Uma cestinha cheia de Vi-zinhanças

fevereiro 23, 2006

Pra mostrar à vizinhança

À minha vizinha Dona Anita e à minha vizinha Isabelinha como é que se faz um blog.

Publicado por vitriolica às 04:25 PM | Comentários (2) | TrackBack

fevereiro 12, 2006

Hábitos que não fazem monjas

Pois fui contemplada por um convite pra falar de cinco hábitos estranhos — e esta parte do estranhos é que é pior; cá pramim os hábitos de cada um não são nada estranhos pra si próprio, podem é parecer estranhos a quem os vê de fora...
Atão lá vai, a ver se consigo descobrir alguma coisa. Sou uma pessoa que vive tão habituada que é muito mais fácil descobrir o que não é habitual na minha pessoa.

Hábito número um, é que tenho que começar o dia com uma chávena de leite morno (e isto, há mais de trinta anos). Nem que a seguir tenha que ir comer um boi, sem a minha chaveninha de leite àquela temperatura exacta — 1 minuto no microondas a 750, num determinado tipo de chávena — porque se for de outro material, já muda o tempo: 55 segundos numa, 1 minuto e 15 noutra...

Hábito número dois, é a bica a seguir ao almoço; e tem que ser no café estabelecimento (não em casa, o que acontece sempre depois do jantar), e mesmo mesmo assim que acabo de almoçar; é preciso que seja uma bica cheia com copo de água, e tem que arrefecer um bocadinho porque a minha garganta não gosta de nada a escaldar — nem muito frio.

Hábito número três é, logo a seguir ao jantar, vestir o meu traje de noite: umas calças de malha e meias daquelas de andar em casa com embutidos borrachosos na sola no inverno, um capindó tipo vestido - mas largo e até aos pés — e chinelos de enfiar no verão. Só assim me sinto liberta e à vontade no sofá, sem nada a tolher-me os movimentos (e se calhar as ideias...)

Hábito número quatro: ver todos os noticiários da Sic Notícias quando estou em casa (o das oito da noite é na Sic).

Hábito número cinco — que não é bem um hábito mas uma mania — usar o "raspa Salazar" em todo o tacho, panela, frigideira ou penico da família quando tenho que retirar um restinho pra guardar num tamparié e guardar no frigorífico. Raspo, e raspo até retirar tudinho...

E pronto, espero ter deixado satisfeita a menima M&M com esta exposição em público de certas partes privadas e íntimas da minha pessoa. E desculpe lá, menina, mas só conheço quatro pessoas na blogosfera com quem tenha intimidade pra lhes mandar uma "praga" destas, e todas elas já responderam ou foram intimadas a responder a este inquérito. Por isso, não posso passar a bola a ninguém.
Ainda por cima, sou um bocado avessa a cadeias, e só respondi a esta por o convite vir da parte de quem vinha e hoje não tar muito ocupada - que o jantar foi uma refeição congelada (pré-cozinhada pela minha pessoa em quantidade razoável e congelada em pequenas doses pra dias como hoje em que me falta a imaginação ou a vontade de cozinhar), e por isso houve pouco trabalho na cozinha. Mesmo assim ainda tive que picar um bife de tomatada do jantar de ontem prà Cèlinha que tá com as amídolas ao peito e me pediu uma coisa que não desse trabalho a engolir.
E disse.

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fevereiro 06, 2006

Nova gerência, mesmos funcionários...

Que é como quem diz...
Mudou hoje de mãos o nosso bairro aqui do Weblog. Mas os blogs são os mesmos, escritos exactamente pelas mesmas pessoas.
E esta redacção “nasceu” do que li no Pópulo, escrito pela Sôdona Emiéle. A mim também me faz um bocadinho de impressão saber que vou entrar no “bairro” e não encontrar, sentado à secretária, a vigiar com olhos de lince os tais monitores cheios de luzinhas a medir a velocidade, a temperatura, os tempos de resposta, o tráfego... de mata-moscas em punho a afastar os horrorosos dos spams que vinham infestar as nossas caixas de comentários de viagras e meninas nuas. (às vezes, até, “convidado” a apartar brigas entre homens de barba na cara e que deviam ter mais juízo...) - que não vou encontrar o nosso “senhorio como eu lhe chamava. O criador deste espaço onde viemos, um a um, abrir os nossos estaminés de palavras, ideias e imagens.

Em volta deste nome “Weblog” foi-se juntando um grupo de pessoas de todos os sexos, idades, opiniões políticas, provavelmente de diferentes religiões e com maneiras de amar também diferentes. Muitas dessas pessoas foram criando um sentimento de “pertencer” a qualquer coisa. (euzinha própria, que há muitos anos não me sentia pertencer senão a mim própria – e à minha família – dei por mim a “fazer parte de”, fui a encontros, conheci outros bloggers, saí da casca...). Cada um no seu blog, e à sua maneira, foi construindo dia a dia uma pequena peça deste imenso puzzle de ideias, opiniões, personalidades, pessoas. Foi então assim que o Weblog chegou até aqui.

Com um grande(ssíssimo) trabalho do nosso senhorio, mas com a colaboração e a contribuição de todos os que por aqui “aterraram”. Blogs “de referência” e blogs sem referência, formadores de opinião ou sem opinião formada, onde quer que houvesse desejos de escrever, de “dizer coisas ao mundo”, lá vinha a vontade de abrir um blog. E sempre o Senhorio a dar o apoio, a resolver o problema ou a dificuldade... Ele e a sua equipa-de-um-só-homem-ele-próprio.

E hoje é dia de “passar a pasta” a um novo senhorio. A este, provavelmente, não vou conhecer a cara, não vou vê-lo sentado à secretária ali na entrada do “bairro” – deve arranjar uma sala tranquila e reservada para colocar os tais monitores cheios de luzinhas a piscar. Vai com certeza ter uma meia dúzia de funcionários a tratar da papelada, uma empregada da limpeza a cuidar de spams, bugs e quejandos. Não nos vai responder pessoalmente, mas pedir à secretária que nos envie um mail a responder ao nosso apelo desesperado porque o template “deu o prego”. As nossas “casinhas” vão continuar a ser limpas e cuidadas, o jardim da frente aparado.

No fundo, há “uma pequena parte” da equipa do Weblog que vai mudar: a tal equipa de uma pessoa que fazia noventa (e muitos) por cento do trabalho. O restante da equipa, que somos todos nós, vai ser a mesma amanhã e depois, enquanto cada um de nós quiser.

Neste dia da passagem do testemunho, vou convidar o meu mui estimado Cocó a levantar comigo a flûte, fazer um brinde aos dois Weblogs – de antes e depois da mudança de gerência – e a aplaudir, de pé e com muita força, todas as equipas do “Weblog”: a que parte, a que chega, e a que fica, que somos todos nós.
E disse.

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setembro 22, 2005

Saudações ao quadrado

Primeiros, saudar o regresso do vizinho próximo (ou vizinho pródigo...) que foi passar o verão noutras pastagens e está de regresso aqui a este nosso bairro.

Segundos, saudar a chegada do Outono, a estação das primeiras chuvadas a sério (se o São Pedro se lembrar, que de velho está a ficar taralhouco e a mandar o tempo fora do calendário), das vindimas, das castanhas e do tempo frio.

O Outono tem dia e hora certos pra chegar, e ei-lo que aterra precisamente agora, segundo o Observatório Astronómico de Lisboa.
E disse.

Publicado por vitriolica às 10:23 PM | Comentários (8) | TrackBack

setembro 06, 2005

Atrasadamente Parabéns

É verdade, amigos, passantes e concidadãos:
cá a Vi tem andado meia-afastada destas lides blogosféricas - é da madorna do verão, vamos a ver se passa.
E a modorra é tão grande que nem dei pela passagem de mais um aniversário blogosférico: uma Senhora de muita estima e respeito, lá muito quietinha no seu canto, assim discreta como uma violeta, mas que escreve bem e, pela maneira como escreve, vê-se que deve pensar melhor ainda.
(só me parece que não é muito boa de contas, porque eu cá contei pelos dedos e de Agosto de 2003 para Agosto de 2005 vão dois anos... mas não faz mal, pois até um primeiro-ministro que a gente teve mandou os jornalistas fazerem uma continha, que ele não atinava com o resultado!...)

Portantos, minha cara vizinha e querida amiga, permita-me que lhe ofereça esta rosa Parabéns, Sôdona Teacher!
do meu jardim e que lhe deixe aqui um beijinho e um xi-coração de parabéns por mais uma velinha no alto do blog. E que nunca as mãos lhe doam para poder continuar a mostrar-nos o mundo pelos seus olhos tão atentos e sabedores.

E olhe, amiguinha, deixe-se dessas coisas do "já é tarde"!!! O Senhor Picasso foi pai lá pròs noventa anos, e veja agora o Senhor Doutor Soares a pôr de lado o reumático e a aparecer todo fresco e lampeiro, ali ainda pràs curvas (mas sobre esse, eu e o Cocó andamos cá a estudar umas teorias).
Mire-se nestes espelhos, minha boa amiga; é só cá um palpite, mas a mim parece-me que é uma daquelas pessoas que têm lá dentro ainda muitos tesouros pra dar, oh se tem!
E disse.

Publicado por vitriolica às 02:37 PM | Comentários (4) | TrackBack

agosto 25, 2005

Assino em baixo, em cima, e dos dois lados

E digo mais: eu ia aqui escrever sobre o que diz a Sôdona Ana Roque, mas vou só dizer uma coisinha.
Há por aí umas pessoas que são assim muito importantes, e muito cotadas na politicosfera e na blogosfera. E depois vai-se a ver e não devem ter bebido chá suficiente em pequeninos, e fazem gala em mostrar isso mesmo. Porque são pessoas que fazem uma redacção e citam muitos blogues, mas só põem linques pra metade.

Ora, de acordo com a blog-etiqueta, a gente fala de um blog e é da mais fina educação pôr um linque para o dito blog, pròs nossos leitores não terem de andar “Ó tio, ó tio” a terem que descobrir onde fica. Mas foi isso mesmo que fez um certo Doutor muito respeitado da nossa praça do qual eu não vou dizer o nome (JPP), que amanda abaixo as pessoas e fala dos blogs deste e daquele e eu não percebo porque é que não põe os linques pra todos.
Das duas, uma: ou só pagou metade do ordenado à secretária e ela não esteve pra se dar à maçada de pôr o resto dos linques, ou atão é mesmo só falta de chá, e isso é muito feio numa pessoa com a craveira do Senhor Doutor. É que as pessoas assim de alto nível e com muitos estudos, a gente pensa que tamém têm educação, e vai-se a ver, nicles...
Quanto ao resto, a Sôdona Ana disse tudo.
E disse.

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agosto 23, 2005

Ainda bem que eu não tenho pilinha

... ou da influência e audiência dos blogs

Pois parece que houve por aí umas discordâncias de blogs (e não ponho o linque do Abrupto – primeiros, porque não há frequentador da blogosfera que não saiba onde fica; segundos, porque basta ir à maior parte dos blogs e lá está o linquezinho prò Abrupto; e terceiros, porque ninguém me há-de algum dia acusar de ter posto um linque prò Abrupto pra ver se ganhava notoriedade, quem sabe o próprio Doutor Pacheco em pessoa desabalava-se lá do Blogspot pra fazer uma visitinha à minha humilde choupana. Ele não conhece a minha existência, e cá por mim há-de viver ainda muitos anos nessa ignorância, graças a Deus).

E dizia eu no parágrafo anterior, mas já estava a ficar muito comprido. Dizia eu pois que houve praí umas diferenças de opiniões quanto à maneira de medir o tamanho das pilinhas, queria eu dizer as influências e as audiências dos blogs. Eu cá sou uma leiga nestes assuntos, mas de repente lembrei-me das “guerras” do Doutor Moniz e do Doutor Rangel pelas audiências das respectivas televisões.

Essas coisas acabam por não levar a lado nenhum, e depois é assim:
há os Maria-vai-com-as outras que visitam “os mais populares”, ou “os mais lidos”, assim numa espécie de “É chique ser visitante do blog X oy Y ou Z”, e "Eu concordo/não concordo nada/acho um rematado disparate/não podia concordar mais com o que escreveu o Fulano lá na chafarica dele.” e a pessoa sente-se muito importante, quase como se morasse no mesmo andar do mesmo prédio do dito Blog-notável;
e há os que vão “petiscando” por aqui e por ali, lendo umas coisas por onde passam, e ficam clientes de uns porque têm ideias ou palavras que têm a ver com eles.

E há os que blogam pra fora e os que blogam pra dentro, que é como quem diz, uns blogam para os leitores, outros blogam o que têm na alma, ou no espírito. Uns têm coisas a dizer, outros querem mostrar que sabem dizer coisas.

Esta coisa dos blogs dava para escrever uma quantidade de livros e teorias – sobretudo no que diz respeito a tamanhos: de umbigos, pilinhas, mas sobretudo egos e vaidades.

A gente escreve pra partilhar as ideias com quem nos lê, e tudo começa assim; depois começamos a ter visitantes, e comentários, e contadores, e sáitemíters e téquenorátes e tréquebéques (eu já não tenho destes há um ror de meses, mas tamém ninguém me põe linques porque tenho andado pouco inspirada, por isso tá tudo bem). E é quando esta cangalhada toda começa a subir à carola do people que a coisa desanda, porque a gente já não escreve de dentro pra fora, mas sim com o olho nos tais “medidores de audiências”, ou de popularidade, ou seja lá o que for.
O que vale é que há muita gente que não quer saber de téquenorátis e afins, e bloga pelo prazer de blogar.

E tinha mais coisas a dizer sobre o assunto, mas a redacção já está a ficar comprida e fico mesmo por aqui – prajá prajá.
E disse.

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julho 20, 2005

Testemunha de acidente - procura-se

Pessoal, recebi um meile de uma amiga que acredita no poder da Blogosfera - é simpatizante mas não militante, ou seja, não tem blog.

A minha amiga Elisabete foi abalroada ontem, terça-feira 19 de Julho por volta das duas e meia da tarde, na via rápida entre o Feijó e Almada.
O malandro que a abalroou deu de frosques, e a desgraçada tá coa traseira do veículo toda amarrotada, e ao que parece, apanhou uma carga de nervos maior que ela.

Pior é que a rapariga ficou tão nervosa que nem parou, porque estava atrasada para uma marcação; tamém, o malandro já tinha fugido, isso é verdade!... Resultado: ficou sem testemunhas.

De maneiras que, se por acaso você, leitor, tiver visto o acidente ou conhecer quem possa ter visto, deixe um bitaite aí nos comentários ou amande um meile aqui à Vi.
Tábem, a gente sabe que as hipóteses são praí de uma pra vários milhões; mas há umazinha, não é? Não custa tentar...
E disse.

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julho 17, 2005

era pra ter sido assim:

Pétcheuôrque

Mas isto era um trabalho de pétcheuôrque, de modos que levou mais tempo a ficar pronto.
O que eu queria mesmo era uma maneira de homenagear a imaginação, a habilidade e inteligência do Menino João Pedro, e então lá pedi a ajuda habitual da Cèlinha e do meu vizinho Alcino que me emprestou um livro de habilidades que lá tinha em casa. Temos então mais uma estreia mundial aqui: uma redacção - repetida, sim mas com um visual "à maneira", inspirado nas criações do Menino João Pedro (sem lhe chegar aos calcanhares, claro está).
Resolvi manter a redacção original aí por baixo, para quem não tiver vontade ou pachorra de brincar aos puzzles. Nesta só acrescentei o linque para os brilhantes apresentadores que ontem me escapou; o meu humilde pedido de desculpas aos Senhores José Mário Silva e Luís Rainha.
Advertência: Esta redacção, vista no Firefox, tem muito mais graça. Faxavor de arranjar um navegador decente.

Ontem fui ao Bar A Barraca, pois claro! nem aquele lançamento podia correr bem sem mim e respectiva aderente, a minha rica Cèlinha.
Tábem, havia lá pessoas muito mais ilustres que a gente (só os outros todos, é verdade). Mas de certeza que se eu e a Cèlinha lá não estivéssemos não era a mesma coisa, pois não? E como o lançamento correu muito bem, pois se calhar se não tivéssemos ido podia não ter corrido da mesma maneira.
Lá me desculpei por não ter podido ir à sessão da poesia dos tais de Surrealistas, e ele compreendeu as minhas razões — como era de esperar.
Bom, primeiros apresentei-me e à minha Cèlinha ao Senhor Changuito como estava prometido. Ele fez justiça ao que eu tinha pensado dele: além de um grande artista, é uma pessoa simpática e educada, e sem peneiras, para usar uma expressão tão antiga como eu.
Ainda era um bocado de gente, mas tirando a Sôdona Catarina, o Artista Principal, só me estou assim a lembrar de ter conhecido o Senhor Sharquinho.
É claro que havia muito mais gente, e alguns eram pessoas que já conheço de outras funções blogosféricas; mas uma mulher sem memória é uma vergonha, porque a gente cumprimenta as pessoas, e dá beijinho, e como é que vai a vidita e coisa e tal, e depois chega aqui ao teclado e tá mesmo a ver as caras, e lembra-se das conversas, e nomes... nada - uma vergonha!
Havia assim uma luz, um foco a iluminar o Artista-Autor e o Artista-Leitor, e os cabelos deles pareciam cabelos de anjos, e o Senhor João parecia um Menino João, porque estava com uma carinha de menino que eu até ia caindo de quatro quando ele me disse a idade; ali naquele palco ele não parecia ter mais de dezoito anos.
E depois veio o Artista Principal - que por acaso eram dois. O Senhor João lá falou do livro, e coisa e tal... não esperem que eu faça a reportagem, pois se não podiam ir podiam ter visto em directo e ao vivo.
E o amigo dele, o Senhor Daniel que também é poeta, leu umas redacções do blog que vêm no livro - e que bela voz que ele tem, e que bem que leu, que foi um consolo ouvi-lo. É um estilo diferente do do Senhor Changuito, e tem uma voz mais profunda, assim mais voz-de-falar-no-rádio, mas não ficam a dever nada um ao outro, não senhor!

E lá começou a função, com o Senhor Paulo a apresentar O Autor, e A Sua Obra, e também os apresentadores seguintes, gente assim de craveira que sabem analisar as literaturas e as blogaturas e dizer aquelas coisas importantes que se devem dizer acerca de livros.

Prontos, no fim foi mais autografos pracá (e o meu é bem simpático, que me ia deixando toda babada, oh se ia!), e mais autógrafos pralá, e uns dedos de conversa com uns e outras, e é sempre uma alegria e um bocadinho muito bem passado com os "vizinhos e amigos de blog".
Só tive pena de não ter dado um dedinho de conversa com o Senhor Luís Ene, que desta vez não pôde fazer-nos companhia, mas fica para a próxima.
E disse.

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julho 16, 2005

Foi assim:

Ontem fui ao Bar A Barraca, pois claro! nem aquele lançamento podia correr bem sem mim e respectiva aderente, a minha rica Cèlinha.

Tábem, havia lá pessoas muito mais ilustres que a gente (só os outros todos, é verdade). Mas de certeza que se eu e a Cèlinha lá não estivéssemos não era a mesma coisa, pois não? E como o lançamento correu muito bem, pois se calhar se não tivéssemos ido podia não ter corrido da mesma maneira.
Bom, primeiros apresentei-me e à minha Cèlinha ao Senhor Changuito como estava prometido. Ele fez justiça ao que eu tinha pensado dele: além de um grande artista, é uma pessoa simpática e educada, e sem peneiras - para usar uma expressão tão antiga como eu. Lá me desculpei por não ter podido ir à sessão da poesia dos tais de Surrealistas, e ele compreendeu as minhas razões — como era de esperar de uma pessoa assim. Aproveitei para lhe entregar um abraço que um amigo blogosférico me pediu pra lhe transmitir (tá entregue, compadre, vizinho e amigo!)

Ainda era um bocado de gente, mas tirando a Sôdona Catarina, o Artista Principal, só me estou assim a lembrar de ter conhecido o Senhor Sharquinho.
É claro que havia muito mais gente, e alguns eram pessoas que já conheço de outras funções blogosféricas; mas uma mulher sem memória é uma vergonha, porque a gente cumprimenta as pessoas, e dá beijinho, e como é que vai a vidita e coisa e tal, e depois chega aqui ao teclado e tá mesmo a ver as caras, e lembra-se das conversas, e nomes... nada - uma vergonha! Desculpem todos(as) esta velha carola meia taralhouca...

E lá começou a função, com o Senhor Paulo a apresentar O Autor, e A Sua Obra, e também os apresentadores seguintes, gente assim de craveira que sabem analisar as literaturas e as blogaturas e dizer aquelas coisas importantes que se devem dizer acerca de livros.

A seguir veio o Artista Principal - que por acaso eram dois. O Senhor João lá falou do livro, e coisa e tal... não esperem que eu faça a reportagem, pois se não podiam ir podiam ao menos ter visto em directo e ao vivo.

E o amigo dele, o Senhor Daniel que também é poeta, leu umas redacções do blog que vêm no livro - e que bela voz que ele tem, e que bem que leu, que foi um consolo ouvi-lo. É um estilo diferente do do Senhor Changuito, e tem uma voz mais profunda, assim mais voz-de-falar-no-rádio, mas não ficam a dever nada um ao outro, não senhor!
Havia assim uma luz, um foco a iluminar o Artista-Autor e o Artista-Leitor, e os cabelos deles pareciam cabelos de anjos, e o Senhor João parecia um Menino João, porque estava com uma carinha de menino que eu até ia caindo de quatro quando ele me disse a idade; ali naquele palco ele não parecia ter mais de dezoito anos.

Prontos, no fim foi mais autografos pracá (e o meu é bem simpático, que me ia deixando toda babada, oh se ia!), e mais autógrafos pralá, e uns dedos de conversa com uns e outras, e é sempre uma alegria e um bocadinho muito bem passado com os "vizinhos e amigos de blog".
Só tive pena de não ter dado um dedinho de conversa com o Senhor Luís Ene, que desta vez não pôde fazer-nos companhia, mas fica para a próxima.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (4)

junho 09, 2005

Inda bem que me lembrei...

Ouvi dizer lá no lançamento que a Menina Ana vai estar no dia 10 a dar autógrafos na Feira do Livro.
De maneira que lá vou eu com o meu livrito debaixo do braço, toc-toc a caminho do Parque e do stânder da Âncora Editora, lá por volta das seis e meia da tarde: uma hora mesmo boa, que já não tá muito sol nem muito calor. Se tiver sorte ainda tenho oportunidade de trocar umas palavrinhas com a distinta autora, que é distinta sim senhor mas não é nada emproada, e fala com as pessoas assim com um ar muito normal. Há pessoas que sabem de leis e de literaturas e ficam logo com o rei na barriga mas a Menina Ana não é dessas, é muito educada e trata bem até uma simples doméstica como eu.

Tábem, gosto de ter livros autografados, e atão? Pois se a gente gostou do livro e simpatiza com a pessoa e tudo, qual é o mal? Sempre fica um objecto assim mais pessoal, é como se aquele livro em particular tivesse sido impresso especialmente para mim; pronto. A gente tem o direito de ficar, senão com um bocadinho da pessoa, pelo menos com um bocadinho da escrita da pessoa, assim mesmo pelo punho dela. E ganhamos um "obrigada" e um sorriso. Aquele autor, ou autora, de quem a gente gosta e que soube escrever palavras que vieram ao nosso encontro, fica um bocadinho mais perto, parece que é um bocadinho mais "nosso".
O escritor segue a vida dele e eu a minha, mas durante uns minutos tivemos um bocadinho de vida em comum, pudemos dizer à pessoa que a admiramos, que aquelas palavras têm a ver connosco.
(sobretudo num país em que se diz tanto mal de tudo e de todos, em que grande parte das pessoas são tão mal estimadas – pelos governantes, pelos patrões, às vezes até pelos vizinhos ou familiares - , eu cá gosto de mostrar a minha estima e a minha admiração. Se há quem agite bandeiras pela selecção, eu cá gosto de agitar a bandeira da admiração e da estima por muitas outras pessoas que fazem coisas bem feitas e não aparecem nos noticiários.)

Pronto, Menina Ana, sexta-feira feriado lá nos encontramos – depois das seis e meia, no stânder da Âncora – prò autografozinho da praxe e mais um dedito de conversa. Quem sabe aproveito e pergunto-lhe o que querem dizer algumas das tais palavras em estrangeiro...
E disse.

Publicado por vitriolica às 05:06 AM | Comentários (1)

maio 25, 2005

Atão aqui vai o relatório

A coisa começou mal, oh se começou! Pois uma bela duma insónia, uma noute mal dormida, e acordei uma hora mais tarde do que tinha combinado cá comigo. Mal tive tempo de me enfiar dentro dumas calças de ganga, meter uma bica no bucho pra não adormecer ao volante, e ala que se faz tarde (e fazia mesmo!)

Valeu-me ter metido gasolina na véspera, e o Arnaldo com seus cuidados, que tinha passado vestoria ao veículo logo de manhãzinha enquanto eu recuperava das horas roubadas ao sono.

Primeiro contratempo, a porcaria do rádio; ele não tem andado lá grande coisa, tem pra lá um fio que anda cua crise orçamental e volta e meia vai-se abaixo das canetas – parece mesmo um país que eu cá sei... Eu bem abria a porta, batia cua porta, qual nada! Assim que passei a primeira portagem, pimba! perdeu o pio de vez. Ainda parei na primeira bomba, abri e fechei a porta como se fosse um portão de quinta, e nicles! E nem Cocó com quem conversar...

Como estava meia atrasada, olha, foi quase prego a fundo, auto-estrada fora, só eu e o silêncio, e um único botão pra conversar – o das tais calças de ganga. Acreditem que foi uma viagem muito desinteressante, e mesmo um bocadinho perigosa. Eu até gosto de acelerar um bocadinho, mas geralmente fico-me pelos cento e quarenta; desta vez, por causa do atraso, tive que ver o ponteiro chegar aos 150, e não gostei nada. Chamem-me maricas se quiserem, mas sentia-me bué desconfortável e insegura, assim como quem sabe que tá a dar um passo maior que a perna.

Mal tive tempo pra apreciar a paisagem, o que foi mau - porque ver a planície alentejana num lindo dia de sol e céu azul, quilómetros a perder de vista de paisagem bonita, triliões de papoilas a gritar "é primavera", isto tudo ali de bandeja e uma mulher a só poder deitar um cantinho de olho... é tortura, é maldade! Mas a culpa do atraso era só minha, e tinha que recuperar o tempo.
Prà próxima, tomo mas é uns "sossega leão", deito-me às nove da noite e saio de madrugada pra poder ir devagar, parar, tirar umas plingrafiazinhas... assim tipo turista, de óculos escuros e tudo.

Consegui! Cheguei mesmo ao bater da uma, parei exactamente na mesma garagem do ano passado pra perguntar o resto do caminho, e com as indicações precisas dos senhores simpáticos (que também deviam ser os mesmos) fui direitinha ao local do encontro.
Tive a sorte de arranjar um lugar à maneira, e como boa despistada que sou nem vi um grande ajuntamento no jardim e fui direitinha ao restaurante – vazio, claro! De maneiras que lá saí, e voltei ao jardim onde fui muitíssimo bem acolhida pelos nossos anfitriões. Tive a alegria de rever caras conhecidas: a Menina Jacky, o Senhor Carlos, o Senhor Fernando, a Menina Pandora, o Senhor João, a Menina Cris...

Vá lá, que este primeiro episódio da história, que começou tão mal, acabou bem: cheguei a horas, inteira, e com um monte de gente alegre, simpática, reunido pra uma comilança que só podia ser boa: no Alentejo e com tais organizadores, outra coisa não era de esperar.
O segundo episódio... logo se vê!
E disse.

P.S. - é muito deselegante pôr aí uma enfiada de nomes sem os respectivos linques; eu sei, não precisam bater! Mas hoje tou com sono, cansada, sem paciência pra andar a catar linques p'pla internet afora, e copia, e cola, e o diabo a sete. Amanhã trato do resto. Com licença, vou ali hibernar já volto.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (3)

maio 23, 2005

Ih, caramba, só faltam dois!

... minutos prà meia-noite, e inda não escrevi nada hoije!...
Atão aqui vai:

Amanhã conto mais.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (2)

maio 21, 2005

... e voltou

A Vi voltou da planície
E gostou muito, mas prajá inda tou a digerir as emoções e as sensações, e sobretudo as conversações. Lá mais prà noute - ou talvez amanhã, hei-de fazer o relatório possível. Só posso adiantar que, mais uma vez, fomos muitíssimo bem recebidos pelos anfitriões.

E disse.

Publicado por vitriolica às 09:29 PM | Comentários (4)

Por motivos de força maior

Hoje o Arnaldo e a Cèlinha vão ter que se amanhar sem mim, e tratar do rancho sozinhos.
Quem me quiser encontrar, é ali:


A Vi vai à planície

mai-nada!
E disse.

Publicado por vitriolica às 03:32 AM

abril 09, 2005

Acaba de abrir ao publicozinho :)

O Café Expresso Tadechuva, sábia e superiormente dirigido pelo Excelentíssimo e Dignissimo Senhor ZecaTelhado, muito bem apoiado por uma equipa de redactores de alto gabarito e fino recorte literário, do melhor que se pode encontrar na luso-blogosfera.
Visite já o primeiro número, antes que esgote.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:02 AM | Comentários (3)

março 30, 2005

Novidades (continuação do episódio anterior)

Mais uma novidade (infelizmente em segunda mão, mas não deixa de ser estreia mundial neste blogue, ora essa!), e esta é uma novidade jornalístico-bombástica.

Senhoras e senhores, informo Vossas Excelências de que brevemente, muito em breve, vou inaugurar uma nova carreira – a de ciber-colunista!
Graças à inteligência, perspicácia e bom gosto do Senhor Zeca Telhado , cá a Vi mais o seu inseparável Doutor (e agora Sir) Cocó vão colaborar no nascimento de um novo projecto da maior importância e envergadura cultural e literária.

Foi com um grande prazer, e sentindo-me muito prestigiada e honrada – claramente o afirmo -, que aceitei prontamente o convite de tão prestigiada figura da blogosfera nacional. Mais honrada me senti quando pude aquilatar da qualidade do corpo redactorial do projecto, sendo que, no entanto, ajuizei da minha pequenez no meio de tão nobre e douta companhia.
Com efeito, poderão os meus caros leitores-visitantes verificar in loco a veracidade das minhas palavras. Na lista de redactores encontra-se uma parte do que há de melhor entre os magníficos blogue-autores da blogosfera nacional.

É, pois, com o sentido da responsabilidade – sem olvidar a imprescindível humildade – que aceito colaborar, a partir de 9 de Abril – próximo futuro – em tão prestigiada ciber-publicação. Evidentemente que será humilde a minha prosa, ombreando com a dos meus doutos colegas.
Convém, no entanto, não esquecer que, certamente, é política redactorial do responsável proporcionar o livre exercício da democrática arte de opinar a todos os estratos da sociedade. Daí que não deva surpreender os mais incautos a inclusão desta dupla doméstica no elenco redactorial.

Andou avisadamente o Senhor ZecaTelhado, sobretudo por dar oportunidade, a um verdadeiro elemento do povo, de exprimir semanalmente a sua opinião num órgão que, muito em breve, será certamente dos mais prestigiados na área da Informação. Outrossim deveriam andar os nossos políticos, que todos se reclamam da democracia e da liberdade, e mais não nos permitem que uma cruzinha num papelucho (mais a mais, rabiscada às escondidas) – e apenas de quatro em quatro anos, a menos que haja bronca entretanto.

Fica, por conseguinte, o aviso feito a todos vós, bem como o caloroso convite a prestigiarem com a vossa visita e eventuais comentários – não só a dupla signatária, mas todos os restantes membros da equipa de luxo que o Senhor Zeca Telhado em boa hora reuniu.

Não esqueça, pois, Café Expresso – Tadechuva, a partir de 9 de Abril, numa internet perto de si.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (2)

março 22, 2005

Isto é tanta coisa a acontecer que o melhor é ir por partes

E então a parte I
Abriu – “Há quase uma semana, sua lerda atrasada!” (berrou o Cocó ainda a agabar de engolir o milho do jantar) –abriu então, escrevia eu, uma loja cá no bairro, e eu acho que já toda a gente sabe; mas as televisões e os jornais passam a vida a fazer cachas com assuntos que a gente já viu ou leu nos outros órgãos de comunicação. De maneiras que eu cá tenho exactíssimamente o mesmo direito. Além do mais, pode ser que haja um português blogosférico que ainda não tenha lido a notícia, logo isto ainda pode ser considerado uma estreia – mesmo que seja em décima quinta mão.

Temos então que o nosso bairro familiar foi valorizado com uma loja, e logo então “vocacionada para a cultura” – que frase mais intelectual, hein! Sim, que não é cá loja de telemóveis, nem mercearia com prateleiras “promovida” a minimercado. Esta é uma verdadeira loja de cultura, com livros a sério, e caixa e tudo.

Fica logo ali à esquina, assim à esquerda de quem desce, e tem como proprietário, funcionário e caixa o nosso mui bem-amado senhorio. E pra começar tem dois livros na montra, que me parecem muito jeitosos: um do Senhor Luís Ene (pra mim, o Rei das Histórias-que-cabem-num-telegrama), e eu digo estas coisas assim na brincadeira mas ele é é um belíssimo criador de histórias, essa é que é essa, um verdadeiro escritor a sério. Não é como aquelas pessoas que lêem o que as outras escreveram e depois põem no blog e deixam assim sem nome nem nada para a gente pensar que aquelas palavras lindas, aquele poema tão bem alinhado de ideias e palavras, saiu do bestunto deles e não da vítima a quem roubaram a escrita e o nome. Mas deixemo-nos de histórias de gatunices que estragam a fotografia, e falemos do Senhor Luís Ene que é um verdadeiro escritor, e eu quero ver se arranjo um exemplar autografado do livro dele, que assim o exemplar tem mais valor. Claro que já encomendei pra aproveitar o preço de lançamento, que como dizia o outro no aproveitar é que está o ganho.

E há também um livro da Senhora Dona Ana Roque, e não ponho o linque porque ela podia não gostar, mas esse a mim não me interessa assim muito porque é sobre umas coisas de Direito Empresarial que eu cá não percebo nada, que pra mim, direito é o outro lado do avesso. Só sei que deve ser uma coisa muito bem escrita, porque ela escreve muito bem, também podia fazer livros como os do Senhor Luís que não se devia sair nada mal..
Ainda a propósito de Direito e avesso, fica a lição para quem não saiba: é pelo avesso que se passam a ferro as roupas escuras que é pra não criarem lustro.
E é verdade que tenho mais novidades, mas hoje tou um bocadinho prò murchito apesar da água que o Senhor São Pedro fez o favor de mandar. “Choveu-me” uma constipação em cima, e tou assim meia deitada abaixo, mole como as papas.
Prometo que assim que me passar a moleza conto mais.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (6)

dezembro 22, 2004

Toca a despachar, people

Toca a despachar a malta que ainda não gastou o subsídio de Natal todo e não aderiu à Campanha da Boa Vontade.
Com aquelas vantagens, brindes e mordomias por menos de um conto e duzentos por mês, até dá vontade de desaderir e aderir outra vez.
Fazer parte deste "bairro" do Weblog não é só escrever coisas bonitas para os nossos visitantes.
E disse.

Publicado por vitriolica às 06:35 PM | Comentários (1)

dezembro 08, 2004

Eu levo-me muito a sério!

Então ó Dona Catarina, pois eu até gosto muito da senhora e tal e coisa, mas acho que está a exagerar um bocado e até acha que os macacos têm blogs e tudo... Se calhar está mesmo a ficar senil, que eu fui ao dicionário e vi que é o mesmo que caduco; não encontrei foi o “marada”, mas se calhar já tinha a ver com aquela do Mar da Tranquilidade que tá logo ali por cima, mas não se esqueça da minha leirazita por causa das batatas e das rosas – mesmo que fique muito marada ou senil que deve ser parecido.

A Senhora acha mesmo que os macacos alguma vez se iam dar ao trabalho de ter um blog onde toda a gente lê e comenta? Acredita mesmo que os macacos iam cometer a rematada parvoíce de se levar a sério? Ná, eles são muito mais inteligentes do que isso!

Pois está mais que visto que isto é tudo muito conhecimento, e muito bestunto e muito intelecto e os jornais são poucos, não cabemos lá todos. Vai daí, temos que usar os nossos bloguezinhos para exprimirmos as nossas opiniões e análises e reflexões sobre a poliítica, é certo, mas também sobre o desporto, a agricultura, o escaravelho da batata, quiçá (ai, o que eu gosto desta palavra!) o buraco da camada do ozono e a cor do verniz das unhas do Senhor Castelo Branco. (sim, que isto de fazer só análise política é um bocadinho monótono, digam lá o que disserem, e como nos negócios, é bom diversificar).

Digo claramente que, e tendo em vista análises anteriores e não só, mas também a relevância e pertinência das mesmas, isso de blogues chatos é a Senhora que não sabe escolher, muito menos seleccionar, o tipo de blogues que frequenta/lê. Ele há praí muito blog de qualidade, isso lhe afianço (embora de momento não me ocorra assim nenhum, tirando o seu e o meu – modéstia à parte).

Fiz a pergunta que recomenda, mas aqui ao pé só está o Cocó a roncar empanzinado, que hoje alambazou-se numa variedade nova de milho que descobri numa loja de sementes muito jeitosa ali por trás do Mercado. Mas aposto que se estivesse acordado dizia logo “Sim!”

A verdade é que nós, portugueses, somos grandes opinadores, eu diria mais, grandes opinadores incompreendidos pelas massas! O mais longe que a nossa opinião chega é aos companheiros de mesa de café, e é pena, porque são sempre opiniões (a começar pelas minhas) capazes de mudar o mundo e de resolver senão todos, pelo menos os mais importantes, candentes e urgentes problemas do Planeta e arredores.

Só não somos uns grandes fazedores de opinião porque gostamos mais de opinar do que de fazer, senão o Mundo ia ver, ó se ia! O problema é que a gente opina, opina, e ninguém nos liga nenhuma, essa é que é essa (e Camilo é Camilo, e Margarida Rebelo Pinto é Margarida Rebelo Pinto)!
E veja lá se não é mesmo verdadinha: já viu quantos treinadores de bancada “resolviam o jogo” quando o clube deles perde? Lá está, o clube só perdeu porque eles não tavam lá no banco, como devia ser, tá a ver? É tudo uma grande injustiça, é o que é! Uma grande falta de visão de quem manda nesta coisa!

A gente todos, nós, os que escrevemos nos blogues temos mais é que nos levar a sério, e digo-o claramente: muito a sério mesmo, sobretudo porque em grande parte me parece que isto é gente que ri pouco. Somos uma data de crânios mal-aproveitados – como os tais treinadores de segunda-feira -, e sabe-se lá a quantidade de génios-escritores-poetas-artistas-analistas-opinadores-e-outros, desconhecidos e incompreendidos por trás dos nossos aliases.

Eu também tenho muita pena, porque acho que se calhar um dos meus faróis da blogosfera, que é a Dona Catarina, deve-se-lhe ter fundido a lâmpada para escrever assim estas coisas. Deve ter sido por isso que deixou de se levar a sério, e começou a sonhar com a lua, e casacos e dossiês. Mas tenho esperança que um dia, muito em breve, volte a levar-se a sério - como boa portuguesa que é; e que faça jus às suas qualidades intrínsecas e volte a ser acutilantemente opinante, e lucidamente analisante (ou vice-versa). Mire-se no espelho dos nossos políticos, (e, porque não, dos nossos famosos, das nossas celebridades). Se todos os portugueses se levassem tão a sério como eles, já viu que beleza de país íamos ser (talvez ainda mais macambúzios, mas todos muito a sério, olaré!)?
(O Cocó acordou da sesta e tá pràli a cacarejar às gargalhadas. Porque será que o raio do galo não me leva a sério, diacho?)
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (3)

dezembro 07, 2004

Hoje é só um linque

Que eu fiz uma promessa à minha pessoa e mais ao Cocó que ia evitar falar neste assunto. Mas uma coisa é falar, outra é pôr um linque pra quem fala.
Hà gente que tem memória e faz justiça. Eu faço justiça a quem tem memória.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (2)

dezembro 04, 2004

Parabéns, amiguinha!

O dia está a acabar, mas ainda vou a tempo, antes da meia-noite, de dar os parabéns à amiga e vizinha Jacky, uma menina doce e querida com um dos blogues mais doces que eu já vi. Há quem diga que os olhos são o espelho da alma, e neste caso o blog também. Para a minha amiga aqui fica uma grande beijoca e um xi-coração com muito afecto.Um brinco para uma Princesa
Tive muita pena de não poder ir à sua festa, mas quem manda a gente viver tão longe uns dos outros? O que me consola é "adivinhar" que de certeza teve muitos amigos consigo neste dia, a rodeá-la de carinho e amizade. Que seja o começo de um futuro cheio das coisas boas que merece.
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:42 PM | Comentários (4)

novembro 30, 2004

Será que o Weblog.com.pt vai acabar?

Não é por nada, mas tou um bocado preocupada. É que parece que deu a louca ao nosso senhorio, e por isso não sei se este bairro vai manter pedra sobre pedra durante muito tempo.

Dei uma saltada ao blog, e nem de óculos escuros, gente! Tá bonito, é certo, mas o senhor deve estar doente ou a precisar muuuuuitoooo de óculos. Eu cá não consegui ler nada, mas lá que ficou florido, ficou. (se calhar andou a tirar um curso de mudanças de blogs com a vizinha Catarina, mas deve ter perdido metade das aulas e deu no que deu...).

Enfim, tenhamos esperança que as coisas voltem ao normal, porque eu para ver flores vou ao meu quintal, e os blogs é mais para ler, só que assim fica difícil cumó caraças (desculpem esta expressão pouco própria de uma senhora, mas não consigo dizer isto de outra maneira)
E disse.

Publicado por vitriolica às 02:35 AM | Comentários (7)

novembro 20, 2004

Sem comentários

... mas com patrocinador!
A gente tenta ir comentar estes senhores Aphixadores e aparece-nos o patrocinador do costume... (eu deixei-me de pôr "mariquices" de fornecedores externos porque me irrita à parvalhona andar a fechar aquelas janelas sem cortinas nem charme que os "benévolos" patrocinadores nos impingem) mas a caixa de comentários evaporou-se - ou terá voado, como o meu Cocó?
Mas que o Afixe ficou engraçado, ficou! Ganda LOL, cacareja o Cocó (tradução Vi: RAP - rir à parvalhona).
O nosso Senhor Geral deve tar a dormir, mas assim que puder há-de dar a sua mãozinha, que aquilo é um senhorio como há poucos.
Boa sorte desse lado, vizinhança. Isso cura-se com duas pàzadas de HTML e umas pinceladas de CSS.
E disse. (LOL-RAP-LOL-RAP)

Publicado por vitriolica às 02:35 AM | Comentários (2)

novembro 16, 2004

Ó pramim toda orgulhosa dos meus e-afilhados!

Prajá, prajá, nem toda a gente tem a sorte de ser e-madrinha. E depois, madrinha de dois afilhados que são do bom que há (muito, felizmente) por aí, por essa internet, por esses blogs.

Mas deixa-me lá contar a história, que até é curta e, se não é uma bonita história, é pelo menos agradável:
Aqui há atrasado, quando fui ao encontro de blogs organizado pelo Grande Zecatelhado (grande o homem, grande o coração), conheci uma data de gente; é verdade que esta desgraçada memória só me deixa lembrar agora de quatro, além do Senhor Zeca.
Conheci em pessoa a Jacky, com quem já tinha trocado uns comentários e imeils, e que veio a provar ser exactamente a pessoa que eu imaginava: doce, “fofa”, simpática – uma querida a sério, não da maneira que diz o José Castelo Branco, que é um “cagão” (desculpem a palavra).
E conheci o senhor “Amnésia”, também gente boa, bem-disposto e divertido, que só teve um defeito: ajudou a fazer o tempo daquele jantar parecer muito curto.

Tive ainda como companheiros de mesa a menina Maria do “Puta de Vida”, e aquele a quem ainda hoje gosto de chamar o “Menino Passarinho” Estes dois são os meus e-afilhados.


A menina Maria contou-me que resolveu trazer para o Weblog o blog que tinha no Blogspot porque leu uma das minhas redacções em que eu dizia como era fácil, e falava bem da vizinhança e do senhorio (não estou bem lembrada, mas acho que foi mais ou menos isto). Por isso, achava que eu era um pouco “madrinha”. Gostámos uma da outra, e adoptámo-nos!

Com o “Menino Passarinho” foi um bocadinho diferente: eu estava a ver a página de entrada do Weblog, e vi o título de um blog acabadinho de criar; achei graça ao nome, e fui dar uma espreita. Pela conversa do primeiro “post” vi que ele estava um bocadinho aflito – nada que não tenha acontecido à maior parte de nós, não é? – e resolvi deixar um comentário assim a animá-lo. Devo ter sido dos primeiros visitantes, e fui a primeira comentadora. Pois no encontro ele lembrava-se disso, e por isso me chamou “a sua madrinha”. Descobri também que ele não era um rapaz na casa dos vinte e tal como eu o tinha imaginado, mas um “rapaz do meu tempo”, nascido lá pela década de 50. Mas para mim, o Senhor Manuel Gonçalves – que é uma simpatia de pessoa – há-de ser sempre o “menino Passarinho”, porque o bilhete de identidade é uma coisa, e a idade é outra. Basta visitar-lhe o blog para ver que aquelas fotografias têm só beleza sem idade!

Estou muito orgulhosa deles, sem falar na “menina do sopro”, como eu lhe chamo. A essa também dei um empurrãozinho para se pôr a blogar porque sei que tem um coração bonito, e a verdade é que não me enganei e muita gente acha o mesmo porque ela tem bué de visitas e bem merecidas.

E pronto, hoje apeteceu-me falar de coisas boas, e de pessoas que só vi uma vez em carne e osso mas que são gente boa, que isso percebe-se logo. E falar sobretudo do meu prazer de ter “amadrinhado” gente que tem uns blogs agradáveis, daqueles com imagens ou palavras bonitas onde dá prazer ir passear.
Eu sei que há muitos mais por aí, hoje foi a vez de me lembrar destes. Afinal de contas, nem toda a gente tem o privilégio de ter afilhados deste calibre, não é?
E disse.

Publicado por vitriolica às 11:55 PM | Comentários (6)

novembro 15, 2004

Bloggers de elite - à moda da Vi

Pois na minha humilde opinião há os que sabem blogar e os que gostam de blogar. E como diz o meu amigo Teófilo há coisas que são para quem quer, e outras são para quem pode.
O blogar também é um bocado assim – que é como quem diz, é como dançar a valsa e o tango e essas danças antigas que agora se chamam de salão. A gente vê nos casamentos e festas de passagem do ano que uns dançam bem e outros andam ali só a arranhar a pista com os sapatos. No fim divertem-se todos à brava, menos os(as) que dançam com “pés de chumbo” e acabam cheios(as) de pisadelas e nódoas negras.

Ainda bem que aqui na blogosfera dançamos todos a singulares e não a pares, mas mesmo assim de vez em quando há choques, e uma nódoas negras nos egos de alguns – o que vale é que há pomadas muito boas e as nódoas negras vão-se num instante.

Estes pensamentos vêm a propósito de um texto (sim, texto, que ele escreve a sério, ao passo que aqui a Vi-zinha só sabe fazer redacções como quando andava na quarta classe – mas nessa altura, juro, era sempre das melhores na redacção), de um texto, dizia eu, ali do vizinho-blogueiro-escritor-de-verdade senhor Luís Ene. Coisa séria, escrita como deve ser, e com palavras que me obrigaram a abrir o dicionário uma data de vezes. Isso é muito bom, porque é uma maneira de uma dona de casa se cultivar, e aprender o significado de palavras como “aglutinador”, “arrogância”, “elite”, “metáfora” e outras assim de sete mil e quinhentos. A gente vê essas palavras e até se convence que sabe o que querem dizer, e depois um dia dá-lhe pra pensar e vê que pensava que sabia mas de repente dá-lhe assim uma coisa e acha que é melhor perguntar ao tira-teimas, que cá em casa se chama “Dicionário da Língua Portuguesa”, 8ª edição revista e actualizada pela Porto Editora.

elite – s. f. a flor, o escol, o que há de melhor na sociedade; minoria prestigiada a que pertencem os mais aptos (Do fr. élite, «id.»)
Mesmo com a ajuda do dicionário isto é um bocado complicado de perceber; ainda me falta o “escol” e os “aptos”; mas vão lá ver vocês, senão ainda sou processada pela editora por estar pràqui a copiar o dicionário sem pagar direitos de autor.

O Senhor Luís escreveu assim umas coisas lá naquela linguagem dele que eu acho muito bonita mesmo quando não percebo tudo; mas houve uma parte que eu entendi muito bem, que é quando fala dos jogos electrónicos – que eu só tenho paciência para as paciências de cartas. E foi graças a isso que deu para perceber muito bem as elites.

Agora cá em linguagem de Vi, também gostava de explicar o que é que eu acho do assunto. Pois se não tenho cultura não tenho menos opinião, nem menos vontade de a escarrapachar aqui no blog.

O que eu vejo aqui é o mesmo que se vê em todo o lado, e há os que sabem que sabem blogar e não precisam de andar sempre com uma campainha a bradar que são bons e coisa e tal. Blogam bem, e têm muita gente que os lê e respeita, e são aquilo que alguns chamam “uma referência da blogosfera” e coisas assim dessas. Eu cá até aposto que se eu dissesse quem são as minhas referências na blogosfera vocês se riam de mim, mas nessa não caio eu!
Se fossem flores seriam orquídeas raras e delicadas, ou flores assim exóticas e cheias de cor e perfume.

A seguir aos que sabem que sabem, e fazem o que gostam e fazem-no bem e ficam quietinhos e caladinhos no seu canto, vêm
os que sabem que nem por isso são bons a blogar, mas fazem-no por gosto, e com prazer e vontade de fazer o melhor que sabem: falam das suas vidas, ou das suas terras, ou das suas opiniões ou futebóis ou lá do que lhes dá na realíssima bolha. Não querem ser importantes na blogosfera, nem referências de coisa nenhuma, nem fazedores de opinião de ninguém – só escrevedores da sua própria opinião. E não se andam a pôr em bicos dos pés para que alguém os julgue maiores do que são, nem se julgam muito importantes. São humildes e educados, respeitam quem passa e quem está em volta. Como os primeiros, blogam por gosto e não têm ambições de ganhar o “Oscar da blogosfera”.
Estes são a maioria (acho eu de que), felizmente. São como as florzinhas do campo, têm a sua cor e o seu perfume próprios, sabem que não vão enfeitar a jarra de nenhum palácio e que algumas (não muitas) pessoas as apreciam, e vivem bem com isso. Alguns são tal-qual como as violetas: escondem-se num cantinho sombrio, mal se deixam descobrir, e é preciso saber que estão lá; quem o sabe delicia-se com uma beleza e um perfume quem não têm igual.

E depois... há os que querem à viva força que as pessoas reparem neles, que se sentem incompreendidos, injustiçados ignorados e sei lá mais o quê, e acham que são os maiores – só que ainda ninguém os descobriu... mas um dia...! Quando vão ao volante estão sempre a apitar, ou a acelerar pra dar nas vistas, e se ninguém repara neles, alguns até amuam. E contam linques, e tréquebéques (e o meu tréquebéque é mais importante que o teu) e coisas desse género. Se a gente procurar bem, até se encontram uns pozes de presunção e água benta.
Se fossem flores... nem sei, a minha imaginação não chega para pensar numa flor assim invasora e chata. Também isso não interessa nada.

E quem me mandou a mim “inspirar-me” num Senhor Blogger a sério e começar pràqui a filosofar, e acabei por me enredar numa meada de pensamentos que agora não consigo desenredar, e já pareço a vizinha Catarina quando começa a andar às voltas dos pensamentos, e dos templeites e da Etelvina – sem ofensa, amiga!

A conclusão é que há quem saiba blogar, quem goste de blogar e quem queira blogar. O que é preciso é que cada um se sinta responsável pelo que escreve, e, antes de escrever –ou enquanto escreve – pense no respeito que todos devemos aos outros e a nós mesmos.
E se chegou até aqui e agora está confuso(a) e lhe parece que não percebeu nada, pois já somos dois/duas. Acho que isto é alguma coisa que o Cocó sonhou e me mandou por telepatia.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (15)

outubro 26, 2004

Depressa! Já só tem seis dias e meio!

E pra quê, pra quê?
Para se inscrever no próximo e grandioso Beja Blogs 2004, mais um encontro de blogs organizado por Compadre Nikkoman, o nosso vizinho do "Praça da República, em Beja".

Eu ainda tenho que convocar a reunião familiar, consultar o mapa, fazer o cálculo dos quilómetros e decidir se dá pra ir ou não - mas lá que gostava, gostava!
Gostei muito dos encontros do Alandroal e da Rua da Ilha dos Amores, e se concordo com a vizinha e amiga Jacky que me disse que só consegue conhecer duas ou três pessoas de cada vez, pra mim é bom porque raramente saio de casa pra conviver seja com quem for. Faz-me bem arejar, e geralmente encontro gente simpática, agradável, bem disposta...
E depois, como sou muuuuito gulosa, gostava de voltar ao Luís da Rocha - um café onde estive há mais de vinte anos e que tinha umas trouxas de ovos dignas da mesa de um rei.

Bom, ainda tenho estes dias para fazer contas e pensar, e você, caro visitante/passante/leitor também. Passe pelo "Praça da República, em Beja", veja o programa do Encontro": almoço, conversa, fotografia de grupo... sem esquecer a vista das paisagens alentejanas durante a viagem.
E olhem, gente, sugiro que cada um arranje um crachazinho, um emblema, uma pregadeira com o seu nome, ou alcunha ou nome do blog, que facilita quando chega aquela altura do "quem procura quem". No último encontro havia etiquetas nas mesas a identificar cada blog, o que já ajudou qualquer coisinha. Mas cada um pode, se quiser, arranjar um crachá e já fica mais fácil cada um encontrar aquele(s) que quer conhecer.
Portanto não me inscrevo prajá prajá, mas fica a ameaça, como no outro do filme: "I'll be back".
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (8)

outubro 20, 2004

O esqueleto é uma estrutura óssea composta por 206 ossos

A gente aprende estas coisas na Escola, e depois esquece tudo – menos os médicos e os fisioterapeutas e outros que tratam dos ossos da gente.
Hoje fiz esta “revisão da matéria” num blog quase tão novo como os seus autores, um grupo de meninos e meninas que têm um blog para contar “a nossa aventura de aprender” e outras coisas.
Sejam muito bem-vindos ao Weblog, este bairro de gente boa.
É bonito ver meninos e meninas que assim tão novinhos gostam de escrever e contar-nos as suas vidas e histórias; ver que há meninos e meninas que não se interessam só por jogos de computador e programas de tv. E que deve haver gente adulta por trás que ajuda aqueles meninos a ter a alegria de partilhar o que já sabem e o que estão a aprender, e a ter prazer em escrever.

Assim a gente pode continuar a ter fé no futuro dos nossos jovens, que sabem e gostam de pensar, e descobrir, e partilhar.
Descobri isto tudo aqui ao lado, no Papagaio Azul.
Espero aprender e descobrir muito mais com eles, e de cada vez que lá for vou sentir-me um bocadinho mais jovem.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:20 AM | Comentários (5)

outubro 11, 2004

Estreia Mundial – Vi responde a comentário

É verdade, acho que nunca fiz uma redacção como resposta a um comentário, mas hoje deu-me na vontade – a propósito de um comentário que fizeram à redacção logo aqui por baixo. Já me senti provocada umas quantas vezes e nunca passei do sentimento, mas uma mulher tem o direito de variar.
E então aqui vai:
Pois Dona Seila, sou rica de muita coisa, lá isso é verdade: saúde, família e outros bens desse tipo.
Percebo da minha casita e não só, que eu sou doméstica mas não sou burra (pelo menos nisso as domésticas são como as loiras, e toda a gente pensa que são burras só porque têm um emprego ao domicílio e sem ordenado).
Num país onde se vê tanta gente de responsabilidade e pergaminhos (alguns até com cursos universitários e tudo) dizer disparates e falar do que não sabe, eu tenho o direito de dar as minhas opiniões sobre o que bem me apetece (e tenho sempre o cuidado de não ofender nem prejudicar ninguém). Afinal este espaço é meu e só o lê quem quer, ao contrário daqueles senhores que vão para as televisões dizer barbaridades e a gente pensa que está a ver um noticiário para ficar informado e ouve cá uns disparates de vez em quando...
E fique sabendo que vejo noticiários, sim senhora - todos os dias. E também vejo a Quinta das Celebridades, porque se não visse depois não podia dar a minha tesouradita, não acha? Há praí muita gente que diz que não vê, mas eu gosto de ser do contra – vejo, e não o nego. E também sempre lhe digo que uma vez estava numa festa em que eu e a minha família éramos os únicos pelintras, e o resto era tudo doutores e engenheiros – aqueles que se chamam gente “bem”, e quando chegou a hora do “Big Brother” estavam todos coladinhos ao ecrã, que eu mais o meu Arnaldo e a Cèlinha bem os vimos. Mas depois andam por aí armados em intelectuais com livros da moda debaixo do braço, livros que não chegam a ler mas metem muita vista.

Voltando às tais ditas “celebridades”: então se eu não visse o programa, como é que eu ia descobrir que a Dona Júlia Pinheiro disse que os animais também tinham (já não me lembro bem o quê) como as outras pessoas? E ouvir aquela outra celebridade a dizer que o frango é o marido das galinha? E o senhor Castelo Branco que pensa que é superior, e faz uns discursos armado em José Hermano Saraiva mas a gente vai a prestar atenção e aquilo tudo espremido não sai coisa com coisa? Ainda por cima ele não move uma palha, está sempre armado em Miss Castelinhos, e só quer passear de charrette e andar por ali armado em modelo convencido que é o supra-sumo da batata.
É verdade – o homem às vezes até tem graça. Mas a maior parte do tempo faz é uma figura bem ridícula, parece um balão muito grande e muito cheio de cores e depois a gente faz um furinho, sai aquele ar todo e fica o vazio.

E quanto a celebridades, só se for lá na rua deles, que eu cá só conhecia uns três ou quatro. Pois é, a culpa é minha, que só vejo noticiários e não leio a “Caras” nem a “Lux” e outras que tais. Mas chamar “Celebridades” a pessoas que só são conhecidas porque... aparecem em revistas de celebridades???? Desculpe lá, rica, mas é o fim da picada!
Eu sei que sou um (grande) bocado ignorante, mas agradecia aos meus queridos leitores que me informassem o que alguém daquele grupo de pessoas já fez de importante na vida. Tirando o Senhor Presidente (que nem sempre deu bons exemplos no passado, é verdade, mas pelo menos dirige uma câmara), alguém ali já fez alguma coisa de realmente importante? Já ajudaram pessoas? Já salvaram alguém? Algum deles produziu alguma obra que tornasse o mundo um bocadinho melhor?

Tá certo: eu vejo a “Quinta das Celebridades” – e chego à conclusão de que eles são pessoas iguaizinhas às outras. Nem mais, nem menos. Vejo ali pessoas que se preocupam com os animais, que trabalham para o bem-estar de todos; há cenas de queixas, e desabafos, e dizer mal, e dizer bem; há “borboletas” que andam de um lado para o outro só a mostrar o colorido das asas.

Se eu pudesse, se todos nós pudéssemos espreitar para o interior das casas da rua onde moramos, de certeza não íamos encontrar nada de muito diferente. Só que as pessoas que vivem na minha rua nunca apareceram em revistas cor de rosa. E não precisam de fazer liftingues nem pilingues nem de pôr Botócse para se sentirem bem; nem de ir ao estrangeiro comprar roupas caríssimas para irem exibi-las durante uns dias numa quinta.
E, sobretudo, a maior parte delas não se acha melhor que ninguém.

Quanto à censura, a maneira como fala dela mostra-me que é jovem; está perdoada. Só pode brincar com este assunto quem nunca teve de viver no tempo em que, em Portugal, as pessoas não podiam dizer nem escrever o que pensavam. (a ser verdade o que vem no Expresso de hoje, sobre a conversa do Dr Paes do Amaral com o Prof. Marcelo, se aquilo não é censura eu chamo-me José Eduardo Moniz). Dê graças a Deus ou a quem quiser por já não haver censura, pois se houvesse não tinha a liberdade de ter o seu blog.

E a quem teve a paciência de me ler até ao fim, o meu obrigada e as minhas desculpas. Mas ele há coisas que me tiram do sério.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:00 AM | Comentários (9)

setembro 21, 2004

Os discursos, pois claro!

A começar pelo nosso anfitrião/organizador principal, que “orou” muito bem como todos vocês bem sabem porque todos os outros blogs já disseram tudo. (não é só a comer que eu sou vagarosa...). Pois gostei muito de ouvir o senhor Zecatelhado – o que não é surpresa nenhuma, porque já gostava de o ler, e se não está aqui nos links por preguiça, está nos meus favoritos -, com um bonito discurso, curtinho para não cansar, com direito a citação de poema e tudo (grande Zé Carlos!). E ainda bem que o discurso foi curtinho e acabou antes de uma lágrima marota que estava quase, quase a entrar em cena, ter tido tempo de fazer das suas. Pois ficou emocionado, o vizinho Zeca, por ver ali tanta gente, e todos bem-dispostos e a darem-se lindamente como Deus com os anjos. Bem pode estar também orgulhoso, e mais os outros que ajudaram a organizar, que foi bonito e correu sobre rodas.
E também orou o senhor Paulo Querido, senhorio da maior parte de nós, que falou pouco mas bem, pois é verdade que ele trabalha que se desunha na manutenção do bairro, mas quem o faz são os moradores e também os visitantes que vêm e comentam. A propósito, Dona Monalisa, minha visitante muuuito antiga, que me faz sempre comentários bonitos, este beijinho é só para si, em representação de todos os que visitam os blogs e comentam e nos animam e nos “obrigam” a voltar... – sobretudo os que não blogam, pois os que blogam já são da casa.

Claro que não podia esquecer o poema do senhor jORge CAstro, mais um dos poetas/escritores, que descreveu tão bem as pessoas e o ambiente dos encontros de bloggers. Bela inspiração, sim senhor!

E foi assim a parte dos discursos, que mostraram e provocaram uma pontinha de emoção mas sem exageros nem lamechices que era tudo gente equilibrada e sensata, mas com um bocadinho de coração como se quer.
E disse.

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setembro 20, 2004

Ainda o Magnífico Acontecimento


Se os comeres eram um primor, a companhia não lhes ficou nada atrás. Fiquei com pena de não ter conversado com muitos outros, mas ainda troquei umas palavras com o Lusofolias, conheci em pessoa a Jacky do Alfabetos e Linguagem das Flores (e fiquei sem saber como é que um corpinho tão pequeno e jovem tem tanta energia – grande Jacky!), revi o Senhor Paulo Querido, o senhorio de quase todos nós, mais o seu amigo Luís Ene (o Senhor das Palavras), e sobretudo descobri que tenho dois “afilhados” no Weblog: o Manuel Gonçalves do “Olha oh Passarinho”, e a Maria, do “Puta de vida.. ou nem tanto” (façam o favor de desculpar a palavra assim um bocadinho mais pesada, mas é preciso respeitar os nomes dos blogs de cada um); o Manuel, que tem aquelas fotografias que me fazem ficar verde de inveja, e a culpa é toda minha porque tive a honra de ser das primeiras visitantes e ele estava assim um bocadinho à rasca porque queria pôr fotografias e não sabia como fazer. E vai daí, foi aqui a Vi que lhe deu a receita – em boa hora, e abençoada receita, e muito bem aproveitada; se ainda não conhecem dêem lá um saltinho quando puderem, se gostam de ver coisas bonitas. Verão que não perdem a viagem.
Foi engraçado porque eu imaginava o “Passarinho”, como lhe chamo, assim um chavalo ainda novo, dos seus vinte e tal anos, e saiu-me um rapaz da minha idade. Partidas do ciberespaço, ou como dizia o meu irmão Plácido, “Na Internet ninguém sabe se és um cão.”
E a Maria, do “Puta de vida...” (desculpem lá, que isto não é a minha linguagem de todos os dias, é só nome de blog), que parece que foi no meu blog que descobriu como era fácil ter um, porque aqui o Weblog só lhe falta ter na entrada um daqueles azulejos que dizem “Seja bem-vindo quem vier por bem”. Além do mais é de Barcelos, o que deixou o Cocó muito triste por não ter ido e ter podido conhecer uma conterrânea. E eu fico muito contente e muito orgulhosa por ter dois web-afilhados que são gente boa de blog e não só, são mesmo boas pessoas!
Como companheiro de mesa, além destes dois, tive também o “Amnésia”, e desculpe mas esqueci-me do seu nome mas não do rapaz simpático que é, com um brilhozinho nos olhos quando nos contou que está à espera de um “rebento”.

Só sei que todos tivemos uma conversa agradável, e nem dei pelo passar do tempo. De vez em quando, das mesas atrás de mim e da Maria vinham umas gargalhadas daquelas dadas com gosto, que mostravam que havia gente a divertir-se em grande.
E falámos de blogs, e como é que se põe uma fotografia, então e os estilos como é que é, e por aí fora.

É engraçado como um bando de perfeitos desconhecidos de repente se encontram e desatam a falar uns com os outros como se fossem velhos amigos. A verdade é que até são, conhecem-se dos posts e fotografias e caixas de comentários, e cá está o velho assunto sobre se os blogs são a alma das pessoas ou também janelas que cada um abre para deixar os outros espreitarem para dentro de si.
Cá na minha modesta opinião, é como na vida em carne e osso, mas ao contrário, isto é: na vida em carne e osso (não lhe chamo “vida real” porque esta vida também é real) as pessoas conhecem-se fisicamente e depois é que começam a conhecer-se, a entender-se, a estimar-se ou odiar-se. Aqui acontece de trás para a frente, mas vem a dar no mesmo: as pessoas estimam-se, respeitam-se e/ou entendem-se primeiro, e só depois é que se conhecem em carne e osso. Por mim, até é mais engraçado.
Lembro-me dos comentários e mails que troquei com a Jacky, que é do Porto, e como simpatizámos uma com a outra, e se alguma vez na vida eu pensava que ia entrar num restaurante e dar de caras com uma “velha amiga”.
De certeza que para os outros companheiros foi tão bom ou melhor que para mim, e foi também por isto que o Encontro foi um sucesso.
E disse.

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setembro 19, 2004

Estou muito aborrecida

Mas é com a minha própria pessoa, que me esqueci de levar o Tamparié (assim mesmo, escrito à portuguesa!). É que as comidinhas estavam todas muito boas, do caldo verde à mousse de chocolate, e como eu tenho um estômago pequenino e não consigo comer tudo sempre tinha almoço pra amanhã que o Arnaldo não almoça em casa.
Que isto, com os tempos difíceis como estão, é preciso saber poupar e aproveitar, e até dava para o Cocó que o bacalhau com amêndoas e broa estava uma delícia mas eu deixei aquelas coisas verdes (que a minha mãezinha não me ensinou a gostar de verdes mas fez mal, que são coisas que fazem muito bem à saúde das pessoas). E se eu tivesse levado o Tamparié amanhã dava aqueles verdes ao almoço ao Cocó, e assim era quase como se ele tivesse ido lá – era só ler os outros blogs e ver as fotografias, que eu nunca vi tanta máquina fotográfica junta, a não ser nas montras das lojas, por isso amanhã há-de haver uma catrefada de fotos por esses blogs fora.
E trazia tamém aqueles lombinhos de porco com mel que não consegui comer a segunda metade do segundo lombinho porque ainda precisava de guardar espaço para a mousse de chocolate, que gosto mais que da mousse de manga que também tinha muito bom aspecto, mas eu estava um bocadinho cheia e já não tinha espaço para mais, que também já cá cantava o caldo verde, e mais uns quantos copos de água.
O que me valeu foi o cafezinho para rebater, e agora se calhar vou ter uma insónia e fazer uma noitada que é para a próxima ter juízo; eu sei que o café me tira o sono e devia ter pedido um descafeinado mas não me apeteceu, e vou ter de pagar as favas, que quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga, como cantava o Senhor Variações e com ele foi um bocadinho verdade porque andou assim desprotegido e depois veio a SIDA e levou-o antes do tempo. Mas também acho que no tempo dele ainda não se sabia o que era a SIDA, e que muitas vezes basta um bocadinho de latex para salvar a vida a uma pessoa.
E parece que hoje em dia ainda há muita gente que não sabe ou não quer saber, e depois pumba! Não têm juízo e o corpo é que paga, que arranjam uma carga de trabalhos – se tiverem sorte, porque se não tiverem arranjam uma sentença de morte que ainda é pior.

Lá estou eu a distrair-me da conversa principal, que é aquele belo daquele Encontro/Jantar.
Espero que o almoço do Arnaldo amanhã corra tão bem como a minha jantarada de hoje, que ele vai para um almoço de antigos colegas lá da escola dele, e eu também já tenho ido mas é um bocado seca porque não conheço aquelas pessoas, e digo meia dúzia de larachas e tal e fico assim um bocadinho à parte (grande bicho do mato!). E lá anda ele feliz da vida a perguntar aos amigos: “Então ainda estás casado com a terceira mulher?” “Esta é a tua filha?” “– Não, é a minha quarta mulher.” E por aí fora, porque são todos amigos ou conhecidos.
E eu ali sentadita, a ver se ninguém me vem perguntar nada, porque como não conheço as pessoas fico pouco à vontade. (é muito chato ser bicho do mato, sabiam?)

E agora que já falei da ementa vou fazer uma pausa para digerir a jantarada, que isto não dá para falar de tudo de uma vez. Vamos ver se a Santa Inspiração não me desampara, que deve andar muito ocupada noutros lados e tem-me abandonado de há uns tempos a esta parte.
E disse.

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Mega-Encontro/Jantar de blogs: eu quero ser primeiras!

Pois é, fui ao jantar de blogs organizado pelo grande (o físico, mas também a Pessoa) Zecatelhado, e foi um sucesso, um ‘spetáculo, com praí uns cinquenta blogueiros, ou bloguistas, chamem-lhes o que quiserem.
E quem não foi não sabe o que perdeu.
Mas esta redacção tinha que ser agora, pra ver se consigo ser a primeira a falar do assunto porque o resto da malta foi tudo pràs Docas abanar a carola, mas a minha carola, como já é velhota e cheia de reumático já não abana – por isso não ia fazer nada para as Docas, não é?
E enquanto eles abanam eu digo em primeira mão que o jantar/encontro foi um sucesso, e está de parabéns o Senhor Zecatelhado e bem haja por ter tido a ideia e às outras pessoas todas que ajudaram a organizar.
Que isto não é todos os dias que se fecha um restaurante assim sem ser como a Madonna que fechou o Lux, é tudo gente assim mais anónima mas é gente muito boa e com muita coisa dentro da cabeça, e se não fazem parar o trânsito fazem fechar um restaurante, pois então; gente que tem ideias e sabe pô-las nos blogs, e alguns até em livros e tudo.
E se querem saber mais vão ter que esperar que eu consiga organizar as ideias na cabeça, que isto vem assim mesmo a correr.
E disse (por enquanto e até ver!).

Publicado por vitriolica às 01:28 AM | Comentários (7)

julho 31, 2004

Alandroal VIII – Epílogo

Ai, gosto tanto desta palavra “epílogo”! Lembro-me de a ler em romances antigos, assim depois do fim da história, e era muito bonito porque a gente via ficava a saber o que acontecia às personagens depois do “casaram e foram muito felizes”.

E assim também eu gostava de fazer uma espécie de epílogo. Claro que eu não sei o que aconteceu às outras personagens, quase nada! A minha vida continuou na mesma, e penso que as dos outros colegas blogueiros também. Mas ficámos todos um bocadinho diferentes porque trocámos ideias e opiniões, logo voltámos mais ricos. Conhecemos pessoas, ou reencontrámos quem já era conhecido, e isso também é bom. E para quem ainda não conhecia foi uma bela oportunidade de conhecer a vila do Alandroal com o seu castelo altaneiro: terra bonita, de gente simpática e que vale a pena conhecer – gente e terra.

E quero agradecer em particular às pessoas que foram amáveis comigo e me disseram palavras tão simpáticas: a menina Sónia sempre ao_sul, o Zé Chaparro e a sua Barra Cromológica, o Luís Tata mostrando o seu lindo Alandroal, e também o Nikkoman que de vez em quando vem da sua Praça da República – em Beja, onde mais podia ser? – e vem tomar um chazinho aqui à minha modesta cozinha. E também aquela moçoila simpática de quem esqueci o nome e o blog, mas que fez o favor de aturar as minhas conversas durante o almoço.
Se esqueci alguém, façam o favor de se acusar aqui na caixinha dos comentários, que eu não sou ingrata nem gosto de ser injusta – mas sou muito desmemoriada.
E pronto, amigos, agora é que termina de vez o Folhetim de Um Encontro de Blogs no Alandroal, Bela Vila Alentejana.
E disse.

Publicado por vitriolica às 01:14 AM | Comentários (6)

julho 29, 2004

Alandroal VII - Conclusões e água benta cada qual toma as que quer - II

Esta é a última posta sobre aquela beleza de encontro, e peço desculpa a todos os leitores deste “emocionante” folhetim, mas a história acaba mesmo. Quando houver outro encontro, talvez me volte a inspiração.

Acabou, então, a parte intelectual do Encontro, metade do que levou lá toda aquela gente – a outra metade, está bem de ver, foi a bela almoçarada.

E a esta altura do campeonato já toda a gente se esqueceu daquela beleza de Encontro, até eu já estou meia esquecida. Mas prometi um último capítulo, e mesmo atrasado aqui vai ele:

Depois do fim da parte intelectual houve gente que foi logo embora, outros que já se conheciam foram estender a conversa por ali nos bares que havia. (o bicho do mato da bruta da Vi claro que não foi capaz de se juntar a ninguém) E então fui fazer a parte turística, que é como quem diz, fui visitar os stands a ver se encontrava umas recordações para trazer para a família.
Havia muitas coisas bonitas e interessantes, e eu gosto de ver o artesanato porque é uma forma de arte que é do povo, daquelas pessoas que são analfabetas ou quase, mas não são ignorantes. Têm um conhecimento diferente das pessoas da cidade como eu, mas isso não quer dizer que sejam ignorantes. Essa ideia foi inventada por alguns intelectuais que só sabem o que leram nos livros e não sabem assim lá muito da vida; este assunto terá que ficar para outro dia, que não cabe muita coisa numa redacção só.
Ia-me perdendo no meio daquelas peças para todos os gostos e preços, e tive que fazer um esforço para me lembrar que não sou herdeira do Senhor Gulbenkian ou coisa assim, para não mandar embrulhar um de cada e mandarem a casa. E dos comeres, então, nem se fala: aqueles bolos e doces todos a piscarem-me o olho, a rirem para mim – os malandros - , capazes de acabar com a linha de qualquer moçoila esbelta (que não eu!). Azar o meu, que ainda sentia o belo do entrecosto mais as migas que ainda não tinham sido bem digeridos tamanha foi a comilança! E os enchidos, senhores! Não há nada que chegue aos nossos belos comeres regionais – alentejanos e não só.
Ficaram-me os olhos naqueles expositores de tentações e calorias, só vos digo!

Lá me despachei e trouxe uma malinha para a Cèlinha, e para o Arnaldo um belo dum queijo – que ele adora uma bela comezaina, seja lá o que for; e se for boa, tanto melhor! Para mim já tinha comprado o catálogo da exposição das “Pedras que Jogam”, porque gostei muito das fotografias, e quem sabe se não acabo por aprender a jogar um daqueles jogos! E também queria mostrar à Cèlinha, quem sabe ela não tem vontade de aprender um...

Estava na hora de meter rodas ao caminho de volta, e lá nos fizemos à estrada eu e o meu fiel e sempre a postos corcel. A “folga” estava a acabar, e depois de uma viagem calma cheguei a casa – que ainda estava inteira - , de volta à cozinha mesmo a tempo de fazer a janta para a família.
Claro que tive que contar tudo ao Cocó, tintim por tintim, e ainda acrescentei da minha lavra as minhas conclusões pessoais, a saber:
. que há blogueiros de todas as idades, sexos, religiões, partidos e clubes de futebol;
. que um blog é uma coisa pessoal e transmissível, como diz um senhor quando fala de entrevistas na TSF assim ao fim da tardinha;
. que os blogs são muito importantes para quem os lê, e muito mais importantes para quem os faz;
. que uma grande parte dos blogs “regionais” me pareceram ser alentejanos (mas isto também pode ser por o encontro ter sido no Alentejo).
. que se não fosse o “Senhor Geral” não se tinha juntado ali aquela gente toda.
(é verdade que houve mais “culpados”: o “Alandro Al” que organizou, a Câmara Municipal, que apoiou, e todos os que vieram de várias partes do país para se conhecerem e se darem a conhecer e conviverem naquele dia diferente).
. que quando houver outro encontro, se eu puder ir, lá estarei, sozinha ou acompanhada.

E pronto, terminou o folhetim do Alandroal!
Tenho andado um bocado arredada aqui da minha e-janela, mas vou ver se volto em breve. Até lá, abram as janelas e liguem as ventoinhas – e tentem não provocar incêndios, por favor!
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:30 AM | Comentários (3)

julho 26, 2004

Nunca vi um homem...

... analisar a diferença entre os sexos assim tão bem, em poucas palavras.
E desculpe, senhor Paulo, mas vou roubar um bocadinho da sua redacção: "Os homens continuam parvos, sem descobrirem os filhos, enganáveis pelas víboras (que as continua a haver, entre as mulheres) e distraídos com as playstations do poder."

É pena que ainda haja muitos (eu escrevi muitos, não todos!) que nunca descubram isto ao longo da vida.
Mas sempre consola saber que alguns o vão (se vão) descobrindo

Publicado por vitriolica às 01:21 AM

julho 12, 2004

Alandroal VII - Conclusões e água benta cada qual toma as que quer

Dentro de momentos, neste seu canal.

Publicado por vitriolica às 12:14 AM | Comentários (3)

julho 09, 2004

Alandroal VI – A parte do intelecto

E cá estamos nós no auditório. Com tanta cadeira vazia parecemos menos do que somos. Mesmo assim, poucos mas bons! (Não estou a desfazer – o auditório é que tinha muitos lugares)

Coisa bem feita, o Senhor Presidente da Câmara na mesa, junto com os organizadores e outros oradores. Discurso do Senhor Presidente (este calor mata-me, Deus me ajude a não me desmoronar de sono. Era capaz de ter piada para os meus colegas, verem uma dona de casa derreter-se com a calorama e deslizar pela cadeira até aterrar estatelada no chão!). Falou bem, o senhor... pena que já não me lembro do que ele disse.

E por falar nisso, se quiserem conhecer a parte séria e intelectual do Encontro vejam o Alandro Al, ou os outros blogs que estiveram no encontro.
Cá por mim, ouvi tudo com muita atenção e concordei com quase tudo o que foi dito. Os blogs são importantes na vida das pessoas que escrevem sozinhas, ou nas comunidades; se eles põem pessoas desconhecidas a trocar ideias e opiniões, então fazem bem porque a troca de ideias enriquece todos. E também põem as pessoas a conversar sobre a sua terra, ou o seu bairro, ou sobre assuntos que interessam a grupos de blogueiros e visitantes de blogs.

E outros usam o blog como se fosse um livro que é como se fosse publicado todos os dias e ao mesmo tempo nunca estivesse pronto, o que é uma vantagem sobre os livros impressos porque aí a gente já não pode acrescentar nem corrigir nada.
Também há uma coisa muito boa nos blogs: é que toda a gente pode ser escritor por conta própria. É certo que não vai dar autógrafos nas Feiras do Livro e nas livrarias, mas também não tem que lidar com editores e essas coisas legais, e quando é que fica pronto, e não era assim que eu imaginava a capa e coisas desse género.

Já repararam quantos escritores de blogs publicaram livros? Uma meia dúzia... Se eu chegasse a uma editora com as minhas redacções debaixo do braço ou num disquete, eles riam às gargalhadas na minha cara – e eu era menina para me rir com eles, pois claro! É que nem tudo o que é escrito fica bem impresso em livro, é o que é. Mas aqui nos blogs é diferente, a coisa é mais solta e mais descontraída, e toda a gente pode pôr os pensamentos e as ideias e opiniões e informações à disposição de quem nos visita. E melhor, os leitores podem deixar logo uma opinião, um comentário. Isso, com os livros, ainda é meio complicado – por acaso conheço um autor que põe o endereço de imeil dele nos livros, e assim pode receber comentários dos leitores e responder-lhes; mas só conheço UM...

(Vi, lá estás tu a desviar-te do assunto – é o Encontro, lembras-te?)
A menina Sónia, do Ao Sul, fez um belo discurso e depois pregou-me a partida e pediu-me para falar dos “blogs no feminino”. (devo ter ficado vermelha que nem um tomate, mas lá tomei coragem e disse umas palavritas – não garanto que tenha dito coisa com coisa, mas isso é outra conversa. Também assim de improviso, com certeza não podiam esperar discurso como deve ser!)

Assim em resumido, eu acho que não há femininos e masculinos, quer dizer, cada sexo tem uma maneira própria de ser e de pensar, mas no fundo somos todos pessoas. E se é verdade que blogar (ainda) não é uma profissão, em todas as profissões há homens e mulheres, mas todos fazem as mesmas coisas de maneiras muito parecidas: as motoristas de táxi metem as mudanças da mesma maneira, as médicas tratam da mesma forma, uns com mais jeito e habilidade que outros, mas no fundo não há diferenças. A única diferença é nas escolhas: cada pessoa faz do seu blog uma coisa pessoal, quando escolhe um tema, ou quando decide que tipo de ideias vai pôr ao alcance dos visitantes/leitores, ou resolve usar um certo estilo. No fundo o que interessa é conseguirmos passar aos outros as nossas ideias. (e a propósito, escrever em Português sem erros também ajuda, que de vez em quando vejo por aí uns pontapés na nossa Língua que fariam tremer nos alicerces os senhores escritores Eça de Queirós, Aquilino Ribeiro e outros...)

Que me perdoem todos os outros, mas gostei mais um bocadinho do que disse o Senhor Luís Ene, por causa da história que ele leu – aquela que fala de um homem e de uma ema, procurem no blog dele.
Fartei-me de rir com outra coisa que ouvi lá, acho que foi dita pelo Senhor Presidente da Câmara de Évora, mas não tenho a certeza:” os blogs são perigosos!” (quero dizer, este Senhor não estava lá, mas um dos oradores ouviu-o dizer isto noutra ocasião).
Este senhor parece acabadinho de sair do tempo da outra senhora, em que não havia liberdade para cada um dizer em público o que pensava. Só pessoas que ainda pensam assim é que podem achar perigosos os blogs; pessoas que acham que ter ideias próprias é crime. Felizmente já lá vai o tempo em que éramos proibidos de pensar porque havia meia dúzia de pessoas que pensavam por todos nós e depois nos diziam o que havíamos de pensar.

Mais perigosa é a minha cozinha que está cheia de armas mortais (montes de facas afiadas). Com cada uma delas pode-se matar umas dúzias de pessoas. Agora digam lá se alguém vai mandar entaipar a minha cozinha. Havia de ter graça!

Terra chama Vi... terra chama Vi... Ah pois, o Encontro!
Não esquecer de agradecer à organização que manteve uma menina a distribuir garrafas de água durante o tempo que durou o encontro.
Não esquecer de agradecer a simpatia da Sónia Ao Sul, do Zé Chaparro Cromológico, do Luís Tata, Luís Ene... e desculpem os outros que me “escorregaram da memória” com o calor.

Muito importante: nunca gostei de usar a palavra “post” por ser estrangeira; “redacção” cheira muito a escola do antigamente – agora chama-se composição. Aprendi no Alandroal uma palavra que me agrada: posta.
E disse.

Publicado por vitriolica às 01:57 AM | Comentários (8)

julho 08, 2004

Alandroal V – Garfos a postos, vamos a isto!

Acabou de chegar o Senhor Luís Ene. Vem acompanhado por uma menina – bem bonita, por sinal, e pelas feições só pode mesmo ser filha dele. Vou cumprimentá-lo, é pelo menos uma cara um bocadinho conhecida, já me sinto com menos falta de à-vontade.
E lá vamos nós para o restaurante. Parece bastante gente! (entre blogueiros e “apêndices” juntaram-se mais de trinta pessoas).
Como estava tudo a correr bem, lá vem uma contrariedade: o Senhor Paulo Querido, o senhorio de todos nós, não pode vir. Ora bolas! Deixa lá, há-de haver outros encontros... ficou a dever-nos, Senhor Senhorio! (Pensando bem, se não fosse o senhor não se tinha juntado ali aquela gente toda)

Hora da ementa; como de costume, levo meia hora a decidir. Vamos ver se as migas honram a terra delas! Levou um bocadinho mais de tempo a termos os pratos à frente do que a minha escolha. Acabámos por nos divertir durante a espera porque os “empregados de mesa” eram dois jovens, quase de certeza sem experiência, e volta e meia lá aparecia um deles com um prato na mão: “Um (imagine o nome do prato) é para aqui?” “Não, aqui são três entrecostos com migas!” Isto deve ter-se repetido com todos os pratos pedidos por todos os outros colegas daquela mesa comprida. À minha direita estava um rapaz que também era boa companhia – não tenho a certeza, mas penso que era o Luís Tata do Alandro Al. Lá acabaram por vir as nossas migas (que a propósito estavam praticamente tão boas como as que eu faço – modéstia à parte), mais o peixe do rio com molho de poejos pedido pelo Senhor Luís Ene e o cozido de grão pedido pela rapariga que estava à minha frente. (e desculpe se ler isto, mas náo me lembro do seu nome... só que – também – era simpática, e aturou a minha conversa com muita paciência e educação); o cozido, num alguidar de barro, tinha um aspecto muito apetitoso, com aquele raminho de hortelã da ribeira, verdinho e cheiroso. Fiquei com pena de não ter provado os outros pratos, o que quer dizer que qualquer dia tenho que ver se volto ao Alandroal.

Acabei por ficar tão cheia que nem comi sobremesa, contentei-me com a bica indispensável, para contrabalançar a almoçarada e o calor que prometia sonolência. É preciso não esquecer que não foi só para almoçar que tanta gente veio de tantas zonas do País – de Faro ao Porto, que me lembre – o programa também tinha a parte intelectual, com comunicações e debate. Ia custar um bocadinho prestar atenção, com o estômago cheio e o calor, valha-me Deus, aquele calor lá bem do meio do Alentejo...

Esquecia-me de um pormenor importante: durante o almoço passou por lá o Senhor Presidente da Câmara, todo muito simpático e a cumprimentar as pessoas. O mundo é muito mais agradável com pequenos gestos simpáticos.
E disse.

Publicado por vitriolica às 12:25 AM | Comentários (8)

julho 06, 2004

Alandroal IV – primeiras impressões

Estou a pensar transformar isto num folhetim. Assim aos bocadinhos. Hoje estou com um bocadinho de dor de cabeça e vou escrever pouco.
Então foi assim: já tinha tomado a bica, já tinha visitado as “Pedras que jogam”, era quase meio-dia e o calor crescia.
Fiquei parada à porta da tenda. (A Expo estava dividida por uma quantidade de tendas grandes, brancas.) Era logo a primeira à esquerda, onde estavam as duas exposições (ver “posta” anterior) e também o auditório. O meu leque foi uma boa companhia, podem crer! Esperava ver algum movimento, qualquer coisa que me dissesse que havia por ali blogueiros. Do outro lado da porta da entrada estava um grupo de “moçoilos” de idades várias. Eu tentava ver se estaria por ali uma cara conhecida (o senhor Luís Ene ou o senhor Paulo Querido que eu conhecia do lançamento do livro em Outubro passado), mas nada! O pior era vencer a timidez e ir falar com eles – pelos pedacinhos de conversa que me chegavam percebi que eram colegas - mas ir falar-lhes, apresentar-me... já não é a primeira vez que digo que sou tímida, e bem podem pôr timidez nisso!

Foram uns valentes minutos de luta cá “de mim para cumim”, mas eles estavam para ir para outro lado e tive que fazer das tripas coração para ir falar com eles; estava quase na hora do almoço e eu tinha que saber onde era...
Afinal não custou muito, era tudo gente muito simpática. Eu é que sou assim este desgraçado bicho do mato. Se estou bem lembrada, eram os organizadores (do Alandro Al), mais a Praça da República em Beja, e penso que havia um terceiro mas já não consigo lembrar-me de qual... Acabei por perceber que, como entrei muito cedo, estava sem identificação. Segui as explicações daquela rapaziada simpática e fui à bilheteira onde um rapaz muito amável me pôs uma pulseira azul. A pulseira não podia ser retirada, e como ficou um bocadinho justa no meu pulso “de passarinho” (eu chamo-lhe assim porque é muito fino, parece o pulso da Cèlinha quando tinha aí uns sete anos), pensei que, se o calor aumentasse e o pulso inchasse, ainda me prendia a circulação. Felizmente não aconteceu, a pulseira aguentou-se bem e o pulso também.

Estava então na hora de ir para o local do almoço, o restaurante da Expo.
Por agora vou descansar a cabeça, não perca o próximo episódio...
E disse.

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julho 05, 2004

Alandroal III - Aperitivo

Lá fui eu devagarinho, (prego a fundo, mas o carro dá pouco...) e fiz boa viagem, acabei por chegar cedo – ainda nem a bilheteira estava aberta, mas estava o portão do recinto da Expo Guadiana. Entrei com um ar muito sossegado, e ninguém me barrou. Maravilha!
Estava doidinha por uma bica, mas não queria voltar à vila – onde um senhor muito simpático me tinha indicado o caminho para a Expo -, pois tinha medo de me perder ou de não arranjar lugar para o carro ou coisa parecida, e não queria atrasar-me. O calor já apertava, e agradeci aos céus não me ter esquecido do leque – é um objecto que pode estar fora de moda, mas continua a ser muito útil quando a temperatura sobe (e tenho que agradecer à Idalete que aqui há uns anos foi a Ayamonte “de compras”, e me trouxe de lá um, numa altura em que eu nem me lembrava que existia tal utensílio. Perdi-o uns anos mais tarde, mas tenho sempre comprado leques e no verão nunca ando sem ele).
Tomei a bica numa barraquinha, com calma e vagar – bem à alentejana.

Como cheguei antes da hora, pude ver uma exposição muito interessante com um título muito bem posto: intrigante, mesmo a puxar pela nossa curiosidade: “Pedras que jogam”. Nunca me tinha passado pela cabeça que havia uma quantidade de jogos que já são tão antigos, jogos que puxam pela imaginação e sobretudo pelo raciocínio. Fiquei a pensar que aqueles povos antigos, em que eu penso sempre como gente inculta e abrutalhada, afinal sabiam distrair-se com jogos inteligentes.
Se eu mandasse, aquela exposição havia de percorrer todas as escolas do país, das primárias às secundárias. Bem podia servir para mostrar aos nossos jovens que a vida não é só futebóis, telenovelas e Big Brother (paz à sua alma). Já que a Cèlinha não pôde ir trouxe-lhe o bonito catálogo da exposição – que também me vai servir para ajudar a minha fraca memória a recordar.
Havia ainda uma exposição sobre a presença islâmica no Alentejo, mas dessa não me lembro assim muito – não vi o catálogo...
Mas realmente gostei muito daquelas “Pedras que jogam”, muito interessante e bem apresentada. Estão de parabéns o Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e o Museu da Cidade de Lisboa que organizaram a exposição, mais a Expo-Guadiana que teve a feliz ideia de a trazer até ao Alandroal. Dá mesmo vontade de aprender alguns daqueles jogos, e sentir-mo-nos logo mais inteligentes só por isso.
E disse.

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julho 04, 2004

Alandroal II – o antes

Lista de verificação
. o Arnaldo já viu o óleo e a água do meu corcel, e ontem meti gasolina;
(não sei por que raio é que os portugueses têm o hábito de chamar aos carros – pequenos, claro - “Boguinhas”; acho uma alcunha bem pirosa; prefiro ver o meu como um garboso corcel, de crinas ao vento à desfilada pelos campos.)
. o almoço da família está adiantado: é só porem o tacho ao lume e quando levantar fervura juntarem o esparguete e deixarem cozer – ficam com uma esparguetada de frango de comer e chorar por mais;
. o saia-e-casaco (não gosto de lhe chamar tailleur, que é estrangeirismo) ficou impecável e já não cheira a naftalina nem a benzovaque.
. as penas do Cocó passaram de brancas a amarelas; não tive coragem de lhe perguntar se é do enjoo que sente ao pensar na viagem que não vai fazer, se de inveja por não ir ao Encontro. Faço umas festas ao bicho “Calma, Cocó, daqui a nada estou de volta”. Nem responde – está tolhidinho.

Hora da partida, cheia de adeuses e recomendações “Vai devagar, e cuidado com os malucos. Se tiveres algum problema telefona! E nada de excederes os limites de velocidade!” “Não te esqueças de trazer uma prenda!” “Cumprimentos às cegonhas alentejanas, e cuidado com os gaviões” (adivinhem de quem partiu cada comentário...).
Nove da manhã, partida. Estou um nadinha nervosa, não faço muitas vezes viagens de duzentos quilómetros – para cada lado - sozinha. Estou habituada a ser conduzida pelo Arnaldo, todo seguro de si, capaz, bom condutor, e não por uma Vi meia atarantada, capaz de meter os pés pelas mãos quando se distrai, que é como quem diz quase sempre. Mas não há-de ser nada. Afinal, uma mulher não pode ser independente só nas ideias, tem que ser também nas acções.

O Arnaldo estava com muita vontade de ir comigo, mas a Cèlinha tem uma festa e alguém tem que ficar para ir levar e buscar a “menina”. Desta vez é coisa para a “mulher da casa”, que ele às vezes também tem almoçaradas e jantaradas de amigos e colegas, e fico eu armada em “fada do lar”. Agora é a mesma coisa, mas ao contrário.
Ou somos todos iguais, ou não há nada para ninguém.
E disse.

Publicado por vitriolica às 05:56 PM | Comentários (4)

Alandroal - I

O Alandroal segue dentro de momentos. Também tenho o direito de me deixar anestesiar com o Euro 2004. Hoje somos todos “Malucos da Bola”.
E disse.

Publicado por vitriolica às 05:06 PM

julho 02, 2004

Naftalina e benzovaque

Ainda há um bocadinho de cheiro no ar, apesar das janelas abertas toda a tarde.
Tirei o meu fatinho de saia-e-casaco de verão ontem à noite do guarda-vestidos, e lá ficou a arejar toda a noite. De manhã tive que tirar uma manchinha que não tinha visto quando o guardei no fim do verão passado, e o cheirete horrível do benzovaque ficou no ar. Acho que vou queimar um pauzinho de incenso - de rosas, que é o que eu mais gosto - ou talvez um raminho de alecrim.

Seja como for, amanhã de manhã, Alandroal, aí vou eu!
Ao Encontro de Blogs, à Expo-Guadiana e a tudo o mais que uma dona de casa blogueira tem direito, pois claro! Já confirmei a minha presença, e espero que nada nem ninguém me impeça de estar presente. Caiam governos, raios ou coriscos! Tenho pena de não poder levar o Cocó, mas ele nem quer ouvir falar nisso. Está de crista murcha. Adorava ir, claro, mas enjoa tanto que só de pensar em viajar fica com um nó na moela e outro no papo.

Lá vou eu ter que fazer um relatório completo no regresso!
Pronto, pessoal, se não houver nada de maior, lá estarei ao meio-dia, mais pico menos pico, na Expo-Guadiana mesmo juntinho ao stand do Alandro Al.
Boa viagem a todos os que vão de fora como eu.
E disse.

Publicado por vitriolica às 07:17 PM | Comentários (2)

junho 13, 2004

Já só faltam dois dias

Eu vou!
Está a terminar o prazo das inscrições para o encontro de blogs. Até dia 15 ainda pode inscrever-se.

Publicado por vitriolica às 03:03 AM

outubro 16, 2003

São tímidos ... mas andam a tratar-se!

Estava tudo lá, uma data de blogueiros e blogueiras, todos à espera para conhecer em pessoa, em carne e osso, as estrelas do fim da tarde: o Paulo Querido e o Luís Ene.
Foi bom conhecê-los, felicitá-los pelo livro, e pelo trabalho; o Paulo Querido, então, a minha/nossa ciberdoméstica que nos mantém a casa limpa e arrumada, num Weblog.com.pt que funciona tão bem como o melhor relógio suíço.
O Luís com o seu belo Ene Coisas que é uma beleza a brincar com as palavras como se as estivesse a saborear ou como aqueles senhores do circo que fazem malabarismos.

E lá estava o senhor da Editora mais os dois artistas, perdão, autores, e todos falaram muito bem, e eu a pensar na D. Máxima que se lá estivesse havia de dizer outra vez aquela frase: .Se não fosse eu, não estava aqui ninguém desta gente..
Se eu fosse daqueles sociólogos que estudam as pessoas ia já começar a fazer um estudo sobre aquela gente toda, porque é tudo uma gente que se fartam de escrever, sobre as coisas mais variadas, e quando toca a falar nicles!
O Senhor Editor bem disse às pessoas para falarem e fazerem perguntas aos autores, mas moita, carrasco! tirando dois ou três meio a medo, o resto foi um silêncio que nem em mesa de banquete a seguir ao som de um traque!
Donde se prova que temos todos muita garganta é com um teclado na mão, e quando podemos dar voz à nossa voz ficamos todos caladinhos que nem ratos. Eu fiz como todo o bom português gosta de fazer e tirei logo por mim: sou tímida e não consigo falar em grupos de mais de dez pessoas; logo, cheguei à conclusão de que era mas era tudo uma data de tímidos como eu.
E se calhar não era nada disso, se calhar foi porque uns estavam afónicos, outros não tinham nada para dizer, e outros foram parar ali por engano a pensar que eram a assistência de um daqueles programas de televisão com pessoas ao vivo que batem todos palmas ao mesmo tempo e se levantam como se tivessem todos uma mola debaixo do sim-senhor.
Mas depois viu-se bem que não era nada disso porque quando acabou a apresentação . sim, porque aquilo não foi um lançamento que eu não vi ninguém lançar nada, foi assim mais uma apresentação que um lançamento . e dizia eu quando acabou aquela parte as pessoas levantaram-se das cadeiras e ficaram a conversar umas com as outras, todas animadas, que nem pareciam os mesmos caladões de antes.
E estava lá o Senhor Blogueiro mais velho em Portugal que tem mais de setenta anos e a Menina Blogueira mais nova de Portugal, e a vizinha aqui do 100nada (pt) que é muito simática e diz coisas muito bonitas, e mais o senhor do Eu adoptei. E ouvi dizer que esteve lá aquele senhor que tem o blogue do Pipi dele e outro que tem um Gato Fedorento e assim.
Não vi lá o Doutor Abrupto Pacheco Pereira, mas tive mesmo pena de não ver foi o Senhor Chibo Velho que devia estar a dar marradas noutra freguesia.
E foi muito giro ver aquela gente toda junta, só foi pena os croquetes. É, não vi nem o cheiro! Havia uma minina, (mas acho que não veio de Bragança) que servia bebidas e assim uns salgadinhos, e eu fiquei muito decepcionada porque pensava que havia sempre croquetes e salgadinhos nestas coisas, mas afinal é mas é falta de hábito minha, porque a verdade verdadinha é que foi a primeira vez que fui a um acontecimento social destes.
É claro que lá comprei o livrinho, que não tinha ido lá para outra coisa, e cá está ele, com os autógrafos dos simpáticos autores, dois rapazes muito bem apessoados por sinal.

Quando vinha no autocarro para casa a fazer o balanço, fui tirando conclusões:
1 - Vi, minha filha, da próxima vez lancha como deve ser antes de sair de casa para não te cair na fraqueza se não houver salgadinhos, e nada de levar tâparuére que ocupa muito espaço na mala; um saquinho de plástico chega bem, e se os croquetes se amarrotarem dá menos trabalho a mastigar.
2 - Lembrei-me também do título de um filme de há muitos anos . antes de inventarem a Internet! . .Sou tímido, mas ando a tratar-me. parecia que as personagens do filme estavam todas no Mercado da Ribeira hoje.
3 - Da próxima vez tenho que tirar o fato do roupeiro mais cedo . ainda tinha um nadinha de cheiro a naftalina!
Amanhã tenho que contar tudo ao Cocó, que às dez horas quando cheguei a casa já estava com a cabeça debaixo da asa. Não ouviu nada quando contei ao Arnaldo e à Cèlinha.
E quem quiser saber mais tivesse lá ido, ou leia os outros blogs.
E disse.

Publicado por vitriolica às