muito preocupado com o seu tanquezinho. Como se aquele ranhoso daquele tanque de lata valesse alguma coisa numa guerra a sério!...

E eu pràqui às voltas com estas filosofâncias sobre levar a sério, e blogs de alta qualidade – como o meu, por exemplo, pois uma mulher que há muito tempo nem cartas à família escreve que agora é só imeils e telemóveis e SmeSses, se calhar achava que só porque tem uma internet em casa e arranjou aqui assim tipo uma coluna de jornal (acha ela-eu) num jornal que é só meu, só por isso, porque leio meia dúzia de tretas e depois penso nelas e resolvo escrever assim a modos que mal-alinhavado o que pensei. A verdade é que lá porque escrevo o que sinto e dou as opiniões que tenho (ora, ora, se elas valessem alguma coisa arranjava quem mas pagasse bem pagas, não era?) isso não me transforma numa escritora nem nada que se pareça, e os meus escritos só têm duas qualidades: uma é que não dou erros de hórtigrafia, e a outra é que não fazem mal a ninguém. Bom, bem tamém não fazem, mas olha, ficamos por isso mesmo.

O quê, Cocó, tavas a ouvir os meus pensamentos?
“Só se levam a sério as pessoas que não têm mais nada pra levar a sério na vida” diz o bcho. É por isso que eu gosto da tua vizinha Catarina, e até te digo mais: essa é que deve ser uma pessoa a sério!”

Ai que eu já me tinha parecido que alguém me andava a gastar da internet quando não estamos em casa... O diacho do galo parece que já sabe sozinho o caminho prò blog da vizinha!...
Pois sempre te digo, Cocó, podias ter ido parar a sítio pior...
E disse.

Publicado por vitriolica às 01:26 AM | Comentários (3)

novembro 28, 2004

Mulher culta é outro luxo!

Graças à minha elevada cultura em provérbios, rifões, lengalengas e cantigas populares tipo "Ó Rosa, arredonda a saia", acabo de vencer de maneira brilhante, quase genial, um exigente concurso no vizinho Afixe.

Fui contemplada com uma bicicleta, o que me arranja um problema dos grandes: é que eu não sei andar de bicicleta. Se houver alguém que me saiba dizer onde há uma escola de condução para ciclistas, faxavor deixar a informação aí na caixinha de comunicação.
E disse.

Publicado por vitriolica às 02:10 AM | Comentários (4)

novembro 27, 2004

Finalmente um blog com categoria(s)

Pois! Eu bem tentei, mas à primeira a coisa não me saiu lá muito bem.
Quer-se dizer, pois as categorias começaram a aparecer nas redacções, mas não conseguia fazer aparecer a lista ali à direita.

Foi uma guerra que nem vos conto, e até me desapareceram os linques ali do lado, que ficou tudo a branco e não se via nada. Tudo por causa de uma #gf%'¨*xfj%*#tsryy fgjsj*' duma < div> que me desapareceu do sítio vá-se lá saber como... que já parecia aquele senhor ali do Afixe aqui há atrasado.

Ou seja, passei um bom pedaço de noitada e ia explodindo o computador e nem queiram imaginar os nomes lindos que chamei às < divs>, e ao Movable Type, e ao Weblog, e ao Senhor Paulo, e mais à maluca da Vi que teve esta ideia de arranjar um blog, e de achar que um blog precisa de ter categoria(s).

Agora vai levar ainda um bocado de tempo pra pôr mais categorias e pôr as redacções dentro das categorias, mas isto é como o outro que diz "Roma e Pavia não se fizeram num dia", e devagarinho hei-de lá chegar.
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:56 PM

novembro 23, 2004

Com categoria(s), é outra coisa!

Hoje inauguro uma primeira categoria, que me veio à carola por causa da situação que vem aí já a seguir na próxima redacção.

Tal como o próprio nome da categoria indica, é a mesma coisa, mas ao contrário.
Com o tempo talvez venha a ir buscar para esta categoria coisas antigas - ou não -, com o tempo pode-me dar na tola criar outras categorias - ou não.

É uma das coisas boas de um blog: é muito mais fácil de arrumar que uma casa. Ainda por cima, a gente só faz o que quer, e só quando nos dá na realíssima telha. Ou como disse o poeta: "Ai que prazer não cumprir um dever..."
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:55 PM

novembro 19, 2004

Declaração de não-responsabilidade

Eu, Vitriólica C. O. Rosiva, venho por este meio declarar que não me responsabilizo por quaisquer actos, gestos, atitudes ou bocas foleiras praticados pelo meu Cocó fora do alcance das minhas vistas.

Tem esta declaração o propósito de evitar futuras referências deste tipo, que podem levar a processos de paternidade, pensões ou subsídios de qualquer natureza que, a surgirem, serão de imediato contestadas pela signatária por não poder andar vinte e quatro horas por dia atrás de um galo que tem a mania que é um Don Juan, nem controlar galinhas histéricas (o linque diz respeito a um dos comentários, e não à entrada ou à senhora que manda no blog) que não podem ver um espanador pela frente.

Já que o Senhor Cocó tem a mania que é autónomo e independente e autosuficiente, ele que resolva sozinho as enrascadas em que se meter. Gosta muito de me dar palpites sobre a minha vida e assim, mas quanto à vidinha e às conquistas dele – acredite, querido(a) leitor(a) – não me dá informações nem faz confidências. Por isso, nada de me vir pedir batatinhas nem ajuda, nem sequer apoio moral para resolver as burradas que fez ou venha a fazer deste dia em diante.
(Redacção escrita com o apoio da minha vizinha e Senhora Dona Ernestina que faz limpezas num escritório de advogados e está assim mais habituada a esta linguagem tipo declarações e “para que conste”)
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (1)

novembro 16, 2004

Dez comentários numa redacção só, pramim é um verdadeiro recorde!

Não dá bem para abrir um champanhe, mas achei engraçado: a redacção do Senhor Luís pôs-me a pensar, e atrás de mim uma quantidade de gente parece que se pôs a filosofar à roda do assunto (basta ler os comentários à redacção anterior – só conto dez porque um é meu, e outros são correcções dos próprios). Acho que, se me esforçasse mais um bocadinho, ainda podia organizar um seminário, quiçá um congresso inteiro (o que eu adoro esta palavra quiçá! Sabe-me assim a antiguidade, coisa fina!).

Seja como for, não é meu costume responder aos comentários, mas se a vida é feita de regras também tem lugar para as excepções. Assim, por grosso e por junto, aqui vai a reflexão feita sobre as reflexões dos meus comentadores.

Eu falei em elites porque era sobre elas que falava o senhor Luís. Cá na minha modesta opinião ele faz parte delas, porque é uma pessoa inteligente e observadora, e que tem ideias e sabe escrever muito bem o que acha e o que pensa. E que não se ofendam os outros bloggers de elite – os que são e os que pensam que são – mas não vou dizer mais nomes, porque não conheço a maior parte deles e não quero ser injusta.

E o que eu acho é que a gente não tem nada que filosofar se é elite ou se não é elite, porque cada um é como cada qual – e mai-nada, acaba de cacarejar, pasmem, o meu Cocó, que tem andado sorumbático, um destes dias eu explico porquê. E cada um é como cada qual e os blogs são como o sol, quando nascem são para todos. E em verdade, em verdade vos digo, há por aí muito blog mais bem escrito que certos livros dessa “literatura láite” que praí anda. Que eu nunca me dei ao trabalho de ler uma coisa dessas, mas pelo que vi nas televisões, e pelas conversas das autoras nas entrevistas e mais umas folheadelas assim a correr nos hipermercados; e não fiquei nada fã. Há praí blogs que não são nada de elites nem “de referência”, com mais assunto e melhor português, oh se há!

Voltando então às nossas “filosofâncias”, bom povo da blogosfera... Pego na frase do nosso vizinho e compadre Francisco Nunes “Aqui na blogosfera só há duas pessoas boas: uma é você que me está a ler, e diga-me lá a mim, que ninguém nos está a ouvir... então quem é a outra?”
É que me parece que as pessoas começaram todas (os que comentaram, claro está!) a perguntar-se o que é que andam aqui a fazer – ou como diria uma pessoa mais esclarecida, que já não me lembro bem onde ouvi esta frase –, “a pôr-se em causa como bloggers”.
Pra mim as orquídeas são aqueles blogs mesmo bons, muito bem escritos, e onde eu confesso que não vou muitas vezes porque nem sempre entendo aquela linguagem mais intelectual – os tais considerados de elite; mas os blogs são escritos para quem é capaz de os ler e entender. Esses “bloggers” não precisam de Vi pra nada, porque têm um público próprio, que os entende, os aprecia e os respeita. E há também blogs de referência que falam de assuntos menos intelectuais e com uma linguagem mais fácil de entender, mais para o cidadão comum onde eu vou e leio e gosto; mas outros falam de políticas e literaturas e economias assim de alto nível, que eu fico a olhar pràquilo como boi para palácio.
Sobre os “cardos” não vou falar, porque mulher inteligente não gasta cera com ruim defunto – e se eu não sou muito culta, sei que de burra não tenho nada; já escrevi o que achava, e pronto. Mas...

Ó, meujamigojjjjj! Vamos mas é deixar-nos de filosofanças, e continuar a blogar alegremente! Pois a verdade é que é um brinquedo com que gostamos de brincar, e aposto que nenhum de nós vem pràqui na esperança de ganhar assim um Prémio Pessoa (pra já não falar do Nobel) com os nossos textos, os nossos escritos, os nossos posts, as nossas redacções.
Uns com mais assunto, outros com menos, uns com mais habilidade outros nem tanta, mas somos todos cidadãos da blogosfera com direitos e deveres iguais: o direito de blogar à vontade, o dever de respeitar o resto das pessoas. Não há bloggers de primeira ou de segunda, há só bloggers, todos diferentes na escrita, todos iguais no prazer e no divertimento, ou no desabafo ou seja lá no que for.
-Mai-nada! – cacarejou o Cocó aqui ao lado.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (13)

novembro 07, 2004

Encontro

"É que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa no mundo não há"
(Sérgio Godinho)

Esta redacção, hoje, é dedicada ao Poeta de Canções por ter escrito estes versos; ao Toix, com quem durante umas horas tagarelei como se nos conhecêssemos desde os bancos de escola. Ao Luís, que foi o "culpado" de eu trazer de Beja o meu passageiro - o "brinde" ;) segue dentro de momentos; à Pandora, de quem eu nunca falei mas que de vez em quando visito assim de mansinho sem deixar rasto - hoje vieste e sem saber, sem querer, acendeste uma luzinha num quarto que estava meio às escuras, obrigada.
E sempre, sempre, todos os dias à teacher e ao pTd, irmãos de sangue, de nascimento, mas também no coração, na amizade, na solidariedade, no amor, no estar - sempre. Só pra vocês dois uns pedaços partidos e mutilados de um fragmento de poema que li há muitos anos: "O senhor presidente tem um jardim, e palácios de oiro e trigo. Mas eu cá tenho mais, tenho um amigo." Eu, felizarda, tenho dois :)

Chiu, a Vi está cansada e foi dormir; eu sou A Outra. E agora de repente, há dois minutos, deu-me uma melancolia e ao mesmo tempo uma alegria. E tinha que dizer isto. Pareço aquela palerma da amiga da Vi, aquela Catarina vizinha ali mais acima. Caramba, uma mulher tem direito aos seus momentos, como ela muito bem sabe e diz. Às vezes sou parecida com ela - na parte lamechas, acho eu, e na bruta também. Acho que é por isso que a Vi não me deixa blogar, por um lado porque ela tem a mania que é uma senhora e há coisas que uma senhora pode dar-se o direito de pensar mas nunca dizer e muito menos escrever, por outro porque senão este blog parecia uma cópia, um plágio descarado da Cat - e nisso até estamos de acordo porque somos duas mulheres de princípios.

Pronto, seja como for, não sei lá porquê, hoje apeteceu-me sair dos bastidores, do casulo, e deixar aqui um desabafo. Porque sim. Ou se calhar porque talvez.

Agora vou-me embora e prometo que não penso voltar. Não digam nada à Vi. Ela é muito ciosa da sua sala de visitas. Vai aparecer escrito aí por baixo "escreveu a vitriólica", mas a gente sabe que fui eu, A Outra.
É por isso que eu não disse. Durmam bem. E viva a amizade - e os encontros.

Publicado por vitriolica às 02:37 AM | Comentários (7)

novembro 03, 2004

Poizé!

Olhei lá para fora e o mundo tem o aspecto do costume.
Só não sei se ainda será o mesmo durante muito tempo.

A propósito, e embora não tenha nada a ver: sábado, Beja aí vou eu!
Ele é comezainas, ele é dar à língua, e o mais que vier à rede. E depois das conversas, para recuperar energias para a viagem de regresso, um reabastecimentozinho no Luís da Rocha. O Senhor nikonman já me prometeu arranjar guia. (acho que chegava lá pelo faro, mas aceito a oferta, e companheiros(as) de "sacrifício" se houver).
Aproveito e trago uma caixinha para a minha Cèlinha, que herdou o gosto da mãe pelas coisas boas da nossa terra.
Com sorte, ainda vou à feira...

Voltando ao primeiro assunto: nublado, fosco, o mundo 'tá com um aspecto um bocadinho ranhoso. Será por causa das notícias?
E disse.

Publicado por vitriolica às 07:36 AM | Comentários (4)

outubro 01, 2004

Ainda vêm a tempo de dar os parabéns

... mas só até à meia-noite! Pois é verdade que a minha associação com o Cocó faz hoje um aninho, e eu podia pôr-me aqui a fazer contas e mostrar estatísticas mas a verdade é que não estou nada praí virada – e o Cocó menos ainda, diz que números e contas o fazem sentir velho. Lá tive que lhe dar ração reforçada de milho – sim, que o bicho é muito fino e não quer cá saber dessas rações de pacote com que algumas pessoas alimentam a bicharada e depois dizem que são “criação caseira”.
Cá o meu pássaro é só milho, arroz trinca, talinhos de couve e tudo o que sobra de vegetais cá de casa, crus ou cozinhados; e sopinhas de pão da (ante)véspera, bem demolhadinhas com uma água pura d’ElCano, pois então!

Voltando ao assunto do dia, pois é verdade, faz hoje um ano que a parceria Vitriólica/Cocó deu início a este projecto editorial ambicioso, porém sem pretensões (já não sei onde é que li isto, mas lá que soa bem, hein!...).
Que é como quem diz, o Cocó pensa e fala, e eu escrevo, já que ele nunca teve entrada na Escola. Ainda aprendeu umas letras com um galo de campanário que ouvia o latim há muitos anos – galo velho e com paciência que ainda ensinou um pouco do muito que sabia ao então chavalito Cocó. Palavras e letras ouvidas ao padre da freguesia, e lidas no missal gordo quando descia devagarinho, sem dar nas vistas, depois dos casamentos para debicar no arroz atirado aos noivos. (“Não se pode desperdiçar nada” – pensava o galo, que enquanto perseguia o rasto dos bagos, igreja a dentro acabou por encontrar o missal, daqueles antigos com desenhos bonitos e cheios de cores.) Ficou freguês dos “bonecos”, e sempre que ninguém reparava descia a planar devagarinho, empoleirava-se na estante e ficava a tentar descobrir aqueles risquinhos e garatujas...
Abreviando, foi assim que o Cocó aprendeu o AEIOU e mais umas consoantes, e é vê-lo juntar as letras dos títulos dos jornais que servem de embalagem aos restos que não vão para o caixote – também conhecidos por “suculentas refeições do Cocó”.
E não estranhem o vocabulário caro, pois quem escreve não tem corpo, e em vez de roupa de dia de festa mostra as “palavras de domingos e dias santos”. Verdade, verdadinha, foi ele que me disse no seu tom mais galhofeiro: “Vi, sua despistada! Não puseste o acento nos Parabéns!” Pois! Haviam de ter visto o belo bolinho de papas de milho que foi o almoço/sobremesa do Cocó! Bem amarelinho, e com “Parabéns” desenhado com baguinhos brancos de arroz – que hoje não foi trinca e sim carolino, que festa é festa (mesmo assim não me livrei da piadinha, e tive que ir a correr buscar uns bagos que serviram mais de aconchego à moela do Cocó que de acento ao e dos parabéns).

E pronto, tá feita a festa! A equipa tem andado um bocado morna e eu bem ando a ver se espevito o Cocó... mas o bicho não sai do poleiro, conversa pouco (mas come muito!...) Vamos ver se a festa arrebita o cérebro ao bicho.
Só tenho pena que o nosso velho amigo Chibo Velho não tenha podido vir fazer a festa também, que a gente sabe que ele também faz hoje um ano. A vida não lhe deve andar a correr bem. Mas o nosso abraço para ele fica aqui.
E disse.

Publicado por vitriolica às 08:20 PM | Comentários (10)

agosto 11, 2004

P.S.

Se calhar devia ter acabado a redacção anterior com um obrigada e um grande xi-coração à Idalete e ao Plácido. Mas precisava?
E disse.

Publicado por vitriolica às 04:23 AM | Comentários (3)

... e mais férias

E vêm aquelas pessoas e falam das maravilhas que são as férias no campo, ou na montanha, com paisagens maravilhosas, e o cheiro das flores e da erva, e o canto dos passarinhos, e as horas de silêncio, e paz, e calma, e de como tudo isso repousa e descansa-; ou então os que vão para o pé do mar lavar os olhos naquele azul sem fim, descansar os ouvidos no embalo das ondas, sentir sol no corpo e repousar e descansar.
Voltam todos para casa com a paz na alma e as baterias carregadas.

E eu, moradora de subúrbio da cidade grande que vai de férias para uma capital de província cheia de gente em férias e passa os dias com a família. Afinal que férias são estas, e onde está a graça, e como se repousa o espírito e onde a carga para realimentar as baterias, e sempre há gente com muito pouca imaginação ou sem dinheirito, coitados, para fazerem umas férias decentes.

Se eu estivesse de fora talvez pensasse a mesma coisa. Mas eu estive lá, esta noite, em casa da Idalete. Jantar trivial, sem rasgos de cozinha de dia de festa, uma dobrada com feijão que estava de se lhe tirar o chapéu e até os anjos a comiam. Tomara muito restaurante caro ter aquele sabor, aquele tempero, dos cozinhados feitos sem pretensões mas com tempero de amor, daquele que sai mais do coração que dos pacotinhos que trazemos do supermercado. E à mesa só gente boa, sem necessidade de etiquetas nem salamaleques, daquela que tem prazer em estar, em se rever, em conversar – falar e ouvir; pessoas que só estão ali juntas porque querem e lhes apetece.

Depois do jantar acabaram por se juntar os manos-viciados-fumadores na marquise, pra não poluir o resto da família que na sala ficou à conversa: eu, mais o Plácido e a Idalete. Perdemos o conto às horas. Falámos de alhos e bugalhos, de nós, das nossas vidas, e a Idalete (a mais velha dos três, e com mais memórias) a desfiar as memórias da nossa infância, a passar-nos pedaços do filme das nossas vidas. Os três a comungar o passado, a recuperar e a polir as pedrinhas brancas e brilhantes do caminho do passado: aquele dia bom, aquele momento feliz, aquela pessoa que passou por nós e nos “tocou”; a alma ia ficando mais leve, a noite mais suave, a vida mais luminosa.
Partilhámos também as pedras negras, aquelas pesadas e sombrias que ficam no lado mais escuro da estrada que é a vida de cada um de nós – há pedaços da estrada que caminhámos em conjunto, outros a sós, e depois de postos em comum parece que a solidão criada pelas pedras negras desaparece. E juntos falámos dos nossos fantasmas, das nossas dores passadas, dos medos do futuro, e das nossas (adoradas) meninas. Já não sei se éramos três pessoas ou três almas a voar juntas e abertas num espaço lá bem longe, onde se vê mas não se sente a maldade humana.

Foi um lavar de alma que não há canto de passarinho nem poesia do mar capazes de conseguir. Não basta ter um passado comum e o mesmo sangue nas veias; é mais uma coisa que se chama amor, amor fraterno, que sobrevive à distância, ao tempo e ao espaço, e às diferenças de idades, feitios, e modos de ver. E era poesia, e pôr e nascer do sol ao mesmo tempo, como as manhãs cedo na praia antes de haver marcas na areia – manhãs de infância em que o mundo parece acabadinho de nascer, limpo, lavado, tal como devia ser no princípio do mundo antes de o Homem conhecer a maldade.
As pedras negras estão um bocadinho mais baças e mais pequenas; os fantasmas vão ficando mais transparentes.
No longo caminho de cinquenta anos que já é a minha vida, a partir de hoje há mais uma pedra branca, brilhante, grande, quase luminosa. Olhando com mais atenção, tem uma forma que faz lembrar um coração.

Às vezes, sair de um subúrbio e ir passar as férias numa cidade à margem do turismo e dos turistas, da praia e da “animação”, pode ser uma grande ideia. Descansa o corpo e faz bem à alma. Desde que se tenha a sorte de passar por um momento mágico.
E disse.

Publicado por vitriolica às 04:20 AM | Comentários (5)

agosto 10, 2004

Férias, férias, férias! :)))

Pois é verdade, caros e-leitores, a família veio de férias. E eu tenho estado de férias das blogações há mais de quinze dias, embora só tenha saído de casa na sexta-feira. Acho que foi o fumo de tanto incêndio que me entrou pelo nariz e me afectou o cérebro: Não tenho tido ideias, nem inspiração, nem vontade de ler blogs ou de escrever no meu espaçozinho particular. Já o Cocó, coitado, desconfio que está com um esgotamento – mas aqui onde estamos mal há médicos para tratar pessoas, quanto mais descobrir um psiquiatra de galináceos. Uma crise, é o que é...

Hoje isto tudo levou uma volta, e foi por causa da intrometida da menina Idalete, que é uma irmã que eu adoro mas de vez em quando mete assim o nariz na vida das pessoas e deixa tudo de pernas prò ar, e depois vai-se embora com um arzinho inocente. É muito boa rapariga, mas quando lhe dá para estas sonsices ninguém lhe leva a palma.
E então há bocado chegou aqui (mais tarde explico onde é este “aqui”), e queria a receita de um feijão muito bom que eu faço e que não tem aqueles efeitos secundários do feijão que a maior parte das pessoas faz, e a gente come e depois pode ir dormir descansados ou ir para uma festa com muita gente e ninguém percebe que se comeu uma grande feijoada ao jantar, se é que percebem o que eu quero dizer.
Pois dizia eu que atrás da receita da feijoada começou a falar de blogs que eu até já estava meia esquecida do que são e para que servem, e lá tive eu que ir ler umas coisa que ela achou muito interessantes e por acaso até estava coberta de razão.
Por exemplo, o Eça de Queirós em versão Alentejana 2004; e quem leu “A Cidade e as Serras” e outros escritos deste senhor escritor com certeza vai concordar comigo quando ler esta descrição/elogio.
Eu e o Cocó somos unânimes (uma palavrita cara fica sempre bem nestas situações) em subscrever (duas palavras caras, melhor ainda!) aquele texto, tão bem escrito e tão verdadeiro; a gente também é fãs da Estalagem Weblog.
E disse.

Publicado por vitriolica às 04:43 PM | Comentários (3)

junho 29, 2004

Pintado de Fresco

A minha “casinha” acaba de ser redecorada e pintada de novo. Não toquem nas paredes e portas, que a tinta ainda está fresca.
Graças ao “Senhor Geral” do costume, que é como quem diz o nosso senhorio, estamos de “cara nova”, depois de oito meses sem grandes mudanças – que cá eu e o Cocó gostamos do conforto como daqueles sapatos já muito usados mas que já conhecem o nosso pé e se ajeitam a cada curva, cada dedo e são quase como se andássemos descalços. Para uma “velhota” de cinquenta anos o conforto é importante.

Mas mudar de vez em quando também é bom, mudar a forma, o aspecto, as cores, faz-nos sentir renovados, diferentes sendo os mesmos. Como quem acorda repousado depois de uma boa noite de sono.

É quase como um “Vá para fora cá dentro”; continuamos (sempre!) no bairro do costume, mas na zona da nova urbanização (Movable Type 3). Que eu e o Cocó sempre nos pelamos por novidades e “mariquices” nestas coisas de computadores, blogs e afins.

No mais, tudo igual. Por dentro somos tal-qual os mesmos. As nossas ideias e opiniões são as de sempre: sempre iguais, mas sempre em mudança.
Como diz uma canção antiga feita de um poema ainda mais antiga
Todo o mundo é composto de mudança
Tomando sempre novas qualidades.
(acho que foi mais ou menos isto que o poeta Luís de Camões escreveu, e foi cantado aí há uns trinta anos, penso que pelo senhor José Mario Branco – grande o poeta e grande o cantor).

Dito isto, prà frente vamos continuar, eu e o meu fiel escudeiro, quero dizer muso Cocó. Continue a honrar-nos com a sua visita. Nós ficamos gratos.
(caramba, parece conversa de empregado de restaurante quando o cliente que deixou uma boa gorgeta vai a sair...!!!)
O que eu queria dizer é que gostamos muito que nos visite e, quando achar que é caso disso, deixe o seu comentário, opinião, etcetra e tal.
E disse.

Publicado por vitriolica às 04:03 PM | Comentários (5)

maio 12, 2004

Hoje a redacção é sobre blogs

Pois, parece que a blogosfera se sobressaltou bué, como diz a Cèlinha. O colectivo de redação da doméstica que é como quem diz "eu e o Cocó" debateu empenhadamente a questão, entre a passagem a ferro de uma pilha de roupa, a vinha d'alhos do entrecosto prò jantar, e o "afogar" do pão que sobrou do fim de semana para umas belas migas de acompanhamento.
Como isto aqui na redacção (leia-se banca da cozinha) é democrático, no final fomos a votos e tirámos conclusões.

primeiros: é mesmo um grande sobressalto pensar que podem fechar esta minha janela para o mundo; era assim como se entaipassem as janelas da minha casa, ou fechassem o bico do meu Cocó com um cadeado.

segundos: isto é assim à primeira vista porque depois, pensando melhor, eu não sei bem como é que se fecham milhares (ou milhões) de blogs pelo mundo fora de um momento para o outro. A não ser que alguém descubra onde é que fica o interruptor geral que desliga a Internet! Quer dizer: a Internet não é assim uma loja, uma casa, uma empresa. A internet está espalhada por milhões de computadores no mundo todo, e é por isso que se chama inter + net, que eu sei que net quer dizer rede em inglês. Se fechassem o nosso "bairro" do weblog.com.pt, eu ia logo à procura de outro bairro, no Sapo ou no Brasil ou num cafundó qualquer por esse mundo fora, de graça ou a pagar, mas lá deixar calar o bico ao meu Cocó é que eu não deixava, que liberdade é poder dizer o que pensamos e sentimos quando queremos ou sentimos necessidade (e sobre isto vou voltar a falar mais abaixo).

terceiros: antes de fecharem os blogs, não era melhor procurarem e fecharem os sítios de pedofilia, ou aqueles que ensinam a fabricar bombas e praticar o terrorismo? Eu cá faço uma proposta aos senhores que mandam no mundo: primeiro fechem todos os sítios de pedofilia, depois os sítios que apelam ao terrorismo, e depois acabem com os blogs todos, incluindo o meu. E vou dormir descansadinha, porque sei que daqui a dez anos ainda vamos, eu e o meu Cocó, tar a blogar na maior.

quartos: e voltando ao segundo. Atão esta gente navega na internet, escreve na internet e não sabe que a internet não tem princípio nem fim, logo não tem portas nem fechaduras nem chaves? Tá bem, pode-se fechar uns sítios - alguns bem merecem -, pode-se até fechar um bairro inteiro, mas é preciso haver uma boa razão para isso, como aqui há uns anos quando puseram um sítio pornográfico no Terràvista e o Dr. Carrilho apanhou um grande susto porque se calhar nunca tinha pensado que pudesse acontecer uma pouca-vergonha daquelas num sítio que até era da cultura e tudo e a intenção do Doutor até era muito boa e louvável quando se criou aquele portal. E depois fechou-se aquele sítio pornográfico e pronto, o Terràvista lá está. Lá porque nos dói um dedos, não vamos cortar a mão, não é?

. quintos: ou seja, o pessoal .embandeirou em arco. com uma coisa que os Portugueses gostam muito, que é o .lá me estão outra vez a atacar., que a gente todos adora fazer de vítimas (é verdade, somos vítimas muitas vezes . dos governos que se estão marimbando para nós e só nos querem dar mais impostos e menos direitos, e depois pedir o votozinho de quatro em quatro anos... e nem vou dizer mais pra não desatarmos todos a chorar).
.Leram as gordas. como se diz, e nem pensaram duas vezes, nem pararam para raciocinar, vamos mas é queixar-nos e lamentar-nos todos muito . um dos desportos favoritos em Portugal, logo a seguir a ver futebol na televisão.
Eu e o Cocó fomos saber o que se passava, pensámos e debatemos primeiro, tirámos as devidas conclusões, lavrámos e assinámos a acta e só depois . neste momento . publicámos a nossa opinião.
Se calhar alguém vai achar que isto é uma data de disparates pegados, mas pelo menos foram bem .digeridos., como está a ser o nosso jantar de entrecosto frito com migas à Alentejana.

. sextos e para pensar um pedaço: será que não anda por aí um bocado de falta de assunto? Aqui a redação, por exemplo, ficou muda uns dias por falta de assunto ( e também porque algumas coisas menos boas nos têm roubado a disposição, é verdade). Se não há assunto, não há redacção e pronto! Paciência... com tanto blog jeitoso por essa internet fora, não vale a pena escrever só .porque sim. . há por aí muita coisa interessante para entreter quem quer ler. Baixam as audiências? Deixa lá! Não há anunciantes a queixar-se e a retirar anúncios, logo não há prejuízo!

Esta última parte, que me desculpe quem não gostar, tem a ver também com umas coisa que li, sobre plágios e cópias e pessoas que dizem o que leram nos blogs dos outros ou copiam notícias e imagens e fotografias que tiram de outros blogs e sítios.
Aqui entram duas coisas:
. primeiras: a falta de respeito pelos direitos do autor que escreveu aquilo em primeiro lugar, directamente de dentro dos seus neurónios, e isso chama-se plágio, quando não roubo. Por uma brincadeira dessas houve uma senhora cientista que viu o fim do contrato que tinha com uma revista onde escrevia todas as semanas.
Mas para muito boa gente - incluindo vários milhões de Portugueses - só tem direitos quem produz cadeiras, e camisolas e bolas de Berlim e coisas dessas, porque não se podem copiar nem clonar nem fazer copia/cola: ou se compram, ou ficam na loja. Se o que uma pessoa cria é coisa escrita ou cantada ou programa de computador, parece que "é do povo", é de todos, pode-se copiar para os vizinhos, amigos, parentes e benfeitores - porque o autor, o criador, aquele que puxou pelos miolos para partilhar com os outros a sua obra, vive do ar, ou tem à sua porta o maná do deserto todos os dias à hora a que o padeiro devia passar mas não passa porque ele, o tal autor, não tem dinheiro para lhe pagar, mas sabe que há quinhentas cópias feitas dos cinco exemplares que a sua obra vendeu, dos quais ele não vê um cêntimo de direitos de autor. (tá bem, eu sei que os livros quase pagam imposto de luxo, mas queixem-se à Deco, façam manifestações, greves, o que quiserem - desde que paguem as obras a quem de direito)

segundos: falta de ideias próprias. A gente ou tem, ou não tem; se não tem, não escreve. Quando eu tinha nove, dez, onze anos e lia as aventuras d'Os Cinco sonhava um dia ser escritora, fazer assim uns "Cinco" com putos portugueses e coisa e tal, à maneira, achava que devia ser giro e que os outros miúdos iam achar mais graça por ser gente que vivia no mesmo país e falava a mesma língua. Mas nasci sem talento para escrever romances de aventuras, e é por isso que ninguém encontra nas lojas os romances da Vitriólica. Sorte da dona Ana Maria Magalhães e da Dona Isabel Alçada!
Há pagode por aí que acha que basta dar umas voltas na Net, uma busca no Google, e sai uma foto baril, um poema com piada . põe-se um título por cima, duas linhas de comentário por baixo, e sai um .post. digno de um futuro Ciber-Prémio Pessoa (pense nisso, Dr. Balsemão!).
Faço justiça a muitos blogueiros que têm ideias e imagens saídas das suas próprias cabeças, ou então usam de vez em quando uma imagem, ou texto, ou poema .pedidos emprestados. aqui e ali. Alguns, reparem, até usam livros que pagaram numa livraria, seus de verdade! E muitos indicam o autor se o texto não lhes pertence. Mas muitos nem a esse trabalho se dão...

Se teve coragem para ler esta redacção mesmo até aqui, parabéns! - e obrigada :)
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:18 PM | Comentários (2)

outubro 22, 2003

Eu também pertenço...

...a essa geração.
Não havia Dragon Ball nem Pokémon. A Tv abria às 18.00 e havia um só canal, um único programa infantil semanal . aos domingos. Não havia hiper nem supermercados, só mercearias, na minha cidade não havia transportes públicos. Havia uma Biblioteca Itinerante (obrigada, Senhor Gulbenkian!) Cresci com os Cinco e os Sete, a Colecção Azul e a Odette de Saint-Maurice.
A rádio passava Música Portuguesa (e alguma Francesa, Inglesa, Italiana, Brasileira e até . pasme-se! - Americana).
E havia censura, as pessoas tinham que pensar antes de falar.
E essa geração produziu também grandes pintores, músicos, escritores, actores...
E a liberdade ainda era um sonho.
Eu também pertenço a essa geração. Dos Beatles e da mini-saia.
Foi um privilégio.
E disse.

Publicado por vitriolica às 02:04 AM | Comentários (1)

outubro 06, 2003

Feriados

Ontem nem me lembrei que era feriado. Pudera! Devia ser proibido haver feriados aos domingos porque parece que estão a gozar com o povo. É como no tempo do Professor Cavaco que queria pôr os feriados todos à segunda feira, ou coisa parecida, quando a melhor coisa dos feriados é eu ter o meu Arnaldo em casa num dia de semana todo o dia, para o almoço e o jantar; se eu mandasse passava os feriados todos para a quarta-feira que é mesmo no meio da semana e sabe melhor que parece a semana mais curta; e então se eu tivesse um emprego fora de casa, acho que ainda me sabia melhor.

Pior que isso é essa história de quererem mudar outra vez a hora. Dizem que é a hora da Europa Central e é melhor. Melhor para eles, que vivem na Europa Central. A ver se eles deixavam os Governos deles porem a hora igual à de Portugal porque assim quando se metessem nos aviões para virem de férias chegavam a uma hora mais jeitosa! É o deixas! Faziam logo manifestações e greves e boicotes porque hora legal é hora legal, mas afinal quem manda no povo é a hora biológica.
Até o meu Galo sabe isso, porque eu bem vejo as galinhas da minha sogra - a Dona Marcolina - quando a gente chega tarde e vai espreitar o galinheiro. Quando acendemos a luz elas pensam que já é dia e começam a acordar e a cacarejar "Que bom, já nasceu o Sol, vamos à paparoca!". Ou seja, o que manda nelas não é o despertador do Galo, é a luz, só que elas coitadinhas não distinguem a luz do Sol duma lâmpada acesa.
O senhor Professor Cavaco também quis mudar a hora, e depois eu li que afinal os negócios não melhoraram nada porque o que melhora os negócios não é quando a bolsa abre e fecha. O que melhora os negócios é os patrões saberem e gostarem de ser patrões e os trabalhadores saberem e gostarem de trabalhar e cada um fazer bem o que tem de fazer.
É como eu, que gosto muito de assados no forno e quando tinha um forno muito pequenino queimava-me de cada vez que agarrava no tabuleiro e no dia seguinte tinha sempre as mãos numa desgraça; volta e meia o meu Arnaldo dizia: "O Vi, tenho saudades dum franguinho assado (ou dum bolinho, que ele é muito guloso)" mas eu dizia que se ele queria assadinhos e bolinhos tinha que me comprar um forno em condições porque os assados saíam muito caro às minhas mãozinhas.
Mas o meu Arnaldo é um patrão inteligente e investiu na modernização da empresa, que é como quem diz da cozinha: um belo dia apareceu-me com um baita dum forno que até tem auto-limpeza e tudo, e enquanto ele se lava sozinho eu posso fazer outra coisa. Com um patrão assim até dá gosto trabalhar, e todas as semanas faço pelo menos um assadinho que a gente até se lambe todos. Bolinhos é que faço menos porque o Arnaldo é muito grande e tem um bocadinho de peso a mais e gosta muito de comer; e eu evito um bocado para ele não ter aquele problema que dá muito nos americanos que é a obesidade por causa do McDonald's.
Os senhores que entendem destas coisas do corpo humano é que sabem, e eles dizem que é mau para as pessoas por causa do relógio biológico que gosta de dar horas de dia e dormir de noite. Eu até sou um bocado ao contrário, e o meu irmão Plácido também, que funcionamos melhor à noite; mas afinal somos cinco irmãos, e a Lizandra, a Idalete e o Hipólito são como as pessoas normais e funcionam melhor de dia. Ora, nas democracias a maioria é que ganha. Por isso acho melhor não porem os feriados todos ao domingo e não trocarem as horas à gente que ainda me lembro do tempo em que só jantávamos às dez horas porque o meu relógio biológico estava convencido que quando a luz do sol diminuía um bocadinho eram horas de fazer o jantar. E chegava o Arnaldo a casa e jantar nicles, porque o Sol ainda estava para durar e eu pensava que eram seis da tarde e já eram umas oito.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:02 AM | Comentários (3)